sábado, 1 de dezembro de 2007

Hospitais aderem a parto natural





Massagens nas costas e banhos em vez da epidural, liberdade de movimentos em vez de imobilização forçada na cama, escolha de posição, como cócoras, para dar à luz. Com menos tubos, máquinas e medicamentos, o parto pode ser diferente do que é hábito ver nas unidades hospitalares. Há pedidos de mulheres nesse sentido e abertura por parte dos responsáveis médicos. A humanização dos serviços de saúde públicos passa assim por dar maior liberdade de escolha à grávida quando se trata de dar à luz.

Menos intervenção dos médicos e maior opção à mulher grávida: um parto cada vez mais natural é um pedido crescente das mulheres. Os hospitais públicos portugueses estão cada vez mais sensíveis à tendência, também em sentido ascendente no mundo. Hospitais de S. João, no Porto, Garcia de Orta, em Almada, e Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, são três das instituições que já se puseram na linha da frente no que diz respeito à desmedicalização do parto. A medida vai ganhando adeptas. Na MAC, diz o seu director, Jorge Branco, "todas as semanas temos casos".

No Hospital S. João, por exemplo, os procedimentos de rotina para os partos de baixo risco estão a ser alterados. À entrada, explica a enfermeira-parteira Elisa Santos, a mulher não é imediatamente colocada a soro. Já não há rapagem dos pêlos públicos e, se quiser, a parturiente pode caminhar pelo corredor do bloco durante o trabalho de parto. A episiotomia - corte do períneo para facilitar a saída do bebé - já só é feita quando necessária e não por prevenção em todos os casos. A política hospitalar prima ainda pela redução dos toques vaginais (usados para avaliação do progresso do trabalho de parto) e há também uma adopção de protocolo que quer diminuir o número de cesarianas realizadas.

O parto natural passa a estar disponível, mas as suas variantes são sobretudo opções para as mulheres que o pedem. Ester Casal, do Garcia de Orta, explica que o hospital "mantém os protocolos clínicos que fazem parte da rotina, mas adapta-se ao pedido da grávida". Ou seja, o "parto natural tem que partir da sua própria iniciativa". Cada vez mais comum é a chegada de parturientes com planos de parto, em que elas escrevem o que querem fazer e em que circunstâncias. Uma postura perfeitamente natural, explica ainda a médica: "Com grávidas mais conscientes, todos temos a ganhar".

É claro que, ressalva ainda Ester Casal, "há determinadas condições do parto natural que têm de ser contextualizadas porque tanto recebemos grávidas de baixo risco como de alto risco e é preciso adequar os pedidos ao tipo de resposta que se pode dar a cada momento". E em qualquer dos casos, diz ainda, o que está em primeiro lugar, é a segurança tanto da mãe como do bebé. Uma política, diz também Jorge Branco, "que é fundamental", até porque Portugal conseguiu nas últimas décadas colocar-se nos lugares cimeiros dos resultados perinatais, nomeadamente na questão da mortalidade. Por isso é que, por exemplo, apesar de algumas mulheres pedirem para não ser utilizado o cardiotocográfico (uma máquina que monitoriza o bem estar fetal durante o trabalho de parto), na MAC "não deixamos de vigiar o estado dos bebés".

Jorge Branco concorda com os pedidos das mulheres para "desmedicalizar o parto sempre que possível". Desde o início de 2006, que a unidade conta com uma cadeira de parto que permite à mulher ter o bebé na posição que preferir. "Deixamos de administrar soro por rotina e permitimos a ingestão de líquidos. Diminuímos também o número de episiotomias em 20%", adianta ainda o director da maior maternidade do País. Também com a ajuda desta política, a taxa de cesarianas baixou de 32 para 29,6%".|

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