domingo, 27 de julho de 2008

Cesariana: indicações e riscos

Depois de ter recentemente indicado um vídeo onde se pode ver o desenrolar de uma cesariana, achei apropriado continuar este tema referindo quais os casos que realmente justificam avançar para uma cesariana.

Hoje em dia todos sabemos que há mulheres que simplesmente optam por uma cesariana porque têm medo do parto normal, porque querem planear o dia e a hora do nascimento dos seus filhos, ou simplesmente porque querem ser assistidas pelo médico X, que, como tem uma agenda tão preenchida, só consegue estar presente marcando uma cesariana.
Ora, com a banalização do acesso aos hospitais privados isto tem vindo a ser (cada vez mais) possível, o que levou a que fossem também levantadas questões éticas sobre este tema.

Aquilo que estas mulheres não sabem (porque, na maioria das vezes, os médicos não lhes dizem) é que uma cesariana acarreta sérios riscos, não só para a mulher, como para o seu bebé.
Num caso de perigo de vida, é óbvio que esses riscos serão claramente desvalorizados pois o interesse maior será salvaguardar as vidas envolvidas, mas para uma grávida de "baixo risco", valerá a pena colocar tanta coisa em jogo?

Deixo-vos com alguns factos para reflectirem:

- Em 2005, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), 34,7 por cento dos bebés em Portugal nasceram numa sala de operações.
Um número superior à media europeia, situada nos 27-28 por cento, e substancialmente mais elevado do que a taxa recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) 10 a 15 por cento.
As taxas relativas ao sector privado ultrapassam os 60%.

- A cesariana é uma operação considerada como sendo uma cirurgia de grande porte com contra-indicações comprovadas em estudos reconhecidos internacionalmente pela comunidade científica.

Indicações para Cesariana:
(onde optar pelo parto normal apresentaria sérios riscos de vida)
  • Prolapso do cordão umbilical (o cordão sai pela vagina antes do bebé e a cabeça faz pressão sobre ele, ao ponto de bloquear a passagem do sangue, pelo que o bebé deixa de receber oxigénio)
  • Descolamento da placenta durante o trabalho de parto (produz-se uma hemorragia intensa e o bebé pode deixar de receber oxigéneo se não se actuar com rapidez)
  • Placenta prévia total (quando a placenta está colocada na saída do útero, obstruíndo a passagem ao bebé; é frequente a mãe apresentar hemorragia, que será um sinal de alerta para diagnosticar o problema)
  • Mau posicionamento fetal (quando o bebé está posicionado de uma forma que se torna impossível a sua saída e já não consegue mudar de posição; por exemplo quando se inicia o parto e o bebé está transversal)
  • A mãe sofre de uma cardiopatia descompensada ou outra doença grave
  • Eclâmpsia
  • Herpes genital com lesão activa no final da gravidez
Indicações relativas para cesariana:
(aqui existem alguns riscos para o parto normal, no entanto deverão ser discutidas todas as hipóteses disponíveis)

  • Desproporção feto-pélvica (aqui a indicação é relativa pela dificuldade em diagnosticar esta situação; é muito raro mas pode ocorrer em mulheres que sofreram raquitismo na infância ou outro tipo de malformações. Pode ser confundido com outras situações, por exemplo, a posição para parir influência a passagem do bebé; já foi demonstrado que parir deitada de costas além de absurdo é perigoso pois dificulta a saída do bebé. De facto, de cócoras, a abertura da pélvis aumenta cerca de 30%).
  • Apresentação de nádegas (nos últimos anos a cesariana tem sido promovida nos casos em que o bebé se apresenta de nádegas, sobretudo num primeiro parto. Contudo, estudos médicos demosntram que o parto vaginal é viável quando existe apresentação de nádegas, com a cabeça fetal flexionada, peso fetal equilibrado e pélvis materna normal.
  • Tumores que obstruem a saída do bebé (podem ser miomas uterinos, convém esperar que o trabalho de parto se inicie para ver como evolui)
  • Perda de bem-estar fetal (o bebé, no decorrer do trabalho de parto, apresenta alterações nos batimentos cardíacos, que se mantêm e acentuam com o tempo e que podem revelar uma perda progressiva de capacidade de recuperação. Contudo, nalguns casos o mal-estar fetal deve-se ao uso inadequado de ocitocina ou ao facto de a mãe permanecer deitada)
Indicações não justificáveis
(quando os riscos da cesariana superam aqueles esperados num parto normal)

  • Cesariana anterior (já não se aconselha fazer uma cesariana só porque se fez uma anteriormente)
  • Gravidezes múltiplas (depende da maturidade fetal e da posição dos bebés. Na Holanda, por exemplo, só 14% dos gémeos nascem por cesariana)
  • Falta de dilatação ou parto prolongado (a "falta de dilatação" teoricamente não existe. O que acontece frequentemente é que o medo, a tensão, a solidão e a falta de privacidade fazem com que o corpo não colabore tão eficazmente no trabalho de parto. Se for dada oportunidade de privacidade e o apoio certo à mulher, a dilatação acabará por progredir. Entretanto, enquanto mãe e bebé estiverem bem, o parto não é considerado prolongado. Não existe um tempo pré definido para o trabalho de parto).
  • Chegar às 40 semanas de gestação (uma gravidez de termo, normal, pode ir das 37 às 42 semanas)
  • O bebé é muito grande (desde que a evolução do parto seja boa, o peso não é um factor significativo, além de que uma estimativa de peso por ecografia nem sempre é fiável)

Riscos da cesariana para a mãe:


  • Sendo uma cirurgia, obviamente acarreta os riscos associados a todas as outras operações como sejam os riscos relacionados com a anestesia e maior risco de infecções.
  • pós-parto mais doloroso
  • não conseguir cuidar do bebé no pós-parto imediato
  • risco de morte materna 5 a 7 vezes superior, comparando com um parto normal
  • risco de hemorragia séria 6 a 8 vezes superior
  • maior tempo de internamento hospitalar
  • risco de complicações com a cicatrização (por exemplo, hérnias ou quelóides)
  • experiência de parto sentida como negativa
  • a mãe não poderá ser acompanhada pelo marido durante o nascimento do bebé, não tem qualquer controlo sobre a situação nem pode ficar logo com o bebé
  • aumenta o risco de morte fetal em gravidezes subsequentes
  • aumenta o risco de infertilidade para futuras gravidezes
  • aumento do risco de problemas a nível de placenta (acreta, abrupta ou prévia) em gravidezes subsequentes
  • risco de ruptura uterina num futuro parto

Riscos da cesariana para o bebé:


7 comentários:

Carla disse...

Bom, até fiquei meio sem ar. Já sabia de uma grande parte das coisas que aqui colocaste, mas credo... Para uma pessoa que teve uma cesariana contra a sua vontade e a pensar em engravidar novamente (como eu) este teu post é aterrorizante... Enfim!!!

De qualquer forma gosto imenso deste teu blog. Acho que estás a fazer um trabalho fantástico.

Beijos

Ana - Ser Doula disse...

Olá Sofia realmente tens razão em td o k está no post. Eu tive o meu filhote de cesariana, ao fim de horas a tentar parto normal. Espero mm k o proximo (k espero k seja p breve:)) seja normal, mas é triste por a minha GO antiga e esta dizem k vai ter k ser outra cesariana. Mas isso e o k nós vamos ver, ehehe.

PRINCIPES DO MEU REINO ! disse...

Olá Sofia!!

Estive a ler com atenção o que escreveste.. eu tive que fazer cesariana.. não tinha outra hipótese. Sou sincera, estava apavorada com o facto de ter que ter os meus filhos por parto normal, imaginei que ia sofrer horrores, ter gémeos por parto normal. A certa altura o meu Obs. disse-me que fazia cesariana se eu quisesse.. não foi preciso querer.. o Afonso (1º gémeo e o que teria sempre que nascer 1º), sentou-se e já não saiu daquela posição. Tinha que ser cesariana pois havia grandes riscos para ele e para mim..
Eu fui uma das afortunadas, pois o pós-parto não custou nadinha, no dia a seguir já me sentava na cama com as pernas à chinês, o que deixou as outras companheiras de quarto (algumas que tinham feito cesariana) de boca aberta!
Sinceramente, não me importava de ter mais 5 filhos se o parto/pós-parto fosse assim, mas compreendo que a a cesariana seja a última opção.

Beijinho
Pat

Rituais Maternos disse...

Olá Sofia!

Gostaria muito de colocar a informação deste post no meu blog.

Importa-se que o faça? Obviamente farei referência ao seu blog.

Maria João

Rituais Maternos disse...

Olá Sofia!

É só para te dizer que este teu post não tem as fontes, por esse motivo não poderei referi-las no meu blog.

Vou colocar agora o post.
Obrigada mais uma vez.

Bjs
MJ

Anónimo disse...

Eu tambem tive cesariana e foi facil a recuperacao

Anónimo disse...

Eu to cm mt medo !!!eu estou de 21semanas e 4dias eu kero q seja norml... mas e bem provavel q seja Cesáreo pois neu bebe esta na posição transversal.....

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