quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Exercício e Gravidez


Ao invés de simplesmente permitido, o exercício passou a ser encorajado durante a gravidez

A Society of Obstetricians and Gynecologists of Canada (SOGC) foi um pouco mais longe, ao sugerir que o sedentarismo durante a gravidez pode comportar certos riscos e, em conjunto com a Canadian Society for Exercise Physiology emitiu um documento (“Exercise in Pregnacy and the Postpartum Period”) que contem recomendações para o exercício durante a gravidez e o período pós – parto, nomeadamente:

1. Todas as mulheres grávidas sem contra-indicações deverão ser encorajadas a realizar exercício cardiovascular e de resistência muscular.

2. Os seus objectivos deverão ser manter um bom nível de condição física durante a gravidez, sem tentar atingir o pico de forma, nem treinar para uma competição.

3. Deverão escolher actividades com o menor risco de perda de equilíbrio ou de trauma para o feto.

4. Deverão ser esclarecidas que a prática de actividade física não aumenta os riscos que decorrem da gravidez.

5. Deverão ser avisadas que a realização de exercícios de fortalecimento dos músculos do soalho pélvico no período pós - parto pode reduzir o risco de incontinência urinária futura.

6. Deverão ser informadas que a actividade física de intensidade moderada durante a lactação não afecta negativamente o leite.

Outras organizações, como o American College of Obstetritrics and Gynecology (ACOG) e o American College of Sports Medicine também incentivam a prática de exercício durante a gravidez, devido aos benefícios que traz, designadamente:

- Incremento da capacidade aeróbia e muscular.

- Redução da incidência de dores de costas durante a gravidez.

- Aumento do bem-estar psicológico, podendo, assim, contrariar sentimentos de stress, ansiedade e/ou depressão, que ocorrem frequentemente durante a gravidez.

- Menor aumento de peso.

- Melhoria da digestão e redução da ocorrência de obstipação.

- Aumento dos níveis de energia.

- Estabelecimento de hábitos de vida saudáveis permanentes.

- Diminuição da dor e da duração do parto.

- Melhoria da capacidade de recuperação pós-parto e maior facilidade de retorno ao peso e níveis de força e de flexibilidade iniciais.

Fonte: http://mulher.sapo.pt/

domingo, 21 de setembro de 2008

Parto Consciente



Imagens muito bonitas que captam momentos de preparação para o nascimento, partos na água e os primeiros minutos de vida do bebé.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Carinho pode aliviar a dor, diz estudo

«Um toque carinhoso pode ajudar a aliviar a dor, ajudar crianças em seu desenvolvimento e auxiliar em tratamentos para depressão, segundo uma pesquisa apresentada nesta semana no Festival de Ciências da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, em Liverpool.


Segundo o neurocientista Francis McGlone, da Universidade de Liverpool, um sistema de fibras nervosas presentes na pele responde a toques carinhosos, do mesmo modo que os receptores de dor, e quando estimulado, pode, inclusive, diminuir a atividade nos nervos que transportam a sensação de dor.

O cientista e seus colegas das universidades de Uppsala e Gotemburgo, na Suécia, explicam que há três tipos principais de fibras nervosas na camada exterior da pele. Eles são divididos de acordo com a velocidade com que conduzem – como um fio – as atividades bioelétricas para o cérebro.

Dois desses tipos são chamados de fibras A, e são cobertos por uma camada de gordura (mielina) que atua como um isolamento em volta do fio e contribui para a alta velocidade de condução.

Mas o terceiro tipo, chamado de fibras C, não tem a camada de mielina e tem velocidade mais lenta. As fibras A são responsáveis pelo sinal quase instantâneo, que provoca uma reação por reflexo antes mesmo que o cérebro possa identificar o que houve.

As fibras C, da chamada “segunda dor”, são as que levam a sensação da dor mais profunda e duradoura ao cérebro.

Os cientistas descobriram que também há fibras do tipo C que respondem a estímulos de prazer. E quando elas são estimuladas, a atividade nas fibras condutoras de dor diminui.

Sensibilidade

Segundo a pesquisa, assim como com a dor, algumas partes do corpo são mais sensíveis ao toque do que outras, e a sensação de prazer proporcionada é diferente da obtida quando o carinho é aplicado a áreas sexuais.

Essas fibras levariam o sinal de prazer para a região do cérebro responsável por “recompensas”, e explicaria ainda por que as pessoas gostam de passar cremes, escovar os cabelos e até porque um abraço, ou mesmo a mão no ombro podem ser mais eficientes, no alívio da dor, do que palavras.

Para isolar os nervos responsáveis pelo prazer, os cientistas construíram um “estimulador de tato rotativo” – uma máquina de acariciar voluntários.

“Nós construímos um equipamento muito sofisticado, então, o estímulo (do tato) pode ser repetido bastante”, disse McGone.

“Nós acariciamos a pele (do antebraço, da canela e do rosto) com um pincel em diferentes velocidades e depois pedimos aos voluntários que dissessem o quanto gostaram de cada movimento.”

Ele também inseriu microeletrodos nos nervos da pele, para registrar os sinais nervosos enviados da pele para o cérebro.

Os cientistas concluíram que o carinho apontado como o mais prazeroso era também o que provocava maior resposta nervosa.

Nova dimensão

Os cientistas afirmam que as únicas regiões que não contam com essas fibras são as a palma da mão e a sola do pé, caso contrário, seria difícil o uso de ferramentas, ou mesmo uma caminhada.

A sensação de prazer acrescenta uma quarta dimensão aos sentidos clássicos atribuídos à pele, que incluem o toque, a sensação de temperatura (frio ou quente) e a dor/coceira.

A equipe agora quer estudar uma série de condições clínicas, como depressão e autismo, que sabidamente têm ligações com o tato – a maioria das crianças autistas não gosta de ser abraçada ou acariciada, e muitos pacientes de depressão demonstram sinais claros de falta de cuidado com o corpo.

Os cientistas acreditam até que a depressão possa ter origem em carência de cuidado maternal e experiências ainda na infância de falta de carinho físico e sugerem que o carinho pode ser usada para tratar dores crônicas. »

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Dar a volta ao medo

Medo da dor, medo do desconhecido, medo do hospital, medo da episiotomia, medo de ser mãe, medo da morte... A perspectiva do parto pode dar origem a muitos medos. Ficar presa a eles não é inevitável.


«As mulheres crescem a ouvir histórias terríveis sobre o parto», afirma Luísa Condeço, doula e co-fundadora da Associação Doulas de Portugal. «Às vezes, é para alguém exorcizar o seu próprio parto traumático, outras vezes é apenas porque sim, porque faz parte do ritual de passagem.»
Ofélia Moreira, fisioterapeuta com formação na Área da Saúde Materna, acompanha grávidas em sessões de preparação para o nascimento há 11 anos e confirma esta ideia: «As histórias dos partos que correm mal têm muito eco, passam de boca em boca durante muito tempo», afirma. «Um parto que corre bem, e felizmente é o que acontece na maior parte dos casos, não tem eco. Quando as grávidas começam a fazer a preparação para o parto, sente-se muito a importância dessas histórias que trazem consigo, onde se incluem, claro, as experiências de parto das suas mães», conta.
Neste contexto, caracterizado por alguns como de terrorismo psicológico, é frequente que o medo seja o sentimento dominante em relação ao nascimento de um filho.

O medo da dor
A dor é uma sensação muito subjectiva. E a maneira como a encaramos é decisiva no desenrolar do trabalho de parto. De um modo geral, as mulheres estão à espera da dor, pensam no parto como uma situação em primeiro lugar dolorosa. O terrorismo psicológico já referido faz da dor o principal ingrediente do parto. E quando aparecem as primeiras contracções, o cérebro interpreta-as logo como dor, mesmo que ainda dêem apenas um desconforto.
O trabalho das doulas passa muito pelo desmistificar de ideias feitas, com a ajuda de evidências científicas, e pela mentalização positiva. Em relação à dor, «explicamos que a melhor estratégia para enfrentar a dor é encará-la como uma aliada, sempre partindo do princípio que ela pode ou não existir. É óbvio que não podemos dizer que não vai doer, mas podemos ajudar a grávida a encará-la de uma forma positiva», conta Luísa Condeço. «Esta dor deve ser a única que não significa que alguma coisa está mal no nosso corpo. Pelo contrário, está dor significa que o nosso corpo está a fazer o seu trabalho. A dor tem uma função fisiológica, leva a mulher a descontrair-se entre as contracções, a libertar analgésicos naturais e conduz a um estado alterado de consciência. Isto não acontece se amulher estiver tensa desde o início. Se estiver preocupada em combater a dor, está a enfatizar essa dor. Se aceitarmos a dor, ela é relativizada e consegue-se descontrair, relaxar entre contracções, contribuindo para uma maior libertação de occitocina», explica Luísa. «Mostramos também que a natureza é sábia: deu-nos as contracções para nos ajudar, mas também nos deu os intervalos entre elas, para podermos descansar, respirar fundo. Temos de saber aproveitá-los».
Ofélia Moreira corrobora esta ideia, afirmando que há um ciclo vicioso entre três factores: medo-tensão-dor. «Quando há medo aumenta a tensão, que aumenta a dor. Na preparação para o parto, ajudamos a mulher a ter mais confiança e a não entrar neste cíclo. Se estiver descontraída, a dor fica mais controlada», explica. «De qualquer forma, penso que o medo da dor começa a não ser o principal medo das grávidas, a não ser que tenham ouvido histórias muito negativas. Com a epidural, penso que o medo da dor se torna secundário», acrescenta.

O medo do desconhecido
O medo do desconhecido é outro dos receios mais referidos pelas grávidas que vão ser mães pela primeira vez. E não é para menos, uma vez que é grande o desconhecimento em relação ao próprio corpo. A nossa sociedade afastou-nos tanto da natureza, que nos afastou do nosso próprio corpo. «Estamos muito longe do nosso lado mais biológico, mais animal», afirma Luísa. A ignorância das mulheres sobre o seu corpo não ajuda. Não aprendem a ouvir o seu corpo, não testemunham o nascimento de crianças próximas, só conhecem as histórias terríveis, de modo que o desconhecido faz nascer, muitas vezes, medos infundados», defende.
Por isso, a informação é importante. Informação objectiva sobre todo o processo, sobre o que se passa no corpo e sobre o que se passa no hospital. «As mulheres que procuram uma doula querem informação porque sentem que parir não pode ser só sofrimento», afirma Luísa.
Diogo Ayres de Campos, director do Serviço de Obstetrícia do Hospital de S. João, no Porto, concorda que o medo da dor e o medo do desconhecido são, hoje, os grandes temores das grávidas. Por isso, também defende que a preparação é essencial para atenuar o medo: «Já existe hoje, nos hospitais, uma preocupação com os aspectos psicológicos envolvidos no parto e, por isso, há programas de preparação no próprio hospital, que incluem uma visita guiada ao bloco de partos.»

O medo do hospital
Se por um lado o hospital oferece segurança à maior parte das mulheres, por outro pode ser um motivo de angústia, de receios. «Saber que se vai estar em trabalho de parto num ambiente sem privacidade, saber que se vai estar sujeita a procedimentos assutadores é seguramente um motivo para ter medo. Não acredito que haja uma mulher que não tenha medo de uma episiotomia. O medo do hospital pode também vir na sequência de um primeiro parto traumático», conta Luísa Condeço. «Cada vez mais, as mulheres sentem que têm o direito de fazer escolhas. E é isso que lhes mostramos», acrescenta.

Os medos escondidos
Para além de todos estes medos muito objectivos, há também medos que têm origem em processo psicológicos complexos, quase sempre inconscientes. Por exemplo, o medo da morte. O facto de a morte ser hoje muito pouco provável no momento do parto não afastou esse medo. «É uma situação de risco, uma situação limite. Mesmo quando se consegue um estado alterado de consciência, é frequente as mulheres dizerem ¿vou morrer¿», conta Luísa Condeço. Na sua opinião, «o facto de não lidarmos bem com a morte faz com que também não lidemos bem com o nascimento».
Mas há outros medos escondidos: a vergonha (que é o medo de perder a compostura); o medo da separação do bebé; a angústia de deixar de ser apenas filha para passar a ser também mãe. «O parto coloca-nos perante nós mesmas. Isso pode ser assustador. Mas podemos ficar com mais força, se deixarmos vir ao de cima o nosso lado mais primitivo», afirma Luísa Condeço.

O efeito do medo
É concensual que o medo e a expectativa que temos em relação ao parto condiciona a forma como este se desenrola. «Penso que o medo pode condicionar a progressão do trabalho de parto, sim, há algumas evidências nesse sentido. A explicação fisiológica é que o medo faz subir os níveis da adrenalina, o que faz diminuir os níveis da occitocina, a hormona responsável pelas contracções», explica Diogo Ayres de Campos.
Luísa Condeço reforça esta ideia: «O medo faz libertar adrenalina o que pode fazer parar a progressão do trabalho de parto. Isso gera mais ansiedade e mais medo na mãe e até na equipa médica. Temos de deixar de encarar o parto como um sofrimento do princípio ao fim.» E conclui: «Precisamos de redescobrir a nossa capacidade inata de parir.»

Para dar a volta ao medo, é bom ter sempre presentes alguns factos que, por vezes, parecem esquecidos:
- o corpo da mulher está preparado para parir e a natureza sabe o que faz
- o útero tem uma baixíssima sensibilidade à dor
- o colo do útero sim, tem sensibilidade à dor. Para ajudar a suportar a dor, o corpo segrega um analgésico natural, a betaendorfina. Se estiver descontraída, o seu organismo segregará maiores quantidades de betaendorfina.
- a vagina é um órgão elástico com um enorme poder de dilatação.
- quando se está preparada e se aceita o parto como um processo natural e quando se está apoiada por alguém que oferece confiança e segurança, a mulher tem mais probabilidade de ter um trabalho de parto mais rápido e com menos sensação de dor.

fonte: http://www.mae.iol.pt

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Na cama com os pais - São cada vez mais os especialistas que desmistificam os perigos do cosleeping


Polémica, muito polémica entre pediatras e psicólogos, a partilha do sono (cosleeping, na terminologia anglo-saxã) é uma prática cada vez mais comum nas famílias ocidentais. Estudos feitos nos EUA indicam que o número de adultos que dormem rotineiramente com os filhos naquele país aumentou mais do dobro entre 1993 e 2000. Em 2003, o Estudo Nacional sobre a Posição para Dormir na Infância, conduzido pelos Institutos Nacionais de Saúde, concluiu que, num período de duas semanas, 45 por cento das crianças mais pequenas passavam alguma parte da noite na cama dos pais.
O aumento crescente do número de adeptos do cosleeping levou mesmo a que especialistas cujo nome é sinónimo de credibilidade, como o médico Richard Ferber, guru norte-americano do sono pediátrico e outrora crítico frontal da partilha da cama entre pais e filhos, revissem as suas teorias. Em meados dos anos 80, Ferber publicou um livro, «How to solve your child's sleep problems», por muitos considerado uma bíblia, onde espelhou o pensamento dominante sobre o sono dos bebés: para que consigam ver-se como seres independentes, as crianças precisam de aprender a dormir sozinhas. Numa entrevista recente à Newsweek, por altura da reedição do livro, o médico, actual director do Centro das Perturbações Pediátricas do Sono do hospital pediátrico de Boston, afirmou que aquela é uma frase que gostaria de nunca ter escrito: «Era a ideia que dominava na altura, não era sequer a minha experiência nem a minha filosofia.» As coisas mudam e Ferber defende agora que, «desde que resulte», cada família sabe o que é melhor para si em termos de rotinas de sono. Se a escolha recair sobre o cosleeping, muito bem, senão, muito bem na mesma.

«As regras não servem para todos»
Pôr um bebé a dormir com os pais é ou não um erro do ponto de vista educacional?
De todo, diz Pedro Caldeira da Silva, pedopsiquiatra do Hospital Dona Estefânia. Pode até ser a solução para alguns problemas. O médico dá o exemplo dos bebés irritáveis ou difíceis de acalmar. Dormir com os pais é, por vezes, o caminho para a tranquilidade. Esse é, aliás, um dos conselhos terapêuticos que frequentemente dá quando lhe surgem casos desses.
O medo de que os bebés se tornem «mimados» ou cheios de vícios por dormirem com os pais é infundado, esclarece Pedro Caldeira da Silva. «Dormir em família pode ajudar a regular o sono. Os bebés tornam-se mais calmos e os pais mais tranquilos.» Cada bebé é um bebé, diz Pedro Caldeira da Silva, e há bebés que «para se sentirem bem, precisam de dormir com os pais.» Outros não. É por isso que o médico raramente dá conselhos sobre o sono das crianças. «O que eu digo aos pais é: conheça o seu bebé.» Tal como os adultos, «as crianças têm necessidades individuais e características diferentes. Nenhuma regra serve para todas.»
Desaconselhar (ou aconselhar!), genericamente, o cosleeping é, por isso, simplista. «Os especialistas metem-se muito onde não são chamados, inclusive na cama dos pais. Há muitas maneiras de adormecer um bebé.»

Em nome de uma amamentação de sucesso
A médica de família Celina Pires, impulsionadora de um programa para a promoção do aleitamento materno no Centro de Saúde de Belmonte, onde trabalha, partilha da mesma ideologia: «Não dou receitas, cabe a cada família decidir como quer dormir.» Celina Pires conhece bem o fenómeno do cosleeping. A taxa de amamentação das utentes do CS Belmonte é elevada. Para facilitar o processo, muitas mulheres decidem dormir junto dos seus bebés. «É mais fácil conciliarem os despertares nocturnos», explica a médica, autora também do primeiro site português sobre amamentação (www.leitematerno.org). Com os sonhos em sintonia, mãe e bebé entendem-se quase sem dar por isso e a amamentação decorre sem que ambos estejam completamente despertos.
«As mães que partilham a cama com os seus bebés têm tendência para dar de mamar durante mais tempo: as crianças mamam mais frequentemente e, assim, estimulam a produção de leite das mães», explica Celina Pires.
Dormir em família em nome da amamentação e do repouso, portanto. «Estudos sobre o sono demonstram que as mães que partilham a cama com os seus bebés têm um sono mais longo e mais reparador», esclarece Celina Pires. Por seu lado, «os bebés que dormem com as mães têm menos episódios de apneia: devido à proximidade, é mais fácil detectar quando alguma coisa não está bem.»
A atitude negativa da sociedade em geral e dos profissionais em particular sobre o cosleeping não tem fundamento científico, explica Celina Pires, acrescentando: «É um desejo legítimo querer dormir com os filhos e, excluindo situações de potencial risco para a morte súbita, não há razão nenhuma para que não se possa fazê-lo.»

O receio da morte súbita
Ainda assim, autoridades científicas como a Academia Americana de Pediatria (AAP) desaconselham a partilha da cama entre pais e filhos. A posição tem mesmo endurecido ao longo dos últimos anos, sobretudo desde que, em 1999 a Comissão de Protecção dos Consumidores nos EUA emitiu um comunicado a alertar para o risco de sufocação dos bebés quando estes dormem com os pais. A Comissão justificava a medida com os resultados de estudos que haviam estabelecido um risco maior de morte súbita quando os bebés dormem com os pais na mesma cama. Celina Pires questiona esta relação: «Esse risco é importante quando alguns dos adultos que dorme com o bebé é fumador. No entanto, quando nenhum dos pais fuma e o bebé tem mais de oito semanas, o risco é insignificante.»
Que dizer, então, dos estudos nos quais a AAP se baseia para desaconselhar o cosleeping? «Nem todos os estudos avaliaram o consumo de álcool ou drogas por parte dos adultos, assim como não fizeram a distinção entre dormir em ambientes seguros ou inseguros, como os sofás, que já está demonstrado serem um factor de risco para a morte súbita», explica Celina Pires. Além disso, as investigações que existem «demonstram a associação entre duas variáveis [dormir com os pais e morte súbita do bebé], mas não podem definir um nexo de causalidade.»
Isto mesmo defende um dos investigadores norte-americanos com mais créditos na área do cosleeping, James McKenna, professor na Universidade de Notre Dame e director do Laboratório Comportamental do Sono Mãe-Bebé da mesma instituição. Dormir na cama dos pais não pode ser considerado, por si só, um risco, diz McKenna. É preciso ter em conta os contextos individuais. O investigador critica o discurso negativo instituído sobre o cosleeping: «Dormir em família pode ser uma decisão responsável, reflexo da forma como os pais querem alimentar os seus bebés e maximizar o seu bem-estar», escreveu numa revisão recente sobre o assunto.

A segurança acima de tudo
- Fumar aumenta o risco de morte súbita. Se é fumadora, deverá tomar medidas para não adormecer com o bebé no seu leito, mesmo que nunca fume na cama.
- Nunca dormir com um bebé num sofá ou num cadeirão.
- Nunca durma com o seu bebé na mesma cama se ingeriu bebidas alcoólicas, consumiu qualquer tipo de droga, se tem alguma doença que possa alterar o seu estado de alerta ou se está particularmente cansada.
- Poderá ser mais seguro não partilhar a cama com um bebé prematuro, de baixo peso ou com temperatura elevada.

Leituras aconselhadas
«Bésame Mucho», Carlos González (Pergaminho)
«No coração das emoções das crianças», Isabelle Filliozat (Pergaminho)
«The baby sleep book: the complete guide to a good night's rest for the whole family», William Sears (Sears Parenting Library)
«Soluções para noites sem choro», Elizabeth Pantley (M.Books)

fonte: http://www.mae.iol.pt

sábado, 6 de setembro de 2008

Vantagens das Posições Verticais no Trabalho de Parto e Parto


  • A óbvia ajuda da gravidade, que facilita o encaixe progressivo do bebé no canal de parto
  • Há uma melhor circulação placentária já que deitar-se de costas facilita a compressão dos grandes vasos abdominais contra a coluna vertebral (aorta descendente e veia cava inferior). As consequências da compressão destes vasos são uma menor oxigenação para o bebé, provocando sofrimento fetal e uma menor oxigenação para a mãe, provocando hipotensão.
  • Durante a gravidez, todas as mudanças hormonais facilitam a flexibilidade das articulações e dos ligamentos. Na posição vertical, as articulações ficam livres para se expandir, mover e ajustar à forma da cabeça do bebé durante as contracções. Quando a movimentação do sacro é possibilitada, o estreito interior pélvico pode ser ampliado em 30%!
  • A posição vertical facilita a dequitação expontânea da placenta.
  • Os tecidos perineais expandem-se livremente e os riscos de ruptura ou laceração são minimizados.

Pelos motivos acima descritos, encontramos normalmente nos partos verticalizados:
  • uma redução da duração da segunda fase do trabalho de parto (expulsão)
  • uma redução da necessidade de intervenções no parto
  • uma redução dos relatos de dores fortes (insuportáveis)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Atrasar corte do cordão umbilical traz benefícios à saúde do bebé


Esperar alguns minutos para cortar o cordão umbilical dos recém-nascidos traz benefícios à saúde dos bebés, revela um estudo conduzido por cientistas canadianos.

A pesquisa realizou testes em 1.912 bebés, dos quais 1.001 tiveram o cordão umbilical “clampado” dois minutos após o parto. Na amostra restante, o corte foi imediato.

No artigo publicado no “Journal of the American Medical Association” (JAMA), a líder da investigação, Eileen Hutton, professora da Hamilton University, EUA, disse que os benefícios da espera se traduziram em melhores níveis de ferro no sangue das crianças.

Como consequência, acrescentam os cientistas, as crianças que tiveram o corte adiado demonstraram menos tendência a desenvolver anemia entre os dois e os seis meses. O procedimento também diminuiu os riscos de icterícia, uma condição comum em recém-nascidos.

O corte imediato do cordão umbilical é uma prática comum nos países desenvolvidos. Mas, adianta o artigo, a espera de alguns minutos permite que um maior volume de sangue circule da mãe para o filho.

Como ressalva, os cientistas disseram ter verificado uma superprodução do número de células vermelhas no sangue – a chamada policitemia – mas afirmaram que "esta condição parece ser benigna".

fonte: http://www.mni.pt/

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Cesariana a pedido: sim ou não?

Por Ricardo Herbert Jones

Respondendo à pergunta se considero a cesariana a pedido uma opção válida e se eu realizaria uma: SIM, eu considero a opção pela cesariana como sendo legítima - e a desassistência também (mulheres que optam por ter seus filhos sozinhas, sem qualquer assistência médica).
Não sou capacitado a julgar uma mulher que pede por isso.

Mesmo assim reclamo para mim o direito de desaconselhar ambas. Se eu acredito ser aceitável que uma mulher diminua (ou aumente) os seios sem nenhuma indicação médica, porque deveria impedi-la de fazer uma cesariana? Impedir isso seria atuar no SEU desejo. Agir assim nada mais é do que tutelar a mulher.

Quanto a fazer uma cesariana a pedido, por princípio eu não faço. Encaminho a um colega, se isso for possível. Mas já fiz. E acho que ainda voltarei a fazer.

Fiz uma cesariana (a propósito - FIZ mesmo. Uso o verbo "fazer" quando se trata de cesarianas, e "assistir" quando se trata de parto) há alguns anos a uma paciente que me pediu para fazê-la, argumentando que não teria condições psicológicas para um parto normal. Eu havia atendido as suas duas cesarianas anteriores (paragem de progressão) e o seu segundo filho faleceu de uma SIDS (Sindrome de Morte Súbita do RN), evidentemente dramática, patética e inexplicável, com 6 meses de idade. Logo após esta morte traumática (ainda vou escrever um relato sobre a minha ida ao cemitério às 3 da madrugada para solicitar à mãe que soltasse seu bebé e que permitisse que fosse enterrado) ela engravidou novamente, mas nas vésperas do nascimento (que eu propus que fosse um VBAC2 - parto vaginal após cesariana) ela me pediu em pranto que fosse uma cesariana, pois que não suportaria o drama de imaginar o bebê sufocando na passagem vaginal. Eu ponderei, na época, que talvez fosse inviável tentar demovê-la desta ideia, diante do drama que havia recentemente passado. Assim, realizamos uma cesariana. Eu era o seu grande esteio, sua tábua de salvação. Eu era o referencial médico em sua vida. Eu estive ao seu lado durante o nascimento de seus filhos, e também no grande drama da morte de seu bebé. Como poderia dizer-lhe «Desculpe, não faço isso. Procure outro profissional. Não posso "sujar as mãos" fazendo tal coisa» (*). Isso até pode funcionar na teoria - abandonar uma paciente por sua dificuldade violenta em ultrapassar um trauma - mas na prática é impossível (pelo menos para um sujeito como eu).

(*)Obs: eu não estou falando em usar a frase acima como peça de retórica, para estimular a paciente a suportar mais um pouquinho. Falo de uma negativa REAL, de uma postura dura, que não abre espaço para a compreensão das dificuldades subjetivas de uma determinada mulher.

Minha trajetória relacionada com a cesariana mudou nos últimos anos, e hoje posso dizer que ela está muito mais suavizada. Há algumas semanas eu falei a uma conhecida activista da humanização que não conheço nenhum médico que defenda com tanta paixão o parto normal quanto eu (e isso não é um auto-elogio, é uma confissão), mas que isso não poderia me colocar numa posição de insensibilidade com relação à subjetividade e às dificuldades específicas de uma mulher.

Em alguns casos, uma cesariana pode ter benefícios psíquicos
O individualismo é uma das mais importantes conquistas da humanidade, já dizia o astronauta Roger, e abrir mão das conquistas do direito individual só produziu a barbárie e a desgraça. Valorizar o indivíduo, em detrimento de imposições e regras sociais, é uma conquista da civilização. Onde o individualismo foi solapado pelo Estado ocorreram os maiores genocídios e tragédias.

Um ponto fundamental na minha mudança na forma de ver as cesarianas foi uma conversa com Penny Simkin, em Seattle, a respeito do livro que ela acabara de escrever, o qual gentilmente me deu de presente.
O título da obra é «When Survivors Give Birth», que retrata a história de meninas abusadas sexualmente durante a infância e que, já na juventude, vêm a engravidar. Para muitas delas o parto representa reviverem estes traumas e abusos, que desta forma podem ser encarados como «distócia psíquica».

Neste contexto (a exemplo do trauma de minha paciente), podemos encarar uma cesariana como um possível benefício para além das questões físicas. Mesmo que a ideia de operar uma paciente plenamente apta fisicamente me cause repulsa, é importante que se extendam os conceitos de «aptidão», «higidez» e «capacidade», para que possam abarcar as questões emocionais, afetivas e sexuais.

Desta forma, a simplicidade das questões biomédicas (pressão, açúcar sanguíneo, tamanho do bebê, progressão da apresentação, etc...) ganha uma complexidade de caráter infinito ao ser acresentada da SUBJETIVIDADE inerente a um processo irreprodutível, único e pessoal. Neste contexto, uma cesariana pode, sim, aparecer como uma indicação JUSTA, mesmo que a justeza de tal proceder não possa transparecer nos valores presentes num banal CTG.

Não estou dizendo que essa forma de entender a dinâmica do nascimento, que inclui a questão da subjetividade, nos garante uma desculpa infalível para as indicações oportunistas. Entretanto, sem reconhecer as determinações de ordem afetiva, emocional e sexual estaremos reduzindo mulheres à sua biologia e/ou suas medidas corporais.
Mulheres são muito mais do que a soma total de tais valores.

A questão da cesariana é complexa demais, mas as tentativas de simplificação através de protocolos rígidos baseados em parâmetros biomédicos não vai oferecer todas as respostas de que necessitamos. Há que se avaliar DE VERDADE as questões subjetivas envolvidas em cada caso, e utilizar o conhecimento da ciência como ferramentas para um juízo adequado.

fonte: http://www.mae.iol.pt/

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