sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Mitos sobre os cuidados com o Bebé

Dar de mamar de 3 em 3 horas
O bebé deve ser amamentado "a pedido", ou seja, sempre que demonstrar interesse em mamar, sem olhar para o relógio.
Nos primeiros dias após o nascimento será, regra geral, sempre que estiver desperto.
Depois, com o tempo, a mãe deverá começar a reconhecer os "sinais" que o seu filho transmite.


Quando um bebé tem fome ele pode mostrar vários sinais antes do choro: levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara (vejam aqui um vídeo). A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.

A regra das 3 horas servirá apenas para o oposto: devemos evitar que o bebé esteja mais do que 3 horas sem mamar (especialmente nos primeiros dias em que ainda não recuperou o peso do nascimento).

Não deixar mamar mais do que 10 (ou 15 ou 20) minutos em cada mama

Não deve haver regras para o tempo que o bebé mama. O bebé deve largar a mama espontaneamente para que nos asseguremos que está a beber tanto o leite do início, como o do fim [1] (mais rico em calorias e mais saciante).
Se interrompermos a mamada ao bebé, ele pode não ter conseguido retirar todo o leite de que precisa.

Há bebés que demoram mais tempo que outros a mamar, alguns mais dorminhocos que vão mamando um bocadinho e dormindo outro pouco e temos que saber observar e respeitar os seus ritmos.
No entanto, é preciso estarmos atentos: se o bebé mama 1 hora em cada mama, quer mamar constantemente e mesmo assim parece nunca estar satisfeito, é preciso pedir ajuda. Pode querer dizer que não está a mamar da forma mais eficaz e podemos ter que melhorar a pega.

O bebé tem que arrotar sempre após cada mamada

Se o bebé não arrotar em cerca de 5 minutos após a mamada, é porque simplesmente não precisa de arrotar.
Não é necessário dar palmadinhas nas costas durante 15 minutos... Basta levantar o bebé após a mamada e esfregar-lhe um pouco as costas. Se não acontecer nada... tudo bem!

Tem que se dar banho todos os dias

Um bebé de colo não se suja para ter que tomar banho todos os dias... Convém que as zonas genitais e as pregas de pele sejam limpas e bem secas todos os dias (basta um pouco de água tépida) mas a verdade é que água a mais (e produtos de limpeza) apenas trazem mais secura à já tão delicada pele do bebé.

É preciso pesar o bebé todas as semanas

É preciso controlar que o bebé recupera o peso do nascimento em 2/3 semanas, está a crescer a um bom ritmo e a amamentação bem estabelecida.
Após esse período e caso não haja situações de doença, basta pesar o bebé nas consultas periódicas.
Mais importante que o peso, é os pais controlarem o bom desenvolvimento psico-motor do bebé, a sua boa disposição (se come bem, se faz chichi e cocó[2] regularmente e sem alterações) e o seu crescimento de forma geral.

Não dar muito colo para não habituar mal/mimar demasiado
Os bebés já nascem habituados ao colo. É impossível habituá-los "mal".
Se nos lembrarmos dos 9 meses que passámos com ele na barriga, percebemos que andou sempre ao nosso "colo", embalado pelo nosso movimento e voz, aquecido pelo nosso corpo e a receber alimento de forma practicamente constante.
Quando nasce o bebé já tem que enfrentar e adaptar-se a um ambiente totalmente diferente daquele que conheceu no útero, porque não deixar que o faça de forma mais suave, continuando a proporcionar-lhe o conforto que até ali sempre encontrou?
O recém-nascido humano é, de entre todos os mamíferos, aquele que nasce mais prematuramente, completamente dependente da sua progenitora.
Simulando o ambiente intra-uterino (dando colo e carregando o bebé, seguindo os seus ritmos, amamentando aos primeiros sinais de fome) estamos suprir em pleno as necessidades do bebé, visto que o toque e o colo também são necessidades fisiológicas básicas do recém-nascido.

Não faz mal deixar o bebé chorar sozinho algum tempo
O choro é o principal meio de comunicação do bebé. Ao ignorá-lo, estamos a ignorar também as suas necessidades e os seus "pedidos de ajuda". A única coisa que ensinamos a um bebé que chora sozinho, é o desespero e a frustração de chamar e não ser ouvido.
Um bebé pequeno nunca chora sem motivo. Com o tempo, os pais vão aprendendo a identificar as necessidades do seu bebé e a responder-lhes com mais prontidão.

Deve-se passar o bebé para a sua caminha no quarto dele no máximo até aos 6 meses de idade
Não existem regras rígidas neste campo. Não é obrigatório passar o bebé para o quarto dele numa idade específica, nem é por não o fazer que ele se vai tornar mais ou menos dependente dos pais.

É perigoso deixar o bebé dormir na cama com a mãe
Ultimamente os especialistas têm vindo a atribuir bastantes vantagens ao co-sleeping, e sobretudo para as mães que continuam a amamentar, manter o bebé no mesmo quarto pode ser bastante mais confortável.

É muito menos cansativo (principalmente para as mães que já voltaram ao trabalho) amamentar um bebé que está ali ao lado, do que levantar, ir a outro quarto, dar de mamar, deitar o bebé e voltar para a cama.
A mesma situação coloca-se quando os bebés (mesmo que não sejam amamentados) acordam com frequência durante a noite, quando estão doentes, ou simplesmente quando os pais se sentem bem assim.

Desde que sejam cumpridas as regras de segurança básicas, não há qualquer perigo em deixar o bebé dormir com os pais.

O bebé deve manter um horário de sestas rigoroso e dormir a noite toda após os 3/4 meses de idade.
Não podemos exigir a um bebé que ainda não tem os ritmos de sono e de alimentação estabelecidos, que cumpra horários rígidos.
É bom e até saudável habituar o bebé a uma rotina diária mas esta não tem que ser seguida rigorosamente.
A rotina serve para criar segurança ao bebé, para que ele possa ir aprendendo como são os dias e aquilo que pode esperar. Existem actividades que podemos introduzir mais ou menos às mesmas horas para ajudar a criar essa rotina. Por exemplo, de manhã brincamos no tapete, depois de almoço damos um passeio, antes do jantar vem o banho...

Algumas vezes ouvimos mães contarem que os seus bebés dormem a noite toda desde os dois meses, por exemplo.
Mas é mais comum que os bebés só comecem a dormir noites inteiras seguidas após o primeiro ano.
Os bebés acordam durante a noite por razões fisiológicas.
Em primeiro lugar porque o seu estômago ainda não lhes permite armazenar alimento suficiente para aguentar uma noite inteira, depois porque ao mamar durante a noite está a garantir que a mãe continua a produzir uma boa quantidade de leite[3].

Por outro lado, estudos indicam que os ciclos de sono curtos estão relacionados com mecanismos de sobrevivência do bebé. Bebés que acordam com frequência têm menos riscos de sofrer Síndrome de Morte Súbita do Lactente.


[1] O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que sua composição muda até mesmo durante a mamada!
O leite do início surge no começo da mamada. Parece acinzentado e aguado. É rico em proteínas, lactose, vitaminas, minerais e água.
O leite do fim surge no final da mamada e parece mais branco do que o leite do início porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais rico em energia. Fornece mais de metade da energia do leite materno.
A criança necessita tanto do leite do início como do fim, para o crescimento e desenvolvimento.

[2] Os bebés amamentados em exclusivo podem estar vários dias seguidos sem evacuar e sem mostrar desconforto. Isto é absolutamente normal e não é preciso fazer nada. Acontece porque os nutrientes do leite materno são absorvidos practicamente na íntegra deixando poucos ou nenhuns resíduos. Quando o bebé volta a evacuar a consistências das vezes é mole e amarelada, como habitualmente. Esta situação costuma ser denominada como "falsa obstipação".

[3] A prolactina é a hormona responsável pela produção do leite. Mais prolactina é produzida à noite, portanto, amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Apoio e Aconselhamento em Aleitamento Materno

Sente dificuldade em amamentar o seu bebé e não sabe a quem recorrer?

Amamentar é um processo natural, que deve ser confortável e gratificante para a mãe, para o bebé e para o resto da família. Apesar disso, nem sempre corre como planeado. A amamentação não deve ser difícil nem dolorosa! Se o for, então deve procurar ajuda!

Alguns dos motivos para procurar o apoio de uma Conselheira em Aleitamento Materno:

Engurgitamento mamário doloroso
Mamilos doridos/com fissuras
Baixo aumento de peso no bebé
Dificuldades na pega/recusa em mamar
Estratégias de ajuda para a mãe que retomou/vai retomar o trabalho
Quando a mãe parou de amamentar e deseja retomar (relactação)
Mãe que deseja amamentar um bebé adoptado

Informação Pré-Natal (consulta informativa e personalizada para mães e pais, apoiando na preparação para a amamentação após o nascimento)

Como posso ajudar?

Consulta Presencial:

- Ao Domicílio (área da grande Lisboa)

- espaço Art of Living
Largo Ferreira de Castro nº3 r/c Sintra
E-mail: art.of.living1@gmail.com
Telef: 21 924 89 69 - 96 674 1439

- espaço Per Ankh - Casa da Vida
Rua Inácio Duarte, 3-A, Carnaxide
E-mail: riscosearabescos@gmail.com
Telf: 910 822 086

Também pode colocar as suas questões por e-mail ou contactar-me por telefone.
Se tem uma questão urgente, aconselho a usar o telefone, já que as respostas por e-mail podem , eventualmente, demorar algum tempo, dependendo da minha disponibilidade nesse momento.

Contacto, informações e marcações:

aquihabebe@gmail.com
T - 96 837 64 50

Sabia que...?

• Não existem leites fracos? O seu leite é sempre o melhor alimento para o seu bebé.
• Mamilos doridos e gretados são geralmente um sinal de alerta de que é preciso corrigir algo?
• Uma baixa produção de leite é um problema que pode ser ultrapassado, através de algumas medidas simples?
• Situações de stress não fazem secar o leite repentinamente? Podem apenas dificultar a sua saída mas há formas de ultrapassar esses períodos com sucesso!



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

«As mulheres não podem ficar prisioneiras do seu projecto de parto»

«As mulheres não podem ficar prisioneiras do seu projecto de parto». A frase pertence ao obstetra Michel Odent e foi proferida esta manhã, durante o primeiro dia do Congresso Internacional «Humanização do Nascimento – Caminhos e Escolhas», que decorre até sábado no Porto, numa organização da HumPar – Associação Portuguesa pela Humanização do Parto.

Para o reconhecido pesquisador e divulgador da fisiologia que envolve o nascimento – e uma das grandes figuras ligadas ao conceito de parto na água – um bom número de mulheres que decide fazer nascer os filhos com recurso a banheiras de parto «traça projectos que, perante a realidade das circunstâncias, se mostram pouco praticáveis ou mesmo impraticáveis».

Ora, defende Michel Odent, «é importante que as grávidas percebam que, por si só, o parto na água não pode ser considerado como o ‘remédio’ providencial que evitará a dor e proporcionará um nascimento ‘ideal’». Antes, acrescenta «tem de fazer parte de um processo mais abrangente em que a natural dor fisiológica é gerida e atenuada através de um sistema de protecção fisiológica.»

Esse sistema implica que as mulheres possam atravessar toda «a cadeia de eventos que constitui o parto», incluindo a dor mas também o «cocktail natural» de ocitocina e endorfinas que «atenua temporariamente as capacidades cerebrais para que as mensagens dolorosas não cheguem com a intensidade habitual ao córtex e sejam, por isso mesmo, mais facilmente trabalhadas».

Michel Odent não hesita em dizer que «quando o processo é deixado seguir, ocorre um certo grau de amnésia e mesmo consciência alterada que permite à mulher ficar indiferente a tudo o que a rodeia, menos à tarefa que tem em mãos: fazer nascer o seu bebé.» O problema, refere «é que parece haver cada vez menos casos em que as mulheres são deixadas chegar a esse estado alterado de consciência». É aí, remata, que «ainda há um grande caminho a percorrer» para dar garantias «da privacidade, silêncio e intervenção mínima de terceiros que são essenciais no parto.»

Para Odent o «guarda-chuva fisiológico» de cada mulher é o centro da gestão da dor e a procura da banheira de parto uma «parte dessa gestão». É por isso que, defende, a entrada da grávida para dentro de água terá de ser guardada até a fase de dilatação estar bastante adiantada. «Se for necessário enganar uma grávida desejosa de entrar na banheira, mas que ainda não se encontre em trabalho de parto activo, então engane-se! Diga-se que ainda não tem água suficiente, que a água está quente, qualquer coisa, mas evite-se a entrada prematura dentro de água.»

Isto porque «o período óptimo de utilização da banheira são as duas horas que se seguem à altura em que a dilatação está a meio e em que o meio aquático é altamente efectivo no alívio da dor e no relaxamento corporal e leva, na esmagadora maioria dos casos, ao período expulsivo». Se tal não acontece, adverte Michel Odent, «é então momento de fazer uma análise do que está a suceder e partir para outro tipo de alternativas, se for caso disso». Por isso «são de evitar os planos de parto demasiadamente rígidos, o que inclui, naturalmente, a insistência do uso de uma banheira, ou de outro qualquer método, sejam quais forem as circunstâncias.»

Indução, epidural, cesariana?

O primeiro dia de trabalhos do congresso da HumPar ficou marcado por várias abordagens às circunstâncias do nascimento nas sociedades de tipo ocidental. Ao obstetra espanhol Emílio Santos Leal coube abordar o «efeito dominó» existente entre a indução do parto, a utilização de epidural e a realização de cesarianas. E se o vasto auditório do evento – composto maioritariamente por profissionais de saúde e doulas – não ficou surpreendido entre a relação causa efeito entre a indução e o uso da epidural, já o mesmo não sucedeu quando Emílio Santos Leal afirmou, baseado numa recolha estatística de larga escala realizada em vários países, não existir essa mesma ligação directa entre a indução e a realização de cesarianas. A mesma ponte sólida volta a existir entre a monitorização fetal contínua, os partos instrumentalizados e as cesarianas.

Pouco entusiasta da monitorização em permanência, e reportando-se às taxas registadas nos hospitais de Madrid, Emílio Leal defende que «se esse procedimento fosse abandonado os actuais 25 por cento de cesarianas baixariam para 15 por cento e os 15 por cento de partos instrumentalizados poderiam cifrar-se em 13 por cento. Nos partos de baixo risco «está provado que a monitorização contínua não ajuda a salvar vidas. Pelo contrário, leva as equipas a refugiarem-se em intervenções de larga escala que não são benéficas nem para a mãe nem para o bebé».

O modelo de atendimento por parteiras, as questões ligadas ao uso generalizado das episiotomias e a realidade dos partos da água no Reino Unido foram os temas que completaram o primeiro painel no congresso, com intervenções a cargo, respectivamente, da parteira holandesa Mary Zwart (radicada em Portugal), do enfermeiro obstetra António Ferreira e da parteira britânica Dianne Garland.

Texto: Elsa Páscoa
12 Fevereiro 2009, in revista Pais & Filhos

Arranca campanha «Pelo Direito ao Parto Normal»

Nos próximos meses, a opinião pública portuguesa vai tomar contacto com uma iniciativa que tem por objectivo incrementar o número de partos normais em Portugal. O projecto «Pelo Direito ao Parto Normal – Uma visão partilhada», foi hoje apresentado por Lúcia Leite, enfermeira de saúde materna e obstétrica e vice-presidente da HumPar, no segundo dia de trabalhos do congresso «Humanização do Nascimento», que amanhã termina no Porto.

Com ela, Lúcia Leite tem a companhia de quatro outros enfermeiros – três de saúde materna e um de saúde mental – que se propõem transformar o modo como o parto normal é entendido e aplicado na realidade portuguesa. A começar por um esforço de conciliação que pretende reunir à mesma mesa representantes governamentais, das várias ordens de profissionais de saúde, com o objectivo de «acordar naquilo que entendemos por parto normal».

«Acredito que, mais do que acordarmos no que é um parto normal, na primeira fase será um sucesso se formos por eliminação», afirma a também vice-presidente da HumPar, que, entre 2004 e 2007 liderou a Comissão de Especialidade em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros. Na mira desta eliminação estão procedimentos, técnicos e práticas como a episiotomia generalizada ou as cesarianas sem específica necessidade médica urgente «e muitos outros aspectos para os quais necessitamos da visão de todos os agentes que intervêm na gravidez, parto e pós-parto».

O primeiro passo foi dado no final de 2008. A ministra da Saúde mandatou três especialistas da Direcção-Geral de Saúde para representarem a tutela nas futuras reuniões que sentarão à mesma mesa médicos, enfermeiros, responsáveis técnicos e políticos na procura de «um consenso nacional sobre o que é o parto normal». Todas as instituições desafiadas a participar nomearam já representantes e o ano de 2009 será dedicado a elaborar uma carta do parto natural, a apresentar no universo dos cuidados de saúde, mas também junto da opinião pública. «Em Janeiro de 2010 está previsto que a proposta final seja apresentada» tanto a nível oficial como através de uma campanha de comunicação generalizada, «que coloque a expressão ‘parto normal’ na boca de toda a gente.»

A chancela governamental anima os autores do projecto, os quais acreditam que «o envolvimento do ministério da Saúde dá credibilidade ao processo, facilita a adesão de todos os parceiros e abre caminho a uma futura aplicação no terreno, nomeadamente junto das instituições públicas de Saúde.» Ao «trabalharmos no ‘coração do leão’, a nossa esperança é que na recta final seja o poder público a criar as condições para que os partos normais regressem em força, solicitando às instituições que criem as condições técnicas e operacionais necessárias a que isso aconteça.»

Os próximos meses não se adivinham, porém, fáceis, «pela quantidade de visões que será necessário aproximar». No entanto, Lúcia Leite acredita que o pior virá depois e centra-se na «revolução de mentalidades» que, em primeiro plano, «será necessária junto dos profissionais de saúde» e em segundo plano «junto da população em geral». Nada, acredita, «se consegue atingir se entrarmos numa guerra com quem actua no terreno. Se insistirmos cegamente perdemos todos nós, inclusivamente as mulheres e os bebés, os destinatários finais do parto normal», conclui.

Texto: Elsa Páscoa
13 Fevereiro 2009
, in revista Pais & Filhos

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Como Amamentar durante uma Emergência

Encontrei este curiosíssimo documento da OMS, por acaso, ao fazer uma pesquisa na net.

O que aconteceria se, de repente, houvesse uma guerra ou catástrofe natural e os bens de primeira necessidade se tornassem de dificíl acesso (incluíndo o leite adaptado)? O que fariam as mães de bebés pequenos que tivessem cessado a amamentação?
Difícil de imaginar...? Talvez, dentro da nossa realidade, talvez não tanto para quem veja o telejornal todos os dias...!

Eu também passei por dificuldades quando comecei a amamentar o meu filho e lembro-me que isto me passou pela cabeça e foi algo que me deu força e confiança para continuar. E se não houvesse outra hipótese mesmo que não o leite materno?

Temos então um guia que nos aconselha perante tal cenário. Desde os conselhos mais simples passando pelas técnicas de extracção, relactação e o uso do copinho.
A ideia mais importante a reter é que nunca é tarde para começar ou voltar a amamentar!

E mesmo sem catástrofes ou emergências este documento pode ser útil a todas as mães que nalgum momento duvidem da sua capacidade de nutrir o seu bebé!
No fundo são bons conselhos para todas as mães que desejem amamentar.

A ler aqui (em inglês).


domingo, 8 de fevereiro de 2009

Nella Fantasia

Hoje decidi partilhar com vocês uma das minhas músicas favoritas.
Tal como já disse anteriomente, considero-me uma pessoa sonhadora (e realista ao mesmo tempo). Por essa razão, além de uma música linda, a letra desta canção diz-me muito.
Acredito que a seu tempo o nascimento e crescimento das nossas crianças vai ser cada vez mais livre e humanizado.

Ouçam e sonhem.
Boa semana!



Nella fantasia io vedo un mondo giusto,
Li tutti vivono in pace e in onestà.
Io sogno d'anime che sono sempre libere,
Come le nuvole che volano,
Pien' d'umanità in fondo all'anima.

Nella fantasia io vedo un mondo chiaro,
Li anche la notte è meno oscura.
Io sogno d'anime che sono sempre libere,
Come le nuvole che volano.
Pien' d'umanità.

Nella fantasia esiste un vento caldo,
Che soffia sulle città, come amico.
Io sogno d'anime che sono sempre libere,
Come le nuvole che volano,
Pien' d'umanità in fondo all'anima.


In my fantasy I see a just world,
Where everyone lives in peace and in honesty.
I dream of spirits that are always free,
Like the clouds that fly,
Full of humanity in the depths of the spirit.

In my fantasy I see a bright world,
Where each night there is less darkness.
I dream of spirits that are always free,
Like the clouds that fly.
Full of humanity.

In my fantasy exists a warm wind,
That breathes into the city, like a friend.
I dream of spirits that are always free,
Like the clouds that fly,
Full of humanity in the depths of the spirit.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Celebridades que amamentam

A página Breastfeeding.com tem disponível uma lista de celebridades que amamentam ou amamentaram os seus bebés.

É uma mera curiosidade mas como acredito na influência dos role model, acho que só pode ser bom partilhar...

Curiosos...? Espreitem aqui e aqui!

Parto: Medos & Mitos

Apesar do avanço do conhecimento, o parto é ainda um mundo povoado de dúvidas, mistérios e medos.
Para muitas mulheres, é um absoluto desconhecido. Desfaça alguns dos mitos mais comuns nos dias de hoje.

«A dor de parto é intolerável»

Se há um medo universal associado ao parto é este. Muito porque o nascimento continua a estar ligado, na nossa cultura, à ideia de sofrimento. Mas a dor é uma sensação muito subjectiva. E a maneira como se lida com ela - aceitá-la ou tentar desesperadamente eliminá-la - é fulcral no desenrolar do trabalho de parto.
É importante perceber que, ao contrário das outras dores, a dor de parto não é um sinal de que algo está errado no nosso corpo. Por várias razões, é uma dor muito diferente de todas as outras. É gradual e intermitente, permitindo à mulher recuperar forças entre as contracções.A sua intensidade depende não só de grávida para grávida, como das condições em que a mulher dá à luz: nível de relaxamento, privacidade, apoio de familiares e profissionais, posição de parto e ambiente que a rodeia.
O medo da dor é o principal inimigo da mulher em trabalho de parto.
Quando há medo, aumenta a tensão, que aumenta a dor. O melhor plano para encarar a dor é senti-la como uma aliada no processo de fazer nascer o bebé. Acreditar que ela tem uma função fisiológica e tentar dar à luz num ambiente propício: sem imposições de terceiros, sem stress e sem intervenções desnecessárias. E confiar na Natureza. Se a dor de parto fosse realmente impossível de suportar, há muito que a Humanidade se tinha extinguido...

«Se o meu parto for de cesariana, a vinculação ao bebé é posta em causa»

Por vezes, as grávidas ficam de tal modo prisioneiras de uma ideia de parto que não concebem outra. Mas os imprevistos acontecem e nem sempre os bebés podem nascer por via vaginal. No caso das mulheres que desejam a todo o custo ter um parto normal ou natural (sem medicamentos ou intervenções desnecessárias), é frequente pensarem que a cesariana prejudica a vinculação ao bebé. Nada mais falso.A ligação a um recém-nascido não depende exclusivamente da forma como decorre o parto. É certo que o parto não cirúrgico permite um contacto imediato com o bebé e uma recuperação mais rápida, mas não é necessariamente sinal de vinculação instantânea.
Uma experiência negativa de parto pode comprometer o vínculo ao bebé numa fase inicial (pelo cansaço, pela desilusão), mas isso tanto pode acontecer numa cesariana, como num parto vaginal. O fundamental é que a mulher consiga viver bem o momento do parto. Sentir que teve um papel activo no nascimento do filho e que não se limitou a ser uma mera espectadora. Mesmo que a cesariana seja inevitável.

«A epidural é a melhor amiga da mulher»

A técnica anestésica mais comum durante o parto divide-se em analgesia epidural (destinada aos partos vaginais) e anestesia epidural (utilizada nas cesarianas). Ambas bloqueiam as sensações dolorosas nas zonas do abdómen e pélvica. Consistem na introdução de um cateter na parte inferior das costas, entre os ossos das vértebras inferiores, por onde irão passar as substâncias medicamentosas que eliminam a dor.
Se a utilização da técnica é consensual nas cesarianas, o mesmo não se pode dizer nos partos normais. Nestes casos, a epidural não deve ser encarada como uma técnica livre de contra-indicações. Em primeiro lugar, porque comporta alguns riscos (por esse motivo, antes de se submeterem à analgesia, as mulheres têm de assinar um consentimento informado) e, em segundo, porque se trata de uma intervenção que pode tornar o período expulsivo mais difícil, aumentando a probabilidade de recurso ao fórceps para ajudar o bebé a nascer.
Apesar de eliminar a dor, a epidural, é preciso assumi-lo, limita o papel da mulher durante o parto: por estar anestesiada e relaxada, muitas vezes ela não sabe quando fazer força e necessita que a 'conduzam'.Há mulheres que decidem submeter-se à analgesia epidural ainda antes do parto. Como podem saber se vão, de facto, necessitar da intervenção do anestesista?
A epidural deve ser estudada antes do nascimento - o efeito, as contra-indicações - mas ter a certeza de que sem ela não se passa, só no momento. Não é possível antecipar a intensidade da dor de parto nem o nível de resistência da grávida.

«A epidural representa um risco muito grande»

Não é a solução para todos os males, mas também não é o perigo que, por vezes, se imagina que é. A analgesia epidural é, hoje, uma técnica praticada com segurança pelos médicos anestesistas. São raros os casos em que alguma coisa corre mal.
Os efeitos negativos mais comuns incluem dores de cabeça e formigueiro nas pernas. Para além disso, é eficaz. A dor de parto é realmente eliminada. Para muitas mulheres, o alívio da sensação dolorosa devolve-lhes a serenidade necessária para dar à luz.
Do mesmo modo que a decisão de se submeter à epidural não deve ser tomada antes do parto, também a sua recusa não deve ser equacionada antes de tempo. Isto é particularmente verdade para as grávidas de primeiro filho, que nunca viveram uma experiência de parto.
O melhor é esperar para ouvir o que diz o corpo. À partida, qualquer mulher está preparada para ter um filho sem epidural, mas, por vezes, há factores que potenciam a dor: posição de parto, ambiente hospitalar, decisão de acelerar o nascimento com fármacos, trabalho de parto longo. Nestes casos, a epidural pode ajudar.

«O pai tem de estar sempre presente»

É uma das grandes mudanças na forma de encarar o nascimento e uma das mais importantes bandeiras da humanização do parto. A abertura da sala de partos ao pai nas últimas décadas permitiu que os homens passassem a tomar contacto com uma realidade que até então lhes era praticamente vedada.
O parto deixou de ser um 'assunto de mulheres' para passar a ser uma experiência partilhada entre os membros do casal. A maior parte das maternidades e hospitais admite a presença do pai durante o trabalho de parto e, hoje em dia, são poucos os que recusam assistir ao nascimento dos filhos.
Mas será a presença do pai obrigatória? Teremos passado de um extremo ao outro: da ausência total do pai no momento do parto à ditadura da sua presença? Não havendo imposições, nem expectativas impossíveis de cumprir, a participação do pai no parto é um bálsamo. Sobretudo, pelo apoio emocional que presta à mãe.
Para o bebé, é um tesouro haver um acréscimo de vinculação. Mas nem todos os homens se sentem preparados para um momento destes. Falta de à vontade, falta de sangue frio, falta de serenidade. A ideia de ver nascer o filho pode trazer ansiedade e angústia aos homens e eles não deverão ser culpabilizados por isso. O essencial é o desejo de ambos os pais.

«Se não der de mamar logo a seguir ao parto, perco a oportunidade de amamentar o meu bebé»

O importante é querer dar de mamar. Se, por alguma razão, a recém-mãe não puder ou não conseguir amamentar o seu bebé nas horas que se seguem ao parto (isto é frequente nos casos de cesariana ou de partos muito difíceis), o aleitamento não está necessariamente em causa.
As hormonas que desencadeiam o processo podem ser estimuladas durante um período de tempo aceitável. Há mulheres que decidem amamentar um mês depois do parto e conseguem. Tudo é reversível, pode ser mais difícil, mas é possível voltar atrás. Por vezes, é necessário procurar ajuda para desbloquear o processo e aprender a dar de mamar.
A grande maioria das mulheres produz leite suficiente para alimentar os filhos, mas nem sempre sabe como fazê-lo. Além disso, apesar de ser um processo natural, a amamentação pode revelar-se complicada e difícil. Muitas vezes, é preciso insistir. Isto é particularmente verdade nos casos de bebés que não mamaram logo a seguir ao parto. Uma enfermeira especialista em saúde materna ou uma doula poderão dar um apoio precioso.
O importante é ter em mente que, quanto mais o bebé mamar, mais leite é produzido e que os bebés devem mamar em regime livre e não com um horário fixo. E, o mais importante de tudo, que não há dois bebés nem duas mães iguais. A amamentação é uma dança. Mãe e bebé têm de encontrar o seu próprio ritmo.

«Actualmente, a cesariana é uma intervenção sem riscos»

Eis o mito maior. É certo que a cesariana é uma intervenção cada vez mais segura, mas isso não a torna isenta de riscos. A morbilidade e a mortalidade maternas associadas a esta forma de nascer - é preciso não esquecer que se trata de uma cirurgia! - são significativamente mais elevadas do que no parto vaginal. O risco de complicações infecciosas é cinco a 20 vezes maior.
A possibilidade de ocorrer uma hemorragia também é expressivamente mais alta: seis a oito vezes. Para os bebés, nos casos de cesarianas electivas antes das 39 semanas, há o risco de ocorrer uma situação de distress respiratório (insuficiência respiratória).
Para além destes riscos, há também a questão da recuperação pós-parto. No caso da cesariana, o restabelecimento é, inevitavelmente, mais difícil, longo e doloroso. O bisturi corta sete camadas de tecido, incluindo músculo abdominal.
Há indicações absolutas para realizar uma cesariana, como os casos de placenta prévia (quando a placenta cobre parcial ou completamente o orifício interno do colo uterino), e outras mais subjectivas, como a indicação de sofrimento fetal.
Seja qual for o cenário, a cesariana só deve ser efectuada em casos de comprovada necessidade. É essa a recomendação de todos os organismos internacionais que estudaram esta questão, como a Organização Mundial de Saúde e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.

«O parto em casa é perigoso»

Em 1996, o conceituado British Medical Journal dedicou um número inteiro ao parto domiciliário, onde foram publicados vários estudos sobre esta temática. No editorial, um professor holandês escreveu que o parto em casa é uma opção segura para as gravidezes de baixo risco, desde que as mulheres tenham apoio especializado e infra-estruturas adequadas.
Essa é a realidade no Reino Unido. O sistema de saúde permite que a mulher dê à luz em casa, se essa for a sua opção. As parteiras estão organizadas de forma a dar assistência e apoio a estes casos e o Estado comparticipa.
Em Maio do ano passado, a então ministra da Saúde inglesa, Patricia Hewitt, veio mesmo dizer que é necessário desfazer o mito enraizado de que o hospital é o local mais seguro para ter um bebé. A responsável falou de uma estratégia de promoção do parto no domicílio, com o apoio do serviço nacional de saúde, no sentido de 'desmedicalizar' a gravidez e o parto.
Enquanto não se passa da intenção à prática, o parlamento inglês vai premiando anualmente os hospitais e centros de nascimento (pequenas unidades geridas por parteiras) que promovam o parto normal e o nascimento em casa.

«A episiotomia é obrigatória»

Outro grande mito difícil de combater. A ideia de que é melhor 'cortar para não rasgar' instalou-se entre os obstetras e criou raízes.
A episiotomia - incisão no períneo (área muscular compreendida entre a vagina e o ânus) e na parede vaginal, que tem por objectivo abreviar o parto - é, hoje, um procedimento rotineiro em Obstetrícia e um dos poucos realizado sem qualquer consentimento da mulher.
Mas os estudos científicos que analisaram as vantagens e os inconvenientes da técnica mostram que não há razões para continuar a executar, indiscriminadamente, a incisão no períneo durante o parto. A Organização Mundial de Saúde contesta fortemente o uso sistemático desta técnica e apela à selectividade dos critérios. Apenas deverá ser usada em casos de iminente rompimento do períneo.
Os riscos associados ao uso rotineiro da episiotomia são significativos e devem ser tidos em conta tanto pelos médicos como pelas grávidas. Ao contrário do que se pensa, o corte não previne as lesões do períneo. Pelo contrário, existe evidência de que poderá provocá-las. Outro dado: recuperar de uma episiotomia não é fácil - trata-se de um corte completo dos tecidos -, quem passou por isso sabe.

«Não dilata: tem de ser cesariana»

Tecnicamente, não existe falta de dilatação. Existem sim tempos diferentes de dilatação e contextos de parto distintos. Cada mulher é um caso. Por vezes, pode ocorrer uma paragem da dilatação.
Provavelmente devido às muitas interferências a que as grávidas em trabalho de parto estão sujeitas nos hospitais: ambiente ruidoso, clima de tensão, excesso de pessoas na sala de partos, sucessivos exames vaginais.
O medo do parto também pode interferir na progressão da dilatação. A grávida começa a sentir-se tensa e não consegue descontrair. A falta de relaxamento é um dos maiores entraves à progressão da dilatação.
Se a situação persistir, apesar de a grávida estar a sentir contracções, pode ser necessário intervir cirurgicamente (o trabalho de parto estacionário é uma das principais causas de cesariana).
Mas o importante é prevenir este desfecho: para que a dilatação evolua normalmente, a mulher em trabalho de parto não deve ser perturbada e o ambiente que a rodeia deve ser de calma e serenidade. Evitar chegar cedo demais à maternidade - não é preciso ir a correr ir para o hospital assim que a bolsa de águas rebenta - é uma forma de acautelar essas interferências negativas.

Texto de Maria João Amorim, 06 Novembro 2007
Fonte: http://www.paisefilhos.pt/

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