terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Co-sleeping em BD
Uma família normal, um pai, uma mãe e um bebé que acorda com frequência durante a noite para mamar:
Vejam aqui, The Food of Love.
segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
A minha história
Desta vez trata-se da minha própria história de amamentação! No final dou algumas sugestões que, acredito, podem ajudar as mulheres a prepararem-se para uma amamentação de sucesso!
Quando, no início de 2006, descobri que estava grávida, fiquei muito feliz e entusiasmada!
Procurei ler bastante e informar-me acerca da gravidez, do parto, dos cuidados com o bebé... Desde o primeiro momento sabia que queria muito amamentar, que isso era o mais natural a fazer. Até sonhei com esse momento em que iria conhecer o bebé e alimentá-lo pela primeira vez... mas a realidade foi bem diferente...!
Quando o meu filho nasceu, ele não foi logo colocado no meu peito... levaram-me para uma sala de recobro e permanecemos cerca de duas horas separados. Quando finalmente uma enfermeira o trouxe, olhou para o meu peito (eu tinha mamilos planos) e disse-me que o bebé não ía conseguir mamar assim. Sem me dar mais nenhuma satisfação, foi buscar um biberon de suplemento e começou a dá-lo ao bebé. Eu fiquei chocada e comecei a dizer-lhe que queria muito dar de mamar, para ela trazer o bebé... lá mo trouxe e amamentei-o pela primeira vez, desajeitadamente mas com muito amor.
Eu sabia (pois tinha lido durante a gravidez) que ter mamilos planos ou retraídos não era impeditivo para a amamentação. Mas na prática eu estava a ter muitas dificuldades e nenhuma ajuda, nem das enfermeiras no hospital, nem da pediatra do meu filho, que, poucos dias após o seu nascimento, sugeriu que o melhor a fazer seria dar-lhe leite artificial. As mamadas tornaram-se muito dolorosas, o meu peito gretou bastante e chegou a sangrar.
Entretanto lembrei-me que no curso de preparação para o parto me tinham dado um folheto de uma associação que ajudava as mães na amamentação. Liguei para o SOS Amamentação e falei com uma voluntária que se prontificou a ajudar-me. Explicou-me como deveria fazer para o bebé pegar correctamente no peito, e, mais importante, transmitiu-me confiança! Ela sabia que eu seria capaz de amamentar sem suplementos!
Mais tarde ainda visitei uma conselheira em Aleitamento Materno para me certificar acerca da pega mas a partir dali tudo correu de forma muito mais tranquila.
Deixámos o suplemento em poucos dias e passei a amamentar em exclusivo, enquanto o Gonçalo crescia de dia para dia.
Superadas as dificuldades a amamentação decorreu naturalmente até à data (o meu filho já tem quase dois anos e meio e continua a mamar).
Fiquei de tal forma marcada por tudo o que aconteceu que continuei a querer aprender cada vez mais sobre amamentação, as dificuldades mais frequentes, como superar, etc.
Pensava em como era possível que alguns dos profissionais das maternidades, que lidam diariamente com as mães e os recém-nascidos, não ajudassem a concretizar essa relação tão especial e essencial que é o aleitamento materno!
Tinha tanta vontade de ajudar outras mães a não terem de passar por aquilo que eu passei que me ofereci como voluntária ao SOS Amamentação.
Mais tarde surgiu a oportunidade de fazer o curso de Conselheira em Aleitamento Materno da OMS (Organização Mundial de Saúde)/Unicef através da mesma associação e prontamente me inscrevi!
Descobri uma nova vocação que abracei com muita motivação, dedicação e amor!
*Informe-se o mais possível sobre amamamentação ainda durante a gravidez.
Frequente um curso de preparação para o parto, uma formação sobre aleitamento materno, participe num grupo de apoio à amamentação. Envolva nesse processo as pessoas que vão estar mais próximas de si quando o bebé nascer (o seu companheiro, a sua mãe, a sua sogra...) e partilhe tudo o que está a aprender. Dessa forma, eles também ficarão mais preparados para a ajudar depois do bebé nascer.
Na internet pode ter acesso gratuito a sites com muita informação de qualidade (1)
Infome-se sobre os locais onde existem conselheiras em Aleitamento Materno disponíveis para dar apoio na sua região. Guarde os contactos num local acessivel.
*Tenha expectativas realistas.
Não espere que o bebé coma de 3 em 3 horas e durma nos intervalos.
Nas primeiras semanas, o bebé vai querer mamar sempre que estiver acordado, sem horário. Não olhe para o relógio. Em vez disso, tente seguir o seu instinto de mãe.
Esteja atenta aos sinais de fome: levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara. O choro é um sinal de fome tardio, significa que o bebé já tinha fome à algum tempo, por isso devemos evitar deixá-lo chegar a esse ponto.
Não tente ser uma “super mulher”. Aceite a ajuda que lhe oferecerem, não se preocupe com limpezas/arrumações e durma quando o bebé dormir.
*A regra de ouro para ter bastante leite é dar de mamar!
A produção de leite materno baseia-se no princípio da oferta e da procura, por isso quanto mais der de mamar, mais leite vai produzir. Sempre!
*Acima de tudo, confie em si e no seu corpo!
A esmagadora maioria das mulheres é capaz de amamentar com sucesso. Não existem "leites fracos" e são raras as condições impeditivas da amamentação.
Hoje em dia sabemos que a principal causa do desmame precoce é a falta de informação, de apoio e a falta de confiança das recém-mamãs.
Como superar as dificuldades iniciais mais comuns:
*Mamilos gretados e dolorosos
Geralmente são sinal de que o bebé não está a pegar correctamente no peito. A causa pode estar relacionada com o uso da chucha ou biberão que confundem o modo de sugar e devem ser evitados.
Certifique-se que o bebé está em contacto com a mãe (barriga com barriga), com a cabeça, ombros e corpo em linha recta. A boca do bebé deve estar bem aberta , abocanhando a maioria da aréola (zona escura ao redor do mamilo). O queixo fica a tocar na mama e o lábio inferior está enrolado para trás.
Para tratar o mamilo deve andar com o peito ao ar o mais possível e espalhar um pouco de leite materno no mamilo após a mamada. Se necessário pode colocar também uma pomada de lanolina pura.
Evite ou minimize ao máximo o uso de protectores de mamilo em silicone, pois podem trazer efeitos secundários, como a diminuição da produção de leite e a rejeição do peito (tal como a chucha e o biberão, provocam confusão de sucção).
*Ingurgitamento mamário (seios muito cheios e doridos)
Amamentar com frequência e a “pedido” para evitar que o leite se acumule no peito.
Verificar se a posição e a pega estão correctas.
Aplicar uma fonte de calor na mama antes da mamada (pode aquecer uma meia de algodão cheia de arroz no micro-ondas, mas cuidado para não aquecer demasiado e queimar!). De seguida faça uma massagem com os dedos em forma de pente desde a base da mama (perto das costelas) para o mamilo, como se estivesse a “pentear” o peito. Em alternativa pode combinar a massagem e o calor num duche morno. Se a mama estiver tão cheia ao ponto de o bebé ter dificuldade em “agarrar” o peito faça uma pequena extração antes (apenas o suficiente para aliviar a pressão).
Se o desconforto persistir após a mamada aplique frio (por exemplo um saco de ervilhas congeladas que fica bem maleável, envolto num pano).
É importante tomar estas medidas desde cedo, para evitar que o ingurgitamento evolua e acabe por se transformar numa mastite, por exemplo.
*Produção de leite insuficiente/Bebé que não parece satisfeito/Pouco aumento de peso
Certifique-se que está a fazer uma pega correcta (ver mais acima).
Amamente a “pedido” e observe os sinais de fome do bebé (não espere até o bebé chorar).
Deixe o bebé mamar livremente até soltar espontaneamente a mama, por forma a assegurar-se que bebe todo o leite da mama, e em especial o leite do final (mais rico em calorias).
Não dê chuchas nem biberons.
Lembre-se do princípio da oferta e da procura. Se necessário aumente o número de mamadas. Caso seja preciso também pode fazer uma estimulação extra com a bomba de extração.
Evite os suplementos pois se o bebé beber o leite artificial perde apetite para mamar. Caso seja imprescindível prefira o copinho ao biberão, dessa forma o bebé não vai confundir a sucção e será mais fácil manter a amamentação. Também pode fazer extracções e ir substituindo o leite artificial pelo leite materno até ser possível a eliminação do suplemento.
(1)
http://www.aleitamento.med.br
http://www.sosamamentacao.org.
http://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf
http://www.babyfriendly.org.uk/pdfs/portuguese/bfyb_portuguese2.pdf
http://www.amamentar.net/
http://www.leitematerno.org/
domingo, 31 de Janeiro de 2010
Entrevista sobre Amamentação
Até quando deverá uma criança mamar?
De acordo com as directrizes da Organização Mundial de Saúde, os bebés devem ser amamentados em exclusivo (sem introdução de outros alimentos ou suplementos) até aos 6 meses de idade. Após a introdução dos sólidos a OMS recomenda que se continue a oferecer o peito até aos 2 anos ou mais.
Concorda com a amamentação tardia? (até aos 7 anos por exemplo?)
Noutras culturas, onde o marketing dos leites artificiais não chegou de forma tão agressiva e onde se manteve o hábito da amamentação inalterado, é vulgar muitas crianças mamarem até aos 5,6 ou 7 anos.
Também existem estudos antropológicos que apontam para que a idade natural do desmame na criança humana esteja entre os 2 e os 7 anos.
Penso que os motivos que levam actualmente as mães a desmamarem os bebés cedo prendem-se com factores culturais e pressões sociais.
No entanto, a amamentação deve acontecer até mãe e bebé quererem. Não existe uma data “certa” para o desmame.
Porque é importante o aleitamento materno exclusivo até os seis meses?
Há vários motivos:
Em primeiro lugar porque confere ao bebé uma maior protecção imunológica (a protecção mantém-se por todo o tempo que durar amamentação mas tem mais efeitos enquanto for exclusiva).
Porque se estima que 6 meses é o tempo que o sistema digestivo do bebé necessita para amadurecer completamente e poder tolerar outros alimentos, evitando desta forma reacções, tais como gases, obstipação e outros problemas digestivos.
Até mesmo ao nível do desenvolvimento motor, um bebé de 6 meses já conseguirá mostrar que está preparado para receber outros alimentos, sendo capaz de sentar-se melhor, recusando quando não quer mais alimento e agarrando a comida com as próprias mãos para levar à boca.
Amamentar em exclusivo até aos 6 meses também diminui os riscos de reações alérgicas aos alimentos e de eventuais carências de ferro.
Por outro lado, amamentar em exclusivo até aos 6 meses garante uma boa produção de leite na mãe durante mais tempo.
Quais são as dúvidas mais frequentes das mães em relação à amamentação?
No início da amamentação as dúvidas prendem-se principalmente com a pega (posição do bebé ao agarrar a mama) visto que muitas das dificuldades iniciais surge relacionada com este factor.
Também existem muitas dúvidas quanto à quantidade de leite materno ingerido e se é suficiente. É comum haver alguma insegurança das mães quanto a este tema.
Ainda existem muitos mitos e tabus em relação a dar de mamar?
Sim, bastantes. Por exemplo, é muito frequente as recém-mamãs restringirem (por vezes de forma bastante rigorosa) a sua dieta com receio de que este ou aquele alimento possam fazer mal ou causar cólicas ao bebé. Este é apenas um dos exemplos com que mais me deparo mas existem muitos mais...(1)
Apesar dos tabus não serem falados com tanta abertura, sabemos que ainda há muitas mães com “vergonha” de amamentar em público (precisamente porque na nossa sociedade as pessoas se habituaram a ver biberões e ainda se associa a mama apenas à sua função sexual). Por outro lado, algumas mães sentem constrangimentos na altura de reiniciar a vida sexual com os seus companheiros, precisamente por terem que conciliar o peito, que agora serve de alimento para o seu bebé, com a função sexual. Nestes casos, a forma como o companheiro encara (ou não) a amamentação com naturalidade pode ter um peso muito grande.
O leite fraco é mais um mito?
Sem dúvida.
Actualmente podemos afirmar com certeza que não existem leites fracos. A composição do leite materno tem exactamente todos os nutrientes que o bebé precisa (pelo menos até aos 6 meses) bem como diversos tipos de anti-corpos que lhe conferem protecção extra. Seria preciso que uma mulher estivesse gravemente desnutrida ou desidratada para que a composição do leite materno se alterasse.
Existem formas correctas de amamentação?
Existe uma forma correcta para o bebé fazer a pega no peito.
O bebé deve abocanhar a maioria da aréola (zona escura que envolve o mamilo) e não apenas o mamilo e deve estar bem junto à mãe, virado para ela, barriga com barriga.
Para estimular o bebé a abrir bem a boca, pode tocar com o mamilo no seu lábio superior. O bebé começará então a abrir a boca “procurando” o peito. Quando a mãe vir que ele abre bem a boca deve introduzir a mama, “apontando” o mamilo na direcção do palato (céu da boca) do bebé.
Quando o bebé estiver a fazer uma pega correcta terá a boca bem aberta, abocanhando a maioria da aréola, enrolando o lábio inferior para trás, o queixo e o nariz do bebé tocam na mama, o bebé enche as bochechas de leite, é possível ouvi-lo a engolir e a mãe não deverá sentir dor.(3)
Quanto à posição em si (deitada, sentada) aí já não existem regras. O mais importante é que a mãe se sinta confortável e mantenha uma boa postura, de forma a evitar dores nas costas, por exemplo.
Como sabe uma mãe que o seu bebé está saciado?
Em primeiro lugar, a mãe pode cumprir dois princípios que vão reduzir drasticamente as probabilidades do bebé não estar a receber leite suficiente:
- Amamentar “a pedido”, ou seja, aprender a reconhecer os sinais de fome do bebé:
Levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo, fazendo movimentos de sucção com a língua, ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara. A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.
Até sabermos que o bebé recuperou o peso do nascimento devemos evitar deixá-lo fazer intervalos entre mamadas maiores que 3 horas, durante o dia, ou 5/6 horas, durante a noite (caso esteja a dormir) (2). Em 24 horas, um recém-nascido deve mamar, pelo menos, 8 a 12 vezes.
Lembre-se que a produção de leite se baseia na “lei da oferta e da procura”. Quanto mais der de mamar, mais leite vai produzir.
-Certificar-se que o bebé faz uma pega correcta (ver em cima como)
Conseguindo cumprir estes dois princípios é muito provável que o bebé vá receber leite suficiente. No entanto devemos observar outros factores:
-O bebé molha várias fraldas por dia, a urina é incolor e inodora
-O bebé parece bem disposto, saudável e atento na maioria do tempo
-O bebé aumenta de peso: durante a primeira semana de vida, o bebé pode perder até 10% do seu peso inicial, entre a 2ª e a 3ª semana recupera o peso com que nasceu e até aos 3/4 meses deve aumentar entre 115 a 230 gr/semana.
Qual a importância do incentivo da amamentação?
Hoje em dia, por vários motivos, perdeu-se o hábito da transmissão da cultura de amamentação dentro das famílias (sobretudo de mãe para filha). Assim sendo, o incentivo terá, muitas vezes que vir do exterior, dos profissionais que lidam com o aleitamento materno.
Sabendo que muitas das mães abandonam a amamentação simplesmente porque acreditam que o seu leite não é suficiente para satisfazer o seu bebé ou não tem qualidade, penso que é fundamental incentivar e informar!
A maioria das mães deseja amamentar apenas porque sente que é a forma natural de alimentar o seu bebé mas também é importante difundir os benefícios que o aleitamento materno pode trazer para o bebé, para a mãe e até para a economia da família (bem como do próprio planeta).
Hoje em dia sabe-se que uma das formas mais eficazes que poderia haver para reduzir a mortalidade infantil mundialmente seria o aumento das taxas de aleitamento materno.
Os bancos de leite são importantes?
São importantíssimos na medida em que podem salvar vidas!
Os bancos de leite destinam-se essencialmente a bebés prematuros, de baixo peso ou com problemas de saúde, e que, por vários motivos não têm leite das suas própias mães ou têm mas não em quantidade suficiente.
Todas as mães têm capacidade de produzir todo o leite que o Bebé precisa?
Podemos dizer que a esmagadora maioria das mães tem capacidade de produzir todo o leite que o seu bebé (ou bebés) precisa(m).
Como podemos identificar as mulheres que não produzem o leite necessário por algum problema de saúde?
Há certos problemas de saúde (ou até mesmo alguns medicamentos) que podem ser logo identificados como podendo interferir na produção de leite. Contudo, alguns podem ser corrigidos ou eliminados.
No entanto, na maioria dos casos, quando identificamos que uma mãe está a produzir leite em quantidade insuficiente para o seu bebé, devemos dar-lhe as indicações apropriadas no sentido de aumentar a produção de leite. Se, mesmo seguindo à risca todas as indicações e tendo acompanhamento durante algum tempo, a mulher não conseguir aumentar a produção de leite, só então devemos começar a despistar outras hipóteses (estes serão casos bastante excepcionais).
Acredita que as cirurgias para a redução da mama interferem na amamentação? E a colocação de silicone?
As cirurgias de redução mamária podem interferir com amamentação, ainda que hoje em dia, segundo os especialistas, já existam novas técnicas de redução mamária que permitem que a mulher possa amamentar.
Quanto aos implantes de silicone, em princípio não devem ter interferência na amamentação.
Como podem continuar a amamentar depois do fim da licença de maternidade?
A mãe poderá extraír leite no local de trabalho, durante as horas em que está ausente, desta forma o leite retirado poderá servir de refeição do bebé nas horas em que a mãe está a trabalhar. Por outro lado, as extracções também lhe permitirão manter uma boa produção de leite e evitar engurgitamentos mamários (excesso de leite retido na mama, pelo facto de estar afastada do bebé).
Quando estão em casa devem seguir os mesmos princípios da amamentação “a pedido” de que já falámos e lembrar-se que até ao 1º ano de vida o leite é o princípal alimento da dieta do bebé, os outros alimentos são complementares. Podem e devem oferecer o peito antes das refeições sólidas do bebé e aumentar a frequência das mamadas nos dias de folga.
E como podem aprender a realizar a retirada de seu próprio leite?
As mães podem usar bombas de extracção, eléctricas ou manuais (que são vendidas ou alugadas) ou podem aprender a extraír o seu leite manualmente.
Existem diversas maneiras da mãe aprender as técnicas de extracção e conservação de leite materno.
Pode pedir a ajuda de uma conselheira em aleitamento materno, consultar manuais de amamentação(4) e páginas de aleitamento materno disponíveis na internet (5)). Também já existem várias formações sobre amamentação(6) disponíveis para mães nas quais podem aprender sobre este e outros temas.
Tem dados de outros países?
Em relação às taxas de amamentação em Portugal, temos um estudo de 2007, efectuado na região de Lisboa que nos revela que à saída da maternidade, 91% das puérperas amamentavam o seu filho (77,7% em exclusividade) tendo esta percentagem diminuído para 54,7% aos três meses e 34,1% aos seis meses.
Temos ainda outro estudo elaborado através de inquéritos nacionais de saúde que nos permite ver a evolução da duração do aleitamento materno nas várias regiões de Portugal aqui: http://www.amamentar.net/Not%C3%ADcias/tabid/150/articleType/ArticleView/articleId/3/Default.aspx
A Direcção-Geral da Saúde vai arrancar em 2010 com o Observatório do Aleitamento Materno, o que vai permitir recolher dados mais precisos.
Quanto aos outros países temos uma lista com taxas de amamentação a nível mundial disponível na página da Unicef, que se pode consultar aqui: http://www.childinfo.org/breastfeeding_countrydata.php
A mulher que amamenta também tem algum benefício?
Os benefícios são vários para as mães que amamentam:
Amamentar promove uma recuperação mais rápida da mãe no pós-parto (o útero é estimulado a regressar mais rapidamente ao seu tamanho e localização original; a mãe que amamenta gasta mais calorias, sendo mais fácil regressar à sua forma).
Amamentar diminui o risco de certas doenças na mãe (cancro da mama, cancro do ovário, osteoporose, doenças cardíacas, diabetes, artrite reumatóide).
Aumenta a auto-confiança da mãe e o seu bem estar psicológico, diminuindo o risco de depressão pós-parto e promovendo o vínculo emocional com o bebé.
É práctico (está sempre “à mão” e na temperatura certa) e económico (poupa o dinheiro dos leites artificiais, dos biberons, tetinas e outros acessórios, bem como todo o trabalho exigido na sua preparação, limpeza e esterlização).
Amamentar pode ainda poupar gastos e preocupações médicas ao diminuir o risco de algumas doenças, tanto na mãe como no bebé.
Amamentar é responsabilidade só da mãe?
Na verdade a amamentação deve ser uma resposabilidade de toda a sociedade.
A grande responsabilidade da mãe reside na escolha em amamentar. Depois, o companheiro, a família e toda a rede social à volta da mulher tem uma grande importância (no sentido de dar apoio, encorajar, transmitir confiança).
Os profissionais de saúde têm a responsabilidade de saber, além de encorajar e apoiar, orientar a mulher da melhor forma possível nas dificuldades que possam, eventualmente, surgir.
As empresas têm a responsabilidade de dar todo o apoio necessário para que as mães possam continuar a amamentar após o regresso ao trabalho (respeitando a lei da dispensa para amamentação, criando condições para que as mães possam extraír leite sem constrangimentos no local de trabalho e abolindo quaisquer pressões para que a mãe se sinta “forçada” a prescindir dos seus direitos).
Por último, o governo também tem uma grande responsabilidade na medida em que deve implementar e fazer cumprir as leis que dão estes direitos às mães lactantes.
Sofia Carvalho
Doula, Educadora Perinatal e Conselheira em Aleitamento Materno OMS/Unicef
(1) http://aquihabebe.blogspot.com/2008/01/mitos-sobre-aleitamento-materno.html
(2) O pediatra poderá dar indicações diferentes no caso de bebés nascidos com baixo peso ou prematuros.
(3) http://www.leitematerno.org/posicao.htm
(4) http://www.unicef.pt/docs/manual_aleitamento.pdf
(5) http://www.amamentar.net/M%C3%A3esPais/Aspectospr%C3%A1ticosdoaleitamentomaterno/Extrairconservaretransportaroleitematerno/tabid/173/Default.aspx
(6) http://www.sosamamentacao.org.pt/Amamenta%C3%A7%C3%A3o/Artigos/tabid/182/ctl/Details/mid/512/ItemID/127/Default.aspx
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sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
A MAC foi reconhecida como Hospital Amigo dos Bebés
A MAC foi reconhecida como Hospital Amigo dos Bebés
A MAC recebeu no dia 06 de Janeiro de 2010, o certificado de Hospital Amigo dos Bebés como reconhecimento do seu empenho na promoção do aleitamento materno através das “Dez Medidas para o Aleitamento Materno com Sucesso”.
Em 1990, através de uma declaração conjunta designada por “Declaração de Innocenti”, a OMS e a UNICEF reconhecem que o aleitamento materno constitui um processo único capaz de reduzir a morbilidade e a mortalidade infantil, tendo assumido um código de conduta e um conjunto de dez passos/medidas conhecidas como as Dez Medidas para um Aleitamento Materno com Sucesso.
Um hospital ou maternidade pode ser considerado Amigo dos Bebés quando cumpre de forma consistente e sustentada as Dez Medidas consideradas indispensáveis para apoiar o aleitamento materno. O processo de certificação é actualmente assegurado por especialistas credenciados pela OMS e UNICEF, usando Critérios Globais que podem ser aplicados aos cuidados de maternidade em todos os países.
Em Portugal existe uma Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés com sede na UNICEF que promove a iniciativa e avalia as candidaturas apresentadas.
A sessão contou com a presença do Presidente do Comité Português para a UNICEF e da Sra. Ministra da Saúde.
As 10 medidas:
1. Ter uma política de promoção do aleitamento materno, afixada, a transmitir regularmente a toda a equipa de cuidados de saúde.
2. Dar formação à equipa de cuidados de saúde para que implemente esta política.
3. Informar todas as grávidas sobre as vantagens e a prática do aleitamento materno.
4. Ajudar as mães a iniciarem o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento.
5. Mostrar às mães como amamentar e manter a lactação, mesmo que tenham de ser separadas dos seus filhos temporariamente.
6. Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou líquido além do leite materno, a não ser que seja segundo indicação médica.
7. Praticar o alojamento conjunto: permitir que as mães e os bebés permaneçam juntos 24 horas por dia.
8. Dar de mamar sempre que o bebé queira.
9. Não dar tetinas ou chupetas às crianças amamentadas ao peito, até que esteja bem estabelecida a amamentação.
10. Encorajar a criação de grupos de apoio ao aleitamento materno, encaminhando as mães para estes, após a alta do hospital ou da maternidade.
sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
Parto Humanizado reduz mortalidade materna
Podem ler o artigo completo aqui.
Tabelas de crescimento desactualizadas
Se as novas tabelas de crescimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) já tivessem sido adoptadas por Portugal, o número de crianças obesas no nosso país seria ainda superior ao que hoje se considera existir (uma em cada três).
Crianças entre os dois e os cinco anos que têm actualmente o diagnóstico de «excesso de peso» estariam já na categoria de obesidade, assim como crianças consideradas com peso adequado seriam já portadoras de excesso de peso. Os gráficos de percentis incluídos no Boletim Individual de Saúde foram considerados desajustados pela OMS que disponibilizou novas tabelas no primeiro trimestre de 2009.
António Guerra, pediatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, estuda há anos esta matéria e escreveu recentemente um artigo na Acta Pediátrica Portuguesa em que defende a adopção das novas curvas da OMS pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).
Índice de Massa Corporal registado desde o nascimento
O especialista destaca, nas novas curvas, a possibilidade de se monitorizar logo desde o nascimento a evolução do Índice de Massa Corporal (IMC), consensualmente aceite como um excelente índice nutricional para o diagnóstico de excesso de peso e da obesidade.
Em Portugal, esse registo só é possível após os dois anos, embora o período anterior corresponda a uma fase de «grande vulnerabilidade à ocorrência de adiposidade excessiva», disse à Lusa.
O crescimento de crianças amamentadas
«A prevenção da obesidade é monitorizada com mais rigor com as novas curvas da OMS», sublinha o pediatra. Um aspecto determinante prende-se com o facto de «as novas curvas da OMS terem sido construídas com base na avaliação do estado de nutrição de lactentes alimentados exclusivamente com leite materno nos primeiros quatro a seis meses de vida».
Recordando que o leite materno é reconhecido cientificamente como «o melhor alimento», António Guerra afirmou que «as crianças com leite materno crescem de modo diferente das que são alimentadas com leite artificial e têm marcadores metabólicos distintos, sobretudo no primeiro ano de vida». Por esta razão, «o que faz sentido é usar curvas de crianças que foram alimentadas com leite materno», defendeu, tal como é preconizado no novo modelo.
«As crianças que são alimentadas com leite natural aumentam mais de peso nos primeiros três a quatro meses de vida e depois têm, quando comparadas com as curvas actuais, uma falsa desaceleração». Esta desaceleração pode ser interpretada como devida à baixa produção de leite da mãe, «levando a um início precoce da diversificação alimentar ou a uma desnecessária suplementação com leite industrial», explicou. «As duas situações associam-se a um maior risco de obesidade», sublinhou.
«O importante é usar curvas»
No seu artigo na Acta Pediátrica Portuguesa, António Guerra é peremptório: «As novas curvas da OMS são da maior relevância para uma avaliação mais correcta do crescimento e constituem assim um precioso instrumento para a monitorização do estado de saúde e de nutrição do lactente e da criança com implicações a longo prazo no estado de saúde das populações».
Contactada pela agência Lusa, a pediatra Leonor Sassetti, consultora da Direcção-Geral da Saúde, disse que este organismo está atento à questão e a reunir elementos para «tomar uma decisão adequada em relação às novas curvas da OMS».
Escusando-se a revelar se Portugal está inclinado para a adopção do novo modelo, sublinhou que «o importante é usar as curvas de crescimento. É melhor usar curvas não tão boas do que não usar nenhumas», afirmou, reforçando a ideia: «Ter umas curvas adequadas é importante, mas usá-las ainda é melhor».
Pode consultar as novas curvas OMS aqui.
fonte: http://www.mae.iol.pt/artigo.php?id=1130560&div_id=3722
quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
Reunião La Leche League - 14 de Janeiro em Lisboa
Para um encontro da La Leche League, moderado pela Cristina Pincho.
A quem se destina a este convite?
Destina-se a todas as mulheres que estejam interessadas na amamentação, quer estejam grávidas, a amamentar ou simplesmente tenham o desejo de aprender mais.
Se não estiver interessado pode conhecer quem esteja: partilhe esta informação.
Quando?
Onde?
Rua da Silva 13, em Santos.
Confirme
Apareça e se possível confirme a sua presença através dos seguintes contactos:
acpincho@gmail.com
966293836
934234664
O que é a Liga La Leche?
A La Leche League é uma organização internacional, sem fins lucrativos, que foi fundada em 1956 para dar informação, encorajamento e apoio, através da ajuda de mãe para mãe, a todas as mulheres que queiram amamentar.
A La Leche League está presente em mais de 50 países.
A LLL Internacional é uma das principais autoridades mundiais em matéria de amamentação
Quem representa a LLL?
A LLL é representada localmente por moderadoras voluntárias.
As moderadoras da LLL são mães que tiveram uma experiência feliz com a amamentação dos seus filhos e que posteriormente, após exigente formação, foram certificadas pela LLL Internacional.
O que oferece a LLL?
Apoio gratuito em várias áreas:
Reuniões mensais
Ajuda telefónica
Bibliografia sobre amamentação, parto, educação e nutrição
A mais actualizada informação sobre amamentação
Mais de 40 anos de experiência a ajudar milhares de mães
terça-feira, 5 de Janeiro de 2010
Dê um futuro aos seus filhos
Mas será que fazemos diariamente tudo o que está ao nosso alcance para lhes garantir um bom futuro neste mundo?
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quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Feliz Ano Novo
Compreensão: que sejamos capazes de nos colocar no lugar do outro, ou pelo menos, tentemos, sempre.
Tolerância: que aceitemos a diversidade de crenças, opiniões e acções tanto quanto queremos que aceitem as nossas.
Humildade: viver é crescer e aprender até ao fim.
Compaixão: dar um pouco de nós não custa nada e pode criar uma avalanche de boas emoções e acções.
Amor pelo próximo: façamos pelos outros tudo aquilo que gostaríamos que fizessem por nós.
E repito alguns dos meus sonhos (para 2010):
- Que as pessoas consigam parar e olhar para si próprias e para as suas acções. Que com isso ganhem uma nova consciência que torne este mundo um lugar melhor para os nossos filhos
- Que toda a riqueza deste mundo seja distribuída de forma (basta apenas um pouco) mais equitativa por forma a acabar com toda a fome e miséria
- Que não haja mais crianças nem bebés a sofrer maus tratos ou negligência de cuidados
- Que todas as mulheres tenham a confiança necessária em si próprias para que possam gerar, dar à luz e alimentar os seus filhos de forma humana e tranquilamente. Sem intervenções desnecessárias, sem sofrimento e sem traumas.
Até para o ano!!
Gestação: tempo de mudanças bio-psico-sociais
Fala sobre os aspectos psico-sociais da gravidez e da maternidade e vale a pena ler pois são temas pouco falados mas importantíssimos para as mulheres!
Descobrir uma gravidez é um impacto na vida de um casal, é um evento que muda a rotina e prevê inúmeras transformações imensuráveis. A experiência da maternidade e paternidade possibilita o auto-conhecimento, o desejo de ter um filho muitas vezes está presente antes mesmo que o casal perceba, sendo rodeado de motivos baseados em antecedentes familiares, marcados por contextos socioculturais e por influências psico-biológicas.
A partir do momento que a mulher engravida ela passa a ser um objeto de interesse e preocupação da sociedade, mas não por ela em si e sim por causa do bebê que ela carrega. “O importante é que o neném nasça com saúde, seja por parto normal ou cesáreo”, argumento que reflete a preocupação da sociedade com o bem-estar do bebê. A falta de preparo psicológico das mulheres para enfrentar a gravidez e o parto explica o alto índice de cesáreas eletivas em nosso país. Infelizmente no Brasil, o parto ainda é visto como um evento médico com possibilidade de complicação, nesse contexto a mulher é tratada como paciente que necessita de inúmeras intervenções (muitas vezes desnecessárias) e seu estado emocional é desconsiderado. O sentido humano e feminino do parto está se perdendo, sendo substituído por um processo mecânico, impessoal e frio.
Garantir o bem estar geral da mulher durante a gestação é essencial, pensando não somente no aspecto físico, mas também no aspecto emocional, que age também sobre o crescimento e desenvolvimento fetal com conseqüências em longo prazo. Nem sempre o estado emocional da gestante é levado em consideração pelos profissionais de saúde, que acreditam que esta é uma responsabilidade da família e da comunidade, e acabam se preocupando só em cumprir as rotinas e protocolos.
A experiência da maternidade proporciona à mulher a possibilidade de ampliar sua consciência através da introversão, possibilitando a integração e à harmonização de seus conteúdos conscientes e inconscientes (da psique feminina). O processo de individuação feminino só ocorrerá se a mulher considerar o caráter bivalente do arquétipo materno, quebrando o tabu da sociedade que encara a maternidade somente pelo lado positivo. A passagem de “filha” para “mãe”, requer a morte da filha para o nascimento da mãe, e vem rodeada de sentimentos intensos que irão transformar e amadurecer os pensamentos e as condutas da mulher, que pode responder de forma positiva ou negativa a essas modificações. Aceitar e mergulhar na gravidez requer um ato de fé na vida, fé de que apesar das dificuldades vale à pena viver a maternidade. Mas para que esse sentimento desperte, é necessário um solo fértil. A gestante precisa de acolhimento e compreensão.
Em nossa cultura racional e moderna, voltada ao modelo cartesiano, concede-se muito poder a razão. A intuição é vista como uma fonte de conhecimento não confiável. As emoções, sentimentos e intuições são abafados e o corpo se transforma em matéria inerte, um mero objeto de manipulação.
Assim sendo, as mulheres são firme e silenciosamente convidadas a não perguntar, não questionar, não duvidar. Ela deve continuar vivendo o período da gestação normalmente, como se não houvesse transformação alguma. Nos consultórios ela é tratada como todas as outras, afinal o protocolo deve ser seguido. Michel Odent denomina “efeito nocebo” das consultas pré-natais, os casos em que o profissional de saúde faz mais mal do que bem as gestantes, atuando sobre a imaginação, as crenças e, portanto, sobre o estado emocional. Falar de sentimentos, é besteira!!! Essa coisa de intuição não existe!!! Então a mulher se retrai e se fecha, passando a agir racionalmente, gerando conflitos entre o consciente e o inconsciente, e conseqüente instabilidade física e emocional.
A fisiologia do parto não se modifica, mas os aspectos bio-psico-social envolvidos no processo são tratados de forma diferente por cada sociedade e pelos indivíduos nela inseridos. A família, principalmente, estabelece, impõe e dita as regras e leis que são determindas pela sociedade e governam nossa conduta. Aprendemos que é preciso ser forte, racional e ter sob controle todas as situações. Assim deixamos de lado nossos desejos e nossa auto-estima, afinal a sociedade exige que a mulher assuma papeis, funções, aptidões e estereótipos que muitas vezes não condizem com seu interior.
A gestação é considerada um período de transição, um evento transformador da vida. A cultura ocidental tecnocrática considera a gestação e o parto como um processo meramente fisiológico, e estabelece as rotinas obstétricas como imprescindíveis para que o processo ocorra sem complicações, deixando clara a visão de que a tecnologia é superior à natureza. O sentido da gestação como um ritual de iniciação para a vida, se perdeu. Somos levadas a acreditar que nossa gestação é de responsabilidade do médico obstetra, que a nós cabe escutar o que ele tem a dizer e aceitar as decisões sem questionar. Dar à luz hoje se tornou uma façanha para a mulher que quer estar consciente e ser ativa durante o nascimento de seu filho.
Durante a gestação, período em que a mulher está emocionalmente vulnerável, é incorporada, inconscientemente, a idéia de que um parto medicalizado traz mais benefícios à mãe e ao seu bebê, pois ambos serão poupados do sofrimento e da dor. É criada a falsa ilusão de que tudo pode ser controlado pela desenvolvida tecnologia médica.
O estimulo à prática de terapias alternativas durante a gestação e parto ainda é pouco difundido. Poucas são as gestantes que durante o pré-natal são orientadas a praticar exercícios para fortalecer o períneo e para diminuir a dor durante o TP e parto, por exemplo. Poucas conhecem práticas alternativas para alivio dos incômodos durante a gravidez, ou que realizam atividades que garantam relaxamento e equilíbrio físico e emocional.
A transmissão das crenças e rituais para o parto na sociedade atual, se baseia num modelo tecnocrático. Quando é chegada a hora do nascimento do bebê, a mulher é levada ao hospital, onde é obrigada a colocar aquele avental verde, imediatamente é iniciado o monitoramento por aparelhos que verificam a vitalidade fetal, é indicado um soro com oxitocina para acelerar o TP, é orientada a ficar deitada e sem comer durante todo período, é colocada sobre a desconfortável mesa de parto, é realizada a anestesia para aliviar a dor, sem contar que deve estar preparada para a episiotomia. São deixadas lá, sozinhas, entregues à pessoas estranhas, que se dizem muito competentes para acompanhar todo o processo, garantindo a segurança da mãe e do bebê!!! Logo que o bebê nasce é afastado da mãe para que se cumpram as rotinas estabelecidas... É assim que somos preparadas para o parto!!! E achamos tudo isso normal!!! O anormal é querer um parto sem intervenções ou que estas sejam mínimas, é querer o apoio e proximidade de pessoas queridas, é querer acolher seu bebê, é querer ser a protagonista disso tudo e sentir-se vitoriosa e capaz de viver e entender intensamente essa nova etapa da vida...
O movimento pela humanização do parto e nascimento visa contribuir para uma mudança efetiva no modo de cuidar das gestantes, oferecendo suporte físico e psicológico com informações e orientações de qualidade para que ela possa viver seu parto com segurança, satisfação e plenitude.
Como profissionais humanizadas que queremos ser, devemos sempre carregar as características de um bom alquimista: “...ter o espírito extremamente sutil e dispor de conhecimentos suficientes(...) Assim, pois, não pode ser grosseiro de espírito ou rígido, nem pode ser voraz ou cobiçoso, indeciso e inconstante. Não deve ser apressado ou presunçoso. Pelo contrário, deve ter firme propósito, longanimidade, perseverança, paciência, docilidade e moderação.” (JUNG: 1991, 283).
As mulheres que gerarem e parirem seus bebês com consciência, certamente estarão trazendo ao mundo seres humanos preocupados em lutar para restabelecer um mundo com visão holística, baseados em valores humanísticos e saudáveis como forma de pensar e viver.
Texto de Viviane Fontes Moradei Coelho*
Bibliografia
CORDEIRO, Silvia N. Importância dos aspectos psicológicos no processo reprodutivo. Disponível em: http://www.amigasdoparto.org.br/2007/index.php?option=com_content&task=view&id=944&Itemid=208
SARMENTO, Gisele. O papel da maternidade no processo de individuação feminino. Material do curso Humanização, ano 2009.
TANESE NOGUEIRA, Adriana. Intuição – O inexplicável do dia-a-dia. Disponível em: http://psicologiadialetica.blogspot.com/2009/08/intuicao-o-inexplicavel-no-dia-dia.html
TANESE NOGUEIRA, Adriana. Emoções. Texto não publicado. Material do curso de Humanização Online da ONG Amigas do Parto, ano 2009.
TANESE NOGUEIRA, Adriana. Mulheres e gravidez hoje. Capítulo do livro "Empoderando as Mulheres. Psicologia e Humanização" de Adriana Tanese Nogueira, São Paulo, Editora Biblioteca24x7, 2009 (em fase de publicação).
TANESE NOGUEIRA, Adriana. Parto Alquímico. Entre individuação feminina e transformação social. Disponível em: http://www.amigasdoparto.org.br/2007/index.php?option=com_content&task=view&id=206&Itemid=213
*Viviane Fontes Moradei Coelho é enfermeira obstetra, tem 26 anos e mora em Vitória (ES). Este texto foi elaborado como Monografia final do Módulo Gestação do curso Humanização Online 2009.
Contato: vimoradei@yahoo.com.br
Fonte: ONG Amigas do Parto
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quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Nursing Moses - Amamentando Moisés
Nesta quadra de Natal, deixo-vos uma história de compaixão.O bebé Moses perdeu a sua mãe apenas algumas horas após o parto.
O seu pai, Robbie Goodrich teve que lidar com a dura perda da sua companheira e ao mesmo tempo com as necessidades básicas do seu filho recém-nascido: como alimentaria Moses?
Esta comunidade do Michigan uniu-se perante a história dramática do bebé Moses e mais de 20 mães lactantes ofereceram-se para amamentar o bebé!
Com o passar dos meses, algumas mães desmamaram os seus próprios bebés, já não tendo leite para oferecer, e no entanto novas mães voluntariaram-se para amamentar Moses, já que o grupo decidiu que o bebé deveria ser amamentado, pelo menos durante um ano!
Não é uma história comovente? Imaginam-se a fazer o mesmo?
Podem ler a notícia completa aqui.
terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Um FELIZ Natal, cheio de PAZ e AMOR para todos os que visitam o Aqui há Bebé!
Quisera, neste Natal, armar uma árvoredentro do meu coração e nela pendurar em vez de
presentes, os nomes de todos os meus amigos.
Os amigos de longe e de perto. Os antigos e os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos.
Os constantes e os intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres,
os que sem querer, eu magoei, ou, sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles que não me são conhecidos , a não ser nas aparências. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humildes a meus amigos importantes. Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida.
Uma árvore
de muitas raízes muito profundas para que seus nomes nunca
mais sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos,
para que novos nomes vindos de todas as partes, venham
juntar-se aos existentes. De sombras muito agradáveis
para que a nossa amizade, seja um aumento de repouso nas lutas
da vida.
Que o natal esteja vivo dentro de nós em cada dia do ano que se inicia, para que possamos viver sempre o amor e a fraternidade.
texto de autor desconhecido








