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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Programa "Fátima" passa informações incorrectas sobre Amamentação II

Há umas semanas dei-vos conta de uma peça exibida no programa "Fátima", onde foram transmitidas informações incorrectas sobre Aleitamento Materno.

Na sequência, enviei um e-mail para a SIC, comentando a peça, bem como os comentários e informações pouco correctas que foram transmitidas.

Esse e-mail foi enviado no dia 13 de Março (faz hoje um mês) e até há data recebi apenas uma mensagem de reencaminhamento para o e-mail específico do programa.
Em relação aos comentários que fiz à peça , nem sequer um "lamentamos"...

Eu não fui a única mãe a ficar indignada com o que viu/ouviu e, tal como eu, várias outras mães e conselheiras em Aleitamento Materno enviaram os seus comentários.
Tal como eu, nenhuma recebeu qualquer resposta até agora.

Parece-me que este é um tema demasiado importante para caír no esquecimento.
Há muita gente a lutar diariamente para que a informação correcta chegue ao maior número possível de mães para depois um programa de vastas audiências lançar com uma inegável facilidade informações incorrectas e desactualizadas que atingem numa questão de poucos minutos um número enorme de mães lactantes, com consequências... que seguramente não serão as mais positivas.

Como tal, deixo-vos o conteúdo do e-mail que eu já enviei e mais uma vez apelo a que enviem também os vossos comentários para:

fatima@sic.pt

ou telefonem para a linha de atendimento da SIC através do 808202822

Podem ver o vídeo do programa AQUI.


Caros senhores,

Venho por este meio comentar a peça exibida no vosso programa "Fátima", do dia 06.03.2009, onde entrevistaram uma mãe que queria desmamar o filho de 7 anos.

Escrevo como espectadora e como mãe que amamenta mas também como Conselheira em Aleitamento Materno OMS (Organização Mundial de Saúde)/UNICEF.

Em primeiro lugar, penso que os comentários dos apresentadores ao longo da peça foram depreciativos e mostraram desconhecimento acerca das situações de amamentação prolongada. A própria médica contactada, apesar de ser uma ginecologista prestigiada, transmitiu informações incorrectas acerca das recomendações da Organização Mundial de Saúde no que respeita ao aleitamento materno.

Amamentar uma criança até aos 7 anos pode não ser comum na nossa sociedade mas seguramente será algo natural, antropologica e fisiologicamente. Tanto que actualmente em muitas sociedades é algo encarado com normalidade e não algo "insólito" ou "raro", e nunca uma "disfunção", como refere a apresentadora Merche Romero.

Perguntar se a criança tem um comportamento "normal" tentando associar algum problema psicológico ao acto de amamentar leva os espectadores a assumirem que a amamentação prolongada, pode, de facto, trazer consequências negativas à criança.
Não tenho qualquer conhecimento de estudos com base ciêntifica que provem que amamentar de forma prolongada possa trazer consequências negativas para a criança. Em relação às vantagens da amamentação prolongada, posso indicar-vos este artigo, que as resume além de enunciar todas as fontes e referências dos estudos ali resumidos.
Não quero com isto dizer que a mãe não esteja no seu direito de querer efectuar o desmame. As mães devem ser livres de optar pelo desmame em qualquer altura, se esse for o seu desejo.

A médica colaboradora do programa refere que "o ideal pela Organização Mundial de Saúde é [amamentar] até aos 6 meses. E não se deve ultrapassar os 2 anos. Mas 6 meses, em princípio, é suficiente"
A Organização Mundial de Saúde refere na Declaração de Innocenti "Para optimizar a saúde e a nutrição materno infantil, todas as mulheres devem estar capacitadas a praticar o aleitamento materno exclusivo e todas as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com o leite materno, desde o nascimento até os primeiros 4 a 6 meses de vida. As crianças devem continuar a receber leite materno, quando começarem a receber alimentação adequada e apropriada, até aos dois anos de idade ou mais", o que me parece ter diferenças significativas com aquilo que a médica transmitiu.

Por outro lado, "prescrever" medicamentos via telefone através de um programa de televisão, ao que aparenta sem saber o historial clinico daquela mãe, não me parece uma atitude muito correcta, até porque, esta situação deveria poder ser ultrapassada sem recurso a medicação.
O desmame sem recurso a medicação, com algumas indicações básicas para evitar o engurgitamento, só poderia trazer eventuais problemas caso existisse alguma disfunção hormonal, que só poderia ser detectada mediante a realização prévia de análises. Mas a médica recomenda primeiro o uso de medicamentos e só se não funcionar, então fazer as análises...

O medicamento indicado, a bromocriptina, é um fármaco utilizado em doentes de parkinson, que começou a ser usado também como inibidor da produção de leite.
No entanto, algumas entidades já alertaram para os perigos do seu uso, como é o caso da Foods and drugs administration nos Estados Unidos. O que me leva, mais uma vez, a discordar do facto de ter sido aconselhado num programa de televisão, como primeira solução para o desmame. E até mesmo depois do apresentador Carlos Ribeiro perguntar se não havia alternativa (porque a senhora já tinha tomado este medicamento e se tinha queixado dos efeitos secundários) a médica continuou a insistir na toma do medicamento.

Por último, durante a peça, uma espectadora, que amamenta uma criança com 3 anos e meio (pela descrição que faz ao telefone pareceu-me tratar-se de uma situação normal em que tanto a criança como a mãe encaram a amamentação como algo saudável, positivo e satisfatório) telefona alarmada pelo que tem estado a ouvir no programa, duvidando da sua acção como mãe que continua a amamentar.
Só este telefonema já é um pequeno indicador daquilo que esta peça pode ter produzido a nível nacional, o que não me parece nada posivo ou correcto, pelo tipo de (des)informações que foram transmitidas. Mas pior, foi a senhora pedir um conselho sobre o que devia fazer, já que se questionava se não poderia estar a prejudicar a criança, ao que a apresentadora Merche Romero responde "Concerteza teve a possibilidade de ouvir a dra, e se seguir os mesmos conselhos, calculo que será mais fácil (...) trata-se de atitude e de uma pequena ajuda de comprimidos", fazendo supor que seria igualmente a melhor opção para aquele caso (ainda que aparentemente não existisse qualquer problema ali)!

Em suma, penso que foi dado um destaque a esta situação no sentido de chamar a atenção pelo "insólito", o que acaba por denegrir a imagem da amamentação no geral e em particular da amamentação prolongada.
Em relação às informações incorrectas, penso que o mais acertado a fazer seria que o programa as rectificasse, com igual destaque ao que foi dado nesta peça.

Com os meus melhores cumprimentos

Sofia Carvalho

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Celebridades que amamentam II

É notório o movimento crescente internacional de celebridades que apoiam a amamentação e dão o seu testemunho e exemplo.

A propósito, deixo-vos mais uma lista de celebridades que amamentam e que foram amamentadas. Sabiam que o Pelé foi amamentado até aos 5 anos?
Pergunto-me o que diria Merche Romero sobre este facto...

Mais sobre celebridades e amamentação aqui, aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Salma Hayek amamenta um bebé na Serra Leoa

A actriz Salma Hayek amamentou um bebé na Serra Leoa.
Claro que este gesto foi alvo de controvérsia nos EUA, um dos países onde a amamentação continua a ser encarada com pouca naturalidade.

E vocês, o que pensam desta atitude?

terça-feira, 31 de março de 2009

sábado, 28 de março de 2009

Mitos sobre os cuidados com o Bebé

Dar de mamar de 3 em 3 horas
O bebé deve ser amamentado "a pedido", ou seja, sempre que demonstrar interesse em mamar, sem olhar para o relógio.
Nos primeiros dias após o nascimento será, regra geral, sempre que estiver desperto.
Depois, com o tempo, a mãe deverá começar a reconhecer os "sinais" que o seu filho transmite.


Quando um bebé tem fome ele pode mostrar vários sinais antes do choro: levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara (vejam aqui um vídeo). A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.

A regra das 3 horas servirá apenas para o oposto: devemos evitar que o bebé esteja mais do que 3 horas sem mamar (especialmente nos primeiros dias em que ainda não recuperou o peso do nascimento).

Não deixar mamar mais do que 10 (ou 15 ou 20) minutos em cada mama

Não deve haver regras para o tempo que o bebé mama. O bebé deve largar a mama espontaneamente para que nos asseguremos que está a beber tanto o leite do início, como o do fim [1] (mais rico em calorias e mais saciante).
Se interrompermos a mamada ao bebé, ele pode não ter conseguido retirar todo o leite de que precisa.

Há bebés que demoram mais tempo que outros a mamar, alguns mais dorminhocos que vão mamando um bocadinho e dormindo outro pouco e temos que saber observar e respeitar os seus ritmos.
No entanto, é preciso estarmos atentos: se o bebé mama 1 hora em cada mama, quer mamar constantemente e mesmo assim parece nunca estar satisfeito, é preciso pedir ajuda. Pode querer dizer que não está a mamar da forma mais eficaz e podemos ter que melhorar a pega.

O bebé tem que arrotar sempre após cada mamada

Se o bebé não arrotar em cerca de 5 minutos após a mamada, é porque simplesmente não precisa de arrotar.
Não é necessário dar palmadinhas nas costas durante 15 minutos... Basta levantar o bebé após a mamada e esfregar-lhe um pouco as costas. Se não acontecer nada... tudo bem!

Tem que se dar banho todos os dias

Um bebé de colo não se suja para ter que tomar banho todos os dias... Convém que as zonas genitais e as pregas de pele sejam limpas e bem secas todos os dias (basta um pouco de água tépida) mas a verdade é que água a mais (e produtos de limpeza) apenas trazem mais secura à já tão delicada pele do bebé.

É preciso pesar o bebé todas as semanas

É preciso controlar que o bebé recupera o peso do nascimento em 2/3 semanas, está a crescer a um bom ritmo e a amamentação bem estabelecida.
Após esse período e caso não haja situações de doença, basta pesar o bebé nas consultas periódicas.
Mais importante que o peso, é os pais controlarem o bom desenvolvimento psico-motor do bebé, a sua boa disposição (se come bem, se faz chichi e cocó[2] regularmente e sem alterações) e o seu crescimento de forma geral.

Não dar muito colo para não habituar mal/mimar demasiado
Os bebés já nascem habituados ao colo. É impossível habituá-los "mal".
Se nos lembrarmos dos 9 meses que passámos com ele na barriga, percebemos que andou sempre ao nosso "colo", embalado pelo nosso movimento e voz, aquecido pelo nosso corpo e a receber alimento de forma practicamente constante.
Quando nasce o bebé já tem que enfrentar e adaptar-se a um ambiente totalmente diferente daquele que conheceu no útero, porque não deixar que o faça de forma mais suave, continuando a proporcionar-lhe o conforto que até ali sempre encontrou?
O recém-nascido humano é, de entre todos os mamíferos, aquele que nasce mais prematuramente, completamente dependente da sua progenitora.
Simulando o ambiente intra-uterino (dando colo e carregando o bebé, seguindo os seus ritmos, amamentando aos primeiros sinais de fome) estamos suprir em pleno as necessidades do bebé, visto que o toque e o colo também são necessidades fisiológicas básicas do recém-nascido.

Não faz mal deixar o bebé chorar sozinho algum tempo
O choro é o principal meio de comunicação do bebé. Ao ignorá-lo, estamos a ignorar também as suas necessidades e os seus "pedidos de ajuda". A única coisa que ensinamos a um bebé que chora sozinho, é o desespero e a frustração de chamar e não ser ouvido.
Um bebé pequeno nunca chora sem motivo. Com o tempo, os pais vão aprendendo a identificar as necessidades do seu bebé e a responder-lhes com mais prontidão.

Deve-se passar o bebé para a sua caminha no quarto dele no máximo até aos 6 meses de idade
Não existem regras rígidas neste campo. Não é obrigatório passar o bebé para o quarto dele numa idade específica, nem é por não o fazer que ele se vai tornar mais ou menos dependente dos pais.

É perigoso deixar o bebé dormir na cama com a mãe
Ultimamente os especialistas têm vindo a atribuir bastantes vantagens ao co-sleeping, e sobretudo para as mães que continuam a amamentar, manter o bebé no mesmo quarto pode ser bastante mais confortável.

É muito menos cansativo (principalmente para as mães que já voltaram ao trabalho) amamentar um bebé que está ali ao lado, do que levantar, ir a outro quarto, dar de mamar, deitar o bebé e voltar para a cama.
A mesma situação coloca-se quando os bebés (mesmo que não sejam amamentados) acordam com frequência durante a noite, quando estão doentes, ou simplesmente quando os pais se sentem bem assim.

Desde que sejam cumpridas as regras de segurança básicas, não há perigo em deixar o bebé dormir com os pais.

O bebé deve manter um horário de sestas rigoroso e dormir a noite toda após os 3/4 meses de idade.
Não podemos exigir a um bebé que ainda não tem os ritmos de sono e de alimentação estabelecidos, que cumpra horários rígidos.
É bom e até saudável habituar o bebé a uma rotina diária mas esta não tem que ser seguida rigorosamente.
A rotina serve para criar segurança ao bebé, para que ele possa ir aprendendo como são os dias e aquilo que pode esperar. Existem actividades que podemos introduzir mais ou menos às mesmas horas para ajudar a criar essa rotina. Por exemplo, de manhã brincamos no tapete, depois de almoço damos um passeio, antes do jantar vem o banho...

Algumas vezes ouvimos mães contarem que os seus bebés dormem a noite toda desde os dois meses, por exemplo.
Mas é mais comum que os bebés só comecem a dormir noites inteiras seguidas após o primeiro ano.
Os bebés acordam durante a noite por razões fisiológicas.
Em primeiro lugar porque o seu estômago ainda não lhes permite armazenar alimento suficiente para aguentar uma noite inteira, depois porque ao mamar durante a noite está a garantir que a mãe continua a produzir uma boa quantidade de leite[3].

Por outro lado, estudos indicam que os ciclos de sono curtos estão relacionados com mecanismos de sobrevivência do bebé. Bebés que acordam com frequência têm menos riscos de sofrer Síndrome de Morte Súbita do Lactente.


[1] O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que sua composição muda até mesmo durante a mamada!
O leite do início surge no começo da mamada. Parece acinzentado e aguado. É rico em proteínas, lactose, vitaminas, minerais e água.
O leite do fim surge no final da mamada e parece mais branco do que o leite do início porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais rico em energia. Fornece mais de metade da energia do leite materno.
A criança necessita tanto do leite do início como do fim, para o crescimento e desenvolvimento.

[2] Os bebés amamentados em exclusivo podem estar vários dias seguidos sem evacuar e sem mostrar desconforto. Isto é absolutamente normal e não é preciso fazer nada. Acontece porque os nutrientes do leite materno são absorvidos practicamente na íntegra deixando poucos ou nenhuns resíduos. Quando o bebé volta a evacuar a consistências das fezes é mole e amarelada, como habitualmente. Esta situação costuma ser denominada como "falsa obstipação".

[3] A prolactina é a hormona responsável pela produção do leite. Mais prolactina é produzida à noite, portanto, amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite.

Outros artigos sobre Mitos:

Mitos sobre Aleitamento Materno
Mitos sobre Gravidez e Parto
Parto: Medos & Mitos

terça-feira, 24 de março de 2009

Os benefícios da amamentação - Estudo português premiado em Espanha

Um estudo português sobre os benefícios de corrigir a forma como um bebé "pega" na mama da mãe quando está a ser amamentado acaba de ser distinguido em Espanha como o melhor sobre a temática do aleitamento materno.

O trabalho foi premiado no V Congresso Espanhol de Aleitamento Materno, que decorreu este mês em Múrcia com mais de 700 participantes de vários países.

O estudo conclui que a correcção da pega do bebé à mama na primeira mamada aumenta significativamente a duração do aleitamento materno, disse à Lusa a principal autora, Adriana Pereira.

A investigação envolveu 60 pares de mães e respectivos bebés da região do Vale do Ave, tendo sido feita a observação e avaliação da primeira mamada logo após o parto.

Os bebés foram divididos em dois grupos: num deles uma enfermeira intervinha para corrigir a pega sempre que o bebé apresentava uma ou mais dificuldades, no outro, que serviu de comparação, não havia qualquer intervenção, seguindo-se as rotinas do serviço.

Passados seis meses, os bebés com a primeira pega correcta mamaram em média 157 dias, em comparação com apenas 15 dias no caso de pega incorrecta, ou seja, os primeiros mamaram em exclusivo 11 vezes mais dias do que os do outro grupo.

Esse êxito "é benéfico não só para a saúde da mãe e do bebé, como para a família, a sociedade e o meio ambiente, segundo atestam todos os estudos científicos até agora realizados", sublinhou.

Nesse sentido, a autora considera muito importante que as mães conheçam e saibam identificar os sinais de pega correcta para ajudarem os próprios bebés.

"Às vezes as mães não sabem sequer se o bebé está a mamar, ou pensam que está, mas de maneira incorrecta", afirmou.

Adriana Pereira explicou que "o bebé deve ficar com a boca bem aberta quando está a mamar, com o lábio inferior virado para fora e com o queixo a tocar na mama".

Além disso, a auréola (parte escura da mama) "deve ver-se mais acima da boca do que abaixo, e habitualmente as bochechas ficam arredondadas e não chupadas para dentro".

O estudo constatou que 50 por cento dos bebés da amostra tiveram dificuldade na pega durante a primeira mamada, um problema facilmente corrigível através da intervenção da mãe.

Por isso o estudo recomenda a intervenção dos profissionais de saúde ao nível dos Cuidados de Saúde Pré-Natais para ensinar às mães a técnica correcta da amamentação e os sinais identificadores da pega correcta.

O estudo, feito no âmbito do doutoramento de Adriana Pereira em Ciência Biomédicas pela Universidade do Porto, em 2005, está publicado num livro intitulado "Aleitamento materno - a importância da correcção da pega no processo da amamentação - resultados de um estudo experimental", editado pela Lusociência em 2006.

Adriana Pereira é membro fundador do Comité Nacional para o Aleitamento Materno e formadora nesta área para a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF.

in http://sic.aeiou.pt/online

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Mitos sobre os cuidados com o Bebé

Dar de mamar de 3 em 3 horas
O bebé deve ser amamentado "a pedido", ou seja, sempre que demonstrar interesse em mamar, sem olhar para o relógio.
Nos primeiros dias após o nascimento será, regra geral, sempre que estiver desperto.
Depois, com o tempo, a mãe deverá começar a reconhecer os "sinais" que o seu filho transmite.


Quando um bebé tem fome ele pode mostrar vários sinais antes do choro: levar as mãos à boca para sugar, virar a cabeça para mamar quando está ao colo ou virar-se para mamar quando lhe passamos o dedo na cara (vejam aqui um vídeo). A mãe que amamenta também sentirá que é altura de alimentar o seu bebé quando sente o peito “cheio”. Não devemos deixar o bebé chorar para mostrar que tem fome. O choro é o seu último recurso e significa que estava com fome há algum tempo.

A regra das 3 horas servirá apenas para o oposto: devemos evitar que o bebé esteja mais do que 3 horas sem mamar (especialmente nos primeiros dias em que ainda não recuperou o peso do nascimento).

Não deixar mamar mais do que 10 (ou 15 ou 20) minutos em cada mama

Não deve haver regras para o tempo que o bebé mama. O bebé deve largar a mama espontaneamente para que nos asseguremos que está a beber tanto o leite do início, como o do fim [1] (mais rico em calorias e mais saciante).
Se interrompermos a mamada ao bebé, ele pode não ter conseguido retirar todo o leite de que precisa.

Há bebés que demoram mais tempo que outros a mamar, alguns mais dorminhocos que vão mamando um bocadinho e dormindo outro pouco e temos que saber observar e respeitar os seus ritmos.
No entanto, é preciso estarmos atentos: se o bebé mama 1 hora em cada mama, quer mamar constantemente e mesmo assim parece nunca estar satisfeito, é preciso pedir ajuda. Pode querer dizer que não está a mamar da forma mais eficaz e podemos ter que melhorar a pega.

O bebé tem que arrotar sempre após cada mamada

Se o bebé não arrotar em cerca de 5 minutos após a mamada, é porque simplesmente não precisa de arrotar.
Não é necessário dar palmadinhas nas costas durante 15 minutos... Basta levantar o bebé após a mamada e esfregar-lhe um pouco as costas. Se não acontecer nada... tudo bem!

Tem que se dar banho todos os dias

Um bebé de colo não se suja para ter que tomar banho todos os dias... Convém que as zonas genitais e as pregas de pele sejam limpas e bem secas todos os dias (basta um pouco de água tépida) mas a verdade é que água a mais (e produtos de limpeza) apenas trazem mais secura à já tão delicada pele do bebé.

É preciso pesar o bebé todas as semanas

É preciso controlar que o bebé recupera o peso do nascimento em 2/3 semanas, está a crescer a um bom ritmo e a amamentação bem estabelecida.
Após esse período e caso não haja situações de doença, basta pesar o bebé nas consultas periódicas.
Mais importante que o peso, é os pais controlarem o bom desenvolvimento psico-motor do bebé, a sua boa disposição (se come bem, se faz chichi e cocó[2] regularmente e sem alterações) e o seu crescimento de forma geral.

Não dar muito colo para não habituar mal/mimar demasiado
Os bebés já nascem habituados ao colo. É impossível habituá-los "mal".
Se nos lembrarmos dos 9 meses que passámos com ele na barriga, percebemos que andou sempre ao nosso "colo", embalado pelo nosso movimento e voz, aquecido pelo nosso corpo e a receber alimento de forma practicamente constante.
Quando nasce o bebé já tem que enfrentar e adaptar-se a um ambiente totalmente diferente daquele que conheceu no útero, porque não deixar que o faça de forma mais suave, continuando a proporcionar-lhe o conforto que até ali sempre encontrou?
O recém-nascido humano é, de entre todos os mamíferos, aquele que nasce mais prematuramente, completamente dependente da sua progenitora.
Simulando o ambiente intra-uterino (dando colo e carregando o bebé, seguindo os seus ritmos, amamentando aos primeiros sinais de fome) estamos suprir em pleno as necessidades do bebé, visto que o toque e o colo também são necessidades fisiológicas básicas do recém-nascido.

Não faz mal deixar o bebé chorar sozinho algum tempo
O choro é o principal meio de comunicação do bebé. Ao ignorá-lo, estamos a ignorar também as suas necessidades e os seus "pedidos de ajuda". A única coisa que ensinamos a um bebé que chora sozinho, é o desespero e a frustração de chamar e não ser ouvido.
Um bebé pequeno nunca chora sem motivo. Com o tempo, os pais vão aprendendo a identificar as necessidades do seu bebé e a responder-lhes com mais prontidão.

Deve-se passar o bebé para a sua caminha no quarto dele no máximo até aos 6 meses de idade
Não existem regras rígidas neste campo. Não é obrigatório passar o bebé para o quarto dele numa idade específica, nem é por não o fazer que ele se vai tornar mais ou menos dependente dos pais.

É perigoso deixar o bebé dormir na cama com a mãe
Ultimamente os especialistas têm vindo a atribuir bastantes vantagens ao co-sleeping, e sobretudo para as mães que continuam a amamentar, manter o bebé no mesmo quarto pode ser bastante mais confortável.

É muito menos cansativo (principalmente para as mães que já voltaram ao trabalho) amamentar um bebé que está ali ao lado, do que levantar, ir a outro quarto, dar de mamar, deitar o bebé e voltar para a cama.
A mesma situação coloca-se quando os bebés (mesmo que não sejam amamentados) acordam com frequência durante a noite, quando estão doentes, ou simplesmente quando os pais se sentem bem assim.

Desde que sejam cumpridas as regras de segurança básicas, não há qualquer perigo em deixar o bebé dormir com os pais.

O bebé deve manter um horário de sestas rigoroso e dormir a noite toda após os 3/4 meses de idade.
Não podemos exigir a um bebé que ainda não tem os ritmos de sono e de alimentação estabelecidos, que cumpra horários rígidos.
É bom e até saudável habituar o bebé a uma rotina diária mas esta não tem que ser seguida rigorosamente.
A rotina serve para criar segurança ao bebé, para que ele possa ir aprendendo como são os dias e aquilo que pode esperar. Existem actividades que podemos introduzir mais ou menos às mesmas horas para ajudar a criar essa rotina. Por exemplo, de manhã brincamos no tapete, depois de almoço damos um passeio, antes do jantar vem o banho...

Algumas vezes ouvimos mães contarem que os seus bebés dormem a noite toda desde os dois meses, por exemplo.
Mas é mais comum que os bebés só comecem a dormir noites inteiras seguidas após o primeiro ano.
Os bebés acordam durante a noite por razões fisiológicas.
Em primeiro lugar porque o seu estômago ainda não lhes permite armazenar alimento suficiente para aguentar uma noite inteira, depois porque ao mamar durante a noite está a garantir que a mãe continua a produzir uma boa quantidade de leite[3].

Por outro lado, estudos indicam que os ciclos de sono curtos estão relacionados com mecanismos de sobrevivência do bebé. Bebés que acordam com frequência têm menos riscos de sofrer Síndrome de Morte Súbita do Lactente.


[1] O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que sua composição muda até mesmo durante a mamada!
O leite do início surge no começo da mamada. Parece acinzentado e aguado. É rico em proteínas, lactose, vitaminas, minerais e água.
O leite do fim surge no final da mamada e parece mais branco do que o leite do início porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais rico em energia. Fornece mais de metade da energia do leite materno.
A criança necessita tanto do leite do início como do fim, para o crescimento e desenvolvimento.

[2] Os bebés amamentados em exclusivo podem estar vários dias seguidos sem evacuar e sem mostrar desconforto. Isto é absolutamente normal e não é preciso fazer nada. Acontece porque os nutrientes do leite materno são absorvidos practicamente na íntegra deixando poucos ou nenhuns resíduos. Quando o bebé volta a evacuar a consistências das vezes é mole e amarelada, como habitualmente. Esta situação costuma ser denominada como "falsa obstipação".

[3] A prolactina é a hormona responsável pela produção do leite. Mais prolactina é produzida à noite, portanto, amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Apoio e Aconselhamento em Aleitamento Materno

Sente dificuldade em amamentar o seu bebé e não sabe a quem recorrer?

Amamentar é um processo natural, que deve ser confortável e gratificante para a mãe, para o bebé e para o resto da família. Apesar disso, nem sempre corre como planeado. A amamentação não deve ser difícil nem dolorosa! Se o for, então deve procurar ajuda!

Alguns dos motivos para procurar o apoio de uma Conselheira em Aleitamento Materno:

Engurgitamento mamário doloroso
Mamilos doridos/com fissuras
Baixo aumento de peso no bebé
Dificuldades na pega/recusa em mamar
Estratégias de ajuda para a mãe que retomou/vai retomar o trabalho
Quando a mãe parou de amamentar e deseja retomar (relactação)
Mãe que deseja amamentar um bebé adoptado

Informação Pré-Natal (consulta informativa e personalizada para mães e pais, apoiando na preparação para a amamentação após o nascimento)

Como posso ajudar?

Consulta Presencial:

- Ao Domicílio (área da grande Lisboa)

- espaço Art of Living
Largo Ferreira de Castro nº3 r/c Sintra
E-mail: art.of.living1@gmail.com
Telef: 21 924 89 69 - 96 674 1439

- espaço Per Ankh - Casa da Vida
Rua Inácio Duarte, 3-A, Carnaxide
E-mail: riscosearabescos@gmail.com
Telf: 910 822 086

Também pode colocar as suas questões por e-mail ou contactar-me por telefone.
Se tem uma questão urgente, aconselho a usar o telefone, já que as respostas por e-mail podem , eventualmente, demorar algum tempo, dependendo da minha disponibilidade nesse momento.

Contacto, informações e marcações:

aquihabebe@gmail.com
T - 96 837 64 50

Sabia que...?

• Não existem leites fracos? O seu leite é sempre o melhor alimento para o seu bebé.
• Mamilos doridos e gretados são geralmente um sinal de alerta de que é preciso corrigir algo?
• Uma baixa produção de leite é um problema que pode ser ultrapassado, através de algumas medidas simples?
• Situações de stress não fazem secar o leite repentinamente? Podem apenas dificultar a sua saída mas há formas de ultrapassar esses períodos com sucesso!



terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Como Amamentar durante uma Emergência

Encontrei este curiosíssimo documento da OMS, por acaso, ao fazer uma pesquisa na net.

O que aconteceria se, de repente, houvesse uma guerra ou catástrofe natural e os bens de primeira necessidade se tornassem de dificíl acesso (incluíndo o leite adaptado)? O que fariam as mães de bebés pequenos que tivessem cessado a amamentação?
Difícil de imaginar...? Talvez, dentro da nossa realidade, talvez não tanto para quem veja o telejornal todos os dias...!

Eu também passei por dificuldades quando comecei a amamentar o meu filho e lembro-me que isto me passou pela cabeça e foi algo que me deu força e confiança para continuar. E se não houvesse outra hipótese mesmo que não o leite materno?

Temos então um guia que nos aconselha perante tal cenário. Desde os conselhos mais simples passando pelas técnicas de extracção, relactação e o uso do copinho.
A ideia mais importante a reter é que nunca é tarde para começar ou voltar a amamentar!

E mesmo sem catástrofes ou emergências este documento pode ser útil a todas as mães que nalgum momento duvidem da sua capacidade de nutrir o seu bebé!
No fundo são bons conselhos para todas as mães que desejem amamentar.

A ler aqui (em inglês).


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Celebridades que amamentam

A página Breastfeeding.com tem disponível uma lista de celebridades que amamentam ou amamentaram os seus bebés.

É uma mera curiosidade mas como acredito na influência dos role model, acho que só pode ser bom partilhar...

Curiosos...? Espreitem aqui e aqui!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Amamentação 'pode aumentar força' do pulmão de bebês

O simples esforço físico feito pelos bebês durante a amamentação pode deixá-los com pulmões mais fortes durante a infância, sugere um estudo realizado por pesquisadores americanos e britânicos.

O estudo, realizado com crianças de dez anos de idade, descobriu que aquelas que haviam sido amamentadas por pelo menos quatro meses tinham um funcionamento muito melhor do pulmão.

A pesquisa, publicada na revista acadêmica Thorax, sugere que diferenças na duração e na mecânica envolvidas na amamentação e no uso da mamadeira podem ser parcialmente responsáveis.

Estudos anteriores já provaram que a amamentação protege bebês de problemas respiratórios no início da vida, mas a relação com a força do pulmão durante a infância é menos clara.

Um total de 1.456 bebês da Ilha de Wight, na Inglaterra, foram acompanhados até completar dez anos de idade.

Um terço deles foi amamentado por pelo menos quatro meses e, em média, essas crianças podiam expirar mais ar de maneira mais rápida depois de inspirar profundamente.

Isso foi verificado mesmo quando as mães tinham asma ou sofriam de outras alergias.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, da Universidade do Estado de Michigan e da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, as razões para esses benefícios não são óbvias.

Estudos anteriores sugerem que substâncias presentes no leite materno podem proteger contra a asma.

Mas os responsáveis pelo atual estudo dizem que as mudanças encontradas no volume do pulmão não são completamente características de uma resposta à asma, sugerindo que outros fatores podem estar em jogo.

Syed Arshad, da Universidade de Southampton, diz que a explicação pode estar no esforço físico necessário para extrair leite do peito.

Segundo o pesquisador, o esforço que os bebês precisavam fazer para mamar no peito era três vezes maior do que o usado com a mamadeira e as sessões de amamentação duravam mais.

"O que nós estamos fazendo é bem parecido com o tipo de exercício que sugerimos para reabilitação pulmonar em pacientes mais velhos", disse Arshad.

"Eu não conheço nenhum outro estudo sugerindo isso", completou.

Se isso for mesmo verdadeiro, mudanças no modelo das mamadeiras poderiam fazer com que elas ficassem mais parecidas com o seio, contribuindo, dessa forma, para que o efeito seja o mesmo.

A equipe entrou um contato com um fabricante de mamadeiras com propostas para criar uma que possa imitar o esforço necessário para amamentar.

Arshad disse que, atualmente, é possível testar o pulmão das crianças, o que significa que um teste para saber se um novo modelo de mamadeira funcionaria poderia ser concluído em um ano.

fonte: O Globo Online

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Como reconhecer um profissional de saúde que não apoia a amamentação

Todos os profissionais de saúde dizem apoiar a amamentação. Mas muitos apenas apoiam enquanto corre bem, e outros nem isso. Mal surge algum problema com a amamentação — ou em qualquer outro aspecto da vida da nova mãe —, muitos aconselham o desmame ou a utilização de suplementos. Apresentamos a seguir uma lista parcial de pistas que podem ajudá-la a descobrir se um profissional de saúde apoia a amamentação, pelo menos o suficiente para, no caso de ocorrer algum problema, se esforçar por ajudá-la a continuar a amamentar.

Um profissional de saúde que não apoia a amamentação:

1. Oferece-lhe amostras ou publicidade de leite artificial. Estas amostras e publicidade induzem à utilização do produto e a sua distribuição chama-se marketing. Não existem provas de que uma determinada marca de leite seja melhor ou pior que outra para um bebé normal. A literatura, os CD’s ou vídeos que acompanham as amostras são modos de subtilmente (e não tão subtilmente) minar a amamentação e louvar o leite artificial. Se não acredita, pergunte a si mesma porque é que as marcas de leite artificial andam a utilizar tácticas agressivas para que o seu médico ou hospital lhe ofereça a literatura e as amostras deles e não as de outras marcas? Não deveria também perguntar a si mesma porque é que o profissional de saúde não publicita a amamentação?

2. Diz-lhe que a amamentação e o biberão são essencialmente a mesma coisa. A maior parte dos bebés alimentados a biberão crescem saudáveis e seguros e nem todos os bebés amamentados crescem saudáveis e seguros. Mas isto não significa que a amamentação e o biberão sejam essencialmente o mesmo. O leite artificial é uma versão rudimentar daquilo que se conhecia sobre o leite materno vários anos atrás, e esse conhecimento por sua vez é uma aproximação também rudimentar a qualquer coisa que não cessa de nos surpreender e de que só agora começamos a ter alguma ideia. Por exemplo, sabemos há muito que o ADH e o ARA são importantes para o desenvolvimento do cérebro do bebé, mas foram precisos anos para se conseguir adicioná-los ao leite artificial, sem que isso signifique que tenham o mesmo papel, pois a absorção a partir do leite artificial é diferente da absorção a partir do leite materno. As várias diferenças têm importantes consequências para a saúde. Muitos elementos do leite materno não se encontram no leite artificial, embora saibamos há muitos anos da sua importância para o bebé — por exemplo, anticorpos e células que protegem o bebé contra infecções, factores de crescimento que ajudam o sistema imunitário, o cérebro e outros órgãos a desenvolver-se. Amamentar não é o mesmo que alimentar a biberão, estabelece uma relação completamente diferente entre a mãe e o bebé. Pode-se ter tido a infelicidade de não conseguir amamentar (embora na maioria dos casos os problemas possam ser evitados), mas dar a entender que isso não tem importância é condescendência e um erro crasso. Um bebé não precisa de ser amamentado para crescer feliz, saudável e seguro, mas ajuda muito.

3. Diz-lhe que o leite da marca x é melhor. Normalmente isto significa que está a ser influenciado pelo representante dessa marca. Pode significar que os seus próprios filhos toleraram melhor essa marca do que outras. Significa que tem ideias preconcebidas e infundadas.

4. Diz-lhe que não é necessário amamentar o bebé logo após o nascimento, pois a mãe está ou estará cansada e, de qualquer modo, muitas vezes o bebé não está interessado. Os bebés podem mamar enquanto a mãe estiver deitada ou a dormir, embora a maioria das mães não queira dormir num momento como este. Os bebés nem sempre mostram interesse em alimentar-se de imediato, mas isso não é razão para os impedir de ter essa oportunidade. Muitos bebés começam a mamar nas duas primeiras horas após o parto e essa é a altura mais favorável para um bom começo, mas não o poderão fazer se forem separados da mãe. Se tiver a impressão de que a pesagem do bebé, as gotas oculares e a injecção de vitamina K têm prioridade sobre o estabelecimento da amamentação, pode duvidar do empenhamento de alguém em relação à amamentação.

5. Diz-lhe que a confusão entre tetina e mamilo é coisa que não existe e que deve começar cedo a dar biberão ao bebé para garantir que ele aceita bem a tetina. Porque deverá começar a dar biberão cedo se afinal não existe confusão entre tetina e mamilo? Argumentar que não há provas da existência dessa confusão é colocar o carro à frente dos bois. Será preciso provar, isso sim, que são inofensivas as tetinas, que nenhum mamífero utilizou antes do homem, e que mesmo este só começou a utilizar mais correntemente no final do século XIX. Mas não está provado que a tetina seja inofensiva para a amamentação. O profissional de saúde que parte do princípio de que a tetina é inofensiva está a olhar para o mundo como se a alimentação a biberão, e não a amamentação, fosse o método fisiologicamente normal de alimentar bebés. Convém acrescentar que o facto de nem todos os bebés que utilizam tetinas - ou até talvez nem sequer muitos - terem problemas com a amamentação não significa que a utilização precoce de tetinas não provoque problemas a alguns bebés. Muitas vezes é uma combinação de factores, um dos quais pode ser a utilização de uma tetina, que dá mau resultado.

6. Diz-lhe que tem de parar de amamentar porque você ou o bebé está doente, ou porque você vai tomar medicamentos ou vai realizar um exame médico. Existem situações ocasionais, raras, em que a amamentação não pode continuar, mas muitas vezes os profissionais de saúde assumem simplesmente que a mãe não pode continuar a amamentar e estão muitíssimas vezes errados. O profissional de saúde que apoia a amamentação fará todos os esforços para descobrir como evitar a interrupção da amamentação (a informação nas páginas brancas do Compendium of Pharmaceutical Specialties azul e o PDR não são boas referências – segundo estes, todas as drogas são contra-indicadas, pois a indústria farmacêutica está mais interessada em livrar-se de responsabilidades do que em proteger os interesses das mães e dos bebés). Quando uma mãe precisa de tomar um medicamento, o profissional de saúde tentará usar medicamentos que não impeçam a mãe de amamentar. (Na realidade, muito poucos medicamentos requerem que a mãe pare de amamentar). É extremamente invulgar haver apenas um medicamento que possa ser usado para um determinado problema. Se a primeira escolha do profissional de saúde for um medicamento que exija que a amamentação seja interrompida, tem o direito de pôr em questão se ele ou ela realmente pensou na importância da amamentação.

7. Fica surpreendido por saber que o seu bebé de seis meses ainda mama. Muitos profissionais de saúde acreditam que os bebés devem continuar com leite artificial durante pelo menos nove meses e até mesmo doze meses (e, agora que as empresas de leite artificial vendem leite para crianças até aos dezoito meses e mesmo até aos três anos, em breve alguns profissionais de saúde estarão a aconselhar as mães a usar leite artificial durante três anos), mas ao mesmo tempo parecem acreditar que o leite materno e a amamentação não são necessários, podendo mesmo ser prejudiciais se continuados por mais de seis meses. Porque será a imitação melhor que o original? Não deverá perguntar a si mesma o que implica esta linha de pensamento? Em muitas partes do mundo, a amamentação até aos dois ou três anos de idade é comum e normal, embora, graças ao bom marketing do leite artificial, isso seja cada vez menos comum.

8. Diz-lhe que o leite materno não possui valor nutritivo após o bebé ter seis meses ou mais. Mesmo que isto fosse verdade, a amamentação continuava a ter valor. A amamentação é uma interacção única entre duas pessoas apaixonadas, mesmo sem o leite. Mas aquilo não é verdade. O leite materno continua a ser leite, com gordura, proteínas, calorias, vitaminas e tudo o resto, e os anticorpos e outros elementos que protegem o bebé das infecções continuam presentes, alguns em maiores quantidades do que quando o bebé era mais novo. Quem lhe disser aquilo, não sabe nada sobre amamentação.

9. Diz-lhe que nunca deve permitir que o bebé adormeça enquanto mama. Porque não? Não há problema se um bebé também conseguir adormecer sem mamar, mas uma das vantagens da amamentação é oferecer-lhe um modo prático de o adormecer quando ele está cansado. É exactamente o que têm feito as mães de todo o mundo desde o início da era dos mamíferos. Um dos maiores prazeres da maternidade é adormecer uma criança nos braços, sentindo o calor que liberta à medida que o sono a vence. Um dos prazeres da amamentação, quer para a mãe quer provavelmente para o bebé, é ele adormecer ao peito.

10. Diz-lhe que não deve ficar no hospital para amamentar o bebé doente pois é importante que fique a descansar em casa. É importante que descanse e o hospital que apoie a amamentação fará com que possa descansar enquanto estiver no hospital para amamentar o bebé. Os bebés doentes não precisam menos de ser amamentados que um bebé saudável, precisam mais.

11. Não tenta ajudá-la caso esteja a ter problemas com a amamentação. Muitos problemas podem ser evitados ou tratados e a maior parte das vezes a resposta aos problemas da amamentação é não utilizar o leite artificial. Infelizmente, muitos profissionais de saúde, particularmente os médicos e ainda mais os pediatras, não sabem como ajudar. Mas existe ajuda. Insista em obtê-la. “Não precisa de amamentar para ser uma boa mãe” é verdade, mas não é resposta a um problema de amamentação.

Escrito por Jack Newman, Médico Pediatra,2005
Fonte: http://www.naturkinda.com

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Angelina Jolie a amamentar


A actriz Angelina Jolie, cedeu fotografias suas que a mostram a amamentar um dos seus bebés, recentemente, a propósito de uma entrevista para a revista americana W. As fotos foram tiradas pelo marido, Brad Pitt.
Penso que esta atitude, que marca uma posição favorável e natural em relação à amamentação, é especialmente importante para países como os EUA, onde amamentar em público, ainda constitui, por vezes, um problema.

Belo exemplo! Boa, Angelina!

domingo, 5 de outubro de 2008

Conferência da UNICEF marca arranque da Semana do Aleitamento Materno em Portugal

Comemora-se uma vez mais em Portugal, a Semana do Aleitamento Materno.

Com o tema “Apoio às mães no Sucesso da Amamentação” e o objectivo de alertar para os benefícios do aleitamento materno, a Semana arranca no dia 6 de Outubro (até 12 de Outubro) com a Conferência da UNICEF / Comissão Nacional da Iniciativa dos Hospitais Amigos dos Bebés.

O evento, que tem lugar no Infarmed, Parque da Saúde em Lisboa, vai reunir vários profissionais de saúde ligados à amamentação, contando com a presença de Rosa Saona Yarmas, enfermeira especialista no Peru, representante da UNICEF/OMS para o aleitamento materno, bem como do Dr. Manuel Pina, Presidente da UNICEF Portugal, bem como a Ministra da Saúde, Ana Jorge, e a Alta Comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, entre outros.

No encontro, onde serão apresentadas experiências internacionais e a realidade nacional, serão discutidos temas como os “Centros de Saúde Amigos dos Bebés” ou os “Bancos de Leite Humano”, sessão que contará com a presença de Teresa Tomé, presidente da Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria. A 3ª Conferência sobre Aleitamento Materno da UNICEF é apoiada pela GEOFAR, empresa vocacionada para a promoção do aleitamento materno em Portugal.

3ª Conferência Sobre Aleitamento Materno
Organização: UNICEF / Comissão Nacional da Iniciativa dos Hospitais Amigos dos Bebés
Dia 6 de Outubro, segunda-feira
Infarmed, Parque da Saúde de Lisboa Av. do Brasil, nº32 (Hospital Júlio de Matos)
Abertura da sessão: 10h00


Programa da SMAM 2008
(clique nas imagens para aumentar)


domingo, 24 de agosto de 2008

Amamentação a La Carte


Amamentação em intervalos pré-determinados é um mito.
Houve um tempo em que se pensava que os bebés deveriam mamar a cada 3 horas, ou a cada 4 horas e por exatamente 10 minutos de cada lado! Já se perguntou o porquê de 10 minutos e não 9 ou 11?

Claro, os adultos nunca comem por "10 minutos em cada prato a cada 4 horas". Quanto tempo levamos a terminar um prato? Isso depende do quão rápido comemos. O mesmo se passa com os bebés. Se eles mamam rápido, podem gastar menos do que 10 minutos, mas se mamam devagar, podem gastar bem mais.

O adultos comem em horários pré-determinados somente porque as obrigações de trabalho forçam-nos a organizar refeições desta forma. Normalmente, nos dias de folga, a rotina usual é alterada sem qualquer dano para a saúde. Contudo, ainda existem pessoas que acreditam que os bebés precisam de ser habituados a mamadas de horário fixo e fazem referências vagas à disciplina ou boa digestão.

Para um adulto, a comida pode esperar. O nosso metabolismo permite que esperemos por uma refeição e a comida é exatamente a mesma agora ou daqui a uma hora. Mas o seu bebé não pode esperar. A sua fome é urgente e a comida dele muda se a refeição se atrasa. O leite humano não é um alimento morto, mas uma matéria viva em constante processo de mudança. A quantidade de gordura no leite aumenta à medida em que a amamentação progride. O leite do início da mamada tem um baixo conteúdo gorduroso e o leite do final é altamente rico em gordura; chegando a ser 5 vezes mais gordo.

A média de gordura em qualquer mamada depende de quatro fatores:
1. Intervalo da mamada anterior (quanto maior o intevalo, menor a quantidade de gordura);
2. Concentração de gordura no final da mamada anterior;
3. Quantidade de leite ingerido na última mamada;
4. Quantidade de leite ingerido nesta mamada.

Quando a criança mama dos dois seios, ela raramente esvazia o segundo. Para simplificar, basta dizer que ela toma 2/3 de leite desnatado e 1/3 de natas frescas. Contudo, a criança que mama somente um seio por mamada toma ½ de leite desnatado e ½ de natas frescas.
Se ela bebe um leite menos gordo (menos calórico) pode aceitar grandes volumes e consumir mais proteínas.
Então o bebé que mama 50 ml de cada seio não mama o mesmo que um que toma 100 ml de um seio só; e a dieta do bebé que toma 80 ml a cada 2 horas é totalmente diferente da dieta do bebé que toma 160 ml a cada 4 horas.

Os fatores que controlam a composição do leite ainda estão a ser estudados e não se sabe muita coisa. Por exemplo, sabe-se que um dos seios geralmente produz mais leite, com maior concentração de proteínas que o outro. Talvez seja só coincidência ou talvez o seu filho decida isso, dando preferência a um seio em relação ao outro, escolhendo uma refeição com mais ou com menos calorias.

E você pensou que seu bebé mamava sempre o mesmo leite? Você pensava que era entediante passar meses e meses a beber somente leite? Isso não é verdade com o leite materno. O seu bebé tem à disposição um vasto cardápio para poder escolher, desde sopa leve a uma sobremesa bem cremosa.
Uma vez que o seio não fala (nem pode entender o bebé) este faz seu pedido de 3 formas:

1. Pela quantidade de leite que ingere em cada mamada (mamando por um longo ou curto período de tempo e com mais ou menos intensidade) ;
2. Pelo intervalo entre uma mamada e outra;
3. Mamando só de um ou dos dois seios.

O que seu bebé faz quando mama para obter exatamente o que ele precisa de um dia para o outro é uma obra de engenharia.
O bebé tem total e perfeito controle da sua dieta, desde que ele possa mudar as variáveis de acordo com seu desejo. É isso que a livre demanda significa: deixar o bebé decidir quando quer mamar, por quanto tempo e quer mamar num ou nos dois seios.

Quando o bebé não tem o direito de controlar um dos mecanismos, na maioria das vezes ele tenta mudar uma ou outra variável.
Numa experiência, alguns bebés foram colocados a mamar somente num seio por mamada, durante uma semana e nos dois seios na semana seguinte (a ordem foi variável). Em teoria, os bebés teriam ingerido muito mais gordura nos dias em que mamaram somente de um lado do que quando mamaram nos dois seios. Contudo, estes bebés espontaneamente modificaram a frequência e a duração das mamadas e foram capazes de ingerir quantidades similares de gordura (mas volumes diferentes de leite).

Se o bebé não tem a hipótese de modificar a frequência ou duração das mamadas e não tem a oportunidade de decidir se quer mamar de um lado ou dos dois, ele fica perdido. Ele não consegue beber a quantidade de leite de que precisa, mas acaba tomando o que lhe é oferecido. Se a sua dieta está muito longe das necessidades reais do bebé, ele terá problemas em ganhar peso apropriadamente ou passará o dia faminto e irritado. É por isso que a amamentação em horários pré-estabelecidos raramente funciona e quanto mais rígido for o esquema, mais catastrófico é o resultado. Os bebés precisam de mamar irregularmente, somente assim eles garantem uma dieta equilibrada.

Desde o primeiro dia, embora pareça que ela está tomando apenas leite, a criança está a fazer escolhas na sua dieta a partir de uma gama de opções e ela escolhe sempre de forma sabia, tanto na qualidade, quanto na quantidade.

Do livro “My Child Won't Eat”, ou em espanhol “Mi Niño no me Come” do pediatra Carlos González.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Dia Mundial da Amamentação - 1 de Agosto


Quero deixar hoje uma homenagem a todas as mães que amamentam, às grávidas que desejam amamentar, aos pais e familiares que apoiam estas mulheres, aos profissionais de saúde, conselheiros e voluntários que as ajudam, apoiam e transmitem confiança e também às mães que gostariam de ter amamentado (mais) e não puderam por falta de apoio.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Semana Internacional da Amamentação 2008

Entre 1 e 7 de Agosto comemora-se, em mais de 120 países, a Semana Mundial do Aleitamento Materno 2008.

Trata-se de um evento - festejado desde 1992 por iniciativa da World Alliance for Breastfeeding Action - com o objectivo de difundir o aleitamento materno como veículo de saúde e bem-estar.

O tema deste ano é:



APOIO ÀS MÃES: Conquistar a medalha de ouro.

Objectivos:

* Reforçar a consciência da necessidade e da importância de apoiar a mulher no acto de amamentar;
* Disseminar informação actualizada sobre como apoiar a mulher na amamentação;
* Incentivar a criação de condições de excelência para apoiar a mulher.

Lembre-se, as mães precisam de:

* Escuta com empatia;
* Informação básica, correcta e oportuna;
* Ajuda prática de pessoas capacitadas e familiares;
* Incentivo.

Para saber mais, consulte:

Semana Mundial do Aleitamento Materno 2008
http://worldbreastfeedingweek.org (em Inglês)


Em Portugal, a Semana Mundial do Aleitamento Matermo comemorar-se-á de 6 a 12 de Outubro e será organizada pela Direcção-Geral da Saúde. A escolha desta data permitirá fazer o planeamento das acções a desenvolver.

Para comemorar este acontecimento, a associação SOS Amamentação irá iniciar os
Grupos de Apoio ao Aleitamento Materno, de forma regular, a partir de 9 de Outubro.

sábado, 19 de julho de 2008

Confirmada relação entre aleitamento materno e desenvolvimento da inteligência


Estudo realizado em 14 mil crianças:

O aleitamento materno prolongado favorece o desenvolvimento cognitivo e a inteligência das crianças, segundo os resultados do maior estudo realizado até à data. O estudo foi publicado na revista norte-americana “Archives of General Psychiatry”.

Vários estudos estabeleceram já uma relação entre o aleitamento materno e o desenvolvimento do cérebro, mas estes resultados, cujos trabalhos foram liderados por Michael Kramer, da Universidade McGill de Montreal, Canadá, constituem o maior estudo alguma vez realizado. Cerca de 14 mil crianças foram seguidas durante seis anos e meio em cerca de trinta hospitais e clínicas da Bielorrússia.

Metade das mães foi exposta a um programa que visava encorajar o aleitamento materno, tendo as outras continuado a receber o habitual acompanhamento pós-natal.

O estudo conclui que o aleitamento materno produz uma subida do Quociente Intelectual das crianças e uma melhoria do seu rendimento escolar, segundo informou a universidade McGill em comunicado. “O nosso estudo constitui a maior prova até hoje de que um aleitamento materno prolongado e exclusivo torna as crianças mais inteligentes” afirmou Kramet, professor de Pediatria, Epidemiologia e Bioestatística na Faculdade de Medicina da Universidade McGill.

20 de Junho de 2008,
in Saúde na Internet, Rede MNI

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