sábado, 30 de agosto de 2008

O choro do bebé

Aprender a lidar com o choro do bebé é talvez um dos maiores desafios que os recém papás terão de enfrentar.
Um choro repetitivo pode deitar abaixo, física e psicologicamente, uma recém mamã ainda pouco confiante nas suas capacidades de progenitora. A frustração vai aumentando quando não se consegue identificar o motivo do choro.
No entanto, não há como dar a volta: os bebés choram.

A primeira coisa a fazer é lembrar-se que o choro é o principal meio que o seu filho tem para comunicar consigo. Como tal nunca deve ser ignorado.

Com o tempo e através das tentativas, os pais vão aprendendo a traduzir as necessidades do bebé e a identificar o significado do choro.

Quando falo sobre este tema, gosto também de lembrar este texto. Faz todo o sentido aqui (também) lembrarmo-nos da nossa condição de mamíferos e de como o simples contacto pele-com-pele pode promover maravilhas.
Ainda, e tal como refere Jan Hunt, talvez seja também útil reflectir sobre se estaremos ou não a abusar das técnicas "de substituição" habitualmente usadas nas nossas sociedades ocidentais (ditas civilizadas) para tentar consolar os nossos bebés:*

ursinhos que substituem os pais, carrinhos em vez de braços, grades em vez de dormir juntos, chupetas em vez de mamar no peito, brinquedos em vez de atenção, caixinhas de música em lugar de vozes, leite em pó em vez de leite materno, cadeira de baloiço em lugar do colo - determinaram uma época de consumismo, isolamento pessoal e insatisfação emocional.

Deixo-vos uma espécie de "check-list" com os motivos mais comuns de choro. Pode ser uma ajuda para os primeiros tempos. Deve usar-se por esta ordem e quando não conseguirmos consolar o bebé passamos à hipótese seguinte.

- Fome
Esta é a principal razão de choro nos bebés, como tal deve ser sempre a primeira hipótese a ser colocada.
Os bebés pequenos têm um estômago muito pequeno e, assim sendo, devem alimentar-se em pequenas quantidades e frequentemente (este é o ritmo natural dos bebés amamentados).
Com o passar do tempo, é natural que a mãe aprenda a identificar as "pistas" de fome do bebé antes mesmo que ele comece a chorar, sendo essa a situação ideal, visto que o choro é um sinal de fome tardio.
Essas "pistas" podem ser movimentos como encostar o nariz ao seu peito, fazer movimentos da boca em busca do peito, fazer movimentos de sucção ou pôr as mãos na boca.
Mamar, para um bebé, não é apenas alimentar-se. Serve de consolo, alívio das dores e desconfortos, fá-lo sentir-se seguro e próximo da mãe.

- Solidão
Uma das necessidades mais importantes do bebé é o contacto pele-com-pele.
Existe o "mito" de que se pegarmos muito no bebé ao colo ele fica "estragado com mimo". Isso não é verdade. Os bebés precisam de colo para se sentirem seguros.
Muitas vezes o bebé acalma se lhe proporcionarmos um ambiente semelhante aquele que tinha no ventre materno. O colo vai transmitir-lhe tudo isso: calor, movimento, a voz da mãe e o bater do seu coração. O método do Dr Harvey Karp consiste precisamente em imitar as sensações recebidas no ventre.
Os recém papás podem aprender a usar um pano, sling ou porta-bebés. Assim poderão dar colo e ao mesmo tempo ficar com as mãos libertas para outras tarefas.

- Desconforto
É preciso verificar se o bebé tem a fralda suja ou demasiado apertada, se a roupa tem costuras ou etiquetas que o possam incomodar.
Também é possível que o bebé sinta desconforto se tiver demasiado frio ou demasiado calor. Muitas vezes o bebé chora na mudança da fralda ou enquanto é despido para o banho, simplesmente porque não gosta de sentir frio.

- Cansaço
Muitas vezes os bebés estão tão cansados que simplesmente não conseguem fechar os olhos e dormir.
Por vezes podem estar sobrestimulados no final do dia, quando, por exemplo, tiveram muitas visitas, andaram de colo em colo, com muitas luzes, barulhos, etc.
Neste caso, devemos levar o bebé para um sítio mais tranquilo, onde se reduzirá o nível de estimulos para que ele possa acalmar e descansar.

- Cólicas
Actualmente, os especialistas divergem quanto aos episódios de cólicas. E a verdade é que há situações em que simplesmente não se consegue descobrir porque é que o bebé chora nem se consegue consolá-lo. Então, esses episódios de choro rapidamente são defenidos como "cólicas".
O melhor que podemos fazer é usar as mesmas estratégias já definidas acima para tentar consolar o bebé.
Nestes casos, em que o bebé chora durante muito tempo, é igualmente importante que os pais se mantenham calmos, pois esta é uma situação bastante difícil e stressante.
Se necessário peça ajuda a um familiar ou alguém de confiança para que possa descansar um pouco e manter o ânimo.

Apesar de todas as indicações aqui descritas, quando um bebé chora durante 2 horas ou mais, ininterruptamente (apesar de se terem feito esforços para o consolar) ou quando o choro é acompanhado de outro sintoma (vómitos, febre, diarreia, etc) torna-se necessário recorrer a um médico para que possa ser observado.

* Já que noutras sociedades menos desenvolvidas (em Africa ou na Ásia, por exemplo) cujos bebés crescem muito mais próximos, fisicamente, das suas mães, os níveis de choro são muitíssimo menores.

domingo, 24 de agosto de 2008

Como uma leoa

Gostei deste artigo, antes de mais, porque fala de um tema tabu: o sentimento de possessividade que muitas mães sentem pelo seu bebé.
É tabu porque na nossa sociedade "parece mal" não deixar os familiares e amigos pegarem e mexerem no bebé mas no fundo este sentimento é normal e faz parte do instinto de protecção da cria.
Como é um assunto pouco falado, muitas vezes os pais reagem mal por não entenderem o que se passa com a sua companheira e podem gerar-se alguns conflitos...

Nos primeiros tempos, mamã e bebé vivem uma relação tão estreita que causa irritação que outras pessoas tentem aproximar-se do recém-chegado. Ela cuida-o e protege-o, como uma leoa as suas crias.

Durante a gravidez a mamã leva o seu filho dentro da barriga para onde quer que vá: ao cabeleireiro, ao trabalho, a fazer compras... E o bebé é da sua exclusiva propriedade. No entanto, nas últimas semanas da gravidez e perante a aproximação da data do parto, é frequente que comece a fantasiar e a aperceber-se das "consequências" que implica dar à luz o ser que hoje a acompanha para todos os lados. Entre outras, a mais importante é a exclusividade que tinha e ainda tem, no que diz respeito ao seu filho por nascer, tarde ou cedo terá o seu fim: depois do parto, a mamã deverá partilhar o seu bebé com outras pessoas.

E também com o papá. À primeira vista, isto trata-se de um facto natural que teoricamente não deveria incomodá-la. No entanto, se aprofundarmos um pouco, se a incomoda! Ela desejaria ser a única a encarregar-se do bebé, e que nenhuma outra pessoa se aproximasse dele. E é natural que trate de provocar situações de todo o tipo para que possa ser exclusivamente ela não só a amamentá-lo, mas também a dar-lhe banho, mudá-lo, levá-lo a passear, levá-lo ao pediatra, etc.

Autorização para tocar

Quando o papá se aproxima do bebé, a mamã não tem outro remédio que não seja "dar-lhe autorização" para tocá-lo. Mas claro, só um bocadinho. Curiosamente, não é raro que exactamente nesse instante ela lhe diga: "Viste que lindo? Mas, sabes? O melhor é deixá-lo no berço porque tem sono", ou "Dá-mo que ia justamente mudar-lhe a fralda", ou "Ia dar-lhe de mamar neste preciso momento" ou... Quando os que se aproximam do bebé são os irmãozitos, as restrições são mais fáceis de justificar:

"Cuidado, não lhe toques que tens as mãozinhas sujas", ou "faz-lhe uma festinha, mas aqui na zona da fralda". A fantasia mais comum da mãe é que possam magoar o recém-nascido "sem querer... querendo". Uma suspeita nem sempre errada, já que para os irmãos mais velhos o novo irmão "É muito bonito, mas porque não o damos aos vizinhos ou a esse teu amiguinho da escola que não tem nenhum mano?".

Mas limpinho

Há mulheres que, uma vez nascido o bebé, desenvolvem uma preocupação quase doentia pela higiene. Além da inquietação que possam ter pela limpeza, esta é uma excelente e elegante desculpa para prolongar o tempo em que o recém-nascido permanece "intocável".

Uma relação muito particular

Quando uma mamã é primípara, este fenómeno tão possessivo pode ser muito exacerbado, ainda que às vezes, pelo desconhecimento próprio da primeira vez, não se mostre tão ciumenta e se comporte de maneira mais permissiva. Logicamente, até que o sentimento de propriedade se desenvolva completamente: aí sim, não haverá quem a trave! Nas que já tenham tido filhos, a atitude perante o novo bebé depende das experiências anteriores; especialmente, da maneira como viveram os puerpérios anteriores.

No entanto, o que define a relação inicial entre a mamã e o bebé é a história pessoal de cada mulher, dado que este novo vínculo a remete, inexoravelmente, ao vínculo primário com a sua própria mãe quando era bebé. São as normais vicissitudes daquela relação as que se repercutirão na sua experiência pessoal da própria maternidade.

O que se passa com as avós

No caso da avó materna, a mamã será mais permissiva, sempre e quando a avó adopte o seu lugar, e não se sinta, actue ou tome atribuições como se fosse a mãe do recém-nascido. Não esqueçamos que já desde a gravidez a avó materna (a mamã da mamã) ocupa um lugar central, junto com o papá e o obstetra. No entanto, não sucede o mesmo com a avó paterna: geralmente irrita muito as mamãs que a sogra tente aproximar-se do bebé.

E o papá, além de suportar a sua própria exclusão, é o receptor das frequentes queixas por parte da sua esposa, pelas intromissões da sua mãe ("Diz à tua mãe que não se meta tanto", "Diz-lhe que não venha tantas vezes seguidas cá a casa", etc.). Como para a radiante mamã o papá em alguns casos, pode ser o terceiro, como qualquer outro, ele pode entender e colocar-se mais facilmente no lugar da sua própria mãe, a sogra, e compreender que seja lógico que esta queira ter o seu netinho nos braços.

Neste contexto, produzem-se importantes rivalidades que podem manifestar-se em forma de discussão: "Porque é que a tua mãe te pode acompanhar ao pediatra, e a minha não?", "Porque é que a tua mãe o pode ter ao colo a tarde inteira, e a minha não?". Obviamente, embora não seja enunciada, a resposta é "Porque é a minha mãe".

Meu e só meu

É certo que na grande maioria dos casos a mamã não pode sentir pelo recém-nascido aquele amor que imaginou que a invadiria desde o momento em que o tivesse nos braços. No entanto, embora não sinta vontade de levantá-lo, mimá-lo ou tê-lo perto de si, tão pouco permitirá que outros o façam.

De todas as maneiras, à medida que passam as horas ou os dias, o vínculo entre a mamã e o seu bebé vai-se fortalecendo, e de "não sentir nada" passará a ter uma verdadeira "paixão". Às vezes o click produz-se muito mais rápido, como por exemplo, quando o menino lhe oferece um sorriso e faz com que ela se enamore no momento. A partir desse momento já não haverá nada que os consiga separar...

in http://familia.sapo.pt

Amamentação a La Carte


Amamentação em intervalos pré-determinados é um mito.
Houve um tempo em que se pensava que os bebés deveriam mamar a cada 3 horas, ou a cada 4 horas e por exatamente 10 minutos de cada lado! Já se perguntou o porquê de 10 minutos e não 9 ou 11?

Claro, os adultos nunca comem por "10 minutos em cada prato a cada 4 horas". Quanto tempo levamos a terminar um prato? Isso depende do quão rápido comemos. O mesmo se passa com os bebés. Se eles mamam rápido, podem gastar menos do que 10 minutos, mas se mamam devagar, podem gastar bem mais.

O adultos comem em horários pré-determinados somente porque as obrigações de trabalho forçam-nos a organizar refeições desta forma. Normalmente, nos dias de folga, a rotina usual é alterada sem qualquer dano para a saúde. Contudo, ainda existem pessoas que acreditam que os bebés precisam de ser habituados a mamadas de horário fixo e fazem referências vagas à disciplina ou boa digestão.

Para um adulto, a comida pode esperar. O nosso metabolismo permite que esperemos por uma refeição e a comida é exatamente a mesma agora ou daqui a uma hora. Mas o seu bebé não pode esperar. A sua fome é urgente e a comida dele muda se a refeição se atrasa. O leite humano não é um alimento morto, mas uma matéria viva em constante processo de mudança. A quantidade de gordura no leite aumenta à medida em que a amamentação progride. O leite do início da mamada tem um baixo conteúdo gorduroso e o leite do final é altamente rico em gordura; chegando a ser 5 vezes mais gordo.

A média de gordura em qualquer mamada depende de quatro fatores:
1. Intervalo da mamada anterior (quanto maior o intevalo, menor a quantidade de gordura);
2. Concentração de gordura no final da mamada anterior;
3. Quantidade de leite ingerido na última mamada;
4. Quantidade de leite ingerido nesta mamada.

Quando a criança mama dos dois seios, ela raramente esvazia o segundo. Para simplificar, basta dizer que ela toma 2/3 de leite desnatado e 1/3 de natas frescas. Contudo, a criança que mama somente um seio por mamada toma ½ de leite desnatado e ½ de natas frescas.
Se ela bebe um leite menos gordo (menos calórico) pode aceitar grandes volumes e consumir mais proteínas.
Então o bebé que mama 50 ml de cada seio não mama o mesmo que um que toma 100 ml de um seio só; e a dieta do bebé que toma 80 ml a cada 2 horas é totalmente diferente da dieta do bebé que toma 160 ml a cada 4 horas.

Os fatores que controlam a composição do leite ainda estão a ser estudados e não se sabe muita coisa. Por exemplo, sabe-se que um dos seios geralmente produz mais leite, com maior concentração de proteínas que o outro. Talvez seja só coincidência ou talvez o seu filho decida isso, dando preferência a um seio em relação ao outro, escolhendo uma refeição com mais ou com menos calorias.

E você pensou que seu bebé mamava sempre o mesmo leite? Você pensava que era entediante passar meses e meses a beber somente leite? Isso não é verdade com o leite materno. O seu bebé tem à disposição um vasto cardápio para poder escolher, desde sopa leve a uma sobremesa bem cremosa.
Uma vez que o seio não fala (nem pode entender o bebé) este faz seu pedido de 3 formas:

1. Pela quantidade de leite que ingere em cada mamada (mamando por um longo ou curto período de tempo e com mais ou menos intensidade) ;
2. Pelo intervalo entre uma mamada e outra;
3. Mamando só de um ou dos dois seios.

O que seu bebé faz quando mama para obter exatamente o que ele precisa de um dia para o outro é uma obra de engenharia.
O bebé tem total e perfeito controle da sua dieta, desde que ele possa mudar as variáveis de acordo com seu desejo. É isso que a livre demanda significa: deixar o bebé decidir quando quer mamar, por quanto tempo e quer mamar num ou nos dois seios.

Quando o bebé não tem o direito de controlar um dos mecanismos, na maioria das vezes ele tenta mudar uma ou outra variável.
Numa experiência, alguns bebés foram colocados a mamar somente num seio por mamada, durante uma semana e nos dois seios na semana seguinte (a ordem foi variável). Em teoria, os bebés teriam ingerido muito mais gordura nos dias em que mamaram somente de um lado do que quando mamaram nos dois seios. Contudo, estes bebés espontaneamente modificaram a frequência e a duração das mamadas e foram capazes de ingerir quantidades similares de gordura (mas volumes diferentes de leite).

Se o bebé não tem a hipótese de modificar a frequência ou duração das mamadas e não tem a oportunidade de decidir se quer mamar de um lado ou dos dois, ele fica perdido. Ele não consegue beber a quantidade de leite de que precisa, mas acaba tomando o que lhe é oferecido. Se a sua dieta está muito longe das necessidades reais do bebé, ele terá problemas em ganhar peso apropriadamente ou passará o dia faminto e irritado. É por isso que a amamentação em horários pré-estabelecidos raramente funciona e quanto mais rígido for o esquema, mais catastrófico é o resultado. Os bebés precisam de mamar irregularmente, somente assim eles garantem uma dieta equilibrada.

Desde o primeiro dia, embora pareça que ela está tomando apenas leite, a criança está a fazer escolhas na sua dieta a partir de uma gama de opções e ela escolhe sempre de forma sabia, tanto na qualidade, quanto na quantidade.

Do livro “My Child Won't Eat”, ou em espanhol “Mi Niño no me Come” do pediatra Carlos González.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O dia-a-dia de algumas mães-trabalhadoras

Espreitem aqui o dia-a-dia das funcionárias da Mothering Magazine, uma revista norte-americana sobre maternidade e educação natural.

Só é pena não vermos cenas destas mais vezes...

Posições Verticais para o Parto

ilustração de parto kiowa (índios nativos americanos)

Hoje em dia são muitas mulheres que se questionam sobre a melhor posição para dar à luz.
Apesar de, nas aulas de preparação para o parto, se falar nas várias posições para o trabalho de parto e parto, nos hospitais, em imagens e filmes é ainda muito comum ver as mulheres a parir deitadas numa cama e com as pernas presas em estribos.

Como a arte nos tem demonstrado ao longo da história, as mulheres através das culturas usavam posições verticais e/ou posições neutras para serem favorecidas pela força da gravidade (por exemplo deitada de lado, de gatas) para dar à luz os seus bebés.
Até à descoberta dos forcéps no séc. XVII, raramente se mostrava mulheres a darem à luz numa posição supina (deitada de costas).
Normalmente as mulheres eram cuidadas e atendidas durante o parto por "mulheres sábias" da sua comunidade, que as encorajavam a deixarem-se guiar pela sua sabedoria interior e pelo apoio daqueles que as rodeavam.
As mulheres usavam diferentes objectos, tais como colunas, árvores e cordas para melhor realizarem força durante o período expulsivo.
Utilizavam também outro tipo de apoios, feitos de madeira, tijolo e pedra que facilitavam determinadas posições, como de cócoras ou de gatas.

ilustração japonesa de 1930

O uso de várias posições durante a segunda fase do trabalho de parto (período expulsivo) permitirá que responda às mudanças de posição do seu bebé durante a descida, rotação e extensão no esforço de nascer.
As posições que escolher, com frequência aumentarão a sua comodidade e facilitarão o progredir do nascimento. Cada posição tem vantagens e desvantagens.

As posições verticais tais como estar de pé, cócoras ou de joelhos, aproveitam a força da gravidade para ajudar o bebé a descer.
Os raios-x têm demostrado que colocar-se de cócoras ou mesmo levemente agachada aumenta o diâmetro da pélvis, criando mais espaço para que o bebé desça. Todavia pode ser uma posição bastante cansativa.

ilustração de 1930 sobre o parto na Pérsia

Na maioria das culturas ocidentais as mulheres não estão habituadas a estar de cócoras por longos períodos de tempo, pelo que devem descansar numa posição semi sentada entre contracções.
Penny Simkin, autora reconhecida, doula e educadora perinatal amplamente respeitada, recomenda que as mulheres se ponham de cócoras com apoio, ou adoptem uma posição "suspensa", apoiando a parte superior do corpo por forma a poderem baloiçar a parte inferior, especialmente para mulheres com uma segunda fase prolongada.
O seu corpo "alarga-se" proporcionando mais espaço ao bebé. Por outro lado, não há pressão na pélvis, permitindo que se movimente livremente à medida que o bebé passa nessa zona.

As posições neutras para a força de gravidade como a de gatas, deitada de lado ou semisentada,
são menos cansativas e podem ser úteis para a mulher que está exausta. Uma posição encostada de lado pode ajudar a diminuir o ritmo de um parto que progride demasiado rápido.
Depois de o bebé entrar na zona da pélvis, ele rodará a sua cabeça para uma posição anterior (para a frente) ou para uma posição posterior (para trás).

É muito mais fácil para o bebé descer, e para a mulher mais confortável, se a cabeça do bebé estiver numa posição anterior. Bebés numa posição posterior podem causar as conhecidas "dores lombares de parto". A posição de "quatropatas" retira o peso do bebé da zona lombar e do cóccix da mulher e proporciona espaço para que o bebé rode para uma posição anterior.

De acordo com o "The Cochrane Pregnancy and Childbirth Group", uma fonte de informação reconhecida mundialmente, relativamente aos cuidados com base em evidências científicas, o uso de qualquer posição vertical ou deitada de lado, comparado com posições de supina ou litotomia está associada com os seguintes resultados:

- Redução da duração da segunda fase do trabalho
de parto

- Pequena redução na necessidade de intervenção
no parto

- Reduz os relatos de dores fortes

- Menor padrão de anomalia dos batimentos
cardíacos fetal

- Um ligeiro aumento nas
lacerações de 2º grau (somente no grupo de
posição vertical)

- Um aumento na perda de sangue estimada

Acrescenta-se ainda que, a posição de deitada de costas, pode causar redução de pressão sanguínea da mulher em trabalho de parto e reduzir o fluxo sanguíneo para o bebé, devido ao peso que o útero exerce sobre as principais veias que aportam o fluxo de sangue.
Na posição de litotomia, a mulher faz força contra a gravidade.

A associação "Women’s Health, Obstetric and Neonatal Nurses" (AWHONN) recomenda que todas as mulheres grávidas recebam informação sobre os benefícios das posições verticais na segunda fase do trabalho de parto. Recomenda também que as enfermeiras desencorajem as posições de supina e estimulem as posições de cócoras, semi-deitadas e de joelhos. A AWHONN recomenda também que a mulher não deve fazer força sem que ela sinta vontade de o fazer, e que, ao senti-lo o devem fazer de acordo com o que o seu corpo lhes vai dizendo.
Gritar, gemer, soprar, ou suster a respiração desde que por menos de 6 segundos enquanto a mulher faz força em respostas às contracções deverá ser incentivado pela enfermeira.

A Lamaze Internacional recomenda que escolha posições verticais ou semi-deitadas. Você e o seu
companheiro deverão ver e praticar várias posições para a segunda fase do trabalho de parto. Deverá perguntar que posição o profissional de saúde recomenda para o seu parto e que, caso exista, que restrições é que podem haver.
Durante o trabalho de parto deverá escutar o seu corpo e escolher a posição que lhe pareça mais confortável no momento, para si e para oseu bebé.

fonte:
http://www.lamaze.org

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Dia Mundial da Amamentação - 1 de Agosto


Quero deixar hoje uma homenagem a todas as mães que amamentam, às grávidas que desejam amamentar, aos pais e familiares que apoiam estas mulheres, aos profissionais de saúde, conselheiros e voluntários que as ajudam, apoiam e transmitem confiança e também às mães que gostariam de ter amamentado (mais) e não puderam por falta de apoio.

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