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quarta-feira, 28 de março de 2012

Percepção VS Realidade

Actualmente, muitas vezes os casais jovens têm pouco contacto com famílias com crianças pequenas, antes de serem pais, e a realidade da maternidade por vezes é fantasiada pelo que os media nos transmitem...


Ter um bebé também significa deixar um pouco de caos entrar na nossa vida, tornarmo-nos mais tolerantes, mais flexíveis... dar mais sem esperar receber nada em troca... Não vem tudo em cor-de-rosa e azul bebé como nos vendem nas lojas de artigos de puericultura...

Estão preparados para esse desafio?


quinta-feira, 1 de março de 2012

Doar leite materno

Mães que amamentam, já pensaram em doar algum do vosso leite?
Já pensaram que há muitos bebés no nosso país que nunca tiveram acesso aos benefícios do leite materno?



Em Portugal já há duas formas de doar o seu leite:

Através do Banco de leite da Maternidade Alfredo da Costa 
(neste caso, o leite recolhido destina-se a bebés prematuros e/ou recém-nascidos mais debilitados)

Ou através de uma rede informal/solidária de partilha de leite que está a dar os primeiros passos em Portugal, a Human Milk 4 Human Babies (neste caso, poderão partilhar o vosso leite com mães da vossa zona, que tenham dificuldade ou estejam impossibilitadas de amamentar os seus bebés).

Esta rede de partilha está actualizada no Facebook, onde poderão ver a procura/oferta existente de leite materno.

Partilhe esta mensagem! Somos um povo tão solidário, porque não sê-lo também com o leite materno, que tanto bem faz aos nossos bebés...? Porque não doar leite materno à nossa prima, à nossa vizinha, à nossa colega...

Deixo-vos com uma história que me comeveu bastante, AQUI

sábado, 4 de junho de 2011

Dia 7 de Junho - Dia Mundial dos Direitos do Nascimento

No dia 7 de Junho (3ª feira) celebra-se o dia Mundial dos Direitos do Nascimento, como Campanha de Consciencialização sobre o impacto do Nascimento.

Conscientes desde há anos da influencia do nascimento nos seres humanos, queremos lançar uma chamada de atenção a todas as pessoas envolvidas no acolhimento aos bebés no momento em que nascem sobre a importância do vínculo extra-uterino.

Numerosas investigações, feitas nas últimas décadas, têm-nos vindo a alertar acerca das nefastas consequências para o bebé ao ser separado da sua mãe no momento do nascimento e como esse facto afecta a relação entre ambos e condiciona a sua socialização durante toda a vida.

Apesar de desde há decadas profissionais e associações de todo o mundo alertarem sobre as graves consequências que acarretam a separação precoce, na maioria dos hospitais e clínicas continuam a separar-se os bebés das mães de forma rotineira.

Não existem evidências ciêntificas para a necessidade de separar mãe e bebé nesse momento tão importante, que é o Nascimento.


Direitos do Nascimento
  • Primeiro: O bebé tem direito ao reconhecimento da sua capacidade física e emocional, na sua vida intra-uterina e extra-uterina, e especialmente durante a transição entre ambas.
  • Segundo: O bebé intra-uterino tem direito a que o bem estar emocional da sua mãe não seja alterado por excesso e abuso de controlo durante a gravidez(1) .
  • Terceiro: O bebé e a sua mãe têm direito a que se respeitem o momento, o ritmo, o ambiente e a companhia no parto/nascimento e que o mesmo decorra de forma fisiológica. Um bebé e uma mãe sãos têm direito a não ser tratados como doentes(2).
  • Quarto: O bebé e a sua mãe têm direito a intimidade e respeito antes, durante e depois do nascimento/parto (3).
  • Quinto: O bebé e a sua mãe têm direito a permanecer juntos nas horas e dias seguintes ao nascimento. Nenhuma observação ou estadia hospitalar justificam a separação de ambos (4).
  • Sexto: O bebé tem direito a disfrutar de aleitamento materno "a pedido", pelo menos, durante o primeiro ano. Que durante a sua estadia hospitalar se respeitem os "10 passos da Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés" estabelecidos pela Unicef e pela OMS.
  • Sétimo: O bebé tem o direito a ser acompanhado pessoalmente pela sua mãe, como mínimo, durante o primeiro ano. A mãe tem direito a desfrutar de contacto íntimo com o seu bebé sempre que necessário.
  • Oitavo: O bebé prematuro tem direito a permanecer junto ao corpo de sua mãe até adquirir peso e condições optimas de saúde. Nenhuma unidade de neonatologia é mais saudável para o bebé que a pele materna (6).
  • Nono: O bebé tem direito a permanecer junto ao corpo de sua mãe durante os primeiros meses de vida extra-uterina. O contacto corpo com corpo é vital para instaurar no bebé sugurança e confiança.
  • Décimo: O bebé tem direito a que sejam os seus pais, quem, pessoalmente, tomará as decisões e quem procure a informação relacionada com o seu bem estar (4).
  • Referências:
    (1) Michael Odent. Primal Health. El efecto nocebo del cuidado prenatal.
    www.birthpsychology.com/primalhealth
    (2) OMS, 1996. Cuidados en el parto normal: una guía práctica.
    www.elpartoesnuestro.es/components/com_docman/documents
    /Cuidados_parto_normal.pdf

    (3) Chalmers B, Mangiaterra V, Porter R, Principios de la OMS sobre cuidado perinatal. Birth 2001; 28: 202-207.
    holistika.net/articulo.php?articulo=52002.html
    (4) Derechos del niño hospitalizado.
    hospitalalassia.com/burocratica/Derechoninosinternado.htm
    (5) Iniciativa Hospital Amigo de los niños.
    www.ihan.org.es/10pasos.htm
    (6) Método madre canguro para reducir la morbimortalidad de neonatos. revisión Cochrane.
    www.update-software.com/abstractsES/AB002771-ES.htm
O dia 7 de Junho foi declarado pela Plataforma pro Derechos del Nacimiento e proposto à O.M.S. como "Dia Mundial dos Direitos do Nascimento".

Links:

Plataforma pro Derechos del Nacimiento

Que no os separen!

Documentário Restaurando el Paradigma Original de Nills Bergman

La hora Siguiente al Nacimiento, de Michel Odent



sábado, 23 de abril de 2011

A hora seguinte ao nascimento: Deixem a Mãe e o bebé em Paz!

A hora que se segue ao nascimento é, sem dúvida, uma das fases mais críticas na vida dos seres humanos.

O que está envolvido neste momento que torna este período tão crítico e delicado? Porque é tão importante que seja preservado e respeitado?

Eis alguns dos processos envolvidos:

- necessidade repentina de se adaptar à respiração por parte do recém-nascido

- efeitos das hormonas (dão-se tranformações importantes nesta fase que se for perturbada podem ser alteradas)

- vinculação entre mãe-bebé

- início da amamentação

- adaptação metabólica

- adaptação bacteriológica

- processo de termoregulação

- adaptação à gravidade

Conseguem imaginar tudo isto a acontecer tranquilamente enquanto levam o bebé para aspirar, pesar, analisar, vestir, etc...? Será que essa pressa de intervir se justifica em bebés e mães saudáveis? Ou será que afinal se perde demasiado...?

Podem ler mais informação aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

De casal a família


Quando nasce um bebé o relacionamento entre o casal altera-se. E normalmente este é mais um dos temas do qual não se fala muito...

Muitas vezes o par é apanhado de surpresa por toda a atenção que um bebé exige, e que deixa pouco ou nenhum tempo para a relação a dois.

A mãe, nos primeiros tempos, dedica-se exclusivamente ao bebé, a cuidá-lo, a amamentá-lo, o que só por si a deixa bastante cansada e menos disponível para namorar (até por questões hormonais). O papel do pai seria o de apoiar a mãe em tudo o que esta necessita, para que possa cuidar do bebé e descansar quando possível. O pai deveria compreender que isto é uma situação temporária e que nesse momento se deveria dar prioridade ao bebé. Mas será que todos aceitam dar sem esperar nada em troca...?

"O pai apoia a mãe para que esta possa criar o bebé; a mãe apoia o crescimento e desenvolvimento vital do filho; o filho recebe todo o amor que precisa para crescer em harmonia. E pronto...? Não, não é assim tão fácil. Porque não basta saber isto. É preciso compreendê-lo profundamente, integrá-lo, harmonizar esta informação com as nossas próprias necessidades, estarmos consciêntes das nossas carências, testar os nossos limites, enfrentarmos os nossos receios. Ser mãe ou pai implica uma revolução interior da qual há que saír fortalecido ou cheio de rancor e exaustão."

Continua aqui.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Disponibilidade Para Amamentar

Somos mamíferos- ainda que esquecemos- porque temos mamas. E todas as mamíferas foram designadas para amamentar suas cria. Portanto, todas somos capazes de nutrir ao bebê recém nascido com o leite que vem naturalmente do interior de nosso corpo. É verdade que o conceito “natural” está completamente manipulado pela cultura, por isso nos ater ao que é ou não “natural” costuma parecer-nos bastante complexo.

Então depositamos tantas fantasias no alimento, no que é bom ou não oferecer ao bebê, que o “dar de comer” se converteu em todo um problema para as mães modernas. Inclusive dar de mamar passou a ser algo difícil de conseguir, algo que há que superar, controlar e estudar ao pé da letra para ter sucesso. É estranho que em somente 50 anos da recente história é esquecemos a natureza, a simplicidade e o silêncio com que as mulheres sempre amamentaram aos nossos filhos desde que existe a humanidade.

A realidade é que a amamentação é fundamentalmente contato, conexão, braços, silêncio, intimidade, amor, doçura, repouso, permanência, sono, noite, solidão, fantasia, sensibilidade, olfato, corpo e intuição, ou seja, tudo é muito distante das receitas pediátricas e de todos os “deve ser” que pretendemos cumprir no papel de mães.

A amamentação falha quando a colocamos dentro dos parâmetros de “melhor alimento”. Quando calculamos, medimos, pesamos ou estamos atentas às quantidades e tempos em que o bebê tomou ou deixou de tomar. Não se trata de pensar no que come. Se trata de estar junto. É algo tão “natural” que esquecemos-o. Porque quase não mantemos relações afetivas de modo simples, sem projetos nem objetivos.

Para ser uma boa mãe, acreditamos que devemos dar ao bebê o melhor. E se o melhor não é quantificável, a amamentação falha. A questão vai além dos desejos ou ilusões sobre um bom alimento, somos um exército de mães que não podemos dar de mamar aos nossos filhos, somos mães a quem nos sangram os mamilos, nos ferem e o pior de tudo: o bebê volta a pedir como se não houvesse sido suficiente o que mamou uma hora antes. Temos a sensação de que as contas nunca dão bons resultados em matéria de amamentação. Não se pode viver assim!

Pensemos que nenhuma de nós cria seus próprios filhos de modo diferente de como vive a vida cotidiana. Se somos obsessivas e cuidadosas, assim seremos no vínculo com o bebê, se temos postas nossa identidade no sucesso profissional, assim seremos com o bebê. Se não podemos deixar de pensar, assim seremos com o bebê. Se temos milhões de interesses pessoais, assim seremos com o bebê. Se a autonomia e a liberdade pessoal são pilares da nossa identidade, assim seremos com o bebê. Se nos nutrimos das relações sociais, assim seremos com o bebê. Enfim, revisando a vida que construímos antes do nascimento do bebê, poderemos reconhecer facilmente que distância há entre nossa vida e a proposta para uma amamentação feliz. Não uma amamentação com sucesso, porque ao bebê não lhe importa o sucesso, o aumento de peso segundo as curvas estabelecidas ou as horas de sono. Falo de felicidade e do bem-estar do bebê. Falo do bebê conectado, que busca o olhar da mãe e sorri. Falo de bebê que não se conforma se não está no colo. Falo do bebê sereno na medida em que perceba um máximo de prazer.

Prazer e conforto, para um bebê recém nascido, é tudo o que se assemelhe ao útero onde morou por 9 meses. Ou seja, contato permanente, alimento permanente, movimento, calor, ritmo cardíaco, suor, odor e o doce timbre da voz de sua mãe. Se isto se sucede, o leite materno flui. Não há mais segredo que o repouso, a disponibilidade corporal, a intimidade e a disposição para ter o bebê “sempre coladinho” durante as 24 horas do dia.

Porém, a realidade cotidiana das mulheres é muito distinta. Acostumamos nos preparar para o parto, mas não para a maternidade. Ou, em todo caso, não nos preparamos para abandonar a autonomía que adquirimos com muito esforço e vontade.

Portanto, digamos com todas as letras: para dar de mamar temos que estar dispostas a perder toda a autonomia, liberdade e tempo para nós mesmas. É uma decisão. Na medida em que optemos por uma modalidade, perderemos vantagens na outra. Explicando de outra forma: se nos apegamos a nossa liberdade pessoal, possivelmente o bebê tenha que se conformar com outros alimentos, porque mãe e filho não encontrarão prazer nem relaxarão na amamentação. Ou, ao contrário, se decidimos dar prioridade a amamentação, perderemos liberdade e vida própria.

Ambas as situações, amamentação e liberdade, não são compatíveis. Ninguém pode determinar o que é que cada qual deve fazer. Mas sim é importante que saibamos o que ganhamos e o que perdemos frente a cada decisão.

Gutman, Laura. Livro: A revolucao das maes: o desafío de nutrir aos nossos filho, pg 99-101
Por Laura Gutman
Tradução: Sandra CP.

quinta-feira, 3 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

"Não quer dormir sozinho" por Laura Gutman

É claro que as crianças não querem dormir sozinhas! Não querem, nem devem. Os bebês que não estão em contato com o corpo de suas mães, experimentam um inóspito universo sombrio que os afasta do desejo de bem estar que traziam consigo desde o período em que viviam no ventre amoroso de suas mães. Os recém-nascidos não estão preparados para um salto no escuro: a um berço sem movimento, sem cheiro, sem som, sem sensação de vida.

Esta separação do corpo da mãe causa mais sofrimentos do que podemos imaginar e estabelece um contra-senso na relação mãe-filho. Não há nenhum problema em trazer as crianças para nossa cama. Todos estaremos felizes. Basta experimentar e constatar que a criança dorme sorrindo, que a noite é suave e que nada pode ser contraproducente quando há bem-estar. Lamentavelmente as jovens mães desconfiam da própria capacidade de compreender os pedidos dos filhos, que são inconfundivelmente claros. É socialmente aceita a idéia de que satisfazer as necessidades de um bebê o transforma em “mimado”, ainda que obtenhamos na maior parte das vezes o resultado oposto do esperado, já que na medida em que não dormimos com nossos filhos, nem os tocamos, nem os apertamos, eles nos reclamarão mais e mais.

Pensemos que o “tempo” para as crianças pequenas é um momento doloroso e comovente se a mãe não as acode, ao contrário das vivências intra-uterinas, onde toda a necessidade era atendida instantaneamente. Agora, a espera dói. Se as crianças precisam esperar muito tempo para encontrar conforto nos braços de sua mãe, se aferrarão com vigor aos seios, mordendo, ferindo-os ou chorando, assim que consigam este acesso. O medo será a principal companhia, pois saberão que a ausência da mãe voltará a qualquer momento a assombrá-los. As crianças tem o direito de exigir o contato físico, já que são totalmente dependentes dos cuidados maternos. Têm consciência de seu estado de fragilidade e fazem o que toda criança saudável deve fazer: exigir cuidados suficientes para sua sobrevivência. A noite é longa e escura, e nenhuma criança deveria passar por isso sozinha.

Até quando? Até que a criança não precise mais.

Laura Gutman

Publicado originalmente en la Newsletter de Marzo de 2011

http://www.lauragutman.com/newsletter/laura_gutman_mar11.html

Tradução livre de Bianca Balassiano Najm

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Reflexão sobre o comportamento infantil

Recentemente assisti a dois episódios que me entristeceram e fizeram pensar um pouco mais sobre este tema:

O primeiro passou-se numa reunião de pais no infantário do meu filho. Alguns pais queixaram-se de que os filhos (3 anos) não conseguiam concentrar-se. Uma mãe em particular relatava, preocupada, que a sua filha de 3 anos não conseguia estar sentada a desenhar e a pintar durante muito tempo. Fazia-o durante um bocado mas depois levantava-se e ía brincar... Foi conversa para uma boa parte da reunião e falou-se bastante em palavras como "problema", "dificuldade" e "não ser capaz".

O segundo episódio passou-se numa festa de aniversário para a qual o meu filho foi convidado. A festa passou-se numa espécie de parque infantil onde havia insufláveis, piscinas de bolas e circuitos para as crianças brincarem. Estava lá uma monitora que de vez em quando chamava as crianças para propor jogos.
A primeira vez que as chamou, as crianças estavam a brincar no parque há 30 minutos ou menos. A rapariga chamou-as e disse que tinham que vir todos sentar-se no chão, sossegados e em círculo. Aos poucos começaram a vir mas houve um menino que continuou a correr. A monitora continuou a chamá-lo... o menino (devia ter uns 6 ou 7 anos) aproximou-se do grupo mas não se quis sentar e continuou a saltitar... a monitora insistiu que ele tinha que se sentar sossegado como os outros meninos... mas o menino não se sentava...
A situação não durou mais do que uns 4 ou 5 minutos até a monitora perguntar aos pais, em voz alta, em frente a todas as crianças e a todos os outros pais "Ele tem algum problema?".

Porque é que hoje em dia temos tanta dificuldade em lidar com os comportamentos infantis?
Porque é que se valoriza tanto a "normalidade" e os padrões?




sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Breast is not the best, it's just NORMAL

Amamentar é normal e natural, não algo excepcional e especial que apenas algumas mães têm a "sorte" de conseguir!
As fórmulas artificiais são uma alimentação alternativa, que deve ser usada com ponderação, nos casos excepcionais em que é necessária pois comporta riscos para a saúde do bebé e da mãe.

Mais sobre os riscos do leite artificial aqui.



Se sente dificuldades a amamentar, ou se deixou de amamentar precocemente e gostaria de retomar, procure apoio!

A importância do vínculo entre mãe e filho

A presença da mãe é essencial para a criança nos primeiros anos de vida. E a ausência tanto dela como do pai na educação e na rotina diária pode trazer sérios prejuízos à personalidade do pequeno. Essa é a opinião do pediatra José Martins Filho, professor de pediatria da Unicamp e que atua como médico há mais de quatro décadas. Martins é autor do livro A Criança Terceirizada (editora Papirus), uma obra polêmica, na qual defende que a criança de hoje está sendo abandonada, e sua educação, delegada a terceiros, da avó à escola ou creche. E que isso independe da classe social. No momento, o pediatra está finalizando seu próximo livro, no qual deve continuar esse debate. A obra tem como título provisório A Difícil Arte de Educar no Século XXI.

José Martins Filho esteve, no final de novembro, no 3ª Conferência Internacional Sobre Humanização do Parto e Nascimento, que aconteceu em Brasília e teve o apoio do Ministério da Saúde. No evento, o pediatra participou de uma mesa-redonda sobre o vínculo entre mãe e filho.

Algumas das afirmações do pediatra durante a entrevista:

A trajetória das crianças na história da humanidade é semelhante em todas as partes do mundo. Eu falo no livro, inclusive, das crianças escravas, das indígenas e, principalmente, no momento atual, das faveladas e marginalizadas na rua. A criança, infelizmente, não tem produção econômica, embora seja o futuro da humanidade de qualquer país e os investimentos para cuidá-las são muito poucos. Se o que se gasta em guerras e na fabricação de armas pelo mundo fosse gasto em educação e cuidados com elas, seguramente teríamos uma perspectiva muito melhor para todas elas.

Ninguém escapa à falta de amor, incentivo, apoio, afeto, seja rico ou pobre. Claro que uma vida miserável, até certo ponto, pode facilitar o abandono. Mas existem, como digo no meu livro, as gaiolas de ouro: crianças ricas, aprisionadas, sem carinho e sem a presença dos pais, em um mundo que as transforma em miniexecutivas.

O problema está em uma sociedade hedônica, narcisista, consumista, em que as pessoas vivem para gastar, comprar, pagar contas, às vezes para sobreviver porque não têm escolhas. Mas muitas vezes porque não param para pensar onde e como querem chegar a essa correria do dia a dia.


Trabalhar é possível. O que é preciso é priorizar a questão da criança, é dar prioridade mesmo. Se ela está doente e com febre, acompanhe-a ao médico, fique com ela, peça um atestado,
queira progredir mais na carreira do afeto e do amor com seus filhos do que na carreira pessoal no trabalho.

Podem ler a entrevista completa aqui.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Menopausa

Nesta fase de introspecção, prestes a chegar ao Inverno, proponho uma reflexão sobre a Menopausa, não como um fim mas como o início de um período novo e frutífero:

Muitas mulheres menopáusicas sonham que estão a dar à luz. Esses sonhos de parto são importantes - significam que há muito dentro de nós que necessita de vir à luz. Nesta cultura, as mulheres que estão prestes a entrar na menopausa, ou que já a iniciaram, necessitam mais do que nunca mergulhar fundo dentro de si próprias e dar à luz o que lá aguarda por ser expresso. Não podemos continuar a deixar que a nossa cultura silencie a sabedoria da mulher sábia - a mulher que contém o seu sangue sagrado.

Escreve Susun Weed: "O processo da menopausa - não o último menstruo, a última gota de sangue, mas todos os treze anos do processo da menopausa - prepara o caminho para o ritual iniciador à volta do mundo, tal como as necessidades/capacidades das mulheres menstruadas se tornam a base de todas as outras iniciações.
Durante o processo de menopausa, cada mulher vê-se imersa e na criação de três fases clássicas de iniciação: isolamento, morte e renascimento... Os nossos corpos femininos insistem na totalidade, integridade, verdade e mudança. Por muito que uma mulher gostasse de negar o seu eu-sombra, o seu corpo não lho permitiria. A menopausa confronta cada mulher e, assim, toda a comunidade com a escuridão, o desconhecido."

Com ou sem o auxílio das hormonas, toda a mulher beneficiará se entrar na menopausa conscientemente, pronta a recolher os dons disponíveis nesta fase da vida. O que temos a perder não se compara em valor com o que temos a ganhar: encontrar as nossas próprias vozes e a coragem de falar a nossa verdade. Quando as mulheres o fazem, são verdadeiramente irresistíveis no seu poder e beleza. Tenho notado que, onde quer que vá, cada vez mais mulheres com mais de cinquenta anos têm melhor aspecto do que jamais tiveram. Como cultura, estamos verdadeiramente a redifinir o que significa envelhecer com sabedoria.


Apenas há alguns anos, a minha mãe começou a expressar a sua criatividade e ligação com os animais, aprendendo a arte de os esculpir em pedra. Até então, nunca se tinha considerado criativa nem artística... e estava demasiado ocupada a criar cinco filhos para descobrir os seus dons nesta área.
Mas agora, aos setenta e um anos, o trabalho dela é belo e inspirador - ela, como tantas outras depois da menopausa, descobriu aspectos de si própria que não sabia que existiam. Também intervém muito nas reuniões municipais e outros debates do seu interesse. Já não receia dizer a verdade num grupo ou na própria família. Diz ela: "Não tenho nada a perder, e cheguei à conclusão de que as pessoas podem muitas vezes beneficiar do que tenho para dizer."

Num casamento familiar recente, conduzi um ritual de benção para a noiva do meu irmão, para celebrar o seu casamento próximo e lhe dar as boas vindas à nossa família (...) O leque de idades daquele círculo ía dos dezasseis aos oitenta e três anos. Senti-me abençoada por termos a sabedoria de três mulheres mais velhas, fortes, poderosas e capazes à disposição de todas nós naquele círculo, mas especialmente pela minha filha. Que previlégio é ter mulheres honestas, directas, fisicamente saudáveis, com mais de setenta anos, nas nossas vidas. Dão-nos esperança, coragem e orientação para o caminho à nossa frente. Como cultura, estivemos demasiado tempo sem essas mulheres sábias, honestas e poderosas de antigamente - demasiado tempo sem as imagens da sua beleza, poder e força. Acolhamo-las de regresso. Quer conheça ou não algumas neste momento, lembre-se que estão dentro de cada uma de nós, à espera de nascer através da iniciação da menopausa.

Christiane Northrup, em Corpo de Mulher, Sabedoria de Mulher (vol II)


sexta-feira, 23 de abril de 2010

"... é impossível estragar um bebé dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar o seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la. Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais, ou porque lhe cantaram canções de ninar demais , ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crónico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade."

in "Besame Mucho", Carlos Gonzalez

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