quarta-feira, 4 de abril de 2012
domingo, 17 de julho de 2011
O Mito do Come e Dorme
Poucos serão os bebés que só querem comer e dormir. Na vida fora da barriga há coisas muito mais interessantes para fazer. E ainda bem. O bebé acabou de nascer. Espalha-se a notícia pelos familiares e amigos. Logo chegam as perguntas da praxe: peso, comprimento, cor do cabelo, e a seguir: «E é bonzinho?» Respondem os pais, orgulhosos: «Sim, uma maravilha, só come e dorme». Ou, caso contrário, os pais respondem, aflitos: «Nem por isso». Claro que é bom que os bebés comam e durmam, mas não é só isso que os bebés sabem fazer.
Espera-se que um recém-nascido durma entre 16 e 18 horas e que coma de três em três horas, mas há bebés que demoram mais a habituar-se às rotinas da vida fora do útero, onde não havia relógios e ninguém mandava em ninguém. Outros nunca se habituam. E isso não é propriamente mau. «O bebé não é um ser monótono, nem é preciso que seja muito sossegado".
Sozinho no berço, o bebé sente-se desamparado e é natural que reclame mais, que chore, que não consiga dormir. Ele quer é colo. Só assim se sentirá seguro.
«Façam o que sentem, façam o que acham que o bebé está a pedir», recomenda Luísa Sotto-Mayor aos pais. E façam-no sem vergonhas, nem complexos. «Muitas mães têm vontade de andar sempre com os bebés ao colo, mas não o fazem porque pensam que estão a habituá-los mal», afirma a enfermeira. Depois desesperam porque ele não pára de chorar no berço. Mas calor humano e aconchego é o que bebés mais precisam. «O bebé chora porque não sabe onde está, nem o que lhe está a acontecer. Ele pensa: mas que é isto? Onde é que eu estou? E a mãe é a melhor pessoa para apresentar o mundo ao bebé, para lhe explicar tudo isto».
Artigo Pais & Filhos, a ler na íntegra aqui.
quarta-feira, 2 de março de 2011
"Não quer dormir sozinho" por Laura Gutman
É claro que as crianças não querem dormir sozinhas! Não querem, nem devem. Os bebês que não estão em contato com o corpo de suas mães, experimentam um inóspito universo sombrio que os afasta do desejo de bem estar que traziam consigo desde o período em que viviam no ventre amoroso de suas mães. Os recém-nascidos não estão preparados para um salto no escuro: a um berço sem movimento, sem cheiro, sem som, sem sensação de vida.Esta separação do corpo da mãe causa mais sofrimentos do que podemos imaginar e estabelece um contra-senso na relação mãe-filho. Não há nenhum problema em trazer as crianças para nossa cama. Todos estaremos felizes. Basta experimentar e constatar que a criança dorme sorrindo, que a noite é suave e que nada pode ser contraproducente quando há bem-estar. Lamentavelmente as jovens mães desconfiam da própria capacidade de compreender os pedidos dos filhos, que são inconfundivelmente claros. É socialmente aceita a idéia de que satisfazer as necessidades de um bebê o transforma em “mimado”, ainda que obtenhamos na maior parte das vezes o resultado oposto do esperado, já que na medida em que não dormimos com nossos filhos, nem os tocamos, nem os apertamos, eles nos reclamarão mais e mais.
Pensemos que o “tempo” para as crianças pequenas é um momento doloroso e comovente se a mãe não as acode, ao contrário das vivências intra-uterinas, onde toda a necessidade era atendida instantaneamente. Agora, a espera dói. Se as crianças precisam esperar muito tempo para encontrar conforto nos braços de sua mãe, se aferrarão com vigor aos seios, mordendo, ferindo-os ou chorando, assim que consigam este acesso. O medo será a principal companhia, pois saberão que a ausência da mãe voltará a qualquer momento a assombrá-los. As crianças tem o direito de exigir o contato físico, já que são totalmente dependentes dos cuidados maternos. Têm consciência de seu estado de fragilidade e fazem o que toda criança saudável deve fazer: exigir cuidados suficientes para sua sobrevivência. A noite é longa e escura, e nenhuma criança deveria passar por isso sozinha.
Até quando? Até que a criança não precise mais.
Publicado originalmente en la Newsletter de Marzo de 2011
http://www.lauragutman.com/newsletter/laura_gutman_mar11.html
Tradução livre de Bianca Balassiano Najm
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Falsa obstipação
Um dos temas que mais preocupa os recém-pais é a frequência dos cocós do bebé. Por isso achei útil clarificar o mito da obstipação nos bebés amamentados em exclusivo (ou seja, alimentados apenas de leite materno, sem introdução de suplementos ou outros alimentos).É importante dizer que os bebés amamentados em exclusivo podem passar períodos de vários dias, sem fazer cocó e isso é normal.
O indicador que temos que observar é a consistência das fezes. Caso as fezes sejam semi-líquidas ou moles/pastosas, não é considerada obstipação. Aliás, é chamada precisamente "falsa obstipação".
A obstipação não se caracteriza pela frequência das fezes, mas sim pela sua consistência. Um bebé só está obstipado se eliminar fezes duras e secas.
Acontece porque nalguns períodos de crescimento, o leite materno é absorvido practicamente na íntegra, sem deixar resíduos para o organismo eliminar.
Se for esse o caso: bebé amamentado em exclusivo que passa vários dias sem fazer cocó mas quando faz é mole, continua a aumentar de peso e não mostra sinais de desconforto, não é preciso fazer nada. Está tudo bem e é uma situação normal!
É frequente ver mães super-preocupadas porque o bebé não faz cocó há 2, 3 dias. Estes pais, além de ficarem em stress (emoção que se transmite com facilidade ao bebé) sujeitam os seus filhos a uma série de "tratamentos" que podem ser bastante desconfortáveis - e nalguns casos dolorosos - (bebegel, supositórios, chás, laxantes infantis, estimulação do ânus com termómetro...) sendo que alguns podem ser também irritantes para o intestino do bebé e causar cólicas.
"Dejecções - Durante o primeiro mês costumam ser muito frequentes, após cada uma das mamadas e, às vezes, entre elas; alguns bebés fazem mais de 20 dejecções por dia. Entre os 2 e os 4 meses tornam-se mais escassas, chegando quase todos os bebés com aleitamento materno a fazer uma só vez a cada 2 a 4 dias, ou alguns a cada 8, 10 ou mais dias. Alguns lactentes saudáveis chegam a ficar 30 dias sem defecar. Quando por fim fazem é de consistência normal, semilíquida ou pastosa. Portanto, NÃO é obstipação e não deve fazer-se absolutamente nada (não dar sumos, nem chás, nem ervas, nem supositórios, nem estimular o ânus com um termómetro...). A obstipação não se caracteriza pela frequência das fezes, mas sim pela sua consistência. Um bebé só está obstipado se eliminar umas bolas duras e secas.Esta falsa prisão de ventre do lactente é tão frequente e, provoca tanta preocupação às mães (e tanto sofrimento aos bebés, submetidos a tratamentos inúteis), que nos parece necessário informar repetidamente as grávidas e as mães de recém-nascidos.(...)" - "Manual Pratico do Aleitamento Materno" . Carlos Gonzalez
sábado, 28 de março de 2009
Mitos sobre os cuidados com o Bebé
Dar de mamar de 3 em 3 horas Nos primeiros dias após o nascimento será, regra geral, sempre que estiver desperto.
Depois, com o tempo, a mãe deverá começar a reconhecer os "sinais" que o seu filho transmite.
Quando um bebé tem fome ele pode mostrar vários sinais antes do choro: levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara (vejam aqui um vídeo). A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.
Não deixar mamar mais do que 10 (ou 15 ou 20) minutos em cada mama
Se interrompermos a mamada ao bebé, ele pode não ter conseguido retirar todo o leite de que precisa.
Há bebés que demoram mais tempo que outros a mamar, alguns mais dorminhocos que vão mamando um bocadinho e dormindo outro pouco e temos que saber observar e respeitar os seus ritmos.
No entanto, é preciso estarmos atentos: se o bebé mama 1 hora em cada mama, quer mamar constantemente e mesmo assim parece nunca estar satisfeito, é preciso pedir ajuda. Pode querer dizer que não está a mamar da forma mais eficaz e podemos ter que melhorar a pega.
O bebé tem que arrotar sempre após cada mamada
Não é necessário dar palmadinhas nas costas durante 15 minutos... Basta levantar o bebé após a mamada e esfregar-lhe um pouco as costas. Se não acontecer nada... tudo bem!
Tem que se dar banho todos os dias
É preciso pesar o bebé todas as semanas
Após esse período e caso não haja situações de doença, basta pesar o bebé nas consultas periódicas.
Se nos lembrarmos dos 9 meses que passámos com ele na barriga, percebemos que andou sempre ao nosso "colo", embalado pelo nosso movimento e voz, aquecido pelo nosso corpo e a receber alimento de forma practicamente constante.
Quando nasce o bebé já tem que enfrentar e adaptar-se a um ambiente totalmente diferente daquele que conheceu no útero, porque não deixar que o faça de forma mais suave, continuando a proporcionar-lhe o conforto que até ali sempre encontrou?
O recém-nascido humano é, de entre todos os mamíferos, aquele que nasce mais prematuramente, completamente dependente da sua progenitora.
Simulando o ambiente intra-uterino (dando colo e carregando o bebé, seguindo os seus ritmos, amamentando aos primeiros sinais de fome) estamos suprir em pleno as necessidades do bebé, visto que o toque e o colo também são necessidades fisiológicas básicas do recém-nascido.
Não faz mal deixar o bebé chorar sozinho algum tempo
Um bebé pequeno nunca chora sem motivo. Com o tempo, os pais vão aprendendo a identificar as necessidades do seu bebé e a responder-lhes com mais prontidão.
É perigoso deixar o bebé dormir na cama com a mãe
É muito menos cansativo (principalmente para as mães que já voltaram ao trabalho) amamentar um bebé que está ali ao lado, do que levantar, ir a outro quarto, dar de mamar, deitar o bebé e voltar para a cama.
A mesma situação coloca-se quando os bebés (mesmo que não sejam amamentados) acordam com frequência durante a noite, quando estão doentes, ou simplesmente quando os pais se sentem bem assim.
Desde que sejam cumpridas as regras de segurança básicas, não há perigo em deixar o bebé dormir com os pais.
É bom e até saudável habituar o bebé a uma rotina diária mas esta não tem que ser seguida rigorosamente.
A rotina serve para criar segurança ao bebé, para que ele possa ir aprendendo como são os dias e aquilo que pode esperar. Existem actividades que podemos introduzir mais ou menos às mesmas horas para ajudar a criar essa rotina. Por exemplo, de manhã brincamos no tapete, depois de almoço damos um passeio, antes do jantar vem o banho...
Algumas vezes ouvimos mães contarem que os seus bebés dormem a noite toda desde os dois meses, por exemplo.
Mas é mais comum que os bebés só comecem a dormir noites inteiras seguidas após o primeiro ano.
Os bebés acordam durante a noite por razões fisiológicas.
Em primeiro lugar porque o seu estômago ainda não lhes permite armazenar alimento suficiente para aguentar uma noite inteira, depois porque ao mamar durante a noite está a garantir que a mãe continua a produzir uma boa quantidade de leite[3].
Por outro lado, estudos indicam que os ciclos de sono curtos estão relacionados com mecanismos de sobrevivência do bebé. Bebés que acordam com frequência têm menos riscos de sofrer Síndrome de Morte Súbita do Lactente.
[1] O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que sua composição muda até mesmo durante a mamada!
O leite do fim surge no final da mamada e parece mais branco do que o leite do início porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais rico em energia. Fornece mais de metade da energia do leite materno.
A criança necessita tanto do leite do início como do fim, para o crescimento e desenvolvimento.
[2] Os bebés amamentados em exclusivo podem estar vários dias seguidos sem evacuar e sem mostrar desconforto. Isto é absolutamente normal e não é preciso fazer nada. Acontece porque os nutrientes do leite materno são absorvidos practicamente na íntegra deixando poucos ou nenhuns resíduos. Quando o bebé volta a evacuar a consistências das fezes é mole e amarelada, como habitualmente. Esta situação costuma ser denominada como "falsa obstipação".
[3] A prolactina é a hormona responsável pela produção do leite. Mais prolactina é produzida à noite, portanto, amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite.
Outros artigos sobre Mitos:
Mitos sobre Aleitamento Materno
Mitos sobre Gravidez e Parto
Parto: Medos & Mitos
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Mitos sobre os cuidados com o Bebé
Dar de mamar de 3 em 3 horas Nos primeiros dias após o nascimento será, regra geral, sempre que estiver desperto.
Depois, com o tempo, a mãe deverá começar a reconhecer os "sinais" que o seu filho transmite.
Quando um bebé tem fome ele pode mostrar vários sinais antes do choro: levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara (vejam aqui um vídeo). A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.
Não deixar mamar mais do que 10 (ou 15 ou 20) minutos em cada mama
Se interrompermos a mamada ao bebé, ele pode não ter conseguido retirar todo o leite de que precisa.
Há bebés que demoram mais tempo que outros a mamar, alguns mais dorminhocos que vão mamando um bocadinho e dormindo outro pouco e temos que saber observar e respeitar os seus ritmos.
No entanto, é preciso estarmos atentos: se o bebé mama 1 hora em cada mama, quer mamar constantemente e mesmo assim parece nunca estar satisfeito, é preciso pedir ajuda. Pode querer dizer que não está a mamar da forma mais eficaz e podemos ter que melhorar a pega.
O bebé tem que arrotar sempre após cada mamada
Não é necessário dar palmadinhas nas costas durante 15 minutos... Basta levantar o bebé após a mamada e esfregar-lhe um pouco as costas. Se não acontecer nada... tudo bem!
Tem que se dar banho todos os dias
É preciso pesar o bebé todas as semanas
Após esse período e caso não haja situações de doença, basta pesar o bebé nas consultas periódicas.
Se nos lembrarmos dos 9 meses que passámos com ele na barriga, percebemos que andou sempre ao nosso "colo", embalado pelo nosso movimento e voz, aquecido pelo nosso corpo e a receber alimento de forma practicamente constante.
Quando nasce o bebé já tem que enfrentar e adaptar-se a um ambiente totalmente diferente daquele que conheceu no útero, porque não deixar que o faça de forma mais suave, continuando a proporcionar-lhe o conforto que até ali sempre encontrou?
O recém-nascido humano é, de entre todos os mamíferos, aquele que nasce mais prematuramente, completamente dependente da sua progenitora.
Simulando o ambiente intra-uterino (dando colo e carregando o bebé, seguindo os seus ritmos, amamentando aos primeiros sinais de fome) estamos suprir em pleno as necessidades do bebé, visto que o toque e o colo também são necessidades fisiológicas básicas do recém-nascido.
Não faz mal deixar o bebé chorar sozinho algum tempo
Um bebé pequeno nunca chora sem motivo. Com o tempo, os pais vão aprendendo a identificar as necessidades do seu bebé e a responder-lhes com mais prontidão.
É perigoso deixar o bebé dormir na cama com a mãe
É muito menos cansativo (principalmente para as mães que já voltaram ao trabalho) amamentar um bebé que está ali ao lado, do que levantar, ir a outro quarto, dar de mamar, deitar o bebé e voltar para a cama.
A mesma situação coloca-se quando os bebés (mesmo que não sejam amamentados) acordam com frequência durante a noite, quando estão doentes, ou simplesmente quando os pais se sentem bem assim.
Desde que sejam cumpridas as regras de segurança básicas, não há qualquer perigo em deixar o bebé dormir com os pais.
É bom e até saudável habituar o bebé a uma rotina diária mas esta não tem que ser seguida rigorosamente.
A rotina serve para criar segurança ao bebé, para que ele possa ir aprendendo como são os dias e aquilo que pode esperar. Existem actividades que podemos introduzir mais ou menos às mesmas horas para ajudar a criar essa rotina. Por exemplo, de manhã brincamos no tapete, depois de almoço damos um passeio, antes do jantar vem o banho...
Algumas vezes ouvimos mães contarem que os seus bebés dormem a noite toda desde os dois meses, por exemplo.
Mas é mais comum que os bebés só comecem a dormir noites inteiras seguidas após o primeiro ano.
Os bebés acordam durante a noite por razões fisiológicas.
Em primeiro lugar porque o seu estômago ainda não lhes permite armazenar alimento suficiente para aguentar uma noite inteira, depois porque ao mamar durante a noite está a garantir que a mãe continua a produzir uma boa quantidade de leite[3].
Por outro lado, estudos indicam que os ciclos de sono curtos estão relacionados com mecanismos de sobrevivência do bebé. Bebés que acordam com frequência têm menos riscos de sofrer Síndrome de Morte Súbita do Lactente.
[1] O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que sua composição muda até mesmo durante a mamada!
O leite do fim surge no final da mamada e parece mais branco do que o leite do início porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais rico em energia. Fornece mais de metade da energia do leite materno.
A criança necessita tanto do leite do início como do fim, para o crescimento e desenvolvimento.
[2] Os bebés amamentados em exclusivo podem estar vários dias seguidos sem evacuar e sem mostrar desconforto. Isto é absolutamente normal e não é preciso fazer nada. Acontece porque os nutrientes do leite materno são absorvidos practicamente na íntegra deixando poucos ou nenhuns resíduos. Quando o bebé volta a evacuar a consistências das vezes é mole e amarelada, como habitualmente. Esta situação costuma ser denominada como "falsa obstipação".
[3] A prolactina é a hormona responsável pela produção do leite. Mais prolactina é produzida à noite, portanto, amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Parto: Medos & Mitos
Para muitas mulheres, é um absoluto desconhecido. Desfaça alguns dos mitos mais comuns nos dias de hoje.
«A dor de parto é intolerável»
Se há um medo universal associado ao parto é este. Muito porque o nascimento continua a estar ligado, na nossa cultura, à ideia de sofrimento. Mas a dor é uma sensação muito subjectiva. E a maneira como se lida com ela - aceitá-la ou tentar desesperadamente eliminá-la - é fulcral no desenrolar do trabalho de parto.
É importante perceber que, ao contrário das outras dores, a dor de parto não é um sinal de que algo está errado no nosso corpo. Por várias razões, é uma dor muito diferente de todas as outras. É gradual e intermitente, permitindo à mulher recuperar forças entre as contracções.A sua intensidade depende não só de grávida para grávida, como das condições em que a mulher dá à luz: nível de relaxamento, privacidade, apoio de familiares e profissionais, posição de parto e ambiente que a rodeia.
O medo da dor é o principal inimigo da mulher em trabalho de parto.
Quando há medo, aumenta a tensão, que aumenta a dor. O melhor plano para encarar a dor é senti-la como uma aliada no processo de fazer nascer o bebé. Acreditar que ela tem uma função fisiológica e tentar dar à luz num ambiente propício: sem imposições de terceiros, sem stress e sem intervenções desnecessárias. E confiar na Natureza. Se a dor de parto fosse realmente impossível de suportar, há muito que a Humanidade se tinha extinguido...
«Se o meu parto for de cesariana, a vinculação ao bebé é posta em causa»
Por vezes, as grávidas ficam de tal modo prisioneiras de uma ideia de parto que não concebem outra. Mas os imprevistos acontecem e nem sempre os bebés podem nascer por via vaginal. No caso das mulheres que desejam a todo o custo ter um parto normal ou natural (sem medicamentos ou intervenções desnecessárias), é frequente pensarem que a cesariana prejudica a vinculação ao bebé. Nada mais falso.A ligação a um recém-nascido não depende exclusivamente da forma como decorre o parto. É certo que o parto não cirúrgico permite um contacto imediato com o bebé e uma recuperação mais rápida, mas não é necessariamente sinal de vinculação instantânea.
Uma experiência negativa de parto pode comprometer o vínculo ao bebé numa fase inicial (pelo cansaço, pela desilusão), mas isso tanto pode acontecer numa cesariana, como num parto vaginal. O fundamental é que a mulher consiga viver bem o momento do parto. Sentir que teve um papel activo no nascimento do filho e que não se limitou a ser uma mera espectadora. Mesmo que a cesariana seja inevitável.
«A epidural é a melhor amiga da mulher»
A técnica anestésica mais comum durante o parto divide-se em analgesia epidural (destinada aos partos vaginais) e anestesia epidural (utilizada nas cesarianas). Ambas bloqueiam as sensações dolorosas nas zonas do abdómen e pélvica. Consistem na introdução de um cateter na parte inferior das costas, entre os ossos das vértebras inferiores, por onde irão passar as substâncias medicamentosas que eliminam a dor.
Se a utilização da técnica é consensual nas cesarianas, o mesmo não se pode dizer nos partos normais. Nestes casos, a epidural não deve ser encarada como uma técnica livre de contra-indicações. Em primeiro lugar, porque comporta alguns riscos (por esse motivo, antes de se submeterem à analgesia, as mulheres têm de assinar um consentimento informado) e, em segundo, porque se trata de uma intervenção que pode tornar o período expulsivo mais difícil, aumentando a probabilidade de recurso ao fórceps para ajudar o bebé a nascer.
Apesar de eliminar a dor, a epidural, é preciso assumi-lo, limita o papel da mulher durante o parto: por estar anestesiada e relaxada, muitas vezes ela não sabe quando fazer força e necessita que a 'conduzam'.Há mulheres que decidem submeter-se à analgesia epidural ainda antes do parto. Como podem saber se vão, de facto, necessitar da intervenção do anestesista?
A epidural deve ser estudada antes do nascimento - o efeito, as contra-indicações - mas ter a certeza de que sem ela não se passa, só no momento. Não é possível antecipar a intensidade da dor de parto nem o nível de resistência da grávida.
«A epidural representa um risco muito grande»
Não é a solução para todos os males, mas também não é o perigo que, por vezes, se imagina que é. A analgesia epidural é, hoje, uma técnica praticada com segurança pelos médicos anestesistas. São raros os casos em que alguma coisa corre mal.
Os efeitos negativos mais comuns incluem dores de cabeça e formigueiro nas pernas. Para além disso, é eficaz. A dor de parto é realmente eliminada. Para muitas mulheres, o alívio da sensação dolorosa devolve-lhes a serenidade necessária para dar à luz.
Do mesmo modo que a decisão de se submeter à epidural não deve ser tomada antes do parto, também a sua recusa não deve ser equacionada antes de tempo. Isto é particularmente verdade para as grávidas de primeiro filho, que nunca viveram uma experiência de parto.
O melhor é esperar para ouvir o que diz o corpo. À partida, qualquer mulher está preparada para ter um filho sem epidural, mas, por vezes, há factores que potenciam a dor: posição de parto, ambiente hospitalar, decisão de acelerar o nascimento com fármacos, trabalho de parto longo. Nestes casos, a epidural pode ajudar.
«O pai tem de estar sempre presente»
É uma das grandes mudanças na forma de encarar o nascimento e uma das mais importantes bandeiras da humanização do parto. A abertura da sala de partos ao pai nas últimas décadas permitiu que os homens passassem a tomar contacto com uma realidade que até então lhes era praticamente vedada.
O parto deixou de ser um 'assunto de mulheres' para passar a ser uma experiência partilhada entre os membros do casal. A maior parte das maternidades e hospitais admite a presença do pai durante o trabalho de parto e, hoje em dia, são poucos os que recusam assistir ao nascimento dos filhos.
Mas será a presença do pai obrigatória? Teremos passado de um extremo ao outro: da ausência total do pai no momento do parto à ditadura da sua presença? Não havendo imposições, nem expectativas impossíveis de cumprir, a participação do pai no parto é um bálsamo. Sobretudo, pelo apoio emocional que presta à mãe.
Para o bebé, é um tesouro haver um acréscimo de vinculação. Mas nem todos os homens se sentem preparados para um momento destes. Falta de à vontade, falta de sangue frio, falta de serenidade. A ideia de ver nascer o filho pode trazer ansiedade e angústia aos homens e eles não deverão ser culpabilizados por isso. O essencial é o desejo de ambos os pais.
«Se não der de mamar logo a seguir ao parto, perco a oportunidade de amamentar o meu bebé»
O importante é querer dar de mamar. Se, por alguma razão, a recém-mãe não puder ou não conseguir amamentar o seu bebé nas horas que se seguem ao parto (isto é frequente nos casos de cesariana ou de partos muito difíceis), o aleitamento não está necessariamente em causa.
As hormonas que desencadeiam o processo podem ser estimuladas durante um período de tempo aceitável. Há mulheres que decidem amamentar um mês depois do parto e conseguem. Tudo é reversível, pode ser mais difícil, mas é possível voltar atrás. Por vezes, é necessário procurar ajuda para desbloquear o processo e aprender a dar de mamar.
A grande maioria das mulheres produz leite suficiente para alimentar os filhos, mas nem sempre sabe como fazê-lo. Além disso, apesar de ser um processo natural, a amamentação pode revelar-se complicada e difícil. Muitas vezes, é preciso insistir. Isto é particularmente verdade nos casos de bebés que não mamaram logo a seguir ao parto. Uma enfermeira especialista em saúde materna ou uma doula poderão dar um apoio precioso.
O importante é ter em mente que, quanto mais o bebé mamar, mais leite é produzido e que os bebés devem mamar em regime livre e não com um horário fixo. E, o mais importante de tudo, que não há dois bebés nem duas mães iguais. A amamentação é uma dança. Mãe e bebé têm de encontrar o seu próprio ritmo.
«Actualmente, a cesariana é uma intervenção sem riscos»
Eis o mito maior. É certo que a cesariana é uma intervenção cada vez mais segura, mas isso não a torna isenta de riscos. A morbilidade e a mortalidade maternas associadas a esta forma de nascer - é preciso não esquecer que se trata de uma cirurgia! - são significativamente mais elevadas do que no parto vaginal. O risco de complicações infecciosas é cinco a 20 vezes maior.
A possibilidade de ocorrer uma hemorragia também é expressivamente mais alta: seis a oito vezes. Para os bebés, nos casos de cesarianas electivas antes das 39 semanas, há o risco de ocorrer uma situação de distress respiratório (insuficiência respiratória).
Para além destes riscos, há também a questão da recuperação pós-parto. No caso da cesariana, o restabelecimento é, inevitavelmente, mais difícil, longo e doloroso. O bisturi corta sete camadas de tecido, incluindo músculo abdominal.
Há indicações absolutas para realizar uma cesariana, como os casos de placenta prévia (quando a placenta cobre parcial ou completamente o orifício interno do colo uterino), e outras mais subjectivas, como a indicação de sofrimento fetal.
Seja qual for o cenário, a cesariana só deve ser efectuada em casos de comprovada necessidade. É essa a recomendação de todos os organismos internacionais que estudaram esta questão, como a Organização Mundial de Saúde e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.
«O parto em casa é perigoso»
Em 1996, o conceituado British Medical Journal dedicou um número inteiro ao parto domiciliário, onde foram publicados vários estudos sobre esta temática. No editorial, um professor holandês escreveu que o parto em casa é uma opção segura para as gravidezes de baixo risco, desde que as mulheres tenham apoio especializado e infra-estruturas adequadas.
Essa é a realidade no Reino Unido. O sistema de saúde permite que a mulher dê à luz em casa, se essa for a sua opção. As parteiras estão organizadas de forma a dar assistência e apoio a estes casos e o Estado comparticipa.
Em Maio do ano passado, a então ministra da Saúde inglesa, Patricia Hewitt, veio mesmo dizer que é necessário desfazer o mito enraizado de que o hospital é o local mais seguro para ter um bebé. A responsável falou de uma estratégia de promoção do parto no domicílio, com o apoio do serviço nacional de saúde, no sentido de 'desmedicalizar' a gravidez e o parto.
Enquanto não se passa da intenção à prática, o parlamento inglês vai premiando anualmente os hospitais e centros de nascimento (pequenas unidades geridas por parteiras) que promovam o parto normal e o nascimento em casa.
«A episiotomia é obrigatória»
Outro grande mito difícil de combater. A ideia de que é melhor 'cortar para não rasgar' instalou-se entre os obstetras e criou raízes.
A episiotomia - incisão no períneo (área muscular compreendida entre a vagina e o ânus) e na parede vaginal, que tem por objectivo abreviar o parto - é, hoje, um procedimento rotineiro em Obstetrícia e um dos poucos realizado sem qualquer consentimento da mulher.
Mas os estudos científicos que analisaram as vantagens e os inconvenientes da técnica mostram que não há razões para continuar a executar, indiscriminadamente, a incisão no períneo durante o parto. A Organização Mundial de Saúde contesta fortemente o uso sistemático desta técnica e apela à selectividade dos critérios. Apenas deverá ser usada em casos de iminente rompimento do períneo.
Os riscos associados ao uso rotineiro da episiotomia são significativos e devem ser tidos em conta tanto pelos médicos como pelas grávidas. Ao contrário do que se pensa, o corte não previne as lesões do períneo. Pelo contrário, existe evidência de que poderá provocá-las. Outro dado: recuperar de uma episiotomia não é fácil - trata-se de um corte completo dos tecidos -, quem passou por isso sabe.
«Não dilata: tem de ser cesariana»
Tecnicamente, não existe falta de dilatação. Existem sim tempos diferentes de dilatação e contextos de parto distintos. Cada mulher é um caso. Por vezes, pode ocorrer uma paragem da dilatação.
Provavelmente devido às muitas interferências a que as grávidas em trabalho de parto estão sujeitas nos hospitais: ambiente ruidoso, clima de tensão, excesso de pessoas na sala de partos, sucessivos exames vaginais.
O medo do parto também pode interferir na progressão da dilatação. A grávida começa a sentir-se tensa e não consegue descontrair. A falta de relaxamento é um dos maiores entraves à progressão da dilatação.
Se a situação persistir, apesar de a grávida estar a sentir contracções, pode ser necessário intervir cirurgicamente (o trabalho de parto estacionário é uma das principais causas de cesariana).
Mas o importante é prevenir este desfecho: para que a dilatação evolua normalmente, a mulher em trabalho de parto não deve ser perturbada e o ambiente que a rodeia deve ser de calma e serenidade. Evitar chegar cedo demais à maternidade - não é preciso ir a correr ir para o hospital assim que a bolsa de águas rebenta - é uma forma de acautelar essas interferências negativas.
Texto de Maria João Amorim, 06 Novembro 2007
Fonte: http://www.paisefilhos.pt/
sexta-feira, 4 de abril de 2008
MITOS, FOLCLORES, MENTIRAS, LENDAS, TABUS E UM POUQUINHO DE INVENÇÕES TAMBÉM
"Parto domiciliar (em casa de parto) é perigoso"
"Mulheres que optam pelo parto em casa (em casa de parto) são loucas"
"Mulheres que optam pelo parto em casa (em casa de parto) são muito corajosas"
"Ter um parto em casa (em casa de parto) é egoísmo e coloca o bebê em perigo de vida"
LENDAS SOBRE BEBÊS E PARTO
"Bebês grandes aumentam a chance de ruptura uterina"
"Bebês grandes são responsáveis por partos difíceis"
"O tamanho do bebê é um fator a ser considerado na possibilidade de parir"
"Mulheres pequenas não pode parir bebês grandes"
"Se a cabeça do bebê está para baixo, então ele está em uma boa posição"
"Se o bebê está sentado, ele tem que nascer de cesariana"
"Se o bebê está sentado, a cesárea é a forma mais segura dele nascer"
"Bebês pequenos não podem nascer de parto normal"
"Pelo ultrassom é possível ver se o bebê é grande demais para um parto normal"
TABUS E PRECONCEITOS DO PARTO NORMAL
"Parto é perigoso"
"O parto é um procedimento médico"
"Você pode morrer da dor do parto"
"Não tem porque sofrer com a dor do parto se hoje em dia há a anestesia à disposição"
"O parto natural está ultrapassado"
"Meu corpo terá dificuldades em parir (ou eu não vou suportar)"
"Pés pequenos = Bacia Pequena"
"Você precisa ser examinada e aprovada por um obstetra para ter certeza que pode dar à luz"
"Se você teve alguma dificuldade em um parto, significa que sua bacia é muito pequena"
"O meu segundo parto será parecido com o primeiro, só que mais rápido"
"O trabalho de parto é definido pelas mudanças no colo do útero (dilatação e/ou esvaecimento)"
"O uso de ervas no parto não é seguro"
"A presença de mecônio (fezes do bebê) no líquido amniótico significa que ele está em sofrimento fetal"
"O trauma de um parto anterior não afeta os partos futuros"
"O médico pode dizer quando você entrará em trabalho de parto analisando as mudanças do colo do útero"
"Parto normal faz a vagina ficar larga"
"Parto normal faz a baxiga ficar baixa, provoca incontinência urinária e depois precisa operar o períneo."
FOLCLORES DO FINAL DA GESTAÇÃO
"Quarenta semanas é o tempo necessário para o bebê ficar pronto"
"Se o bebê estiver "alto", não encaixado no final da gravidez, então não vai mais encaixar"
"Chegar a 42 semanas de gestação dobra o risco de seu bebê morrer"
"Um colo do útero grosso significa que você está a semanas de dar à luz"
"Os bebês sempre se encaixam antes do trabalho de parto se iniciar"
"O trabalho de parto deveria se iniciar com o rompimento da bolsa"
"Pelo formato da bacia é possível predizer se o parto vai ser normal ou cesárea"
MITOS DO ATENDIMENTO "MODERNO"
"Um médico é necessário para um parto saudável"
"A queda na mortalidade infantil é um resultado direto do atendimento hospitalar no parto"
"Ultrassons na gravidez são essenciais"
"O início do trabalho de parto constitui uma situação médica emergencial"
"Médicos sempre salvam vidas"
"Estar em um hospital para o parto garante segurança e saúde para a mãe e o bebê"
"O sistema médico atual é seguro e a melhor opção para o atendimento ao parto "
"Graças a Deus você nasceu no século XX, quando toda a tecnologia médica está ao seu alcance. De outra forma você provavelmente seria uma daquelas pobres mulheres que morriam em trabalho de parto"
"O parto é mais seguro se o bebê for monitorado continuamente com o monitor fetal"
"A tecnologia médico-hospitalar garante o nascimento saudável e seguro"
MENTIRINHAS SOBRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE
"Médicos têm um conhecimento específico adquirido com anos de experiência que os permite adivinhar como será um trabalho de parto"
"Médicos não fazem nada que possa atrapalhar o parto"
"Médicos não fazem nada que possa prejudicar a saúde da mãe ou do bebê"
"Tomar uma decisão que vai contra um conselho médico é muito perigoso e desaconselhado. Ele não vai mais tratar de você caso isso ocorra."
"Uma enfermeira obstetra é sempre pior do que um médico obstetra"
"Deve haver alguma coisa errada na quantidade de leite que produzo"
"Meu médico está sempre certo e está apenas preocupado com meus interesses"
"Toda parteira é igual"
"Obstetras são especialistas em partos"
"Enfermeiras obstetras são as únicas parteiras verdadeiramente qualificadas para a assistência ao parto"
"Eu deveria acreditar mais no meu médico do que em mim mesma."
"Chega uma hora que é tarde demais para trocar de médico"
"A maioria dos obstetras escolheram essa profissão porque gostam de prestar assistência ao parto"
"O profissional do parto é o encarregado e eu sou seu objeto de trabalho"
"Enfermeiras obstetras e parteiras nunca são intervencionistas"
"Um obstetra sabe mais sobre o parto do que eu"
INVENÇÕES DOS PROCEDIMENTOS MÉDICOS
"A indução do parto é segura se você estiver com 37 semanas ou mais"
"Passar da data é perigoso. Quarenta semanas é o limite para o bebê ficar no útero."
"A episiotomia é o corte organizado, enquanto o rompimento natural é caótico e incorrigível"
"Quando o colo está fechado ou desfavorável, não adianta tentar a indução. A cesárea é a melhor opção."
"A episiotomia é um corte pequeno e de fácil cicatrização"
"A episiotomia previne a incontinência urinária"
"A partir de 37 semanas o bebê já está pronto"
LENDAS DA CESÁREA E DA INDICAÇÃO DE CESÁREA
"A cesárea é a opção do parto sem dor"
"A cesárea é um procedimento seguro para mãe e bebê"
"Quando a dilatação chega a 10 cm e o bebê não desce imediatamente, é necessário fazer uma cesárea"
"Quando a gravidez não pode continuar, é necessário fazer uma cesárea"
"É mais fácil recuperar-se de uma cesárea marcada do que uma cesárea depois de algumas horas de trabalho de parto"
"Não importa o tipo de parto, se o bebê tiver saúde."
"Parto normal depois de cesárea é perigoso"
"No momento em que você ver seu bebê, você se apaixonará imediatamente e nada mais terá importância (inclusive o tipo de parto que você teve)"
"Pressão alta no final da gravidez é sempre sinal de pré-eclâmpsia, e a cesárea é a melhor opção"
"Desproporção céfalo-pélvica (ou feto-pélvica) significa que meu bebê não passaria pela minha bacia e a melhor indicação é a cesárea"
"Gêmeos e trigêmeos têm que nascer de cesárea"
"Parto normal depois de cesárea deveria ser tratado como alto risco"
"As pessoas em geral entendem que a cesárea é uma cirurgia de médio porte, longa recuperação, considerável perda sangüínea"
"Mulher que faz cesárea não vai sofrer de incontinência urinária"
"Eu jamais escolheria subconscientemente uma cesárea!"
"A presença de mecônio indica a necessidade de uma cesárea de urgência"
"Mulheres com pressão alta não podem ter parto normal"
Por Ana Cristina Duarte, doula, bióloga e co-fundadora das Amigas do Parto (e minha professora no curso de Educadora Perinatal)
Retirado daqui
sábado, 26 de janeiro de 2008
Mitos sobre Aleitamento Materno

Realidade: O leite materno nunca é fraco! A sua composição tem exactamente todos os nutrientes necessários para um excelente crescimento e desenvolvimento do bebé, pelo menos, até aos seis meses de idade. Pensa-se que este mito se gerou devido ao facto do leite materno não ter uma aparência tão “rica” ou cremosa quanto o leite de vaca. No entanto, os nossos bebés também não são bezerros, não é verdade?
Mito: O meu leite é “aguado”
Realidade: Nos primeiros dias após o nascimento do bebé o nosso peito apenas produzirá o chamado colostro. É um líquido amarelo, transparente, levemente salgado e com aparência “aguada”. No entanto tem um grande valor nutritivo e transmite ao bebé anticorpos da mãe, protegendo-o contra algumas doenças. Depois de alguns dias o colostro vai alterando a sua aparência e tornando-se mais opaco, até chegar ao leite materno, que é definitivo.
No entanto, o leite definitivo não tem a mesma composição do início ao fim de uma mamada. O primeiro leite que sai da mama é um leite com uma aparência um pouco mais “aguada” que se destina, essencialmente, a saciar a sede do bebé. O chamado “leite posterior” já tem uma aparência mais cremosa e é mais rico em gordura e calorias. É por isso que muitos técnicos de amamentação defendem que se deve por o bebé a mamar apenas numa mama em cada mamada. Assim, certifica-mo-nos que ele recebe sempre o leite “posterior”.
Mito: O meu peito não consegue produzir leite suficiente para o meu filho
Realidade: A esmagadora maioria das mulheres é capaz de produzir leite suficiente para o seu bebé.
Os equívocos normalmente produzem-se porque o nosso organismo não é capaz de “adivinhar” a quantidade de leite de que o nosso bebé precisa (diferentes bebés podem ter diferentes necessidades). Deste modo, para “ensinar” ao peito qual a quantidade de leite que o bebé precisa temos que o deixar mamar sempre que ele pede (regime livre). As mães que amamentam “a pedido” raramente têm problemas com a produção de leite.
Se obrigarmos o nosso bebé a mamar sempre, somente de três em três horas (ainda que ele dê sinais de fome antes) estamos a “dizer” às nossas mamas para não produzirem mais leite!
Mito: Se der uma mamada “extra” ao meu bebé fico com menos leite para mais tarde
Realidade: Lembre-se: a produção de leite materno é baseada na lei da oferta e da procura. Como tal, quanto mais o bebé mamar, mais leite a mãe terá.
O organismo de uma mãe que amamenta está sempre a produzir leite. Quanto mais vazia está a mama, mais rápido o corpo trabalhará para reabastecê-la. Quanto mais cheia está a mama, mais lenta será a produção de leite. Se uma mãe espera sistematicamente que suas mamas encham antes de amamentar, seu corpo pode receber a mensagem de que está a produzir leite a mais e, por isso reduz a sua produção.
Mito: Às vezes os bebés usam o peito da mãe como chucha
Realidade: Isso não é verdade. O contrário talvez seja mais correcto: as chuchas foram desenhadas tendo por ideia base o peito materno e por vezes são usadas para tentar substituí-lo.
Se o seu bebé parece querer passar muito tempo ao peito isso também pode acontecer por necessidade de proximidade. A mama da mãe não significa apenas alimento, mas também protecção, calor e afecto. Muitos bebés também mamam quando têm medo, quando se sentem sós ou quando sentem alguma dor. Não há qualquer problema se isso acontecer. Não é o tempo que o bebé está ao peito que causa mamilos doridos ou gretas mas sim uma pega incorrecta.
Mito: Se a mãe fez cesariana, certamente não conseguirá amamentar
Realidade: É sempre possível amamentar, mesmo tendo feito uma cesariana. Aquilo a que se terá de ter atenção, neste caso, é procurar uma posição mais confortável devido à costura. Também é normal que a subida do leite demore um pouco mais do que no caso de parto normal (de cinco a seis dias). Até lá é recomendável que a mãe ponha o bebé a mamar muitas vezes para estimular a produção.
Mito: Uma mulher com mamas pequenas produzirá menos leite
Realidade: O tamanho do peito não interfere com a produção de leite.
Mito: Se a mulher ficar com os seios ingurgitados ou com uma mastite deve parar de amamentar
Realidade: Pelo contrário. Estes problemas surgem devido ao leite que se encontra retido na mama. Quanto mais deixar o bebé mamar na mama afectada, mais facilmente resolverá as dificulades.
Mito: Quando a mulher tem uma fraca produção de leite, geralmente é devido ao stress, ao cansaço ou má alimentação.
Realidade: Apesar do stress, o cansaço e a má alimentação em nada ajudarem ao animo e à confiança, tão necessários à mulher que amamenta, não são estes os factores causadores de uma baixa produção de leite.
As causas mais frequentes para uma produção de leite deficiente têm a ver com uma pega incorrecta e/ou mamadas pouco frequentes. O Stress e o cansaço poderão dificultar o reflexo de ejecção do leite (o leite pode ter dificuldade em fluir para fora da mama). No entanto, assim que a mãe consiga descontraír um pouco, essa dificuldade desaparece imediatamente.
Mito: As mães que amamentam devem oferecer sempre ambas as mamas em cada mamada
Realidade: É muito mais importante deixar que o bebé termine de mamar no primeiro lado antes de oferecer o segundo, ainda que isso signifique que ele vá recusar o segundo lado. O último leite (que contém mais calorias) obtém-se gradualmente conforme a mama vai esvaziando. Se trocar de mama prematuramente, o bebé mamará apenas o primeiro leite, mais baixo em calorias, em vez de obter o equilíbrio natural entre o primeiro e segundo leite. Como resultado, o bebé não se sentirá tão saciado.
Excepcionalmente, durante as primeiras semanas, a mãe pode oferecer ambas as mamas em cada mamada para ajudar a estabelecer o fornecimento de leite.
Mito: O bebé deve mamar sempre de 3 em 3 ou 4 em 4 horas
Realidade: Os bebés amamentados digerem o leite mais rapidamente que aqueles alimentados com biberon: aproximadamente uma hora e meia em vez de até quatro horas.
Isto deve-se ao facto de as moléculas de proteínas que compõem o leite materno terem um tamanho muito menor. Ainda que a quantidade de leite consumido seja um dos factores que determina a frequência das mamadas, o tipo de leite é de igual importância. Estudos antropológicos dos leites produzidos pelos diversos tipos de mamíferos confirmam que os bebés humanos estão preparados para receber alimento com frequência e que assim tem sido feito através da história.
Mito: O bebé não deve estar ao peito mais do que 20 (ou 15, ou 10...) minutos em cada lado.
Realidade: Cada bebé tem o seu ritmo e hoje em dia não se aconselha tirar o bebé do peito antes dele terminar (o que deve acontecer quando ele largar espontaneamente a mama ou adormecer). Às vezes deixamos de ouvir o bebé engolir e ele continua a mamar. Isso acontece porque há bebés mais carentes que gostam da sensação de estar no peito da mãe. Não há qualquer problema se isso acontecer. Não é o facto de estar muito tempo ao peito que causa gretas mas sim um mau posicionamento ou uma pega incorrecta.
Também há casos em que o bebé demora demasiado tempo a mamar porque não está a mamar eficazmente! Aí é necessário procurar ajuda e corrigir a pega.
Mito: A amamentação prolongada não tem qualquer valor, já que a qualidade do leite materno começa a diminuir a partir dos seis meses de vida
Realidade: A composição do leite materno muda de acordo com as necessidades do bebé conforme este vai crescendo. Mesmo quando o bebé já é capaz de receber outro tipo de alimento, o leite materno é a sua fonte principal de nutrição durante o primeiro ano. Apenas se converte em “complemento” no segundo ano de vida.
Por outro lado, e visto que o sistema imunológico do bebé demora entre dois e seis anos a amadurecer, o leite materno continua a fornecer anticorpos enquanto durar a amamentação.
Investigações recentes mostram que o leite materno é mais rico em gordura e energia depois de um ano de amamentação: contém quase 12% mais calorias que o leite de uma mãe de um recém-nascido. Ocorre o mesmo com os factores protectores.
Mito: os leites artificiais actuais são practicamente tão bons como o leite materno.
Realidade: Os leites artificiais apenas são superficialmente semelhantes ao leite materno. Os leites artificiais não contêm anticorpos, não contêm células vivas, enzimas nem hormonas. Por outro lado contêm muito mais alumínio, magnésio, ferro e proteínas. O leite artificial não varia a sua composição do início para o fim da mamada, nem ao longo do crescimento do bebé.
Mito: Se o bebé tiver diarreia deve-se parar a amamentação.
Realidade: o leite materno é o melhor alimento que pode dar a um bebé com um problema/infecção intestinal.
Mito: Amamentar deixa o peito flácido e descaído
Realidade: Amamentar não deixa o peito flácido ou descaído. O que o pode fazer são as variações bruscas de peso que podem ocorrer durante a gravidez.
Mito: É normal que amamentar doa
Realidade: Embora possa haver mães cuja pele seja mais sensível, o normal é que a sensação de "dorido" passe ao fim de poucos dias. Se subsistir ao ponto da mãe pensar em desistir da amamentação, normalmente é sinal de que algo não está bem. Nestes casos é frequente que o bebé não esteja a fazer uma boa pega e deve procurar-se ajuda especializada.
http://www.breastfeeding.com/
http://www.llli.org/
http://www.amigasdoparto.org.br/
