Mostrar mensagens com a etiqueta perguntas e respostas - amamentação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta perguntas e respostas - amamentação. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Porquê adiar a introdução dos sólidos até aos 6 meses?



Como é do conhecimento geral, actualmente a OMS aconselha a amamentação em exclusivo até aos 6 meses e só depois dessa idade iniciar a alimentação complementar (sólidos).

No entanto, perguntam-me sempre muitas vezes o porquê desta recomendação (sobretudo mães que estão a ser pressionadas pela família, por vezes até pelo pediatra, para iniciar a alimentação complementar antes dos 6 meses).

O ideal seria esperar até o bebé mostrar sinais de que está pronto para iniciar a diversificação alimentar (alguns bebés, poucos, podem estar prontos por volta dos 4 meses, a maioria por volta dos 6 e outros  poderão recusar qualquer contacto com outros alimentos além do leite materno até por volta dos 8 meses).

Como saber então se o bebé está preparado para iniciar a alimentação complementar?

O próprio bebé nos dará os sinais:

-O bebé consegue sentar-se e manter-se direito para comer, sem ajuda

-O bebé mostra interesse pela comida quando vê os adultos a comer e tenta agarrar os alimentos para os levar à boca

-O bebé já perdeu o reflexo de protusão da língua (um mecanismo de protecção que faz com que o bebé empurre, para fora, com a língua tudo o que lhe é colocado na boca)

Porque é importante o aleitamento materno exclusivo até os seis meses (ou até o bebé mostrar os sinais de que está preparado)?

Há várias razões:

Em primeiro lugar porque confere ao bebé uma maior protecção imunológica (a protecção mantém-se por todo o tempo que durar amamentação mas tem mais efeitos enquanto for exclusiva).

Porque se estima que 6 meses é o tempo que o sistema digestivo do bebé necessita para amadurecer completamente e poder tolerar outros alimentos, evitando desta forma reacções, tais como gases, obstipação e outros problemas digestivos.

Até mesmo ao nível do desenvolvimento motor, um bebé de 6 meses já conseguirá mostrar que está preparado para receber outros alimentos, sendo capaz de sentar-se melhor, recusando quando não quer mais alimento e agarrando a comida com as próprias mãos para levar à boca.

Amamentar em exclusivo até aos 6 meses também diminui os riscos de reações alérgicas aos alimentos e de eventuais carências de ferro.

Por outro lado, amamentar em exclusivo até aos 6 meses garante uma boa produção de leite na mãe durante mais tempo (num período em que ainda é fundamental para o desenvolvimento do bebé).

http://www.llli.org/FAQ/solids.html
http://www.kellymom.com/nutrition/solids/delay-solids.html
http://www.homemade-baby-food-recipes.com/babys-first-foods.html
http://www.babygooroo.com/index.php/2010/03/04/when-can-i-introduce-solids/
http://www.babygooroo.com/index.php/2009/08/27/balancing-your-baby%E2%80%99s-need-for-solid-foods-and-breastmilk/
http://www.askdrsears.com/html/3/t032000.asp
http://www.got-breastmilk.org/Whydelay.shtml

quinta-feira, 4 de março de 2010

Conselheiras em Aleitamento materno

Mais um artigo que escrevi para a newsletter online DoBebé, que saíu no dossier especial amamentação. (podem ler aqui no portal)

Conselheiras em Aleitamento materno


Quem são?

As Conselheiras em Aleitamento Materno são pessoas com formação específica na área do aleitamento materno.
A sua formação inclui conhecimentos técnicos actualizados sobre amamentação, bem como técnicas de apoio às mães.
Podem ser profissionais de saúde ou mães com experiência em amamentação que também se formaram como conselheiras.

O que fazem?

As Conselheiras em Aleitamento Materno prestam apoio e informação às mães, transmitindo-lhes a confiança necessária para que possam amamentar tranquilamente os seus bebés.
Ajudam a resolver as dificuldades que possam surgir durante o período de amamentação mas o seu trabalho também pode começar antes, oferecendo informação sobre aleitamento materno às mães e pais, ainda durante a gravidez.

Quando consultar uma Conselheira em Aleitamento Materno?

Alguns dos motivos para consultar uma Conselheira em Aleitamento Materno são:

• Engurgitamento mamário doloroso
• Mamilos doridos/com fissuras
• Baixo aumento de peso no bebé
• Dificuldades na pega/recusa em mamar
• Informação Pré-Natal (mães e pais que procuram informação sobre amamentação durante a gravidez, como preparação para depois do nascimento)
• Estratégias de ajuda para a mãe que retomou/vai retomar o trabalho
• Quando a mãe parou de amamentar e deseja retomar (relactação)
• Mãe que deseja amamentar um bebé adoptado

No entanto se a mãe sentir qualquer outra dificuldade durante a amamentação pode sempre consultar uma conselheira.

Onde as podemos encontrar?

- Centros de Saúde que possuem "Cantinhos de Amamentação" (consultar aqui)

- Associações de Apoio ao Aleitamento Materno:
- Conselheiras em Aleitamento Materno que fazem deslocações ao domicício:

Aqui há Bebé

Grávidas em Forma

Mamar ao Peito

domingo, 31 de janeiro de 2010

Entrevista sobre Amamentação

Respondi a várias questões que a Sara, do portal DoBebé me colocou e que saíram agora na sua newsletter online num dossier, especial Amamentação. Espero que gostem e que seja útil.

Até quando deverá uma criança mamar?


De acordo com as directrizes da Organização Mundial de Saúde, os bebés devem ser amamentados em exclusivo (sem introdução de outros alimentos ou suplementos) até aos 6 meses de idade. Após a introdução dos sólidos a OMS recomenda que se continue a oferecer o peito até aos 2 anos ou mais.

Concorda com a amamentação tardia? (até aos 7 anos por exemplo?)

Noutras culturas, onde o marketing dos leites artificiais não chegou de forma tão agressiva e onde se manteve o hábito da amamentação inalterado, é vulgar muitas crianças mamarem até aos 5,6 ou 7 anos.
Também existem estudos antropológicos que apontam para que a idade natural do desmame na criança humana esteja entre os 2 e os 7 anos.
Penso que os motivos que levam actualmente as mães a desmamarem os bebés cedo prendem-se com factores culturais e pressões sociais.
No entanto, a amamentação deve acontecer até mãe e bebé quererem. Não existe uma data “certa” para o desmame.

Porque é importante o aleitamento materno exclusivo até os seis meses?

Há vários motivos:

Em primeiro lugar porque confere ao bebé uma maior protecção imunológica (a protecção mantém-se por todo o tempo que durar amamentação mas tem mais efeitos enquanto for exclusiva).
Porque se estima que 6 meses é o tempo que o sistema digestivo do bebé necessita para amadurecer completamente e poder tolerar outros alimentos, evitando desta forma reacções, tais como gases, obstipação e outros problemas digestivos.
Até mesmo ao nível do desenvolvimento motor, um bebé de 6 meses já conseguirá mostrar que está preparado para receber outros alimentos, sendo capaz de sentar-se melhor, recusando quando não quer mais alimento e agarrando a comida com as próprias mãos para levar à boca.
Amamentar em exclusivo até aos 6 meses também diminui os riscos de reações alérgicas aos alimentos e de eventuais carências de ferro.
Por outro lado, amamentar em exclusivo até aos 6 meses garante uma boa produção de leite na mãe durante mais tempo.

Quais são as dúvidas mais frequentes das mães em relação à amamentação?

No início da amamentação as dúvidas prendem-se principalmente com a pega (posição do bebé ao agarrar a mama) visto que muitas das dificuldades iniciais surge relacionada com este factor.
Também existem muitas dúvidas quanto à quantidade de leite materno ingerido e se é suficiente. É comum haver alguma insegurança das mães quanto a este tema.

Ainda existem muitos mitos e tabus em relação a dar de mamar?

Sim, bastantes. Por exemplo, é muito frequente as recém-mamãs restringirem (por vezes de forma bastante rigorosa) a sua dieta com receio de que este ou aquele alimento possam fazer mal ou causar cólicas ao bebé. Este é apenas um dos exemplos com que mais me deparo mas existem muitos mais...(1)

Apesar dos tabus não serem falados com tanta abertura, sabemos que ainda há muitas mães com “vergonha” de amamentar em público (precisamente porque na nossa sociedade as pessoas se habituaram a ver biberões e ainda se associa a mama apenas à sua função sexual). Por outro lado, algumas mães sentem constrangimentos na altura de reiniciar a vida sexual com os seus companheiros, precisamente por terem que conciliar o peito, que agora serve de alimento para o seu bebé, com a função sexual. Nestes casos, a forma como o companheiro encara (ou não) a amamentação com naturalidade pode ter um peso muito grande.

O leite fraco é mais um mito?

Sem dúvida.
Actualmente podemos afirmar com certeza que não existem leites fracos. A composição do leite materno tem exactamente todos os nutrientes que o bebé precisa (pelo menos até aos 6 meses) bem como diversos tipos de anti-corpos que lhe conferem protecção extra. Seria preciso que uma mulher estivesse gravemente desnutrida ou desidratada para que a composição do leite materno se alterasse.

Existem formas correctas de amamentação?

Existe uma forma correcta para o bebé fazer a pega no peito.
O bebé deve abocanhar a maioria da aréola (zona escura que envolve o mamilo) e não apenas o mamilo e deve estar bem junto à mãe, virado para ela, barriga com barriga.
Para estimular o bebé a abrir bem a boca, pode tocar com o mamilo no seu lábio superior. O bebé começará então a abrir a boca “procurando” o peito. Quando a mãe vir que ele abre bem a boca deve introduzir a mama, “apontando” o mamilo na direcção do palato (céu da boca) do bebé.
Quando o bebé estiver a fazer uma pega correcta terá a boca bem aberta, abocanhando a maioria da aréola, enrolando o lábio inferior para trás, o queixo e o nariz do bebé tocam na mama, o bebé enche as bochechas de leite, é possível ouvi-lo a engolir e a mãe não deverá sentir dor.(3)
Quanto à posição em si (deitada, sentada) aí já não existem regras. O mais importante é que a mãe se sinta confortável e mantenha uma boa postura, de forma a evitar dores nas costas, por exemplo.

Como sabe uma mãe que o seu bebé está saciado?

Em primeiro lugar, a mãe pode cumprir dois princípios que vão reduzir drasticamente as probabilidades do bebé não estar a receber leite suficiente:

- Amamentar “a pedido”, ou seja, aprender a reconhecer os sinais de fome do bebé:
Levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo, fazendo movimentos de sucção com a língua, ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara. A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.
Até sabermos que o bebé recuperou o peso do nascimento devemos evitar deixá-lo fazer intervalos entre mamadas maiores que 3 horas, durante o dia, ou 5/6 horas, durante a noite (caso esteja a dormir) (2). Em 24 horas, um recém-nascido deve mamar, pelo menos, 8 a 12 vezes.
Lembre-se que a produção de leite se baseia na “lei da oferta e da procura”. Quanto mais der de mamar, mais leite vai produzir.
-Certificar-se que o bebé faz uma pega correcta (ver em cima como)

Conseguindo cumprir estes dois princípios é muito provável que o bebé vá receber leite suficiente. No entanto devemos observar outros factores:
-O bebé molha várias fraldas por dia, a urina é incolor e inodora
-O bebé parece bem disposto, saudável e atento na maioria do tempo
-O bebé aumenta de peso: durante a primeira semana de vida, o bebé pode perder até 10% do seu peso inicial, entre a 2ª e a 3ª semana recupera o peso com que nasceu e até aos 3/4 meses deve aumentar entre 115 a 230 gr/semana.

Qual a importância do incentivo da amamentação?

Hoje em dia, por vários motivos, perdeu-se o hábito da transmissão da cultura de amamentação dentro das famílias (sobretudo de mãe para filha). Assim sendo, o incentivo terá, muitas vezes que vir do exterior, dos profissionais que lidam com o aleitamento materno.
Sabendo que muitas das mães abandonam a amamentação simplesmente porque acreditam que o seu leite não é suficiente para satisfazer o seu bebé ou não tem qualidade, penso que é fundamental incentivar e informar!
A maioria das mães deseja amamentar apenas porque sente que é a forma natural de alimentar o seu bebé mas também é importante difundir os benefícios que o aleitamento materno pode trazer para o bebé, para a mãe e até para a economia da família (bem como do próprio planeta).
Hoje em dia sabe-se que uma das formas mais eficazes que poderia haver para reduzir a mortalidade infantil mundialmente seria o aumento das taxas de aleitamento materno.

Os bancos de leite são importantes?

São importantíssimos na medida em que podem salvar vidas!
Os bancos de leite destinam-se essencialmente a bebés prematuros, de baixo peso ou com problemas de saúde, e que, por vários motivos não têm leite das suas própias mães ou têm mas não em quantidade suficiente.

Todas as mães têm capacidade de produzir todo o leite que o Bebé precisa?

Podemos dizer que a esmagadora maioria das mães tem capacidade de produzir todo o leite que o seu bebé (ou bebés) precisa(m).

Como podemos identificar as mulheres que não produzem o leite necessário por algum problema de saúde?

Há certos problemas de saúde (ou até mesmo alguns medicamentos) que podem ser logo identificados como podendo interferir na produção de leite. Contudo, alguns podem ser corrigidos ou eliminados.
No entanto, na maioria dos casos, quando identificamos que uma mãe está a produzir leite em quantidade insuficiente para o seu bebé, devemos dar-lhe as indicações apropriadas no sentido de aumentar a produção de leite. Se, mesmo seguindo à risca todas as indicações e tendo acompanhamento durante algum tempo, a mulher não conseguir aumentar a produção de leite, só então devemos começar a despistar outras hipóteses (estes serão casos bastante excepcionais).

Acredita que as cirurgias para a redução da mama interferem na amamentação? E a colocação de silicone?

As cirurgias de redução mamária podem interferir com amamentação, ainda que hoje em dia, segundo os especialistas, já existam novas técnicas de redução mamária que permitem que a mulher possa amamentar.
Quanto aos implantes de silicone, em princípio não devem ter interferência na amamentação.

Como podem continuar a amamentar depois do fim da licença de maternidade?

A mãe poderá extraír leite no local de trabalho, durante as horas em que está ausente, desta forma o leite retirado poderá servir de refeição do bebé nas horas em que a mãe está a trabalhar. Por outro lado, as extracções também lhe permitirão manter uma boa produção de leite e evitar engurgitamentos mamários (excesso de leite retido na mama, pelo facto de estar afastada do bebé).
Quando estão em casa devem seguir os mesmos princípios da amamentação “a pedido” de que já falámos e lembrar-se que até ao 1º ano de vida o leite é o princípal alimento da dieta do bebé, os outros alimentos são complementares. Podem e devem oferecer o peito antes das refeições sólidas do bebé e aumentar a frequência das mamadas nos dias de folga.

E como podem aprender a realizar a retirada de seu próprio leite?

As mães podem usar bombas de extracção, eléctricas ou manuais (que são vendidas ou alugadas) ou podem aprender a extraír o seu leite manualmente.
Existem diversas maneiras da mãe aprender as técnicas de extracção e conservação de leite materno.
Pode pedir a ajuda de uma conselheira em aleitamento materno, consultar manuais de amamentação(4) e páginas de aleitamento materno disponíveis na internet (5)). Também já existem várias formações sobre amamentação(6) disponíveis para mães nas quais podem aprender sobre este e outros temas.

Tem dados de outros países?

Em relação às taxas de amamentação em Portugal, temos um estudo de 2007, efectuado na região de Lisboa que nos revela que à saída da maternidade, 91% das puérperas amamentavam o seu filho (77,7% em exclusividade) tendo esta percentagem diminuído para 54,7% aos três meses e 34,1% aos seis meses.

Temos ainda outro estudo elaborado através de inquéritos nacionais de saúde que nos permite ver a evolução da duração do aleitamento materno nas várias regiões de Portugal aqui: http://www.amamentar.net/Not%C3%ADcias/tabid/150/articleType/ArticleView/articleId/3/Default.aspx

A Direcção-Geral da Saúde vai arrancar em 2010 com o Observatório do Aleitamento Materno, o que vai permitir recolher dados mais precisos.

Quanto aos outros países temos uma lista com taxas de amamentação a nível mundial disponível na página da Unicef, que se pode consultar aqui: http://www.childinfo.org/breastfeeding_countrydata.php

A mulher que amamenta também tem algum benefício?

Os benefícios são vários para as mães que amamentam:

Amamentar promove uma recuperação mais rápida da mãe no pós-parto (o útero é estimulado a regressar mais rapidamente ao seu tamanho e localização original; a mãe que amamenta gasta mais calorias, sendo mais fácil regressar à sua forma).
Amamentar diminui o risco de certas doenças na mãe (cancro da mama, cancro do ovário, osteoporose, doenças cardíacas, diabetes, artrite reumatóide).
Aumenta a auto-confiança da mãe e o seu bem estar psicológico, diminuindo o risco de depressão pós-parto e promovendo o vínculo emocional com o bebé.
É práctico (está sempre “à mão” e na temperatura certa) e económico (poupa o dinheiro dos leites artificiais, dos biberons, tetinas e outros acessórios, bem como todo o trabalho exigido na sua preparação, limpeza e esterlização).
Amamentar pode ainda poupar gastos e preocupações médicas ao diminuir o risco de algumas doenças, tanto na mãe como no bebé.

Amamentar é responsabilidade só da mãe?

Na verdade a amamentação deve ser uma resposabilidade de toda a sociedade.
A grande responsabilidade da mãe reside na escolha em amamentar. Depois, o companheiro, a família e toda a rede social à volta da mulher tem uma grande importância (no sentido de dar apoio, encorajar, transmitir confiança).
Os profissionais de saúde têm a responsabilidade de saber, além de encorajar e apoiar, orientar a mulher da melhor forma possível nas dificuldades que possam, eventualmente, surgir.
As empresas têm a responsabilidade de dar todo o apoio necessário para que as mães possam continuar a amamentar após o regresso ao trabalho (respeitando a lei da dispensa para amamentação, criando condições para que as mães possam extraír leite sem constrangimentos no local de trabalho e abolindo quaisquer pressões para que a mãe se sinta “forçada” a prescindir dos seus direitos).
Por último, o governo também tem uma grande responsabilidade na medida em que deve implementar e fazer cumprir as leis que dão estes direitos às mães lactantes.

Sofia Carvalho
Doula, Educadora Perinatal e Conselheira em Aleitamento Materno OMS/Unicef

(1) http://aquihabebe.blogspot.com/2008/01/mitos-sobre-aleitamento-materno.html
(2) O pediatra poderá dar indicações diferentes no caso de bebés nascidos com baixo peso ou prematuros.
(3) http://www.leitematerno.org/posicao.htm
(4) http://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf
(5) http://www.amamentar.net/M%C3%A3esPais/Aspectospr%C3%A1ticosdoaleitamentomaterno/Extrairconservaretransportaroleitematerno/tabid/173/Default.aspx
(6) http://www.sosamamentacao.org.pt/Amamenta%C3%A7%C3%A3o/Artigos/tabid/182/ctl/Details/mid/512/ItemID/127/Default.aspx

domingo, 16 de março de 2008

Perguntas e Respostas - amamentação

Estou numa dúvida cruel! O meu filho tem 1 ano e 4 meses e ainda amamento, todo o mundo diz que o devo desmamar, porque o leite já não tem valor. Quais as vantagens de ainda continuar amamentando?


Em primeiro lugar devo referir que as orientações actuais da Organização Mundial de Saúde (OMS) são no sentido da amamentação em exclusivo (sem quaisquer outros alimentos ou líquidos como água ou chás) até aos 6 meses e como complemento (depois da introdução dos sólidos) até aos 2 anos ou mais.

A composição do leite materno muda de acordo com as necessidades do bebé conforme este cresce. Mesmo quando o bebé já é capaz de receber outro tipo de alimentos, o leite materno é a sua fonte primordial de nutrição durante os primeiros doze meses. Converte-se em complemento dos alimentos no segundo ano de vida. Além disso, o sistema imunológico do bebé demora entre dois e seis anos para se estabelecer. O leite materno continua a complementar e a ajudar o sistema imunitário enquanto o bebé mamar.

Investigações recentes mostram que o leite materno é mais rico em gordura e energia depois de um ano de amamentação: contém quase 12% mais calorias que o leite de uma mãe de um recém-nascido. Ocorre o mesmo com os factores protectores.

Os factores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebé cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam a receber os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983).

O leite materno continua a evitar doenças e a facilitar a recuperação de outras durante o segundo e terceiro anos de vida. Isto porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém factores anti-infecciosos.

Outras pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida é muito similar ao leite do primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500 ml de leite materno proporcionam à criança:

95% do total de vitamina C necessária;
45% do total de vitamina A necessária;
38% do total de proteínas necessárias;
31% de calorias necessárias.

A amamentação de bebés mais velhos proporciona uma oportunidade de brincadeira e uma bebida de conforto. Significa serenidade para bebés cansados, doentes, assustados, contrariados, ajudando-os a superar o stress diário da infância. Porque a amamentação se torna uma forma agradável de bem-estar emocional entre o bebé e a mãe. Muitos bebés gostam, compreensivelmente, de continuar a gozá-la por vezes durante o segundo, o terceiro ou até o quarto ano de vida (Davies,1993).

Por outro lado a amamentação prolongada também protege as mulheres de alguns tipos de cancro.

Sem querer ser fundamentalista, a minha opinião final, como mãe, é que se deve amamentar até que isso seja um prazer, um momento de contacto priveligiado com o bebé. A partir do momento em que se torna um sacrifício ou "apenas uma obrigação" as vantagens deixam de ser tão significativas.
O que acho mais importante é que não se deixe de amamentar apenas porque os outros criticam, ou acham que esta ou aquela altura é a ideal para o desmame! Decida isso em conjunto com o seu bebé!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Perguntas e Respostas - Amamentação

"Estou grávida e preocupada sobre se conseguirei amamentar o meu bebé pois tenho os mamilos planos. O que posso fazer?"

Na imagem podemos ver um mamilo considerado "normal", um mamilo plano e um mamilo invertido. Se tem dúvidas sobre se o seu mamilo é plano ou invertido, existe um pequeno teste que pode fazer:
Simplesmente pressione a auréola na direcção do mamilo com os dedos polegar e indicador. Se o mamilo ficar como estava é porque é plano. Se retraír é porque é invertido.


Em primeiro lugar, é importante esclarecer que os bebés não mamam directamente no mamilo mas sim na auréola. Assim, sendo, é perfeitamente possível que um bebé cuja mãe tenha mamilos planos ou invertidos mame tão bem como qualquer outro.

A única dificuldade que pode (ou não) acontecer é que o bebé demore um pouco mais até conseguir fazer uma boa pega pois não sentirá o mamilo saliente que serve como uma espécie de "guia" para o bebé. De qualquer forma, com o continuar da amamentação e com a sucção, os mamilos deixarão de ser planos em poucas semanas.

As futuras mães que tenham mamilos planos ou mesmo invertidos não precisam de fazer nada durante a gravidez, já que a estimulação dos mamilos, sobretudo durante o terceiro trimestre está contra-indicada. As próprias hormonas libertadas durante a fase final da gravidez e no parto serão uma ajuda eficaz e em muitos casos os mamilos salientam-se por si só depois do parto.
Contudo, se o bebé tiver dificuldades em fazer uma boa pega, existem algumas coisas que se podem fazer para ajudar:

O que fazer:
  • Obter informação correcta sobre como realizar uma boa pega
  • Colocar o bebé ao peito, se possível na primeira hora a seguir ao parto
  • Dar de mamar frequentemente e a pedido
  • Mentalizar-se de que vai ser necessário paciência e persistência mas que acabarão por conseguir
  • use conchas para mamilos dentro do soutien cerca de meia hora antes de cada mamada e durante a noite
  • Se adquirir uma bomba de leite, pode usá-la imediatamente antes de cada mamada. O vácuo produzido pela bomba fará com que o mamilo sobressaia momentaneamente.
  • Quando estiver em posição para dar de mamar, com a mão em concha por baixo da mama e o polegar a tocar a auréola, puxe ligeiramente a pele em direcção ao peito para ajudar o mamilo a sobressair.
  • No caso de sentir muita dificuldade procurar ajuda especializada

O que não fazer:
  • Não usar protectores de mamilo em silicone! Apesar de às vezes serem (mal) aconselhado nos hospitais, provocam no bebé o chamado "nipple confusion"(1) e interferem com a produção de leite.

Durante a subida do leite, o mamilo pode ficar ainda mais plano ou retraído, visto que o peito ficará muito cheio e a pele esticada. É normal que o bebé tenha mais dificuldade em abocanhar nesta altura. Uma das soluções pode passar por aplicar calor e extraír um pouco de leite antes da mamada, apenas o suficiente para que o peito "amoleça" ligeiramente e a pega se torne mais fácil para o bebé.


[1] Chama-se Nipple Confusion, quando, ao oferecer ao bebé um biberon ou chucha, antes da amamentação estar bem estabelecida, ele confunde a sucção nestes objectos com a forma de sucção que deve feita no peito materno (são duas formas de sucção completamente distintas). O bebé fica “confuso” e pode, por isso, não mamar de uma forma tão eficaz.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Perguntas e Respostas - Amamentação


"Comecei a amamentar o meu bebé com protectores de silicone e agora estou com problemas para conseguir retirá-los e habituar o bebé a mamar directamente da mama! O que fazer para conseguir desabituar o bebé dos bicos?"

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que está provado que a médio prazo os protectores de mamilo em silicone interferem com a produção de leite, causam habituação ao bebé a acabam por não ser assim tão eficazes a solucionar os problemas para os quais os começamos a utilizar.

Para desabituar o bebé tem que o voltar a habituar à mama progressivamente.
Comece a mamada por lhe tentar dar só a mama. Para isso, esprema um pouco de leite do mamilo (basta uma gota) e encoste o mamilo ao lábio superior do bebé para o fazer abrir bem a boca. Quando ele tiver a boca bem aberta, introduza bem o peito, de forma a que ele fique a abocanhar a maior parte da auréola (zona escura à volta do mamilo) e o lábio inferior esteja revirado para fora (ver imagem). A boca do bebé tem que estar bem aberta. Se a posição estiver correcta não causa dor à mãe.


Como o bebé ainda está habituado aos protectores, tenha-os ao pé de si (para a transição não ser brusca para ele) e se depois de várias tentativas ele continuar a "protestar" coloque os bicos para ele terminar a mamada.
Assim que vir que o bebé já é capaz de fazer uma boa pega sem os protectores, pode deixar de os colocar.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails