quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Em posição de escolher

MOVIMENTO INTERNACIONAL NÃO DEIXE O SEU BEBÊ CHORANDO !


MOVIMENTO INTERNACIONAL NÃO DEIXE O SEU BEBÊ CHORANDO !

Homens e Mulheres, pesquisadores e profissionais de saúde que trabalhamos em distintos campos da vida e do conhecimento, mãe e pais preocupados com o mundo em que nossos filhos e filhas vão crescer, cremos que é muito necessário nos manifestarmos.

Concordamos que é frequente que os bebês de nossa sociedade ocidental chorem, porém não é certo que "seja normal". Os bebês choram sempre por algo que lhes produz mal estar: sono, medo, fome, frio, calor... além disso, da falta de contato físico com sua mãe ou outras pessoas do seu entorno afetivo.

O choro é o único mecanismo que os lactentes tem para nos comunicar sua sensação de mal estar, seja qual for a razão do mesmo; nas suas expectativas, no seu continuum filogenético não está previsto que este choro não seja atendido, pois não tem outro meio de avisar sobre o mal estar que sentem nem podem por si mesmos tomar as medidas resolve-lo.

O corpo do recém nascido está desenhado para ter o seio materno tanto quanto necessita, para sobreviver e para sentir-se bem: alimento, calor, apego; por esta razão não tem noção da espera, já que estando no lugar que lhe corresponde, tem a seu alcance tudo que necessita; o bebê criado no corpo a corpo com a mãe desconhece a sensação de necessidade, de fome, de frio, de solidão, e não chora nunca. Como afirma a norte-americana Jean Liedloff, na sua obra The Continuum Concept, o lugar do bebê não é no berço, na cama, e nem no bebê-conforto, senão no colo materno.

Isto é o melhor durante o primeiro ano de vida; e nos dois primeiros anos de forma quase exclusiva (por isto a antiga famosa "quarentena" das recém paridas). Depois, os colos de outros corpos de familiares podem ser substitutos por alguns momentos. O próprio desenvolvimento do bebê indica o fim do período simbiótico: quando se chega a determinados graus de desenvolvimento neuro-psico- motor e o bebê começa a sentar, depois a engatinhar e por fim a andar. Ou seja, pouco a pouco vai tornando-se autônomo e a desfazer este estado simbiótico.

A verdade é óbvia, simples e evidente.
O lactente toma o leite materno idôneo para seu sistema digestivo e além disso pode regular sua composição com a duração das mamadas, com a qual é criado no peito de sua mãe sem ter uma série de problemas infecciosos, alérgicos...

Quando chora e não se atende, chora com mais e mais desespero porque está sofrendo. Há psicólogos que asseguram que quando se deixa de atender o choro de um bebê depois de três minutos, algo profundo se quebra na integridade deles, assim como na confiança em seu entorno.

Os pais, ainda que sejam educados na crença de que "é normal que os bebês chorem" e que "há que deixá-los chorar para que se acostumem", e por isto estamos especialmente insensibilizados para que seu pranto não nos afecte, as vezes não somos capazes de tolera-lo. Como é natural, se estamos um pouco perto deles, sentimos seu desespero e o sentimos com nosso sofrimento. Revolvem nossas entranhas e não podemos consentir com a sua dor. Não estamos de todo deshumanizados. Por isto os métodos condutistas propõem ir pouco a pouco, para cada dia agüentar um pouquinho mais este sofrimento mútuo. Isto tem um nome comum, que é a "administração da tortura", pois é uma verdadeiro suplício que infligimos aos bebês quando fazemos isto, e também a nós mesmos, por mais que estas sejam normas de alguns pedagogos e pediatras.

Vários pesquisadores americanos e canadenses (biólogos, neurologistas, psiquiatras, etc.), na década de 90, realizaram diferentes investigações de grande importância em relação a etapa primal da vida humana; demonstraram que o contato pele a pele, do bebê com sua mãe e demais familiares mais chegados, produz moduladores químicos necessários para a formação de neurônios e do sistema imunológico; em fim, que a carência de afeto corporal transtorna o desenvolvimento normal das criaturas humanas. Por isto os bebês, quando os deixamos dormir sozinhos em seus berços, choram reclamando o que por sua natureza lhes pertence.

No Ocidente se criou nos últimos 50 anos uma cultura e uns hábitos, impulsionados pelas multinacionais, que elimina este corpo a corpo da mãe com a criança e deshumaniza o cuidado: ao substituir a pele pelo plástico e o leite materno por um leite artificial, se separa mais e mais a criatura de sua mãe. Inclusive se fabrica modelos de "walkyes talkys" (babás eletrônicas) especiais para escutar o bebê de habitações distantes das dos pais. O desenvolvimento industrial e tecnológico não se coloca a serviço das nossas crias, chegando a robotização das funções maternas a extremos inimagináveis.

Simultaneamente a esta "puericultura moderna", se medicaliza cada vez mais a maternidade; o que tenderia a ser uma etapa prazerosa de nossa vida sexual, se converte em uma penosa enfermidade. Entregues aos protocolos médicos, as mulheres adormecem a sensibilidade e o contato com seus corpos, e se perde uma parte de sua sexualidade: o prazer da gestação, do parto e da extero-gestaçã o – o colo e a amamentação. Paralelamente as mulheres decidiram pelo mundo do trabalho e profissional masculino, feito pelos homens e para os homens, e que portanto exclui a maternidade; por isto a maternidade na sociedade industrializada ficou encerrada no âmbito do doméstico e do privado. Contudo, durante milênios a mulher realizou suas tarefas e suas atividades com seus filhos pendurados a seus corpos, como todavia ocorre nas sociedades ainda não ocidentalizadas. A imagem da mulher com seus filhos deve voltar aos cenários públicos, aos locais de trabalho sob pena de comprometer o futuro do desenvolvimento humano.

A curto prazo parece que o modelo de criação robotizado não é daninho, que não é nada demais, que as crianças sobreviverão; porém pesquisadores como Dr. Michel Odent (1999 - .primal-health.org ), apoiando-se em diversos estudos epidemiológicos, tem demonstrado a relação direta entre diferentes aspectos desta robotização e doenças na idade adulta. Por outro lado, a violência crescente em todos os âmbitos tanto públicos como privados, como tem demonstrado a psicóloga suiço-alemã Alice Miller (1980) e do neurofisiólogo americano James W. Prescott (1975), por citar somente dois nomes, também procede do mal trato e da falta de prazer corporal na primeira etapa da vida humana. Também há estudos que demonstram a correlação entre a dependência às drogas e os transtornos mentais, com agressões e abandonos sofridos na etapa primal. Por isto os bebês choram quando sente falta do que lhes tiraram; eles sabem o que necessitam, o que lhes corresponderia neste momento de suas vidas.

Deveríamos sentir um profundo respeito e reconhecimento ao choro dos bebês, e pensar humildemente que não choram porque sim, ou muito menos, porque são "manhosos"... Elas e eles nos ensinam o que estamos fazendo de incorreto.

Também deveríamos reconhecer o que sentimos em nossas entranhas quando um bebê chora; porque podem confundir a mente, porém é mais difícil confundir a percepção visceral – nossos instintos. O local do bebê é o nosso colo: nesta questão, o bebê e nossos instintos estão de acordo, e ambos tem suas razões.

Não é certo que dormir com os nossos filhos ("co-lecho") seja um fator de risco para o fenômeno conhecido como Síndrome da Morte Súbita. Segundo The Foundation for the Study of Infant Deaths, a maioria dos falecimentos por "morte súbita" se produz quando os lactentes estão no seu berço. Estatisticamente, portanto, é mais seguro para o bebê dormir na cama com seus pais que dormirem sozinhos (Angel Alvarez – .primal.es).


Por tudo que expomos, queremos expressar nossa grande preocupação com a difusão do método proposto pelo neurólogo E. Estivill em seu livro Duérmete Niño ou na edição em português: NANA NENÊ (baseado por sua vez no método Ferber divulgado nos EUA), para fomentar e exercitar a tolerância dos pais ao choro de seus bebês; se trata de um condutismo especialmente radical e evidentemente nocivo, tendo em conta que o bebê está ainda em uma etapa de formação. Não é um método para tratar os transtornos do sono, como se apresenta, senão para submeter a vida humana em sua mais tenra idade. As gravíssimas conseqüências deste método, tem começado a aparecer.

Necessitamos de uma cultura e uma ciência para uma educação de nossos filhos que seja compatível com a natureza humana, porque não somos robôs, senão mamíferos que sentimos e sofremos quando nos falta o contato físico com aqueles que amamos. Para contribuir com este movimento, para que teu filho ou tua filha deixe de sofrer já, e se sentes mal quando escutas chorar o seu bebê, atenda-o, pegue-o em seus braços para entender o que ele está solicitando; possivelmente seja só isto o que ele queira e necessita, o contacto com o seu corpo. Não o negues.

Quando um recém nascido aprende em um berçario que é inútil gritar... Está sofrendo sua primeira experiência de submissão e abandono.
Michel Odent

Imagens de partos humanizados

Enxoval do bebé + lista maternidade

Quarto:

- cama de grades ou berço (Evite gastar muito dinheiro neste tipo de artigo, poderá avaliar a hipótese de dormir com o bebé nos primeiros tempos, o que facilitará a amamentação e ajudará a mãe a evitar o cansaço extremo. Actualmente existem berços preparados para adaptar à cama de casal, apesar de prácticos podem ser dispendiosos)

- colchão para a cama de grades ou berço

- Cómoda (arrumação)

- colchão muda fraldas (pode ser colocado em cima da cómoda, a uma altura a que os pais não tenham que esforçar as costas para realizar esta tarefa)

- 1 - 2 resguardos para o colchão

- 2 - 3 conjuntos de lençóis

- Cobertores ou mantas (evitar edredons antes dos 18 meses)

- Intercomunicadores (opcional)

- luz de presença (enquanto o bebé dormir no quarto dos pais, pode ser muito útil usar uma lâmpada de luz azul no candeeiro da mesa de cabeceira para usar quando o bebé acorda durante a noite)


Passeio:

- cadeirinha para transportar o bebé no carro (com ou sem carrinho de passeio, conforme opção)

- 1 marsupio, sling ou pano (ou outro porta-bebés)

- 1 mala/mochila para transportar as coisas do bebé

- 1 muda fraldas (para saídas)


Alimentação (para quem tenciona amamentar):

- Discos absorventes para o peito

- Roupa que facilite o acesso ao peito, incluíndo 2/3 soutiens de amamentação

- Pomada de Lanolina (creme para os mamilos, ex Purelan, Lasinoh) a usar apenas no caso dos mamilos gretarem ou ficarem muito doridos, após a aplicação do próprio leite

- Compressas térmicas para o peito (opcional)

- Bomba extractora de leite (opcional)

Alimentação (para quem não tenciona amamentar):

- 6/8 biberons com respectivas tetinas

- 1 pinça para pegar nos biberons esterlizados

- 1 escovilhão para lavar os biberons

- 1 esterlizador de biberons (opcional)

- 1 termo para líquidos

- caixa para transportar as doses de leite nas saídas

Roupa:

- 12 fraldas de pano

- 6 bodies

- 6 calças com pés (interiores)

- 8 babygrows

- meias

- gorros

- 6 babetes

- 2 mantas

- 2 ou 3 toalhas para o banho

- 4 casacos de malha

- 1 agasalho para sair à rua (depende da estação em que o bebé irá nascer)

- 2 conjuntos para sair

Sugestões: A roupa do bebé deve ser o mais simples possível nos primeiros tempos, para facilitar o vestir e o despir.
Os fatinhos inteiros (babygrows) especialmente aqueles que apertam à frente são muito práticos. Devem evitar-se as rendas, pelos e fitas e descoser todas as etiquetas da roupa interior que vai estar em contacto com a pele delicada do bebé. São de evitar igualmente as fibras sintéticas em contacto com a pele.

Farmácia e higiene:

- fraldas descartáveis ou fraldas de pano

- 1 tesoura para unhas

- banheira

- 1 termómetro para medir a temperatura corporal

- 1 termómetro para o ambiente e para a água do banho (opcional)

- toalhetes sem alcool (também pode usar água morna - sem detergentes - e algodão ou toalhitas de tecido macio)

- pomada para a muda das fraldas (não é necessário usar em todas as mudas; na vermelhidão do rabinho pode colocar-se leite materno)

- gel lavante recém nascido (neutro e sem perfumes)

- creme hidratante recém nascido (neutro e sem perfumes)

(pode ser um sabão e óleo vegetais, neutros e sem químicos; não é absolutamente necessário o uso do produtos de limpeza/hidratação em bebés recém-nascidos, o ideal será usar-se apenas água, sempre que possível)

- escova/pente para o cabelo

- algodão

- compressas para limpar o umbigo

- alcool a 70º

- soro fisiológico (unidoses: mais prático e higiénico)

- 2 chuchas (opcional - não recomendado caso pretenda amamentar)

- 1 porta chuchas (opcional)

- compressa de gel em forma de penso que se pode usar a frio para aliviar as dores no pós-parto (opcional)

- pensos higiénicos de grande absorção para o pós-parto


Lista Mamã (maternidade)*

- exames médicos + caderneta grávida

- elásticos p/ o cabelo

- 2 - 3 camisas de noite abertas à frente

- 1 roupão

- 1 chinelos quarto

- 1 chinelos p/ banho

- 2/3 soutiens de amamentação

- cuecas descartáveis

- 2 - 3 cuecas de algodão

- pensos higiénicos

- discos de amamentação

- lenços papel

- produtos de higiéne (champô, gel banho, escova de dentes, etc)

- um saco para colocar a roupa suja

- roupa p/ voltar p/ casa (pode ser o pai a levar no dia)


Para o Bebé (maternidade)

- 4 mudas de roupa, separadas em saquinhos (e identificadas com etiquetas: 1º dia, 2º dia... etc)

- 2 - 3 fraldas de tecido

- fraldas descartáveis (mesmo que pretenda usar fraldas de pano, aconselha-se o uso de fraldas descartáveis nos primeiros dias, até se dar a expulsão do mecónio)

- toalhetes

* Convém consultar também a lista da maternidade onde vai ter o bebé, pois alguns items podem variar consoante o local. A mala deve estar preparada a partir das 35 semanas.

Além desta lista recomendo que o casal prepare o seu pós-parto.

*Pense em quem são as pessoas a que pode pedir ajuda quando precisar (para preparar uma refeição, ajudar com as tarefas domésticas, etc). Mas muita atenção! Escolha alguém que não vá causar ainda mais stress. O que se pretende é uma ajuda discreta, que auxilie a mãe a descansar e lhe dê tempo para esta cuidar do bebé e não alguém que se ofereça para "gerir" o lar e o bebé no lugar dos pais.
*Talvez queiram preparar recursos para refeições pois nos primeiros dias não haverá muito tempo para isso. Uma boa ideia é ter a despensa recheada antes da data prevista para o parto. Algumas refeições preparadas no congelador e uns contactos de restaurantes "take away" e supermercados que façam entregas ao domicílio também podem ser uma boa solução.
*Pense na melhor forma de gerir as visitas. Talvez queiram avisar os amigos e parte da família que precisarão de alguns dias para se ambientarem antes de os receberem. Nas primeiras semanas a mãe precisa de todo o tempo para ela e para o bebé e não deve preocupar-se em "tomar conta" de visitas, preparar almoços ou lanches e fazer "sala".
*Tenha à mão alguns contactos que podem vir a ser úteis nas primeiras semanas, tais como Associações de Apoio à Amamentação, Linha de Apoio Pediátrica e Farmácias de Serviço

Alguns Contactos Úteis:

Saúde 24 - Ministério da Saúde (Serviço Orientação Pediatria)
T - 808 242 400
Farmácias de Serviço
T - 12118
http://www.anf.pt
SOS Amamentação
T – 213965650 (ver no site outros contactos telefónicos de voluntários SOS Amamentação)
http://www.sosamamentacao.org.pt
La Leche League, Portugal
http://www.llli.org/Portugal.html

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