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terça-feira, 4 de maio de 2010

Aqui há Bebé na IM Magazine

É com todo o gosto que vos digo que o Aqui há Bebé foi um dos blogs seleccionados para estar em destaque esta semana na IM Magazine. Podem ver aqui.

A IM é uma revista online inovadora que vem trazer ao universo dos média um novo conceito: divulgar o melhor que se faz no mundo para um mundo melhor, em qualquer campo que interesse à humanidade.

Fico muito contente e agradeço! :)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Conselheiras em Aleitamento materno

Mais um artigo que escrevi para a newsletter online DoBebé, que saíu no dossier especial amamentação. (podem ler aqui no portal)

Conselheiras em Aleitamento materno


Quem são?

As Conselheiras em Aleitamento Materno são pessoas com formação específica na área do aleitamento materno.
A sua formação inclui conhecimentos técnicos actualizados sobre amamentação, bem como técnicas de apoio às mães.
Podem ser profissionais de saúde ou mães com experiência em amamentação que também se formaram como conselheiras.

O que fazem?

As Conselheiras em Aleitamento Materno prestam apoio e informação às mães, transmitindo-lhes a confiança necessária para que possam amamentar tranquilamente os seus bebés.
Ajudam a resolver as dificuldades que possam surgir durante o período de amamentação mas o seu trabalho também pode começar antes, oferecendo informação sobre aleitamento materno às mães e pais, ainda durante a gravidez.

Quando consultar uma Conselheira em Aleitamento Materno?

Alguns dos motivos para consultar uma Conselheira em Aleitamento Materno são:

• Engurgitamento mamário doloroso
• Mamilos doridos/com fissuras
• Baixo aumento de peso no bebé
• Dificuldades na pega/recusa em mamar
• Informação Pré-Natal (mães e pais que procuram informação sobre amamentação durante a gravidez, como preparação para depois do nascimento)
• Estratégias de ajuda para a mãe que retomou/vai retomar o trabalho
• Quando a mãe parou de amamentar e deseja retomar (relactação)
• Mãe que deseja amamentar um bebé adoptado

No entanto se a mãe sentir qualquer outra dificuldade durante a amamentação pode sempre consultar uma conselheira.

Onde as podemos encontrar?

- Centros de Saúde que possuem "Cantinhos de Amamentação" (consultar aqui)

- Associações de Apoio ao Aleitamento Materno:
- Conselheiras em Aleitamento Materno que fazem deslocações ao domicício:

Aqui há Bebé

Grávidas em Forma

Mamar ao Peito

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A minha história

Mais um artigo que saíu no Dossier Especial Amamentação da Newsletter online DoBebé.
Desta vez trata-se da minha própria história de amamentação! No final dou algumas sugestões que, acredito, podem ajudar as mulheres a prepararem-se para uma amamentação de sucesso!

Quando, no início de 2006, descobri que estava grávida, fiquei muito feliz e entusiasmada!

Procurei ler bastante e informar-me acerca da gravidez, do parto, dos cuidados com o bebé... Desde o primeiro momento sabia que queria muito amamentar, que isso era o mais natural a fazer. Até sonhei com esse momento em que iria conhecer o bebé e alimentá-lo pela primeira vez... mas a realidade foi bem diferente...!

Quando o meu filho nasceu, ele não foi logo colocado no meu peito... levaram-me para uma sala de recobro e permanecemos cerca de duas horas separados. Quando finalmente uma enfermeira o trouxe, olhou para o meu peito (eu tinha mamilos planos) e disse-me que o bebé não ía conseguir mamar assim. Sem me dar mais nenhuma satisfação, foi buscar um biberon de suplemento e começou a dá-lo ao bebé. Eu fiquei chocada e comecei a dizer-lhe que queria muito dar de mamar, para ela trazer o bebé... lá mo trouxe e amamentei-o pela primeira vez, desajeitadamente mas com muito amor.

Eu sabia (pois tinha lido durante a gravidez) que ter mamilos planos ou retraídos não era impeditivo para a amamentação. Mas na prática eu estava a ter muitas dificuldades e nenhuma ajuda, nem das enfermeiras no hospital, nem da pediatra do meu filho, que, poucos dias após o seu nascimento, sugeriu que o melhor a fazer seria dar-lhe leite artificial. As mamadas tornaram-se muito dolorosas, o meu peito gretou bastante e chegou a sangrar.

Entretanto lembrei-me que no curso de preparação para o parto me tinham dado um folheto de uma associação que ajudava as mães na amamentação. Liguei para o SOS Amamentação e falei com uma voluntária que se prontificou a ajudar-me. Explicou-me como deveria fazer para o bebé pegar correctamente no peito, e, mais importante, transmitiu-me confiança! Ela sabia que eu seria capaz de amamentar sem suplementos!

Mais tarde ainda visitei uma conselheira em Aleitamento Materno para me certificar acerca da pega mas a partir dali tudo correu de forma muito mais tranquila.

Deixámos o suplemento em poucos dias e passei a amamentar em exclusivo, enquanto o Gonçalo crescia de dia para dia.

Superadas as dificuldades a amamentação decorreu naturalmente até à data (o meu filho já tem quase dois anos e meio e continua a mamar).

Fiquei de tal forma marcada por tudo o que aconteceu que continuei a querer aprender cada vez mais sobre amamentação, as dificuldades mais frequentes, como superar, etc.

Pensava em como era possível que alguns dos profissionais das maternidades, que lidam diariamente com as mães e os recém-nascidos, não ajudassem a concretizar essa relação tão especial e essencial que é o aleitamento materno!

Tinha tanta vontade de ajudar outras mães a não terem de passar por aquilo que eu passei que me ofereci como voluntária ao SOS Amamentação.

Mais tarde surgiu a oportunidade de fazer o curso de Conselheira em Aleitamento Materno da OMS (Organização Mundial de Saúde)/Unicef através da mesma associação e prontamente me inscrevi!

Descobri uma nova vocação que abracei com muita motivação, dedicação e amor!


As minha dicas para uma amamentação bem sucedida:

*Informe-se o mais possível sobre amamamentação ainda durante a gravidez.

Frequente um curso de preparação para o parto, uma formação sobre aleitamento materno, participe num grupo de apoio à amamentação. Envolva nesse processo as pessoas que vão estar mais próximas de si quando o bebé nascer (o seu companheiro, a sua mãe, a sua sogra...) e partilhe tudo o que está a aprender. Dessa forma, eles também ficarão mais preparados para a ajudar depois do bebé nascer.

Na internet pode ter acesso gratuito a sites com muita informação de qualidade (1)

Infome-se sobre os locais onde existem conselheiras em Aleitamento Materno disponíveis para dar apoio na sua região. Guarde os contactos num local acessivel.

*Tenha expectativas realistas.

Não espere que o bebé coma de 3 em 3 horas e durma nos intervalos.

Nas primeiras semanas, o bebé vai querer mamar sempre que estiver acordado, sem horário. Não olhe para o relógio. Em vez disso, tente seguir o seu instinto de mãe.

Esteja atenta aos sinais de fome: levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara. O choro é um sinal de fome tardio, significa que o bebé já tinha fome à algum tempo, por isso devemos evitar deixá-lo chegar a esse ponto.

Não tente ser uma “super mulher”. Aceite a ajuda que lhe oferecerem, não se preocupe com limpezas/arrumações e durma quando o bebé dormir.

*A regra de ouro para ter bastante leite é dar de mamar!

A produção de leite materno baseia-se no princípio da oferta e da procura, por isso quanto mais der de mamar, mais leite vai produzir. Sempre!

*Acima de tudo, confie em si e no seu corpo!

A esmagadora maioria das mulheres é capaz de amamentar com sucesso. Não existem "leites fracos" e são raras as condições impeditivas da amamentação.

Hoje em dia sabemos que a principal causa do desmame precoce é a falta de informação, de apoio e a falta de confiança das recém-mamãs.

Como superar as dificuldades iniciais mais comuns:

*Mamilos gretados e dolorosos

Geralmente são sinal de que o bebé não está a pegar correctamente no peito. A causa pode estar relacionada com o uso da chucha ou biberão que confundem o modo de sugar e devem ser evitados.

Certifique-se que o bebé está em contacto com a mãe (barriga com barriga), com a cabeça, ombros e corpo em linha recta. A boca do bebé deve estar bem aberta , abocanhando a maioria da aréola (zona escura ao redor do mamilo). O queixo fica a tocar na mama e o lábio inferior está enrolado para trás.

Para tratar o mamilo deve andar com o peito ao ar o mais possível e espalhar um pouco de leite materno no mamilo após a mamada. Se necessário pode colocar também uma pomada de lanolina pura.

Evite ou minimize ao máximo o uso de protectores de mamilo em silicone, pois podem trazer efeitos secundários, como a diminuição da produção de leite e a rejeição do peito (tal como a chucha e o biberão, provocam confusão de sucção).

*Ingurgitamento mamário (seios muito cheios e doridos)

Amamentar com frequência e a “pedido” para evitar que o leite se acumule no peito.

Verificar se a posição e a pega estão correctas.

Aplicar uma fonte de calor na mama antes da mamada (pode aquecer uma meia de algodão cheia de arroz no micro-ondas, mas cuidado para não aquecer demasiado e queimar!). De seguida faça uma massagem com os dedos em forma de pente desde a base da mama (perto das costelas) para o mamilo, como se estivesse a “pentear” o peito. Em alternativa pode combinar a massagem e o calor num duche morno. Se a mama estiver tão cheia ao ponto de o bebé ter dificuldade em “agarrar” o peito faça uma pequena extração antes (apenas o suficiente para aliviar a pressão).

Se o desconforto persistir após a mamada aplique frio (por exemplo um saco de ervilhas congeladas que fica bem maleável, envolto num pano).

É importante tomar estas medidas desde cedo, para evitar que o ingurgitamento evolua e acabe por se transformar numa mastite, por exemplo.

*Produção de leite insuficiente/Bebé que não parece satisfeito/Pouco aumento de peso

Certifique-se que está a fazer uma pega correcta (ver mais acima).

Amamente a “pedido” e observe os sinais de fome do bebé (não espere até o bebé chorar).

Deixe o bebé mamar livremente até soltar espontaneamente a mama, por forma a assegurar-se que bebe todo o leite da mama, e em especial o leite do final (mais rico em calorias).

Não dê chuchas nem biberons.

Lembre-se do princípio da oferta e da procura. Se necessário aumente o número de mamadas. Caso seja preciso também pode fazer uma estimulação extra com a bomba de extração.

Evite os suplementos pois se o bebé beber o leite artificial perde apetite para mamar. Caso seja imprescindível prefira o copinho ao biberão, dessa forma o bebé não vai confundir a sucção e será mais fácil manter a amamentação. Também pode fazer extracções e ir substituindo o leite artificial pelo leite materno até ser possível a eliminação do suplemento.

(1)

http://www.aleitamento.med.br

http://www.sosamamentacao.org.

http://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf

http://www.babyfriendly.org.uk/pdfs/portuguese/bfyb_portuguese2.pdf

http://www.amamentar.net/

http://www.leitematerno.org/

domingo, 31 de janeiro de 2010

Entrevista sobre Amamentação

Respondi a várias questões que a Sara, do portal DoBebé me colocou e que saíram agora na sua newsletter online num dossier, especial Amamentação. Espero que gostem e que seja útil.

Até quando deverá uma criança mamar?


De acordo com as directrizes da Organização Mundial de Saúde, os bebés devem ser amamentados em exclusivo (sem introdução de outros alimentos ou suplementos) até aos 6 meses de idade. Após a introdução dos sólidos a OMS recomenda que se continue a oferecer o peito até aos 2 anos ou mais.

Concorda com a amamentação tardia? (até aos 7 anos por exemplo?)

Noutras culturas, onde o marketing dos leites artificiais não chegou de forma tão agressiva e onde se manteve o hábito da amamentação inalterado, é vulgar muitas crianças mamarem até aos 5,6 ou 7 anos.
Também existem estudos antropológicos que apontam para que a idade natural do desmame na criança humana esteja entre os 2 e os 7 anos.
Penso que os motivos que levam actualmente as mães a desmamarem os bebés cedo prendem-se com factores culturais e pressões sociais.
No entanto, a amamentação deve acontecer até mãe e bebé quererem. Não existe uma data “certa” para o desmame.

Porque é importante o aleitamento materno exclusivo até os seis meses?

Há vários motivos:

Em primeiro lugar porque confere ao bebé uma maior protecção imunológica (a protecção mantém-se por todo o tempo que durar amamentação mas tem mais efeitos enquanto for exclusiva).
Porque se estima que 6 meses é o tempo que o sistema digestivo do bebé necessita para amadurecer completamente e poder tolerar outros alimentos, evitando desta forma reacções, tais como gases, obstipação e outros problemas digestivos.
Até mesmo ao nível do desenvolvimento motor, um bebé de 6 meses já conseguirá mostrar que está preparado para receber outros alimentos, sendo capaz de sentar-se melhor, recusando quando não quer mais alimento e agarrando a comida com as próprias mãos para levar à boca.
Amamentar em exclusivo até aos 6 meses também diminui os riscos de reações alérgicas aos alimentos e de eventuais carências de ferro.
Por outro lado, amamentar em exclusivo até aos 6 meses garante uma boa produção de leite na mãe durante mais tempo.

Quais são as dúvidas mais frequentes das mães em relação à amamentação?

No início da amamentação as dúvidas prendem-se principalmente com a pega (posição do bebé ao agarrar a mama) visto que muitas das dificuldades iniciais surge relacionada com este factor.
Também existem muitas dúvidas quanto à quantidade de leite materno ingerido e se é suficiente. É comum haver alguma insegurança das mães quanto a este tema.

Ainda existem muitos mitos e tabus em relação a dar de mamar?

Sim, bastantes. Por exemplo, é muito frequente as recém-mamãs restringirem (por vezes de forma bastante rigorosa) a sua dieta com receio de que este ou aquele alimento possam fazer mal ou causar cólicas ao bebé. Este é apenas um dos exemplos com que mais me deparo mas existem muitos mais...(1)

Apesar dos tabus não serem falados com tanta abertura, sabemos que ainda há muitas mães com “vergonha” de amamentar em público (precisamente porque na nossa sociedade as pessoas se habituaram a ver biberões e ainda se associa a mama apenas à sua função sexual). Por outro lado, algumas mães sentem constrangimentos na altura de reiniciar a vida sexual com os seus companheiros, precisamente por terem que conciliar o peito, que agora serve de alimento para o seu bebé, com a função sexual. Nestes casos, a forma como o companheiro encara (ou não) a amamentação com naturalidade pode ter um peso muito grande.

O leite fraco é mais um mito?

Sem dúvida.
Actualmente podemos afirmar com certeza que não existem leites fracos. A composição do leite materno tem exactamente todos os nutrientes que o bebé precisa (pelo menos até aos 6 meses) bem como diversos tipos de anti-corpos que lhe conferem protecção extra. Seria preciso que uma mulher estivesse gravemente desnutrida ou desidratada para que a composição do leite materno se alterasse.

Existem formas correctas de amamentação?

Existe uma forma correcta para o bebé fazer a pega no peito.
O bebé deve abocanhar a maioria da aréola (zona escura que envolve o mamilo) e não apenas o mamilo e deve estar bem junto à mãe, virado para ela, barriga com barriga.
Para estimular o bebé a abrir bem a boca, pode tocar com o mamilo no seu lábio superior. O bebé começará então a abrir a boca “procurando” o peito. Quando a mãe vir que ele abre bem a boca deve introduzir a mama, “apontando” o mamilo na direcção do palato (céu da boca) do bebé.
Quando o bebé estiver a fazer uma pega correcta terá a boca bem aberta, abocanhando a maioria da aréola, enrolando o lábio inferior para trás, o queixo e o nariz do bebé tocam na mama, o bebé enche as bochechas de leite, é possível ouvi-lo a engolir e a mãe não deverá sentir dor.(3)
Quanto à posição em si (deitada, sentada) aí já não existem regras. O mais importante é que a mãe se sinta confortável e mantenha uma boa postura, de forma a evitar dores nas costas, por exemplo.

Como sabe uma mãe que o seu bebé está saciado?

Em primeiro lugar, a mãe pode cumprir dois princípios que vão reduzir drasticamente as probabilidades do bebé não estar a receber leite suficiente:

- Amamentar “a pedido”, ou seja, aprender a reconhecer os sinais de fome do bebé:
Levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo, fazendo movimentos de sucção com a língua, ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara. A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.
Até sabermos que o bebé recuperou o peso do nascimento devemos evitar deixá-lo fazer intervalos entre mamadas maiores que 3 horas, durante o dia, ou 5/6 horas, durante a noite (caso esteja a dormir) (2). Em 24 horas, um recém-nascido deve mamar, pelo menos, 8 a 12 vezes.
Lembre-se que a produção de leite se baseia na “lei da oferta e da procura”. Quanto mais der de mamar, mais leite vai produzir.
-Certificar-se que o bebé faz uma pega correcta (ver em cima como)

Conseguindo cumprir estes dois princípios é muito provável que o bebé vá receber leite suficiente. No entanto devemos observar outros factores:
-O bebé molha várias fraldas por dia, a urina é incolor e inodora
-O bebé parece bem disposto, saudável e atento na maioria do tempo
-O bebé aumenta de peso: durante a primeira semana de vida, o bebé pode perder até 10% do seu peso inicial, entre a 2ª e a 3ª semana recupera o peso com que nasceu e até aos 3/4 meses deve aumentar entre 115 a 230 gr/semana.

Qual a importância do incentivo da amamentação?

Hoje em dia, por vários motivos, perdeu-se o hábito da transmissão da cultura de amamentação dentro das famílias (sobretudo de mãe para filha). Assim sendo, o incentivo terá, muitas vezes que vir do exterior, dos profissionais que lidam com o aleitamento materno.
Sabendo que muitas das mães abandonam a amamentação simplesmente porque acreditam que o seu leite não é suficiente para satisfazer o seu bebé ou não tem qualidade, penso que é fundamental incentivar e informar!
A maioria das mães deseja amamentar apenas porque sente que é a forma natural de alimentar o seu bebé mas também é importante difundir os benefícios que o aleitamento materno pode trazer para o bebé, para a mãe e até para a economia da família (bem como do próprio planeta).
Hoje em dia sabe-se que uma das formas mais eficazes que poderia haver para reduzir a mortalidade infantil mundialmente seria o aumento das taxas de aleitamento materno.

Os bancos de leite são importantes?

São importantíssimos na medida em que podem salvar vidas!
Os bancos de leite destinam-se essencialmente a bebés prematuros, de baixo peso ou com problemas de saúde, e que, por vários motivos não têm leite das suas própias mães ou têm mas não em quantidade suficiente.

Todas as mães têm capacidade de produzir todo o leite que o Bebé precisa?

Podemos dizer que a esmagadora maioria das mães tem capacidade de produzir todo o leite que o seu bebé (ou bebés) precisa(m).

Como podemos identificar as mulheres que não produzem o leite necessário por algum problema de saúde?

Há certos problemas de saúde (ou até mesmo alguns medicamentos) que podem ser logo identificados como podendo interferir na produção de leite. Contudo, alguns podem ser corrigidos ou eliminados.
No entanto, na maioria dos casos, quando identificamos que uma mãe está a produzir leite em quantidade insuficiente para o seu bebé, devemos dar-lhe as indicações apropriadas no sentido de aumentar a produção de leite. Se, mesmo seguindo à risca todas as indicações e tendo acompanhamento durante algum tempo, a mulher não conseguir aumentar a produção de leite, só então devemos começar a despistar outras hipóteses (estes serão casos bastante excepcionais).

Acredita que as cirurgias para a redução da mama interferem na amamentação? E a colocação de silicone?

As cirurgias de redução mamária podem interferir com amamentação, ainda que hoje em dia, segundo os especialistas, já existam novas técnicas de redução mamária que permitem que a mulher possa amamentar.
Quanto aos implantes de silicone, em princípio não devem ter interferência na amamentação.

Como podem continuar a amamentar depois do fim da licença de maternidade?

A mãe poderá extraír leite no local de trabalho, durante as horas em que está ausente, desta forma o leite retirado poderá servir de refeição do bebé nas horas em que a mãe está a trabalhar. Por outro lado, as extracções também lhe permitirão manter uma boa produção de leite e evitar engurgitamentos mamários (excesso de leite retido na mama, pelo facto de estar afastada do bebé).
Quando estão em casa devem seguir os mesmos princípios da amamentação “a pedido” de que já falámos e lembrar-se que até ao 1º ano de vida o leite é o princípal alimento da dieta do bebé, os outros alimentos são complementares. Podem e devem oferecer o peito antes das refeições sólidas do bebé e aumentar a frequência das mamadas nos dias de folga.

E como podem aprender a realizar a retirada de seu próprio leite?

As mães podem usar bombas de extracção, eléctricas ou manuais (que são vendidas ou alugadas) ou podem aprender a extraír o seu leite manualmente.
Existem diversas maneiras da mãe aprender as técnicas de extracção e conservação de leite materno.
Pode pedir a ajuda de uma conselheira em aleitamento materno, consultar manuais de amamentação(4) e páginas de aleitamento materno disponíveis na internet (5)). Também já existem várias formações sobre amamentação(6) disponíveis para mães nas quais podem aprender sobre este e outros temas.

Tem dados de outros países?

Em relação às taxas de amamentação em Portugal, temos um estudo de 2007, efectuado na região de Lisboa que nos revela que à saída da maternidade, 91% das puérperas amamentavam o seu filho (77,7% em exclusividade) tendo esta percentagem diminuído para 54,7% aos três meses e 34,1% aos seis meses.

Temos ainda outro estudo elaborado através de inquéritos nacionais de saúde que nos permite ver a evolução da duração do aleitamento materno nas várias regiões de Portugal aqui: http://www.amamentar.net/Not%C3%ADcias/tabid/150/articleType/ArticleView/articleId/3/Default.aspx

A Direcção-Geral da Saúde vai arrancar em 2010 com o Observatório do Aleitamento Materno, o que vai permitir recolher dados mais precisos.

Quanto aos outros países temos uma lista com taxas de amamentação a nível mundial disponível na página da Unicef, que se pode consultar aqui: http://www.childinfo.org/breastfeeding_countrydata.php

A mulher que amamenta também tem algum benefício?

Os benefícios são vários para as mães que amamentam:

Amamentar promove uma recuperação mais rápida da mãe no pós-parto (o útero é estimulado a regressar mais rapidamente ao seu tamanho e localização original; a mãe que amamenta gasta mais calorias, sendo mais fácil regressar à sua forma).
Amamentar diminui o risco de certas doenças na mãe (cancro da mama, cancro do ovário, osteoporose, doenças cardíacas, diabetes, artrite reumatóide).
Aumenta a auto-confiança da mãe e o seu bem estar psicológico, diminuindo o risco de depressão pós-parto e promovendo o vínculo emocional com o bebé.
É práctico (está sempre “à mão” e na temperatura certa) e económico (poupa o dinheiro dos leites artificiais, dos biberons, tetinas e outros acessórios, bem como todo o trabalho exigido na sua preparação, limpeza e esterlização).
Amamentar pode ainda poupar gastos e preocupações médicas ao diminuir o risco de algumas doenças, tanto na mãe como no bebé.

Amamentar é responsabilidade só da mãe?

Na verdade a amamentação deve ser uma resposabilidade de toda a sociedade.
A grande responsabilidade da mãe reside na escolha em amamentar. Depois, o companheiro, a família e toda a rede social à volta da mulher tem uma grande importância (no sentido de dar apoio, encorajar, transmitir confiança).
Os profissionais de saúde têm a responsabilidade de saber, além de encorajar e apoiar, orientar a mulher da melhor forma possível nas dificuldades que possam, eventualmente, surgir.
As empresas têm a responsabilidade de dar todo o apoio necessário para que as mães possam continuar a amamentar após o regresso ao trabalho (respeitando a lei da dispensa para amamentação, criando condições para que as mães possam extraír leite sem constrangimentos no local de trabalho e abolindo quaisquer pressões para que a mãe se sinta “forçada” a prescindir dos seus direitos).
Por último, o governo também tem uma grande responsabilidade na medida em que deve implementar e fazer cumprir as leis que dão estes direitos às mães lactantes.

Sofia Carvalho
Doula, Educadora Perinatal e Conselheira em Aleitamento Materno OMS/Unicef

(1) http://aquihabebe.blogspot.com/2008/01/mitos-sobre-aleitamento-materno.html
(2) O pediatra poderá dar indicações diferentes no caso de bebés nascidos com baixo peso ou prematuros.
(3) http://www.leitematerno.org/posicao.htm
(4) http://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf
(5) http://www.amamentar.net/M%C3%A3esPais/Aspectospr%C3%A1ticosdoaleitamentomaterno/Extrairconservaretransportaroleitematerno/tabid/173/Default.aspx
(6) http://www.sosamamentacao.org.pt/Amamenta%C3%A7%C3%A3o/Artigos/tabid/182/ctl/Details/mid/512/ItemID/127/Default.aspx

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Baby Blues - reportagem Sic (com uma pequena participação minha)



Deixo-vos uma reportagem da SIC sobre o Baby Blues , elaborada pela jornalista Rita Ferro.
Tenho uma pequena participação nesta reportagem, para falar sobretudo acerca de como a amamentação pode atenuar os sintomas da tristeza materna.

Espero que gostem e que seja útil para muitas mães e futuras mães.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Aqui há Bebé na Pais & Filhos, Edição Brasileira

Podem espreitar aqui um pequeno artigo sobre amamentação que escrevi para a revista Pais & Filhos, edição brasileira.

Ao ler achei muito engraçado porque "traduziram" todo o texto para português do Brasil e eu já me imaginava a falar assim... ;)

Espero que gostem, seja útil e dê para me conhecerem um bocadinho melhor!

Obrigada Sofia Benini!

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