segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O momento do nascimento
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Olá!
Já coloquei uma nova sondagem, desta vez para assinalarem os temas que mais gostariam ver abordados aqui.
Por outro lado gostava muito que completassem essa informação, enviando comentários acerca dessas mesmas preferências ou questões que gostassem de ver respondidas.
Podem simplesmente deixar aqui um comentário ou enviar-me um e-mail para: aquihabebe@gmail.com
Boa semana!
Escolher o local do parto
A escolha do local do parto é um tema de especial importância para a grávida.Hoje em dia, em Portugal, a parturiente tem o direito a escolher a maternidade da rede pública onde deseja ter o seu bebé sem qualquer critério de obrigatoriedade como seja a zona de residência(1).
O casal pode ainda optar por um hospital ou clínica privados ou preferir a sua própria casa para dar à luz.
Não existe uma escolha correcta.
Os futuros pais deverão simplesmente optar pela hipótese que os faz sentir mais seguros e confiantes.
No entanto é possível assinalar algumas "vantagens" e "desvantagens" em cada opção, que a grávida/casal pesará na sua balança, o que eventualmente ajudará na tomada de decisão.
Vantagens:
- Alguns possuem iniciativas como a dos Hospitais Amigos dos bebés
- Alguns já possuem políticas instituídas para o parto humanizado
- Têm todos os recursos médicos disponíveis para emergências
- O serviço é gratuito
- O atendimento tende a ser "frio" e não individualizado
- A aceitação do plano de parto está sujeita à boa vontade da equipa médica de serviço ou mesmo às condições físicas do hospital
- Não há "garantia" de haver métodos de controlo da dor disponíveis, quer sejam farmacológicos ou não
- Apesar de prevista na lei, a presença do acompanhante nem sempre é possível (depende das condições do hospital) e raramente se permite a entrada a mais do que um acompanhante (ex. marido e doula)
Vantagens:
- No geral o atendimento é menos "frio" e mais individualizado
- Há um maior conforto e privacidade: muitos dos quartos são individuais e o pai pode ficar alojado em conjunto com a mãe e o bebé depois do parto
- Há possibilidade de negociar os procedimentos previamente com o médico que assitirá ao parto para que o plano de parto seja cumprido, sempre que possível
- Têm taxas mais elevadas de cesarianas e induções programadas
- Nem sempre têm os recursos médicos necessários em casos de emergência e por vezes a mãe ou o bebé podem ter que ser transferidos e até mesmo ficar em hospitais separados
Vantagens:
- O casal tem total liberdade no parto
- Há conforto e privacidade, a gravida está em sua casa, sente-se à vontade, pode escolher as posições que a façam sentir mais confortável. Por outro lado, só assistirá ao parto quem o casal decidir.
- Segundo a OMS, o parto domiciliar é tão seguro quanto o parto hospitalar para grávidas de baixo risco
- O casal fica por "conta própria" já que esta opção não está contemplada no Serviço Nacional de Saúde. Serão os futuros pais a ter que providenciar tudo o que será necessário para o parto, inclusivé a contratação de uma parteira para acompanhar a grávida
- Não há muitos profissionais que aceitem assistir a partos domiciliares
- Em caso de emergência, é necessário transportar rapidamente a mãe para o hospital
1-A consagração do direito de toda a mulher escolher livremente o local onde deseja ter os seus filhos em condições de melhor qualidade para a mãe e a criança.(...)
Decreto-lei nr 67, II série do Diário da República (despacho 7495/2006) de 04/04/2006
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Parto Humanizado
À medida que os países se foram desenvolvendo e o parto deixou de ser encarado como um evento natural para passar a ser um procedimento medicamente controlado, os nascimentos foram transferidos para os hospitais.
Ao mesmo tempo, grande parte da componente humana do parto foi simplesmente eliminada. A dor passou a ser aliviada farmacologicamente e as mulheres foram sendo deixadas sozinhas em trabalho de parto por longos períodos de tempo.
Os médicos passaram a ser os principais protagonistas do parto, sendo que muitos dos procedimentos foram tornados rotina tendo como principal objectivo facilitar o trabalho do médico.
O exemplo mais flagrante é a posição do parto. Actualmente sabemos que a posição supina (mulher deitada de costas com as pernas presas em estribos) apenas dificulta a fase da expulsão, além de causar mais sofrimento à mulher e uma oxigenção mais deficiente ao bebé. Continua a usar-se apenas porque o ângulo de visão para o médico é melhor.
Hoje em dia existe um movimento mundial que reclama o regresso dessa componente humana, tão importante para a satisfação e conforto da mulher no parto.
Como tal, muitos hospitais pelo mundo fora foram-se adaptando a esta demanda. Criaram-se salas de parto com um ambiente mais acolhedor, permitiu-se que os pais e as doulas estivessem presentes durante todo o trabalho de parto e parto, criaram-se condições para a aplicação de métodos não farmacológicos para o alívio da dor, respeitando ao mesmo tempo as recomendações da Organização Mundial de Saúde.
Este movimento, chamado de humanização do parto, não significa mais do que devolver o protagonismo à mulher nesse momento de crucial importância na vida de todos nós. Respeitar os seus desejos, as suas necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais, proporcionar-lhe conforto, privacidade e carinho. Encarar o parto como um evento fisiológico e não como um acto médico.
Humanizar passa ainda por proporcionar apoio à mulher, não só no parto mas também durante a gravidez e no pós-parto.
Em Portugal estamos ainda na fase emergente deste movimento. Existe um longo caminho a percorrer mas já contamos com muitas pessoas a lutar diariamente para que esta seja uma realidade possível para todas as mulheres.
Para saber mais sobre este tema:
http://www.humpar.org/
http://www.amigasdoparto.com.br
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Casas de Parto não nascem, parteiras espanholas à espreita

As casas de parto, um meio-termo entre o domicílio e o hospital, são uma opção para quem deseja um parto natural e, como em Portugal não existe alguma, já há parteiras espanholas interessadas em abrir a primeira
Fundador da Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras (APEO), Vítor Varela, que esteve em Novembro em Berlim - «onde existem cerca de oito casas de parto, todas ao pé de maternidades, para que, em caso de necessidade, a grávida seja deslocada de um local para o outro sem recurso a ambulâncias e sem que uma situação mais complicada chegue ao extremo» - lamenta que a realidade nacional seja «tão diferente».
«Em Portugal não existem casas de parto e a lei diz que o nascimento deve ocorrer em ambiente hospitalar», declarou, revelando que, todavia, «várias parteiras espanholas e algumas holandesas» já o sondaram sobre o assunto, tendo as espanholas perguntado mesmo «qual a viabilidade de montar uma no país».
Actualmente a trabalhar no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, Vítor Varela - que até 2005 assegurou a presidência da APEO e representa os países do Sul da Europa na Confederação Internacional de Parteiras - afirmou que, em Portugal, «a formação dos enfermeiros obstetras não é devidamente aproveitada».
«Aqui vivemos o modelo médico, em que não é reconhecida a qualificação e a responsabilidade dos enfermeiros obstetras, ou parteiros, apesar de estes serem abrangidos por uma directiva comunitária».
Segundo Vítor Varela, a directiva comunitária 2005/36/CE, de 7 de Setembro, aguarda transposição para o direito interno, existindo alguns pontos controversos para a comunidade médica no artigo 39º, relativo ao «exercício das actividades profissionais de parteira».
«Prescrever ou aconselhar os exames necessários ao diagnóstico mais precoce possível da gravidez de risco» (alínea c), «diagnosticar a gravidez, vigiar a gravidez normal e efectuar os exames necessários à vigilância da evolução da gravidez normal» (alínea b), «assistir a parturiente durante o trabalho de parto e vigiar o estado do feto in utero pelos meios clínicos e técnicos apropriados» (alínea e) são alguns dos tópicos problemáticas.
No artigo 39º também não são consensuais a alínea f, que autoriza os parteiros a «fazer o parto normal em caso de apresentação de cabeça, incluindo, se necessário, a episiotomia, e o parto em caso de apresentação pélvica, em situação de urgência» e a alínea g, que capacita estes esfermeiros para «detectar na mãe ou no filho sinais reveladores de anomalias que exijam a intervenção do médico e auxiliar este em caso de intervenção e tomar as medidas de urgência que se imponham na ausência do médico, designadamente a extracção manual da placenta, eventualmente seguida de revisão uterina manual».
«Sem que seja elaborado e reconhecido, após aprovação pela Ordem dos Enfermeiros, um Regulamento de Actividades que contemple todos os pontos da directiva, a autonomia das parteiras ou parteiros está sempre posta em causa», destacou Vítor Varela.
«Se uma mulher quiser ter um filho em casa, pode escolher uma parteira ou parteiro da sua confiança, mas este não tem protecção legal caso algo corra mal, pelo que muitos recusam fazê-lo independentemente de terem competência para isso», afirmou o ex-dirigente da APEO, acrescentando que «aqui mesmo ao lado, em Espanha, existe a associação Nascer em Casa, que tem uma a duas parteiras em todas as capitais de província».
Em contraste, «em Portugal, deixou de haver o verdadeiro cuidado pré-natal, aquele que mantém a futura mãe informada», criticou o enfermeiro, exemplificando que, «enquanto em Berlim as grávidas são analisadas caso a caso, no nosso país ainda há centros de saúde sem enfermeiras especializadas em saúde materna».
«A política de saúde tem de incluir estas pessoas, até porque a sua formação custa caro ao Estado português e depois não é aproveitada», sublinhou, concluindo que, neste caso, «perde a pessoa que se formou, perde a grávida, que podia desfrutar de outro acompanhamento, e perde o país».
Defensor de que «dar à mulher a hipótese de um parto natural é uma missão do serviço público», o enfermeiro tem investido nesta área e fez, com a sua equipa, um projecto em que apurou «que meios técnicos e humanos e que alterações estruturais seriam necessárias para fazer o trabalho de parto na água» no Hospital de São Bernardo.
Entregue em meados de 2006, a proposta «está em análise e ainda não estão reunidas as condições necessárias para a pôr em prática», segundo o gabinete de comunicação do Centro Hospitalar de Setúbal.
Entretanto, e enquanto em Setúbal o projecto tarda em arrancar, a 7 de Fevereiro o Porto vai acolher uma reunião da Confederação Internacional de Parteiras, que terá a presença de representantes de Espanha, Itália, França, Grécia, Malta, Chipre, Roménia e Líbano com vista à criação de uma norma de procedimentos a adoptar para a realização de partos naturais.
O encontro agendado para o Hotel Tuela, no Porto, tem lugar seis dias após a inauguração do novo bloco de partos do Hospital de São João, onde trabalha Elisa Clara Santos, enfermeira de saúde materna e obstétrica (ou parteira, como prefere ser designada) que é capaz de fazer horas-extra para acompanhar uma grávida que opte por dar à luz naturalmente.
«O grande inimigo do parto natural é o relógio, pois aqui não há Buscopan para amolecer o colo do útero, nem há oxitocina para acelerar as contracções, pelo que o nascimento demora o tempo que demorar», explicou Elisa Santos, assinalando que um parto natural se inicia por si próprio, sem indução, e decorre ao ritmo de cada mulher.
Para esta parteira «o parto natural é mais instintivo, mas é aconselhável a grávida ter um plano de parto - elaborado com o companheiro, a parteira ou a doula [mulher que apoia a grávida durante a gestação e o nascimento do bebé] - em que diga que posição prefere para dar à luz ou como deseja contrariar a dor».
Mestre em Bioética, com a tese A dor e o sofrimento no trabalho de parto defendida em 2005 na Universidade Católica de Braga, Elisa Santos, de 43 anos, assegura nunca ter ajudado nenhuma mulher a dar à luz em casa, mas esclarece que «não é por ser no hospital que um parto fica isento de riscos».
«No domicílio, o maior problema é a capacidade de reacção em caso de distocia, quando o bebé fica entalado pelos ombros no momento da expulsão, ou de hemorragia uterina pós-parto. No entanto, no hospital há um risco acrescido de infecções», referiu a enfermeira, que possui formação específica sobre os partos naturais e para quem «o ambiente do lar faz muita diferença a nível psicológico».
Simpatizante também dos partos na água, a enfermeira do Hospital de São João, no Porto, esclareceu que estes não são uma possibilidade em Portugal, «nem em hospitais nem em clínicas, nem no público nem no privado».
«A água é um método natural para relaxar e aliviar as dores e o que eu defendo é a hidroterapia, mas se a expulsão do bebé se der no meio aquático não é nenhuma tragédia», afirmou Elisa Clara Santos, acrescentando que, caso a mulher faça esta opção, «a sua entrada na água não deve ocorrer antes de ter quatro a cinco centímetros de dilatação».
O Hospital de São João não dispõe de uma banheira adequada ao parto na água, nem é favorável à sua concretização mas, e se uma grávida levar a piscina de casa?
«Bem, aqui a protagonista é a mulher... Por isso, se a grávida trouxer os meios e assinar um termo de responsabilidade em como está consciente do que a sua decisão implica, em princípio a instituição terá de aceder», ponderou Elisa Santos, cujo nome surge indicado na página de Internet http://partoaquatico.net, que faculta mais informações sobre os benefícios da água no parto.
Ainda a propósito dos partos naturais, a enfermeira de saúde materna contou guardar o sonho de abrir uma casa de parto em Portugal, em princípio no Porto e talvez até perto do Hospital de São João.
«Eu e umas colegas já pensamos nisso há algum tempo. Teríamos de estabelecer um protocolo com uma instituição hospitalar e, eventualmente, com os bombeiros, para organizar o transporte em casos de emergência», revelou, garantindo que «já há espaço, material e recursos humanos mas, como não há legislação, por enquanto fica apenas o desejo».
Jorge Branco, presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal, declarou que, «de momento, não existe legislação que permita» a criação de casas de parto no país, «nem a rede hospitalar portuguesa o prevê».
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Sondagem "Onde planeias ter o teu bebé?"
Os dados recebidos revelaram-nos que 71% dos inquiridos planeiam ter o seu bebé num hospital ou maternidade da rede pública.
22 % afirmaram escolher a saúde privada para dar à luz o seu filho, enquanto que 5% vão optar por um parto domiciliar.
Em breve abordaremos as diferenças, vantagens e desvantagens de cada uma destas escolhas.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Hospital de São João inaugura bloco para partos naturais

«O Hospital de São João, no Porto, disponibiliza às grávidas, a partir de sexta-feira, um bloco para partos naturais onde algumas «velhas práticas» foram abolidas e se dá tempo ao tempo para nascer.
Os partos induzidos, as anestesias, as tricotomias (rapagem dos pêlos púbicos) e os clisteres estão excluídos do novo bloco, pensado para as grávidas sem pressa, que ali vão poder recorrer à hidroterapia, à música e a exercícios de relaxamento para darem à luz tranquilamente.
Na nova estrutura, a grávida pode escolher a posição que lhe é mais conveniente para dar à luz e praticar exercícios com a bola e a corda de parto.
«A bola permite que a mulher se sente sobre ela e oscile, relaxando a zona pélvica, e a corda, suspensa num ponto alto da sala de partos, pode ser usada para fazer força», explicou Diogo Ayres de Campos, médico responsável pelo bloco de partos, à agência Lusa.
A episiotomia (corte do períneo, uma área muscular localizada entre a vagina e o ânus, para facilitar a expulsão do bebé) «só será realizada nos casos em que for realmente necessária», sublinhou ainda Diogo Campos, que se congratulou por a taxa desta intervenção no Hospital «ser actualmente de 54 por cento, quando era de 87 por cento há três anos».
«O soro, que costuma ser colocado à grávida assim que esta entra no hospital, também deixa de ser rotina, e a futura mãe vai poder circular num ambiente familiar, sem a presença de estranhos, além de ter à sua disposição chuveiro e banheira com hidromassagem», contou o clínico do Hospital de São João.
Mas apesar de a água ser um recurso para o relaxamento e o amenizar das dores da grávida, o médico do São João exclui a possibilidade de os partos ocorrerem no meio aquático.
«Como são conhecidos casos de complicações em bebés que nasceram neste meio, só faremos partos na água quando houver indicações de que são pelo menos tão seguros como os realizados em ambiente normal», declarou Diogo Ayres de Campos à Lusa, acrescentando que «o parto na água não é um parto natural».
«Parir na água não é um instinto ou uma tendência natural da mulher», sublinhou o responsável, segundo o qual «o trabalho de parto na água é pacífico, a expulsão do bebé é que é controversa».
A realização do parto fora do ambiente hospitalar também é encarada com renitência por Diogo Campos, segundo quem «em Portugal não existe uma estrutura montada para apoiar esse tipo de nascimento, ao contrário do que sucede em países como a Holanda», onde apenas as gravidezes de risco têm acompanhamento hospitalar.
Apesar de considerar que o país «não está preparado nem tem tradição de partos em casa», o médico reconhece que os enfermeiros obstetras (vulgo parteiros) «podem orientar os partos de baixo risco», devendo «dispor de mais autonomia», um aspecto que «está bem estipulado na lei europeia mas pouco claro na legislação nacional».
Diogo Ayres de Campos revelou-se ainda favorável à criação de casas ou centros de parto, uma vez que Portugal ainda não dispõe de nenhuma estrutura deste tipo.
Para o médico, os centros de parto representam «o equilíbrio ideal entre a casa e o hospital» e, «se são uma solução em muitos países europeus, não há razão para não resultarem em Portugal».»
Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/
