sábado, 25 de abril de 2009

Parto em casa é tão seguro como no hospital

Um estudo holandês que envolveu 530 mil partos demonstrou que, para as grávidas de baixo risco, dar à luz em casa é tão seguro quanto dar à luz no hospital.

Os investigadores avaliaram, sobretudo, os riscos para o bebé e verificaram que o número de mortes e de complicações foi igual em ambos os locais.

«Concluímos que para as grávidas de baixo risco em princípio de trabalho de parto é tão seguro parir em casa com uma parteira como num hospital com uma parteira. Estes resultados vêem reforçar a necessidade de políticas que encorajem as mulheres saudáveis a escolherem o local de parto», afirmou Simone Buitendijk, uma das autoras do estudo, citada pela BBC.

Na Holanda, o parto em casa é bastante vulgar e corresponde a um terço dos nascimentos. Por outro lado, a Holanda está entre os países da Europa onde morrem mais bebés durante o parto ou imediatamente após o nascimento. Pensava-se que a elevada taxa de mortalidade dos bebés poderia estar relacionada com o facto de nascerem em casa, mas este estudo veio acabar com esse mito.

Simone Buitendijk destaca ainda que o mais importante é que a grávida seja seguida durante o parto por uma parteira altamente especializada, que perceba quando é necessário o transporte para o hospital e que o consiga fazer rapidamente.

Este foi o maior estudo realizado até agora sobre este tema e as conclusões foram publicadas no British Journal of Obstetrics and Gynaecology.

Texto: Pais&Filhos

Posições verticais encurtam trabalho de parto

Estar deitada durante a dilatação prolonga o trabalho de parto em cerca de uma hora, segundo uma revisão de estudos do The Cochrane Collaboration. Mais vantajoso, dizem os investigadores, é que a grávida fique de pé, sentada ou caminhe durante este período.

Foram analisados 21 estudos realizados em países desenvolvidos, desde a década de 60, envolvendo 3706 mulheres. Verificou-se que adoptar posições verticais durante a primeira fase do trabalho de parto (dilatação) retira uma hora ao processo.

«Na maior parte dos países em vias de desenvolvimento, as mulheres podem estar de pé ou caminhar durante a primeira fase do trabalho de parto, sem que isso produza algum efeito secundário», revelou Annemarie Lawrence, do instituto de saúde materno-infantil do hospital de Townsville em Queensland, na Austrália. «Com base nestes resultados, recomendamos que as mulheres sejam encorajadas a escolher a posição que considerarem mais confortável, alertando-as de que devem evitar permanecer deitadas», sublinhou.

Este resultado vai ao encontro das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o parto normal. No documento elaborado pela OMS, a liberdade de posição e movimento durante o trabalho do parto e o estímulo a posições não supinas (deitadas) durante o trabalho de parto e parto são duas das medidas consideradas «úteis e que deviam ser encorajadas».

As posições verticais têm a ajuda da gravidade como vantagem. Alguns estudos têm demonstrado ainda que o facto de se estar deitada durante o trabalho de parto pode levar o útero a comprimir vasos sanguíneos, fazendo com que as contracções sejam menos eficazes.

A mulher passou a estar deitada e imóvel durante o parto com a medicalização do nascimento. A monitorização do feto e das contracções, os toques vaginais e a observação do parto são mais fáceis de realizar pelos profissionais de saúde se a grávida estiver deitada.

Por isso, muitas maternidades portuguesas ainda têm como regra deitar as mulheres a meio da dilatação. No entanto, algumas instituições já permitem a permanência em pé, desde que não exista qualquer complicação e que tal seja solicitado pela mulher.

Texto: Pais&Filhos

terça-feira, 21 de abril de 2009

Novas regras da parentalidade em vigor a 1 de Maio

As novas regras relativas à protecção social na parentalidade, que prevêem, entre outras coisas o alargamento da licença parental para seis meses, subsidiado em 83 por cento do salário bruto, entram em vigor em Maio, divulgou o Sol, citando a Lusa.

De acordo com os diplomas hoje publicados em Diário da República, as novas normas entram em vigor a 1 de Maio, quer para o regime geral, quer para os funcionários que entraram para a Administração Pública até ao final de 2005 e que não estavam integrados no regime geral para efeitos de prestações sociais.

A partir de agora, a licença pós-parto, intitulada licença de parentalidade, pode passar a ser de cinco meses, pagos a 100 por cento da remuneração bruta, ou de seis meses, pagos a 83 por cento, desde que um desses meses seja gozado de forma exclusiva pelo pai.

O diploma mantém o direito a 100 por cento do salário bruto nas licenças de quatro meses e de 80 por cento nas de cinco meses.

Segundo escreveu também o Público, os pais podem ainda alargar a licença parental até aos 12 meses, mas com os seis meses suplementares (três por cada um dos progenitores, obrigatoriamente) a serem subsidiados apenas a 25 por cento da remuneração bruta.
Outra das novidades introduzidas pelo decreto-lei n.º 91/2009 é o aumento de cinco para dez dias úteis da licença a gozar obrigatoriamente pelo pai a seguir ao parto. Os pais poderão ainda usufruir de mais dez dias opcionais, pagos a 100 por cento, em simultâneo com a mãe.

fonte http://www.paisefilhos.pt/

sábado, 18 de abril de 2009

23 Dicas para poupar quando a família cresce

Achei este artigo bastante engraçado e oportuno, por isso partilho.
Tenho pena que se tenha escrito que a amamentação é um "hábito antigo que voltou a estar na moda"... Não me parece que "moda" seja a palavra indicada mas enfim... Leiam pois tem outras ideias bem acertadas!

A falta de dinheiro encabeça as razões para adiar o nascimento de um filho. E é uma das preocupações quando se tem um bebé, sobretudo em altura de crise. Recuperar hábitos antigos como amamentar e usar fraldas de pano pode ajudar a equilibrar as contas. Mas adoptar as tecnologias mais recentes, sobretudo a Internet, também.


Abonos
O abono de família ajuda a suportar as despesas com a chegada de um bebé. Mas é preciso entregar muita papelada e cumprir prazos, lembra a associação de defesa do consumidor Deco/Proteste. Desde o ano passado, as futuras mães podem também pedir o abono pré-natal, logo após a 13.ª semana de gestação. É necessário entregar uma declaração na Segurança Social para receber entre 32 e 130 euros até ao termo da gravidez, consoante o escalão.

Bonecada
Durante os primeiros meses de vida, os bebés ficam mais excitados com o papel que embrulha os presentes do que com o que está dentro da caixa. Além disso, fazem pouco mais do que comer e dormir, por isso não necessitam de grandes distracções. Assim, gastar dinheiro em brinquedos acaba por ser um desperdício. Até porque quase todos os pais passam pela experiência de ver um brinquedo caríssimo ser preterido em favor de uma colher de pau ou de um copo de plástico.

Creche
A escolha de uma creche ou infantário é sempre difícil para os pais. Mas inevitável para a maioria das famílias, logo aos quatro ou cinco meses, quando acaba a licença de parto da mãe. É também uma escolha pesada para a carteira. Para quem não tem outras opções, como avós disponíveis, mas não consegue pagar um privado, convém ver com antecedência que alternativas públicas existem na área. E aqui, antecedência pode significar inscrever a criança antes de nascer, já que as vagas da rede pública são insuficientes.

Deduções no IRS
Os encargos com a gravidez (da amniocentese e outros exames aos suplementos de magnésio) podem ser usados para pagar menos IRS. O mesmo se aplica às despesas com o internamento e parto, amas e infantários, desde que existam recibos. O fisco aceita 30% destas despesas, até 681, 60 euros, explica a Deco/Proteste. Além disso, não se esqueça de informar a entidade patronal sobre a nova dimensão da família para o caso de ser necessário fazer um ajuste da taxa de retenção.

Emprestado
Os jovens pais apercebem-se rapidamente de que há muitos objectos, alguns bastante caros, que só vão ser necessários durante um curto período de tempo: a banheira, a alcofa, a cadeirinha, o carrinho e até a cama, por exemplo. Então porquê comprar? A melhor solução é pedir emprestado tudo o que puder a amigos e familiares com bebés mais crescidos. Aliás, o mais comum é até apareceram conhecidos e vizinhos a tentar "despachar" coisas que já não precisam e só ocupam espaço. Ter isto em conta logo no início da gravidez, quando se sente a tentação de correr as lojas para comprar todas as coisas engraçadas, pode ajudar a poupar bastante.

Fraldas
Muitos de nós usámos fraldas de pano que foram substituídas pelas descartáveis. Mesmo evitando todo o debate sobre as consequências ambientais do uso de milhões de fraldas difíceis de reciclar, há outro argumento poderoso a favor das fraldas de pano: são reutilizáveis. Para as usar, é preciso apanhar o jeito e umas cuecas de plástico, que ajudam a manter o resto da roupa limpa. Quando se opta pelas descartáveis, sai mais barato comprar pacotes grandes. Mas, mesmo assim, a conta pode chegar a 400 euros por ano.

Ginástica
Antes e depois do nascimento, as mães preocupam-se com a forma física, mas os ginásios e as aulas pagas podem ser um fardo complicado. Alternativas nas piscinas e ginásios municipais e confie na força de vontade.

Higiene
Para alguns pais, as toalhitas húmidas são a melhor invenção desde a roda. Mas para os ecologistas deixaram de ser um acessório indispensável. Os argumentos? Demasiadas fibras não recicláveis. Panos de algodão e água morna são bons substitutos, pelo menos em algumas situações. Mesmo assim, vale a pena ter toalhitas à mão para as situações mais problemáticas. Mais uma vez, compensa comprar os pacotes grandes. Como não são fáceis de transportar, compre um pequeno que possa servir como caixa e reutilize. Aliás, o mesmo se aplica a todos os produtos de higiene: comprar os pacotes maiores compensa. Se receitados por um médico, produtos como cremes e pomadas (com IVA superior a 5%) podem ser incluídos no IRS.

Internet
A grande vantagem da Internet é que se encontra quase tudo. E é aconselhável usar essa quantidade enorme de recursos para poupar dinheiro: em vez de se encher a casa com livros sobre a paternidade, a maior parte dos quais arrumados praticamente sem ser manuseados, é possível pesquisar nos milhares de sites que existem sobre bebés. Alguns até permitem fazer perguntas a especialistas. E há cada vez mais fóruns onde se pode falar com outros pais com filhos que acabaram de passar pela mesma fase, seja ela qual for. Também se poupa dinheiro se em vez de comprar CD se recorrer ao YouTube para ouvir e ver as canções infantis favoritas ou se fizer download de versões gratuitas de músicas tradicionais. E quando não há outras solução a não ser comprar, sites como o eBay oferecem verdadeiras pechinchas, desde que se tenha cuidado com os portes. Por outro lado, os jovens pais apercebem-se rapidamente de que além da conta de supermercado aumentar, o volume de compras também cresce. Por isso, comprar pela Internet e mandar entregar em casa é uma boa opção para não ter que transportar pacotes gigantes pelas escadas acima. Mais uma vez, cuidado para não gastar dinheiro na entrega. Muitas vezes só é gratuita a partir de certos valores.

Jardim
Sair de casa com um bebé é sempre um desafio nos primeiros tempos: há o bebé e toda a parafernália de itens que ele eventualmente pode precisar. Mas antes de ele começar a pedir aulas de música, judo e bailado, os jardins e parques são um excelente destino. São divertidos, permitem sair de casa e não custam nada. Compensa levar um lanche confeccionado em casa, evitando o recurso a boiões de comida já prontos a consumir… e mais caros.

Leite
O leite da mãe é o mais apropriado para as necessidades do bebé: do perfil nutricional à temperatura. Depois de anos em que o hábito de amamentar se perdeu, está novamente na moda, apoiado por orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e recomendações de especialistas em saúde materna. Mas para além de todos os benefícios para a saúde do recém-nascido, amamentar é também a forma mais barata de alimentar o bebé. Sem preocupações com biberões, esterelizadores e latas de leite em pó. A OMS recomenda que até aos seis meses se use apenas leite materno, e que a mãe continue a dar peito até aos dois anos. As mães com dificuldades devem consultar as enfermeiras especialistas que podem dar dicas preciosas sobre como superar os períodos em que as mães têm menos leite.

Mimos
Aqui está um item em que não deve poupar. Nenhum brinquedo, por muito sofisticado e educativo, é tão eficiente para o desenvolvimento da criança como a atenção dos pais.

Não
A partir do momento em que eles dizem a primeira palavra é importante aprender a dizer não. Mais tarde vai poupar-lhe muito dinheiro, dores de cabeça e evitar uma casa cheia de brinquedos que não servem para nada.

Ouvir
Vale a pena pedir conselhos a pais mais experimentados e pensar duas e três vezes antes de fazer compras caras. Sobretudo não adquirir por antecipação: há coisas que pode nunca precisar, há outras que eles detestam. Há bebés que detestam o marsupial, outros os ovos, outros o carro de passeio ou o parque ou o ginásio. Tente ouvir os outros pais e perceber o que o seu prefere.

Padrinhos
Para criar uma criança é preciso uma aldeia diz um ditado. Por isso não se deve desperdiçar a ajuda dos familiares, dos avós aos tios e primos. Evitam ter recorrer aos serviços de baby-sitters, dão uma mãozinha quando não se consegue sair do trabalho a horas ou quando o bebé fica doente. E não deixe de escolher padrinhos, mesmo que não seja religioso. Geralmente dão os presentes mais caros.

Quantidade
Entre as chuchas que se compram e as que são oferecidas muitos pais acabam por ter chupetas em grande quantidade que os bebés nunca chegam a utilizar. O mesmo se aplica a biberões, babetes e roupa. Muitas vezes , os bebés fixam-se numa simples chucha de borracha que usam até exaustão e ignoram todas as outras. Por outro lado, algumas crianças crescem muito depressa e acabam por "saltar" tamanhos, deixando roupa por estrear. Por isso, não exagere nas quantidades.

Roupa de mamã
Quando a gravidez termina e a barriga desaparece surgem outras questões que impedem a mulher de voltar ás antigas roupa, sobretudo se está a amamentar. Mesmo assim vale a pena pensar bem antes de comprar roupa especial. Procure no guarda roupa, peças que são fáceis de despir ou que escondam as manchas de leite. As opiniões dividem-se quanto aos soutiens para amamentação. A roupa de bebé é também muitas vezes descrita como o pior investimento por muitas mães.

Segunda mão
Um recém nascido tem em média 50 centímetros de comprimento e pesa 3400. Um ano depois pesa geralmente cerca de 10 quilogramas e cresceu para os 75 centímetros. Em 6 anos, passa o metro. O que significa que a roupa deixa de servir rapidamente. Assim, e se não tem amigos e familiares com sacos de roupa guardados na arrecadação, não hesite em recorrer aos artigos em segunda mão, muitas vezes quase novos que existem em certas lojas ou online e por metade do preço. Uma boa lavagem e está pronto para usar. E não se aplica só a roupa: há lojas que têm também carrinhos, berços, cadeiras de carro. Desde que cumpra as normas de segurança e esteja em bom estado, não há qualquer problema. O que deixa de servir a uns .. fica mais barato para outros.

Ténis e sapatos
São muito giros, mas abaixo do tamanho 16 quase não são usados. Quando são muito pequenos, os bebés até devem andar descalços e passam tanto tempo em casa no início que quando começam a sair há pares que já não servem. As botas de lã também são geralmente descritas como pouco úteis.

Unissexo
A tentação de decorar um quarto inteiro em cor-de-rosa, com berço, cortinados e roupa a condizer pode ser grande. Mas apostar em roupa e decoração unissexo compensa a curto e médio prazo. Primeiro, porque os bebés crescem depressa e em poucos anos pode ter de mudar. Segundo, porque se resolver ter uma segunda criança pode vir a ser muito útil.

Versatilidade
Os carrinhos são os artigos que pesam mais no orçamento do bebé. Mas há sistemas de passeio para bebé que já incluem carrinho, alcofa e cadeira para automóvel. Além de poupar espaço em casa, um modelo deste tipo - prático, seguro e versátil - pode fazer os pais pouparem 240 euros, segundo cálculos da Deco /Proteste. O conselho aplica-se a outros itens: uma fralda de pano, por exemplo, tem muitas utilidades.

X.P.T.O.
Baldes para fraldas descartáveis, aquecedores de toalhitas, babetes com rocas incluídas, termómetros de banho e de quarto, bacio musical, dispensadores de leite em pó, aquecedores de biberões. Há dezenas de produtos X.P.T.O - é difícil perceber a utilidade de alguns, outros parecem boas ideias... em certa altura, outros ainda são indispensáveis mas em versões que juntam funções inesperadas e às vezes idiotas. No geral, estão longe de ser necessários, além de serem muito mais caros.

Zzzzzzzzz
É provável que a nova mãe passe a dormir menos nos primeiros meses de vida da criança. A vantagem é que andar mais cansada vai permitir poupar dinheiro: sem energia e tempo para festas, jantares e cinema, as despesas descem.

texto de Patrícia Jesus
in http://dn.sapo.pt/inicio/

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Programa "Fátima" passa informações incorrectas sobre Amamentação II

Há umas semanas dei-vos conta de uma peça exibida no programa "Fátima", onde foram transmitidas informações incorrectas sobre Aleitamento Materno.

Na sequência, enviei um e-mail para a SIC, comentando a peça, bem como os comentários e informações pouco correctas que foram transmitidas.

Esse e-mail foi enviado no dia 13 de Março (faz hoje um mês) e até há data recebi apenas uma mensagem de reencaminhamento para o e-mail específico do programa.
Em relação aos comentários que fiz à peça , nem sequer um "lamentamos"...

Eu não fui a única mãe a ficar indignada com o que viu/ouviu e, tal como eu, várias outras mães e conselheiras em Aleitamento Materno enviaram os seus comentários.
Tal como eu, nenhuma recebeu qualquer resposta até agora.

Parece-me que este é um tema demasiado importante para caír no esquecimento.
Há muita gente a lutar diariamente para que a informação correcta chegue ao maior número possível de mães para depois um programa de vastas audiências lançar com uma inegável facilidade informações incorrectas e desactualizadas que atingem numa questão de poucos minutos um número enorme de mães lactantes, com consequências... que seguramente não serão as mais positivas.

Como tal, deixo-vos o conteúdo do e-mail que eu já enviei e mais uma vez apelo a que enviem também os vossos comentários para:

fatima@sic.pt

ou telefonem para a linha de atendimento da SIC através do 808202822

Podem ver o vídeo do programa AQUI.


Caros senhores,

Venho por este meio comentar a peça exibida no vosso programa "Fátima", do dia 06.03.2009, onde entrevistaram uma mãe que queria desmamar o filho de 7 anos.

Escrevo como espectadora e como mãe que amamenta mas também como Conselheira em Aleitamento Materno OMS (Organização Mundial de Saúde)/UNICEF.

Em primeiro lugar, penso que os comentários dos apresentadores ao longo da peça foram depreciativos e mostraram desconhecimento acerca das situações de amamentação prolongada. A própria médica contactada, apesar de ser uma ginecologista prestigiada, transmitiu informações incorrectas acerca das recomendações da Organização Mundial de Saúde no que respeita ao aleitamento materno.

Amamentar uma criança até aos 7 anos pode não ser comum na nossa sociedade mas seguramente será algo natural, antropologica e fisiologicamente. Tanto que actualmente em muitas sociedades é algo encarado com normalidade e não algo "insólito" ou "raro", e nunca uma "disfunção", como refere a apresentadora Merche Romero.

Perguntar se a criança tem um comportamento "normal" tentando associar algum problema psicológico ao acto de amamentar leva os espectadores a assumirem que a amamentação prolongada, pode, de facto, trazer consequências negativas à criança.
Não tenho qualquer conhecimento de estudos com base ciêntifica que provem que amamentar de forma prolongada possa trazer consequências negativas para a criança. Em relação às vantagens da amamentação prolongada, posso indicar-vos este artigo, que as resume além de enunciar todas as fontes e referências dos estudos ali resumidos.
Não quero com isto dizer que a mãe não esteja no seu direito de querer efectuar o desmame. As mães devem ser livres de optar pelo desmame em qualquer altura, se esse for o seu desejo.

A médica colaboradora do programa refere que "o ideal pela Organização Mundial de Saúde é [amamentar] até aos 6 meses. E não se deve ultrapassar os 2 anos. Mas 6 meses, em princípio, é suficiente"
A Organização Mundial de Saúde refere na Declaração de Innocenti "Para optimizar a saúde e a nutrição materno infantil, todas as mulheres devem estar capacitadas a praticar o aleitamento materno exclusivo e todas as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com o leite materno, desde o nascimento até os primeiros 4 a 6 meses de vida. As crianças devem continuar a receber leite materno, quando começarem a receber alimentação adequada e apropriada, até aos dois anos de idade ou mais", o que me parece ter diferenças significativas com aquilo que a médica transmitiu.

Por outro lado, "prescrever" medicamentos via telefone através de um programa de televisão, ao que aparenta sem saber o historial clinico daquela mãe, não me parece uma atitude muito correcta, até porque, esta situação deveria poder ser ultrapassada sem recurso a medicação.
O desmame sem recurso a medicação, com algumas indicações básicas para evitar o engurgitamento, só poderia trazer eventuais problemas caso existisse alguma disfunção hormonal, que só poderia ser detectada mediante a realização prévia de análises. Mas a médica recomenda primeiro o uso de medicamentos e só se não funcionar, então fazer as análises...

O medicamento indicado, a bromocriptina, é um fármaco utilizado em doentes de parkinson, que começou a ser usado também como inibidor da produção de leite.
No entanto, algumas entidades já alertaram para os perigos do seu uso, como é o caso da Foods and drugs administration nos Estados Unidos. O que me leva, mais uma vez, a discordar do facto de ter sido aconselhado num programa de televisão, como primeira solução para o desmame. E até mesmo depois do apresentador Carlos Ribeiro perguntar se não havia alternativa (porque a senhora já tinha tomado este medicamento e se tinha queixado dos efeitos secundários) a médica continuou a insistir na toma do medicamento.

Por último, durante a peça, uma espectadora, que amamenta uma criança com 3 anos e meio (pela descrição que faz ao telefone pareceu-me tratar-se de uma situação normal em que tanto a criança como a mãe encaram a amamentação como algo saudável, positivo e satisfatório) telefona alarmada pelo que tem estado a ouvir no programa, duvidando da sua acção como mãe que continua a amamentar.
Só este telefonema já é um pequeno indicador daquilo que esta peça pode ter produzido a nível nacional, o que não me parece nada posivo ou correcto, pelo tipo de (des)informações que foram transmitidas. Mas pior, foi a senhora pedir um conselho sobre o que devia fazer, já que se questionava se não poderia estar a prejudicar a criança, ao que a apresentadora Merche Romero responde "Concerteza teve a possibilidade de ouvir a dra, e se seguir os mesmos conselhos, calculo que será mais fácil (...) trata-se de atitude e de uma pequena ajuda de comprimidos", fazendo supor que seria igualmente a melhor opção para aquele caso (ainda que aparentemente não existisse qualquer problema ali)!

Em suma, penso que foi dado um destaque a esta situação no sentido de chamar a atenção pelo "insólito", o que acaba por denegrir a imagem da amamentação no geral e em particular da amamentação prolongada.
Em relação às informações incorrectas, penso que o mais acertado a fazer seria que o programa as rectificasse, com igual destaque ao que foi dado nesta peça.

Com os meus melhores cumprimentos

Sofia Carvalho

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Campanha pelo parto natural

Uma das coisas que mais me fascina no ser humano é a sua capacidade de adaptação ao meio e às condições adversas.
No entanto, esta capacidade, que faz parte do mecanismo de defesa e sobrevivência do Homem, tem uma falha.

É que, mesmo quando as adaptações são feitas por um motivo de força maior, que não nos traga necessariamente muitas vantagens, elas são tão bem interiorizadas que depois já não as queremos mudar. Mesmo que a mudança nos traga benefícios.

Uma das características que mais me desaponta no ser humano é a sua natural aversão à mudança.

Porque é que estou com esta conversa?

Porque depois desta notícia, saíu logo esta.
E porque já li pela web bastantes comentários negativos (a maioria de mulheres) acerca desta campanha.

Quem é que nos convenceu a todos tão bem que as mulheres não são capazes de parir naturalmente? Que o parto natural não é o melhor para a nossa saúde e para a do bebé?

E porque é que continuamos a acreditar nisso mesmo sabendo que as evidências ciêntificas nos dizem o oposto?

De facto, a maior e mais urgente mudança que necessitamos é a de Mentalidades. E essa não se muda (apenas) nos hospitais.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Celebridades que amamentam II

É notório o movimento crescente internacional de celebridades que apoiam a amamentação e dão o seu testemunho e exemplo.

A propósito, deixo-vos mais uma lista de celebridades que amamentam e que foram amamentadas. Sabiam que o Pelé foi amamentado até aos 5 anos?
Pergunto-me o que diria Merche Romero sobre este facto...

Mais sobre celebridades e amamentação aqui, aqui, aqui e aqui.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Nascimento (En)Cantado

Este é um parto domiciliar onde foi usada uma abordagem diferente para lidar com as contracções.
Além da liberdade de movimento e do uso das posições verticais foi usada a vibração da voz como auxiliar no trabalho de parto.
Um nascimento muito bonito!

A ver aqui

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Salma Hayek amamenta um bebé na Serra Leoa

A actriz Salma Hayek amamentou um bebé na Serra Leoa.
Claro que este gesto foi alvo de controvérsia nos EUA, um dos países onde a amamentação continua a ser encarada com pouca naturalidade.

E vocês, o que pensam desta atitude?

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