sábado, 30 de maio de 2009

O caso Holandês

Deixo-vos um conjunto de artigos sobre o nascimento na Holanda que me pareceu muitíssimo interessante!

30% dos partos holandeses acontecem em casa e a explicação para o facto está na cultura deste povo, que encara a gravidez de forma muito natural. O próprio sistema de saúde holandês encoraja as mulheres para que assim seja.
Segundo este artigo a percentagem mantem-se "apenas" nos 30% porque as parteiras holandesas são cautelosas e também enviam para o hospital muitos casos que podem eventualmente apresentar algum tipo de risco (tais como gémeos ou bebés pélvicos).

O facto da gravidez ser vista como uma condição natural e fisiológica faz com que as mulheres com gravidezes consideradas de baixo risco sejam acompanhadas por parteiras, ficando os obstetras responsáveis pelo acompanhamento das grávidas de risco.
As mulheres fazem preparação para o parto com enfoque no parto natural, o yoga é recomendado pelas próprias parteiras como exercício ideal de preparação para o parto e a epidural não é encarada como algo banal. Ao contrário, durante estas aulas são ensinados métodos naturais para o alívio da dor no parto.

Ainda que a taxa de mortalidade infantil na Holanda seja alta (considerando a média europeia), os últimos estudos concluem que a culpa não é dos partos domiciliares.
Um estudo holandês demonstrou recentemente que, para as grávidas de baixo risco, dar à luz em casa é tão seguro quanto dar à luz no hospital.
Este artigo considera que os factores que fazem a Holanda subir esta taxa prendem-se sobretudo com outros aspectos, tais como a gravidez cada vez mais tardia, o crescente nascimento de bebés muito prematuros e a falta de detecção precoce de problemas no feto (especialmente na população mais desfavorecida).

Neste país todas as mulheres têm direito a assistência pós-parto domiciliar.
Primeiro pela parteira e nos dias seguintes ao nascimento por uma kraamzorg. Se lerem a descrição verão que se trata, basicamente, de uma doula (apoia na amamentação, nos cuidados com a mãe e o bebé e ajuda com pequenas tarefas domésticas que libertem a mãe para dedicação exclusiva ao recém-nascido). A kraamzorg estará atenta à saúde da mãe e avisará a parteira, caso exista motivo de preocupação (ler o artigo completo aqui).
Como consequência deste nível de cuidados, a maioria das mulheres que tem o bebé no hospital, tem alta apenas algumas horas após o parto.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Novo Regime de Protecção à Parentalidade - em vigor desde 1 de Maio de 2009

No âmbito do regime de protecção da parentalidade, entende - se por:
a) Trabalhadora grávida, a trabalhadora em estado de gestação que informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico;
b) Trabalhadora puérpera, a trabalhadora parturiente e durante um período de 120 dias subsequentes ao parto que informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico ou certidão de nascimento do filho;
c) Trabalhadora lactante, a trabalhadora que amamenta o filho e informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico.

No que concerne ao subsidio temos:
O subsidio parental inicial exclusivo da mãe é concedido por um período facultativo até 30 dias antes do parto e 6 semanas obrigatórias após o parto.

O subsidio parental inicial exclusivo do pai engloba um máximo de 0 dias (10 dias úteis de gozo obrigatório, seguidos ou interpolados, dos quais 5 gozados de modo consecutivo imediatamente após o nascimento e os restantes 5 nos 30 dias seguintes a este e 10 dias úteis de gozo facultativo, seguidos ou interpolados, desde que gozados, após o período referido anteriormente e em simultâneo com a licença parental inicial por parte da mãe).;

O subsidio parental inicial é concedido pelo período até 120 ou 150 dias consecutivos, consoante opção dos progenitores, cujo gozo podem partilhar após o parto, sem prejuízo dos direitos da mãe. Porém, se este tempo de licença for partilhado pelo pai e pela mãe. Porém, se este tempo de licença for partilhado pelo pai e pela mãe, o tempo de licença pode acrescer em 30 dias, aumentado o tempo total para 180 dias;

Continua a estar previsto o direito a licença de 4 meses, remunerada por inteiro, ou de 5 meses, recebendo 80%. Porém, se a licença for partilhada entre pai e mãe, ou seja, se um dos progenitores gozar em exclusivo, pelo menos, um dos meses, neste caso, a licença de 5 meses passa a ser remunerada por inteiro e a de 6 meses a 80%.

Findo este período, os pais ainda podem optar por tirar mais 3 meses cada, subsidiados a 25% pela Segurança Social.

Licença por interrupção da gravidez
1 — Em caso de interrupção da gravidez, a trabalhadora tem direito a licença com duração entre 14 e 30 dias.
2 — Para o efeito previsto no número anterior, a trabalhadora informa o empregador e apresenta, logo que possível, atestado médico com indicação do período da licença.


Dispensa para consulta pré -natal
1 — A trabalhadora grávida tem direito a dispensa do trabalho para consultas pré - natais, pelo tempo e número de vezes necessários.
2 — A trabalhadora deve, sempre que possível, comparecer a consulta pré -natal fora do horário de trabalho.
3 — Sempre que a consulta pré - natal só seja possível durante o horário de trabalho, o empregador pode exigir à trabalhadora a apresentação de prova desta circunstância e da realização da consulta ou declaração dos mesmos factos.
4 — Para efeito dos números anteriores, a preparação para o parto é equiparada a consulta pré - natal.
5 — O pai tem direito a três dispensas do trabalho para acompanhar a trabalhadora às consultas pré - natais.
6 — Constitui contra - ordenação grave a violação do disposto neste artigo.


Dispensa para amamentação ou aleitação
1 — A mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito, durante o tempo que durar a amamentação.
2 — No caso de não haver amamentação, desde que ambos os progenitores exerçam actividade profissional, qualquer deles ou ambos, consoante decisão conjunta, têm direito a dispensa para aleitação, até o filho perfazer um ano.
3 — A dispensa diária para amamentação ou aleitação é gozada em dois períodos distintos, com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador.
4 — No caso de nascimentos múltiplos, a dispensa referida no número anterior é acrescida de mais 30 minutos por cada gémeo além do primeiro.
5 — Se qualquer dos progenitores trabalhar a tempo parcial, a dispensa diária para amamentação ou aleitação é reduzida na proporção do respectivo período normal de trabalho, não podendo ser inferior a 30 minutos.
6 — Na situação referida no número anterior, a dispensa diária é gozada em período não superior a uma hora e, sendo caso disso, num segundo período com a duração remanescente, salvo se outro regime for acordado com o empregador.
7 — Constitui contra - ordenação grave a violação do disposto neste artigo.


Procedimento de dispensa para amamentação ou aleitação
1 — Para efeito de dispensa para amamentação, a trabalhadora comunica ao empregador, com a antecedência de 10 dias relativamente ao início da dispensa, que amamenta o filho, devendo apresentar atestado médico se a dispensa se prolongar para além do primeiro ano de vida do filho.
2 — Para efeito de dispensa para aleitação, o progenitor:
a) Comunica ao empregador que aleita o filho, com a antecedência de 10 dias relativamente ao início da dispensa;
b) Apresenta documento de que conste a decisão conjunta;
c) Declara qual o período de dispensa gozado pelo outro progenitor, sendo caso disso;
d) Prova que o outro progenitor exerce actividade profissional e, caso seja trabalhador por conta de outrem, que informou o respectivo empregador da decisão conjunta.


PORTUGAL. Assembleia da república (12 de Fevereiro 2009). Decreto - Lei n.º 7/2009: Revisão do Código do Trabalho. Diário da República, 1.ª série — N.º 30. 926-1029

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Eventos próximos

Espreitem o fórum Aqui há Bebé, especialmente na secção dos eventos, pois há várias actividades interessantes a acontecer nas próximas semanas (que estão lá divulgadas).

sexta-feira, 22 de maio de 2009

SOS Amamentação - informação


O SOS Amamentação, Associação de apoio ao Aleitamento materno (da qual sou voluntária) tem a sua página em reestruturação, como tal, não é possível aceder-lhe.
De momento, e até que a nova página esteja acessível, a Associação criou um blog: http://associacaososamamentacao.blogspot.com/
No blog podem consultar alguns números de telefone de voluntários que prestam atendimento telefónico, o e-mail da associação, entre outras informações úteis.

A página deverá voltar a estar disponível no final deste mês: sosamamentacao.org.pt

domingo, 17 de maio de 2009

Informação

Para todos os que nos visitam:

Esta semana estarei uns dias fora, com acesso (muito) limitado à internet.
Como tal, as respostas aos vossos e-mails poderão tardar um pouco mais.

Até breve!

:)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Apoio às mães que amamentam após um ano

Por Carlos González*

As mães que continuam amamentando após um ano enfrentam muitos problemas, sobretudo devido às críticas de quem crê que isso “não é normal” e as ameaçam com todo tipo de doenças e catástrofes.

Na realidade, não se conhece qual é a idade “natural” do desmame no ser humano. Cada cultura tem a esse respeito seus próprios costumes, apesar de que nenhuma desmama tão cedo quanto a cultura ocidental do século XX. A antropóloga norte-americana Katherine Dettwyler (1) abordou a questão a partir da zoologia comparada, generalizando uma hipotética idade para o desmame no ser humano a partir dos dados referentes a outros primatas, a partir de vários parâmetros que se correlacionam de forma mais ou menos exata com a amamentação:

a) Segundo o peso do nascimento.

Costuma-se dizer que os mamíferos se desmamam quando triplicam o peso do nascimento. Isso só é válido para os animais pequenos; os animais de tamanho parecido com o nosso se desmamam após quadruplicar o peso do nascimento, o que seria aproximadamente aos dois anos e meio.

b) Segundo o peso do adulto.

Muitos mamíferos se desmamam ao alcançar aproximadamente a terça parte do peso do adulto. Como em nossa espécie o homem adulto é maior, isso representaria um desmame mais tardio: os meninos com sete anos (ao alcançar os 23 kg), e as meninas um pouco antes dos seis anos (com 19 kg).

c) Segundo o peso da mãe.

Os pesquisadores Harvey e Clutton-Brock constataram que, em um grande número de primatas, a idade do desmame em dias é igual ao peso de uma fêmea adulta em gramas multiplicado por 2,71. Aplicando essa fórmula a uma mãe de 55 quilos, corresponderia a desmamar aos três anos e quatro meses.

d) Segundo a duração da gestação.

A relação entre a duração da amamentação e a duração da gestação é muito variável entre os primatas, mas parece ter relação com o tamanho dos indivíduos. Nos macacos pequenos, essa relação costuma ser inferior a dois; mas entre nossos parentes mais próximos (em parentesco e tamanho), a relação é de 6,4 para o chimpanzé e de 6,18 para o gorila. Se assumirmos que para o ser humano essa relação deverá ser também superior a 6, o resultado é um mínimo de quatro anos e meio de amamentação.

e) Segundo a dentição.

O desmame pode acontecer em muitos primatas quando ocorre a erupção do primeiro molar permanente, o que corresponderia aos 6 anos do ser humano.

Em conclusão, Dettwyler supõe que a idade normal do desmame no ser humano é entre os dois anos e meio e os sete anos.

No congresso espanhol de grupos de mães, ocorrido no ano de 2001 em Zaragoza, realizamos uma pesquisa para averiguar qual era a duração da amamentação entre as mães participantes, e que vantagens e desvantagens encontravam as mães que amamentam bebês após um ano.

Trata-se de uma amostra altamente selecionada (mães com suficiente interesse e meios econômicos para participar do evento), e que de modo algum representa a sociedade espanhola. Mas nos permite afirmar que a amamentação depois de um ano existe, ainda que seja em um grupo pequeno.

Responderam ao questionário 95 mães que juntas têm 174 filhos. Trabalham fora de casa 74, e 78 haviam amamentado mais de um ano. Somente 15 mães haviam praticado amamentação tandem (ou seja, amamentado dois filhos de idades diferentes ao mesmo tempo). Portanto, não é preciso ser dona de casa para amamentar por mais de 1 ano.

O resultado foi o seguinte:

Formação - total - Amamentaram por mais de 1 ano

Graduação - 31 - 30
Cursos seqüenciais/tecnólogo - 32 - 22
Curso técnico - 17 - 14
Ensino médio - 13 - 10
Ensino fundamental - 2 - 1

Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.

No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com una idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, o que fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.

A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação.

Responderam da seguinte forma à pergunta de se as pessoas relacionadas apoiaram ou criticaram a amamentação (pergunta feita a todas as mães, incluindo as que desmamaram antes de 1 ano de idade):

quem - apóiam - criticam

Marido ou companheiro - 77 - 6
Amigas ou vizinhas - 47 - 53
Mãe ou sogra - 44 - 39
parteira - 27 - 6
Outros parentes - 22 - 43
pediatra - 15 - 36
enfermeiras - 6 - 19
Médico ou GO - 5 - 9
Outros - 29 - 14

Considerando que cada mãe pode ter vários amigos ou vários pediatras, alguns grupos apareciam ao mesmo tempo aprovando e criticando. Observamos que o papel dos profissionais de saúde é em geral negativo, salvo no caso das parteiras. E, em todo caso, parecem influenciar menos, tanto para o bem como para o mal, que parentes e amigas. Como se nos mantivéssemos à margem.

Destaque muito positivo para o papel do marido, que quase nunca critica e que é a pessoa que mais aprova. Duvidamos que isto reflita um grande interesse pela amamentação entre os maridos espanhóis em geral, e achamos que , na verdade,aconteceu uma seleção natural: o apoio incondicional do marido é quase imprescindível para que uma mãe consiga amamentar, desfrutar da sua experiência, envolver-se num grupo de apoio e participar de um congresso sobre amamentação.

Por último, perguntamos o que foi mais agradável e o que foi mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

O que é mais agradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

Contato físico, olhar, vínculo - 36
Relação especial, amor, algo teu - 34
Felicidade materna, realização pessoal - 20
Comodidade e liberdade - 14
O melhor alimento - 12
Bebê feliz - 10
Consolo ou calma para o bebê - 8
É algo natural - 3
Mais saudável para o bebê - 6
Carinho - 1

O que é mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

Críticas de outras pessoas - 33
Nada - 14
Mamadas noturnas - 10
Pedir muito quando a mãe não deseja - 4
Difícil de conciliar com irmãos maiores - 4
Mordidas - 4
Desmame - 4
Falta de informação profissional e de apoio social - 4
Dependência - 4
Sensação de que não vai deixar de mamar - 2
Não poder sair de noite - 2
Dificuldade para conciliar com inquietudes maternas - 2
Desinformação (medo absurdo) - 1
Problemas mamários (mastites, rachaduras) - 1
Angústia - 1

Conforme era esperado, essas mães encontram muito mais satisfações que problemas (de outro modo, não o teriam feito). Entre as vantagens se dá muito mais importância aos aspectos afetivos e psicológicos que à nutrição e à saúde física; enquanto que entre os inconvenientes destacam-se as críticas recebidas de outras pessoas, e um grande número de mães espontaneamente afirmam que não houve nada desagradável em sua experiência.


Portanto, a amamentação após uma ano de idade do bebê é uma realidade entre algumas mulheres espanholas, sobretudo de classe média-alta, e parece que a prática está crescendo. É preciso que nós profissionais de saúde adotemos um papel mais efetivo de apoio às mães que amamentam, e que contribuamos na educação da população para que estas mães recebam o respeito que merecem.


(1) Stuart-Macadam P, Dettwyler K. Breastfeeding. Biocultural perspectives. Aldine de Gruyter, New York, 1995

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas

Original em espanhol:
http://www.dardemamar.com/Lactancia_prolongada_por_Carlos_Gonzalez.pdf

*médico pediatra, pai de 3 filhos amamentados até depois dos 2 anos, fundador e presidente da Asociación Pro Lactancia Materna. Livros da sua autoria: "Manual Práctico do Aleitamento Materno" e "Bésame Mucho" (já publicados em Portugal), "Mi niño no me come" e "Un regalo para toda la vida".

sábado, 9 de maio de 2009

Enfermeiros obstetras portugueses promovem parto normal

A Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras (APEO) apresentou, ontem, um guia de orientação da prática profissional, com directrizes de actuação nas diferentes fases do trabalho de parto, parto e pós-parto. O manual, de distribuição gratuita, é dirigido, não só a profissionais da área, mas também ao cidadão em geral.

A APEO associou-se à Federação das Associações de Parteiras Espanholas (FAME) na sua campanha “iniciativa parto normal”, traduzindo para português o livro "Iniciativa Parto Normal - Documento de Consenso”.

De acordo com a presidente da APEO, trata-se de uma obra “de valor inestimável” que tem como finalidade “incentivar a actuação dos profissionais; facilitar a participação das mulheres no processo de tomada de decisão e na obtenção de consenso com a equipa profissional; promover cuidados, respeitando o processo fisiológico com a mínima intervenção obstétrica e orientar as instituições de saúde obstétricas para uma assistência natural ao parto normal”, enumera Dolores Sardo.

Escrito numa linguagem “científica mas acessível”, o manual, que estará disponível, gratuitamente, em instituições hospitalares e centros de saúde, serve para que “a mulher possa optar de forma consciente sobre o que quer para o seu parto”, revelou a responsável.

O guia contém informações sobre o plano de nascimento, práticas de dilatação, posições do período expulsivo, assistência ao recém-nascido, entre outras, com recurso a figuras exemplificativas.

Para Paula Nelas, especialista que apresentou o livro, numa cerimónia que decorreu, ontem, no Hospital de S. Bernardo, “as mulheres sentem receios que não são atendidos da melhor forma, daí que estejam a procurar outras formas de parir”.

A enfermeira obstetra referiu as vantagens do parto normal, numa gravidez de baixo risco. “Do ponto de vista físico, a recuperação materna é muito mais rápida e o risco de hemorragia e infecção é menor”, garante, explicando ainda que “o aumento do nível de complexidade do procedimento está associado a um aumento do risco decorrente dele, quer para a mãe, quer para o filho”.

“Custa a acreditar que perante as evidências, e, apesar de alguns esforços desenvolvidos por alguns cidadãos e profissionais, o caminho para o retorno ao parto normal seja tão sinuoso e difícil de alcançar”, concluiu a especialista.

Também Dolores Sardo lançou uma crítica, referindo que “o Estado português devia reunir os diferentes profissionais e estabelecer um plano de acção em termos dos cuidados obstétricos para que os diferentes intervenientes pudessem ter a sua função na sociedade portuguesa”.

A dirigente demonstra que, apesar dos enfermeiros portugueses, especialistas na área da saúde materna e obstétrica terem “competências” e estarem “habilitados para a prática da enfermagem obstétrica nas diferentes áreas”, as suas competências “não estão a ser rentabilizadas”. Isto, porque, segundo a responsável, essas competência específicas "ainda não foram reconhecidas e identificadas”.

O lançamento deste livro acontece numa altura em que a Organização Mundial de Saúde alerta para o facto de, em Portugal, as taxas de cesariana continuarem a ser demasiado elevadas, prevalecendo uma tendência para tratar todas as parturientes de igual modo, com um elevado grau de intervenção, mesmo em situações de baixo risco.

Link: http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?idEdicao=320&id=11320&idSeccao=2564&Action=noticia

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Amamentar reduz risco de derrames e doenças cardíacas

Um estudo americano revelou que as mulheres que amamentam os filhos correm menos risco de sofrer de doenças cardíacas ou derrames.

Os pesquisadores americanos dizem ter verificado que as mulheres que amamentam por mais de um ano estão 1º% menos propensas a sofrer desse tipo de problemas.
Este estudo envolveu 140 mil mulheres já no período pós-menopausa.

«Há anos que sabemos que amamentar é bom para a saúde dos bebés », disse investigadora Eleanor Bimla Schwarz. «Agora sabemos que também é importante para a saúde das mães.»

Link: http://www.destak.pt/artigos.php?art=27819

Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento 2009: a gente apóia essa idéia!

Mais uma iniciativa ligada à Semana Mundial pelo Parto Respeitado.
Deixo esta divulgação, em especial porque sei que temos muito(a)s leitore(a)s do Brasil :)
No entanto, mesmo para aqueles que estão longe demais para poder visitar as exposições, os links têm muita informação útil!

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS

Por uma nova forma de gerar, parir e nascer!

De 11 a 17 de maio diversos países estarão comemorando a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento (SMRN). Para marcar a data no Brasil, a Rede Parto do Princípio (www.partodoprincipio.com.br) realiza uma exposição nacional com fotos em preto e branco de mulheres brasileiras no momento do nascimento de seus filhos. A exposição acontece simultaneamente em várias cidades do país e tem como objetivo incentivar o vínculo afetivo entre mãe e filho, a amamentação na primeira hora de vida e o parto humanizado. Em alguns municípios a exposição começa mais cedo, em comemoração ao Dia das Mães ou estende-se por mais tempo. (Confira abaixo a relação de locais e datas).

A Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento (www.smar.info), iniciativa da Associação Francófona pelo Parto Respeitoso ("Alliance Francophone pour l'Accouchement Respecté" - www.afar.info) é celebrada anualmente, desde 2004, durante o mês de maio em diversos países.
Este ano, a campanha aborda O aumento da taxa de cesarianas no mundo com o slogan Diga não à cesárea desnecessária!

A Parto do Princípio é uma rede de mulheres, consumidoras e usuárias do sistema de saúde brasileiro, que oferece informações sobre gestação, parto e nascimento baseadas em evidências científicas e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conta hoje com mais de 300 pessoas trabalhando voluntariamente, em 16 estados e no Distrito Federal, na divulgação dos benefícios do parto ativo.

Para a Parto do Princípio, a Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento é uma ocasião para reafirmar publicamente que a reprodução humana é um fato social em primeiro lugar; que a mudança é possível e que nunca é tarde para que os profissionais e os estabelecimentos médicos revejam suas práticas.

Para a realização da Exposição, a Rede contou com o apoio do Guia do Bebê (www.guiadobebe.com.br).

Os riscos da cesariana

No Brasil, 79,7% dos partos no setor privado são cesarianas, em sua maioria eletivas – realizadas antes do trabalho de parto – o que claramente revela o desconhecimento da população acerca dos riscos intrínsecos à realização desta cirurgia.

Mesmo no setor público, as taxas 27,5% de cesariana atingem praticamente o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 15%. Entretanto, este excesso de cirurgias cesarianas não reflete em melhores resultados maternos e neonatais, visto que o Brasil, desde a inclusão da “cultura da cesárea” não apresenta redução nos seus altos índices de mortalidade materna (75 mulheres a cada 100 mil nascido vivos), segundo a conceituação da OMS (que aceita um índice de 20 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos).

Enquanto a sociedade não se mobilizar divulgando ações e disseminando informações acerca deste tema, nossas mulheres e crianças serão submetidas a riscos aumentados – na maioria das vezes, desnecessários – em um momento que deveria ser de tranquilidade, intimidade e segurança.

ALGUNS RISCOS DA CESARIANA

Para a Mãe

  • Maior risco de Morte Materna em decorrência da cirurgia (2,8% maior na cesariana eletiva quando comparada ao parto vaginal)
  • Maior risco de Histerectomia – retirada dos órgãos reprodutivos
  • Maior probabilidade de Internação Prolongada
  • Maior chance de desenvolver Infecção
  • Risco aumentado de Depressão Pós-Parto
  • Dor generalizada ou no local da cirurgia
  • Risco de criação de Coágulos Sanguíneos e Trombose
  • Corte Cirúrgico Acidental em outros órgãos
  • Obstrução Intestinal

Para o Bebê

  • Contato Tardio com a mãe
  • Corte Cirúrgico acidental
  • Maior probabilidade de Fracasso no Aleitamento Materno
  • Maior dificuldade para estabelecer o Vínculo Afetivo
  • Desconforto Respiratório por iatrogenia – interferência médica no processo natural
  • Maior possibilidade de desenvolver Asma

Para Gestações Futuras

  • Aumento das taxas de Infertilidade
  • Maior possibilidade de Gravidez Ectópica
  • Maior possibilidade de Placenta Prévia
  • Riscos aumentados de Ruptura Uterina
  • Dor abdominal decorrente de Aderências – outros órgãos aderem à cicatriz cirúrgica
  • Descolamento Prematuro de placenta

Veja abaixo os locais das exposições já confirmadas:

Bauru – SP

Contato: Celma – celmapsid@ig.com.br
SENAC - a partir de 13 de maio

Belém - PA

Contato: Thayssa (91) 8884.0209 - thayssa.rocha@partodoprincipio.com.br
Laboratório Beneficente Portuguesa – de 11 a 16 de maio (exposição de fotos)
Restaurante D. Giuseppe – de 08 a 16 de maio (exposição virtual de fotos)

Belo Horizonte - MG

Contato: Pollyana (31) 9312-7399- polly@partodoprincipio.com.br
PUC Barreiro – a partir de 12 de maio (exposição de fotos) durante a Semana de Enfermagem

Brasília - DF

Contato: Clarissa (61) 3201-0069 e 8139-0099 - clarissa@partodoprincipio.com.br
Associação Vivendo e Aprendendo – de 11 a 15 de maio
Centro Cultural de Brasília – 16 e 17 de maio

Curitiba- PR

Contato: Patrícia (41) 3336-1939 e 9113-6364 – patricia@partodoprincipio.com.br
Estúdio MM Áudio – a partir de 09 de maio

Garanhuns – PE

Contato: Juliana (87) 9104-5381 – juliana_coelho_ferra@hotmail.com ou Ilza (87) 9122-1775 – ilza_rafa@hotmail.com
Livraria Casa Café – de 11 a 19 de maio

Juiz de Fora – MG

Contato: Soraya (32) 3226-2461 e 8838-3072 – smperobelli@gmail.com
Centro de Diagnósticos CEDIMAGEM – de 11 a 17 de maio (exposição de fotos)

Maringá - PR

Contato: Patrícia (44)3025-3219 e 9927-7298 - patimerlin@partodoprincipio.com.br
Cliniprev – de 11 a 17 de maio (exposição de fotos)

Porto Alegre - RS

Contatos: Alessandra (51) 9685-2114 - alessandrakrause@partodoprincipio.com.br e Maria José (51) 91236136

Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo - www.cccev.com.br - 11 a 16 de maio (Exposição de fotos)
Parque de Redenção – dia 23 de maio - Tenda com exposição de fotos e caminhada com grávidas e mães/pais com filhos.

Rio de Janeiro – RJ

Contato: Denise (21) 2222-6658 e 9797-1602 – denise@partodoprincipio.com.br
Livraria Largo das Letras – de 12 a 17 de maio

São Bernardo do Campo - SP

Contato: Denise (11) 9383-4429 – denise.niy@uol.com.br
Bruxa Banguela Rock Bar – Lançamento do livro Lembranças fecundas: meu diário afetivo da gravidez”, de Denise Yoshie Niy

São Paulo - SP

Contato: Roberta (11) 8208-2119 - roberta@partodoprincipio.com.br
Continental Shopping – de 08 a 27 de maio (exposição de fotos)
Faculdade de Saúde Pública – a partir de 11 de maio (exposição de fotos


[1] Dados da Agência Nacional de Saúde - 2001



quarta-feira, 6 de maio de 2009

Maio: Mês Internacional da Doula

Para assinalar esta data há um ano escrevi um texto intitulado Porquê ter uma Doula?

Este ano lembrei-me que a melhor forma de celebrar este mês seria dar a conhecer melhor o nosso trabalho!

Assim sendo, vou iniciar uma corrente de e-mails e enviar para os meus contactos!
Vou deixar-vos o conteúdo aqui também. Se quiserem podem usar o meu texto ou fazer os vossos.
De certeza que cada um(a) de vocês conhece muitas pessoas!

Vamos fazer uma corrente pelo trabalho das Doulas!

Em Maio celebra-se internacionalmente o mês da Doula.
Este ano, como forma de celebrar o acontecimento, vamos fazer uma corrente para ajudar a divulgar o trabalho destas mulheres.
Entre também na corrente e ajude a passar esta informação que poderá fazer a diferença para tantas mães e futuras mães!


Uma doula é uma mulher que dá suporte físico, emocional e informativo a outras mulheres antes, durante e após o parto. Segundo a Organização Mundial de Saúde, no seu guia "Assistência ao Parto Normal: um guia prático", uma doula é "(...) uma prestadora de serviços que recebeu formação básica sobre o parto e que está familiarizada com uma ampla variedade de procedimentos de assistência. Fornece apoio emocional, o qual consiste em elogios, reafirmação, medidas para aumentar o conforto materno, contacto físico (... ) explicações sobre o que está a acontecer durante o trabalho de parto e uma presença amiga constante."
Leia mais aqui e aqui!


Porquê ter uma Doula?

  • Porque geralmente os partos com o apoio de uma doula são mais rápidos e menos complicados
  • Porque a doula ajuda a que a mulher sinta o parto como uma experiência positiva (e essa experiência terá repercurssões no futuro)
  • Porque os pais que podem contar com o apoio de uma doula sentem-se mais confiantes e acarinhados
  • Porque a doula também ajuda os pais a adaptarem-se às exigencias desta nova etapa das suas vidas
  • Porque uma doula ajuda com a amamentação e quem conta com o seu apoio tem maiores probabilidades de vir a ter uma amamentação de sucesso
  • Porque as mulheres que contam com uma doula têm menos probabilidades de vir a sofrer depressões pós-parto
  • Porque a doula é uma pessoa com quem se pode contar 24 horas por dia para todo o tipo de dúvidas e desabafos
  • Porque no meio do "desconhecido" do parto a doula vai ser uma mão amiga que saberá tranquilizar a futura mãe e o seu companheiro
  • Porque a doula além de ajudar a mãe, dará apoio ao acompanhante relativamente às formas que este poderá encontrar para ajudar e apoiar a futura mãe
  • Porque a doula tem conhecimentos suficientes e actualizados para explicar aos pais todas as alternativas ao seu dispor e ajudá-los a elaborar um plano de parto
  • Porque a doula recebeu formação e sabe o que a mulher precisa durante o parto, sabe aplicar técnicas no alívio da dor, conhece posições que facilitam o progresso do trabalho de parto
  • Porque com uma doula a futura mãe tem menos 50 % de probabilidades de precisar de uma cesariana e a duração do trabalho de parto reduz em média 25%. Tem 60% menos de probabilidades de necessitar uma epidural e menos 40% de hipóteses de vir a precisar de oxitocina sintética. Nos partos com doula, a necessidade de usar fórceps desce 40%, comparando com partos sem o seu apoio[1]
  • Porque até a própria Organização Mundial de Saúde[2] se refere de forma bastante favorável ao acompanhamento das doulas no trabalho de parto, referindo que a sua presença oferece "muitos benefícios, incluíndo partos mais rápidos, com menos medicação e uso de epidural, menos índices de apgar abaixo de 7 nos recém-nascidos e menos partos instrumentalizados"[3]
  • Porque a doula é alguém com quem se pode contar para ajudar depois do parto, mesmo com pequenos gestos como preparar uma refeição reconfortante para a mãe enquanto esta descansa com o seu bebé
  • Porque o apoio de uma doula durante a gravidez, parto e pós-parto, não custa mais do que 3 consultas com um médico particular e apesar disso envolve um acompanhamento muito próximo, exclusivo e constante
[1] segundo um estudo de 1993 por Kennel e Klaus, autores do livro "The Doula Book: How a trained Labour Companion Can Help You Have a Shorter, Easier and Healthier Birth"
[2] "Safe Motherhood, Care in Normal Birth: a Practical Guide", World Health Organization, Geneva - WHO/FRH/MSM/96.24
[3] ref. a Klaus et al 1986, Hodnett and Osborn 1989, Hemminki et al 1990, Hotmeyer et al 1991


Sofia Carvalho
Doula, Educadora Perinatal e Conselheira em Aleitamento Materno OMS/Unicef
http://aquihabebe.blogspot.com/

Para saber mais:

http://www.doulasdeportugal.org/pt/home
http://www.doulas.com.br/
http://www.dona.org/

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Semana Mundial para o Parto Respeitado 2009

Este ano assinala-se entre 11 e 17 de Maio.
O tema será as preocupantes taxas de cesariana crescentes um pouco por todo o Mundo.
Tem sido um debate que ganha cada vez mais visibilidade também na nossa sociedade, o que é muito bom!

Para saberem mais sobre a SMPR, cliquem aqui, aqui e aqui.




Para quem tenha disponibilidade para traduções e conhecimentos para partilhar:

Dear all,


This is to remind you that the World Respecting Childbirth Week (Semana mundial por un parto respetado) is scheduled from 11 to 17 May this year.

This year's theme will be our concern for the rise of cesarean rates all over the world. See our short announcements below and connect to the AFAR website

Remember that the contact address is afar_contact@yahoo.fr (I received several requests that I could not reply because they had been sent through the contact form on the site)

We urgently need material and links - in all languages - for publications on this theme and annoucements of events taking place in various countries.

Here is a link to 516 items of the AFAR bibliographical database covering the subject "casearean":

Please contact me if you wish to contribute to this database or translate abstracts to your native language.

El tema prosposito durante el ultimo encontro de la red Europea ENCA fue:
La cesariana e la subida de su porcentaje en muchos paìses. Todavia, este problema se ha amplificado en muchas partes del mundo. Es la responsabilidad de cada asociacion de encontrar una manera de presentar este tema durante la semana del parto respectado.


We look forward to a very broad participation.

Bernard Bel - bernarbel@gmail.com

Por cá, no sábado, dia 9 de Maio vai haver mais uma exibição pública do documentário Orgasmic Birth, desta vez na Malveira.

Para mais informações cliquem aqui.

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