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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sobre a dor no trabalho de parto

 A dor permite que nos desliguemos do mundo pensante, percamos o controle, esqueçamos a forma, o correto. A dor é nossa amiga, nos leva pela mão até um mundo sutil, ali onde o bebê reside e se conecta conosco. Perdemos a noção de tempo e espaço. Para entrar no túnel da ruptura, é indispensável abandonar mentalmente o mundo concreto. Porque parir, é passar de um estágio a outro. É um rompimento espiritual e como todo rompimento, provoca dor. O parto não é uma enfermidade a ser curada. É uma passagem para outra dimensão.  
Laura Gutman, in A maternidade e o encontro com a própria sombra

domingo, 13 de novembro de 2011

O Renascimento do Parto


Trailler de um documentário a ser lançado brevemente sobre o parto fisiológico e as consequências da tendência de intervir/medicalizar o parto.

sábado, 4 de junho de 2011

Dia 7 de Junho - Dia Mundial dos Direitos do Nascimento

No dia 7 de Junho (3ª feira) celebra-se o dia Mundial dos Direitos do Nascimento, como Campanha de Consciencialização sobre o impacto do Nascimento.

Conscientes desde há anos da influencia do nascimento nos seres humanos, queremos lançar uma chamada de atenção a todas as pessoas envolvidas no acolhimento aos bebés no momento em que nascem sobre a importância do vínculo extra-uterino.

Numerosas investigações, feitas nas últimas décadas, têm-nos vindo a alertar acerca das nefastas consequências para o bebé ao ser separado da sua mãe no momento do nascimento e como esse facto afecta a relação entre ambos e condiciona a sua socialização durante toda a vida.

Apesar de desde há decadas profissionais e associações de todo o mundo alertarem sobre as graves consequências que acarretam a separação precoce, na maioria dos hospitais e clínicas continuam a separar-se os bebés das mães de forma rotineira.

Não existem evidências ciêntificas para a necessidade de separar mãe e bebé nesse momento tão importante, que é o Nascimento.


Direitos do Nascimento
  • Primeiro: O bebé tem direito ao reconhecimento da sua capacidade física e emocional, na sua vida intra-uterina e extra-uterina, e especialmente durante a transição entre ambas.
  • Segundo: O bebé intra-uterino tem direito a que o bem estar emocional da sua mãe não seja alterado por excesso e abuso de controlo durante a gravidez(1) .
  • Terceiro: O bebé e a sua mãe têm direito a que se respeitem o momento, o ritmo, o ambiente e a companhia no parto/nascimento e que o mesmo decorra de forma fisiológica. Um bebé e uma mãe sãos têm direito a não ser tratados como doentes(2).
  • Quarto: O bebé e a sua mãe têm direito a intimidade e respeito antes, durante e depois do nascimento/parto (3).
  • Quinto: O bebé e a sua mãe têm direito a permanecer juntos nas horas e dias seguintes ao nascimento. Nenhuma observação ou estadia hospitalar justificam a separação de ambos (4).
  • Sexto: O bebé tem direito a disfrutar de aleitamento materno "a pedido", pelo menos, durante o primeiro ano. Que durante a sua estadia hospitalar se respeitem os "10 passos da Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés" estabelecidos pela Unicef e pela OMS.
  • Sétimo: O bebé tem o direito a ser acompanhado pessoalmente pela sua mãe, como mínimo, durante o primeiro ano. A mãe tem direito a desfrutar de contacto íntimo com o seu bebé sempre que necessário.
  • Oitavo: O bebé prematuro tem direito a permanecer junto ao corpo de sua mãe até adquirir peso e condições optimas de saúde. Nenhuma unidade de neonatologia é mais saudável para o bebé que a pele materna (6).
  • Nono: O bebé tem direito a permanecer junto ao corpo de sua mãe durante os primeiros meses de vida extra-uterina. O contacto corpo com corpo é vital para instaurar no bebé sugurança e confiança.
  • Décimo: O bebé tem direito a que sejam os seus pais, quem, pessoalmente, tomará as decisões e quem procure a informação relacionada com o seu bem estar (4).
  • Referências:
    (1) Michael Odent. Primal Health. El efecto nocebo del cuidado prenatal.
    www.birthpsychology.com/primalhealth
    (2) OMS, 1996. Cuidados en el parto normal: una guía práctica.
    www.elpartoesnuestro.es/components/com_docman/documents
    /Cuidados_parto_normal.pdf

    (3) Chalmers B, Mangiaterra V, Porter R, Principios de la OMS sobre cuidado perinatal. Birth 2001; 28: 202-207.
    holistika.net/articulo.php?articulo=52002.html
    (4) Derechos del niño hospitalizado.
    hospitalalassia.com/burocratica/Derechoninosinternado.htm
    (5) Iniciativa Hospital Amigo de los niños.
    www.ihan.org.es/10pasos.htm
    (6) Método madre canguro para reducir la morbimortalidad de neonatos. revisión Cochrane.
    www.update-software.com/abstractsES/AB002771-ES.htm
O dia 7 de Junho foi declarado pela Plataforma pro Derechos del Nacimiento e proposto à O.M.S. como "Dia Mundial dos Direitos do Nascimento".

Links:

Plataforma pro Derechos del Nacimiento

Que no os separen!

Documentário Restaurando el Paradigma Original de Nills Bergman

La hora Siguiente al Nacimiento, de Michel Odent



sábado, 30 de maio de 2009

O caso Holandês

Deixo-vos um conjunto de artigos sobre o nascimento na Holanda que me pareceu muitíssimo interessante!

30% dos partos holandeses acontecem em casa e a explicação para o facto está na cultura deste povo, que encara a gravidez de forma muito natural. O próprio sistema de saúde holandês encoraja as mulheres para que assim seja.
Segundo este artigo a percentagem mantem-se "apenas" nos 30% porque as parteiras holandesas são cautelosas e também enviam para o hospital muitos casos que podem eventualmente apresentar algum tipo de risco (tais como gémeos ou bebés pélvicos).

O facto da gravidez ser vista como uma condição natural e fisiológica faz com que as mulheres com gravidezes consideradas de baixo risco sejam acompanhadas por parteiras, ficando os obstetras responsáveis pelo acompanhamento das grávidas de risco.
As mulheres fazem preparação para o parto com enfoque no parto natural, o yoga é recomendado pelas próprias parteiras como exercício ideal de preparação para o parto e a epidural não é encarada como algo banal. Ao contrário, durante estas aulas são ensinados métodos naturais para o alívio da dor no parto.

Ainda que a taxa de mortalidade infantil na Holanda seja alta (considerando a média europeia), os últimos estudos concluem que a culpa não é dos partos domiciliares.
Um estudo holandês demonstrou recentemente que, para as grávidas de baixo risco, dar à luz em casa é tão seguro quanto dar à luz no hospital.
Este artigo considera que os factores que fazem a Holanda subir esta taxa prendem-se sobretudo com outros aspectos, tais como a gravidez cada vez mais tardia, o crescente nascimento de bebés muito prematuros e a falta de detecção precoce de problemas no feto (especialmente na população mais desfavorecida).

Neste país todas as mulheres têm direito a assistência pós-parto domiciliar.
Primeiro pela parteira e nos dias seguintes ao nascimento por uma kraamzorg. Se lerem a descrição verão que se trata, basicamente, de uma doula (apoia na amamentação, nos cuidados com a mãe e o bebé e ajuda com pequenas tarefas domésticas que libertem a mãe para dedicação exclusiva ao recém-nascido). A kraamzorg estará atenta à saúde da mãe e avisará a parteira, caso exista motivo de preocupação (ler o artigo completo aqui).
Como consequência deste nível de cuidados, a maioria das mulheres que tem o bebé no hospital, tem alta apenas algumas horas após o parto.

sábado, 9 de maio de 2009

Enfermeiros obstetras portugueses promovem parto normal

A Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras (APEO) apresentou, ontem, um guia de orientação da prática profissional, com directrizes de actuação nas diferentes fases do trabalho de parto, parto e pós-parto. O manual, de distribuição gratuita, é dirigido, não só a profissionais da área, mas também ao cidadão em geral.

A APEO associou-se à Federação das Associações de Parteiras Espanholas (FAME) na sua campanha “iniciativa parto normal”, traduzindo para português o livro "Iniciativa Parto Normal - Documento de Consenso”.

De acordo com a presidente da APEO, trata-se de uma obra “de valor inestimável” que tem como finalidade “incentivar a actuação dos profissionais; facilitar a participação das mulheres no processo de tomada de decisão e na obtenção de consenso com a equipa profissional; promover cuidados, respeitando o processo fisiológico com a mínima intervenção obstétrica e orientar as instituições de saúde obstétricas para uma assistência natural ao parto normal”, enumera Dolores Sardo.

Escrito numa linguagem “científica mas acessível”, o manual, que estará disponível, gratuitamente, em instituições hospitalares e centros de saúde, serve para que “a mulher possa optar de forma consciente sobre o que quer para o seu parto”, revelou a responsável.

O guia contém informações sobre o plano de nascimento, práticas de dilatação, posições do período expulsivo, assistência ao recém-nascido, entre outras, com recurso a figuras exemplificativas.

Para Paula Nelas, especialista que apresentou o livro, numa cerimónia que decorreu, ontem, no Hospital de S. Bernardo, “as mulheres sentem receios que não são atendidos da melhor forma, daí que estejam a procurar outras formas de parir”.

A enfermeira obstetra referiu as vantagens do parto normal, numa gravidez de baixo risco. “Do ponto de vista físico, a recuperação materna é muito mais rápida e o risco de hemorragia e infecção é menor”, garante, explicando ainda que “o aumento do nível de complexidade do procedimento está associado a um aumento do risco decorrente dele, quer para a mãe, quer para o filho”.

“Custa a acreditar que perante as evidências, e, apesar de alguns esforços desenvolvidos por alguns cidadãos e profissionais, o caminho para o retorno ao parto normal seja tão sinuoso e difícil de alcançar”, concluiu a especialista.

Também Dolores Sardo lançou uma crítica, referindo que “o Estado português devia reunir os diferentes profissionais e estabelecer um plano de acção em termos dos cuidados obstétricos para que os diferentes intervenientes pudessem ter a sua função na sociedade portuguesa”.

A dirigente demonstra que, apesar dos enfermeiros portugueses, especialistas na área da saúde materna e obstétrica terem “competências” e estarem “habilitados para a prática da enfermagem obstétrica nas diferentes áreas”, as suas competências “não estão a ser rentabilizadas”. Isto, porque, segundo a responsável, essas competência específicas "ainda não foram reconhecidas e identificadas”.

O lançamento deste livro acontece numa altura em que a Organização Mundial de Saúde alerta para o facto de, em Portugal, as taxas de cesariana continuarem a ser demasiado elevadas, prevalecendo uma tendência para tratar todas as parturientes de igual modo, com um elevado grau de intervenção, mesmo em situações de baixo risco.

Link: http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?idEdicao=320&id=11320&idSeccao=2564&Action=noticia

sábado, 25 de abril de 2009

Parto em casa é tão seguro como no hospital

Um estudo holandês que envolveu 530 mil partos demonstrou que, para as grávidas de baixo risco, dar à luz em casa é tão seguro quanto dar à luz no hospital.

Os investigadores avaliaram, sobretudo, os riscos para o bebé e verificaram que o número de mortes e de complicações foi igual em ambos os locais.

«Concluímos que para as grávidas de baixo risco em princípio de trabalho de parto é tão seguro parir em casa com uma parteira como num hospital com uma parteira. Estes resultados vêem reforçar a necessidade de políticas que encorajem as mulheres saudáveis a escolherem o local de parto», afirmou Simone Buitendijk, uma das autoras do estudo, citada pela BBC.

Na Holanda, o parto em casa é bastante vulgar e corresponde a um terço dos nascimentos. Por outro lado, a Holanda está entre os países da Europa onde morrem mais bebés durante o parto ou imediatamente após o nascimento. Pensava-se que a elevada taxa de mortalidade dos bebés poderia estar relacionada com o facto de nascerem em casa, mas este estudo veio acabar com esse mito.

Simone Buitendijk destaca ainda que o mais importante é que a grávida seja seguida durante o parto por uma parteira altamente especializada, que perceba quando é necessário o transporte para o hospital e que o consiga fazer rapidamente.

Este foi o maior estudo realizado até agora sobre este tema e as conclusões foram publicadas no British Journal of Obstetrics and Gynaecology.

Texto: Pais&Filhos

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Campanha pelo parto natural

Uma das coisas que mais me fascina no ser humano é a sua capacidade de adaptação ao meio e às condições adversas.
No entanto, esta capacidade, que faz parte do mecanismo de defesa e sobrevivência do Homem, tem uma falha.

É que, mesmo quando as adaptações são feitas por um motivo de força maior, que não nos traga necessariamente muitas vantagens, elas são tão bem interiorizadas que depois já não as queremos mudar. Mesmo que a mudança nos traga benefícios.

Uma das características que mais me desaponta no ser humano é a sua natural aversão à mudança.

Porque é que estou com esta conversa?

Porque depois desta notícia, saíu logo esta.
E porque já li pela web bastantes comentários negativos (a maioria de mulheres) acerca desta campanha.

Quem é que nos convenceu a todos tão bem que as mulheres não são capazes de parir naturalmente? Que o parto natural não é o melhor para a nossa saúde e para a do bebé?

E porque é que continuamos a acreditar nisso mesmo sabendo que as evidências ciêntificas nos dizem o oposto?

De facto, a maior e mais urgente mudança que necessitamos é a de Mentalidades. E essa não se muda (apenas) nos hospitais.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Nascimento (En)Cantado

Este é um parto domiciliar onde foi usada uma abordagem diferente para lidar com as contracções.
Além da liberdade de movimento e do uso das posições verticais foi usada a vibração da voz como auxiliar no trabalho de parto.
Um nascimento muito bonito!

A ver aqui

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