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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O vérnix protector do bebé

Os bebés nascem cobertos de uma espécie de gordura branca, parecida com queijo creme ou manteiga: o vérnix caseoso. Consiste numa mistura de secreções de gordura procedentes das glandulas sebáceas fetais e de células mortas que se vão desprendendo da epiderme fetal. O vérnix cobre a superfície do bebé durante o terceiro trimestre de gestação e cumpre numerosas funções benéficas para o bebé na sua etapa intra uterina e na sua adaptação à vida extra uterina.    

Um dos procedimentos habituais em muitos hospitais é lavar imediatamente o recém-nascido e limpar vigorosamente a sua pele. Esta práctica provém da crença de que o vérnix é algo "sujo", um despojo do processo de parto, que, tal como o sangue, as fezes, o mecónio ou o líquido amniótico, se deve retirar e eliminar, para apresentar à mãe um bebé "limpo", por vezes inclusivamente já vestido, penteado e perfumado.      

O recém-nascido tem que adaptar-se a um verdadeiro reto fisiológico, por sua vez, desde o meio líquido intra uterino ao meio seco extra uterino. Necessita adaptar-se à respiração, à alimentação e à eliminação, regular a sua temperatura e manter o equilibrio hidrico do corpo, de forma a evitar a desidratação. Neste complicado processo, se não for retirado da pele do recém-nascido, o vérnix contribui consideravelmente para várias funções vitais para a sobrevivência do recém-nascido:

1. actua como barreira perante a perda de líquidos (água),
2. É uma defesa natural frente a possíveis infecções,
3. intervém na formação do manto ácido,
4. cumpre funções antioxidantes,
5. permite a termorregulação,
6. protege contra a luz ultravioleta e contra produtos químicos

Continuar a ler AQUI

sábado, 23 de abril de 2011

A hora seguinte ao nascimento: Deixem a Mãe e o bebé em Paz!

A hora que se segue ao nascimento é, sem dúvida, uma das fases mais críticas na vida dos seres humanos.

O que está envolvido neste momento que torna este período tão crítico e delicado? Porque é tão importante que seja preservado e respeitado?

Eis alguns dos processos envolvidos:

- necessidade repentina de se adaptar à respiração por parte do recém-nascido

- efeitos das hormonas (dão-se tranformações importantes nesta fase que se for perturbada podem ser alteradas)

- vinculação entre mãe-bebé

- início da amamentação

- adaptação metabólica

- adaptação bacteriológica

- processo de termoregulação

- adaptação à gravidade

Conseguem imaginar tudo isto a acontecer tranquilamente enquanto levam o bebé para aspirar, pesar, analisar, vestir, etc...? Será que essa pressa de intervir se justifica em bebés e mães saudáveis? Ou será que afinal se perde demasiado...?

Podem ler mais informação aqui, aqui e aqui.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Escolher o local do parto

A escolha do local do parto é um tema de especial importância para a grávida.

Hoje em dia, em Portugal, a parturiente tem o direito a escolher a maternidade da rede pública onde deseja ter o seu bebé sem qualquer critério de obrigatoriedade como seja a zona de residência(1).

O casal pode ainda optar por um hospital ou clínica privados ou preferir a sua própria casa para dar à luz.

Não existe uma escolha correcta.
Os futuros pais deverão simplesmente optar pela hipótese que os faz sentir mais seguros e confiantes.
No entanto é possível assinalar algumas "vantagens" e "desvantagens" em cada opção, que a grávida/casal pesará na sua balança, o que eventualmente ajudará na tomada de decisão.

Hospital ou Maternidade Pública

Vantagens:

  • Alguns possuem iniciativas como a dos Hospitais Amigos dos bebés
  • Alguns já possuem políticas instituídas para o parto humanizado
  • Têm todos os recursos médicos disponíveis para emergências
  • O serviço é gratuito
Desvantagens:

  • O atendimento tende a ser "frio" e não individualizado
  • A aceitação do plano de parto está sujeita à boa vontade da equipa médica de serviço ou mesmo às condições físicas do hospital
  • Não há "garantia" de haver métodos de controlo da dor disponíveis, quer sejam farmacológicos ou não
  • Apesar de prevista na lei, a presença do acompanhante nem sempre é possível (depende das condições do hospital) e raramente se permite a entrada a mais do que um acompanhante (ex. marido e doula)
Hospital ou Clinica Privada

Vantagens:

  • No geral o atendimento é menos "frio" e mais individualizado
  • Há um maior conforto e privacidade: muitos dos quartos são individuais e o pai pode ficar alojado em conjunto com a mãe e o bebé depois do parto
  • Há possibilidade de negociar os procedimentos previamente com o médico que assitirá ao parto para que o plano de parto seja cumprido, sempre que possível
Desvantagens:

  • Têm taxas mais elevadas de cesarianas e induções programadas
  • Nem sempre têm os recursos médicos necessários em casos de emergência e por vezes a mãe ou o bebé podem ter que ser transferidos e até mesmo ficar em hospitais separados
Parto domiciliar

Vantagens:

  • O casal tem total liberdade no parto
  • Há conforto e privacidade, a gravida está em sua casa, sente-se à vontade, pode escolher as posições que a façam sentir mais confortável. Por outro lado, só assistirá ao parto quem o casal decidir.
  • Segundo a OMS, o parto domiciliar é tão seguro quanto o parto hospitalar para grávidas de baixo risco
Desvantagens:

  • O casal fica por "conta própria" já que esta opção não está contemplada no Serviço Nacional de Saúde. Serão os futuros pais a ter que providenciar tudo o que será necessário para o parto, inclusivé a contratação de uma parteira para acompanhar a grávida
  • Não há muitos profissionais que aceitem assistir a partos domiciliares
  • Em caso de emergência, é necessário transportar rapidamente a mãe para o hospital
(1)
(...) com base no relatório da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal e tendo em conta o imperativo constitucional que obriga o Estado a "garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e cuidados de saúde", determinou:
1-A consagração do direito de toda a mulher escolher livremente o local onde deseja ter os seus filhos em condições de melhor qualidade para a mãe e a criança.(...)

Decreto-lei nr 67, II série do Diário da República (despacho 7495/2006) de 04/04/2006

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Plano de Parto


O que é?

O plano de parto é composto pelo conjunto de preferências da grávida/casal relativamente ao parto, sobre os quais pensou e reflectiu.
É importante, no entanto, que este plano seja flexível e que a grávida esteja disposta a alterá-lo. Isto porque o nascimento não é um evento previsível, cada parto será único e especial e poderão surgir imprevistos.
Por outro lado as suas decisões podem ser influenciadas por outros factores incluíndo o modo como se sente no momento.

Porque fazer?

Porque hoje em dia na maioria dos hospitais o parto é medicalizado/instrumentalizado de forma rotineira. Se pensarmos no nascimento como um evento fisiológico, normal e saudável não existe motivo para dar o mesmo tratamento a todas as mulheres independentemente de haver ou não uma patologia. Hoje em dia sabemos que apenas 15% a 20% dos partos necessitam efectivamente de intervenção médica.
Por outro lado, certas praticas hospitalares, não defendidas pelas evidências ciêntificas, ou seja, que não trazem qualquer benefício para a grávida ou para o bebé, podem tornar-se bastante constrangedoras para a parturiente, podendo inclusivé dificultar o bom desenrolar do trabalho de parto.
A futura mãe também deve ter o direito de decidir acerca de questões relativas ao bebé como o facto de pretender amamentar na primeira meia hora de vida ou quem será a pessoa que ficará com o bebé no caso de ter que ser submetida a uma anestesia geral.

Exemplo de um Plano de Parto

Em baixo segue uma lista de items acerca do parto, com várias opções. Experimente assinalar aquelas que mais se adecuam ao seu caso.

Parceiros de parto
Gostaria que assistissem ao meu parto as seguintes pessoas

- Companheiro/marido
-Amiga/o
-Familiar
-Doula
-Outros filhos

Indução

-Preferia que não me provocassem o parto
-Só aceito a indução por razões médicas
-Preferia que o parto fosse provocado

Trabalho de parto

-Gostaria que não me realizassem enema (clister)
-Gostaria que não me realizassem tricotomia (rapagem dos pelos púbicos)
-Quero ser capaz de andar e saír da cama, se possível.
-Gostaria de beber e comer qualquer coisa enquanto for capaz
-Gostaria de circunscrever ao mínimo o número de exames vaginais
-Prefiro que não me coloquem soro (apenas se necessário) ou ocitocina
-Gostaria de poder usar o chuveiro no decorrer do trabalho de parto
-Gostaria que não me rompessem artificialmente as membranas desde que o bebé esteja bem

Monotorização

-Não desejo que o bebé seja continuamente monitorizado a menos que esteja em risco

Gestão da dor

-Desejo ter um parto natural e não quero receber medicação para as dores durante o trabalho de parto
-Gostaria de uma epidural o mais cedo possível
-Gostaria de uma epidural mais para o fim do trabalho de parto
-Gostaria de receber medicação para as dores apenas se eu a solicitar
-Gostaria de poder usar meios não farmacológicos para o alívio da dor (uso da bola de parto, massagens, chuveiro, etc)

Episiotomia

-Preferia que não me fizessem uma episiotomia a menos que seja necessária para a segurança do bebé
-Prefiro que me façam uma episiotomia

Parto

-Gostaria de poder escolher a posição em que me sentir mais confortável no momento do nascimento
-Gostaria de fazer força apenas quando tiver vontade
-Gostaria de ter música ambiente na sala
-Gostaria que baixassem as luzes e houvesse um ambiente calmo no momento do nascimento

Cesariana

-Se necessitar de uma cesariana de emergência gostaria que o meu companheiro pudesse estar presente
-Desejo que a anestesia seja epidural
-Se tiver que fazer anestesia geral quero que seja (nome da pessoa) a pegar no bebé quando ele nascer

Pós-parto

-Gostaria de pegar no meu bebé imediatamente após o nascimento
-Quero esperar que o cordão umbilical pare de pulsar antes de ser cortado
-Gostaria de aguardar pela expulsão expontânea da placenta, com o auxílio da amamentação
-Gostaria que fosse o meu companheiro a cortar o cordão
-Tenciono amamentar o meu bebé na primeira meia hora de vida
-Gostaria que não oferecessem chuchas ou biberon ao bebé sem o meu consentimento
-Gostaria de ficar sempre junto do bebé mesmo para as suas avaliações/exames

Uma vez elaborado o Plano de Parto, que deverá ser o mais sucinto possível, deverá entregar uma cópia a todas as pessoas que irão estar envolvidas no parto. Deverá ainda entregar uma cópia à administração do hospital onde irá nascer o seu filho e outra deverá ser anexada ao seu livro verde da grávida.

Fontes:
http://www.amigasdoparto.com.br
http://www.amigasdoparto.org.br
http://www.humpar.org/
A Bíblia da Gravidez, Drª Anne Deans, Editorial Estampa



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