
Poucos serão os bebés que só querem comer e dormir. Na vida fora da barriga há coisas muito mais interessantes para fazer. E ainda bem.
O bebé acabou de nascer. Espalha-se a notícia pelos familiares e amigos. Logo chegam as perguntas da praxe: peso, comprimento, cor do cabelo, e a seguir: «E é bonzinho?» Respondem os pais, orgulhosos: «Sim, uma maravilha, só come e dorme». Ou, caso contrário, os pais respondem, aflitos: «Nem por isso». Claro que é bom que os bebés comam e durmam, mas não é só isso que os bebés sabem fazer.
Espera-se que um recém-nascido durma entre 16 e 18 horas e que coma de três em três horas, mas há bebés que demoram mais a habituar-se às rotinas da vida fora do útero, onde não havia relógios e ninguém mandava em ninguém. Outros nunca se habituam. E isso não é propriamente mau. «O bebé não é um ser monótono, nem é preciso que seja muito sossegado".
Luísa Sotto-Mayor, professora na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, explica que é muito difícil os recém-nascidos seguirem os ritmos idealizados pelos pais, mesmo que o tenham feito dentro da barriga: «O recém-nascido precisa de referências. E a melhor referência é a mãe. Dentro da barriga, sentia-se contido, abraçado, envolvido pelo corpo da mãe, ouvia a sua voz, o bater do seu coração, sentia a sua respiração. Por isso, acalma-se quando se sente aconchegado, na posição fetal ou em contacto com a pele da mãe ou do pai, se este esteve bastante presente durante a gravidez».
Sozinho no berço, o bebé sente-se desamparado e é natural que reclame mais, que chore, que não consiga dormir. Ele quer é colo. Só assim se sentirá seguro.
«Façam o que sentem, façam o que acham que o bebé está a pedir», recomenda Luísa Sotto-Mayor aos pais. E façam-no sem vergonhas, nem complexos. «Muitas mães têm vontade de andar sempre com os bebés ao colo, mas não o fazem porque pensam que estão a habituá-los mal», afirma a enfermeira. Depois desesperam porque ele não pára de chorar no berço. Mas calor humano e aconchego é o que bebés mais precisam. «O bebé chora porque não sabe onde está, nem o que lhe está a acontecer. Ele pensa: mas que é isto? Onde é que eu estou? E a mãe é a melhor pessoa para apresentar o mundo ao bebé, para lhe explicar tudo isto».
Artigo Pais & Filhos, a ler na íntegra aqui.